Titre VI : Application des conventions et accords collectifs
D. Jurisprudence administrative
A condição de universitários e a relação destes com a universidade, enquanto lugar de formação e saber, representa uma determinada mediação presente na historia da vida dos sujeitos. A discussão sobre a relação entre trabalho e educação tem sido feita por diversos setores da sociedade e pode-se atribuir ao longo da história da universidade diversos papéis, desde o adestramento, capacitação até a formação e informação (Freire, 2002).
Historicamente, tais papéis da instituição de ensino superior se articulam entre o passado, o presente e o futuro. O contexto universitário é repleto de uma profusão de imagens midiáticas que representam signos e símbolos sociais de sucesso ou de futuro promissor. Por outro lado, as políticas públicas relacionam a escolaridade de um povo com o aumento das perspectivas econômicas e melhoria de condições de vida.
O universo acadêmico além de estar voltado para o ensino, a pesquisa e a extensão, apresenta dimensões outras relativas ao aspecto mais específico da profissionalização, sendo co-participante e responsável no processo do sujeito em preparar ou projetar um determinado futuro. Ao longo do período universitário, o papel do ensino, da educação e formação estão relacionados com uma mobilização subjetiva que significa o esforço que o universitário deve apreender para obter seus objetivos profissionais.
Considera-se que a universidade é um lugar legítimo para a produção de conhecimento, um espaço para pesquisar, pois o fato de participar da vida universitária promove alterações, percepções de si e visões de mundo que mediam os sentidos do trabalho. Um grupo que permanece durante quatro anos no ensino superior buscando sua formação profissional é seguramente distinto de outros que jamais adentraram o ambiente universitário.
Os sentidos do trabalho para os universitários são transformados a partir da vivência no ambiente universitário, no qual o sujeito dedica boa parte da sua vida para preparar-se para o trabalho. Esta condição de aluno do curso superior, e de qualificação para o trabalho, promove transformações muitos aspectos subjetivos, desde a sua visão de mundo, até a visão de si mesmo frente ao trabalho. São mudanças histórico culturais vividas, que alteram suas condições de vida e têm um papel fundamental na produção de novos sentidos.
Existe um universo simbólico que legitima uma determinada ordem social e os sujeitos passam a habitar este universo e muitas vezes a aceitam como natural (Berger e Luckmann, 1989). A universidade representa na história de vida dos sujeitos, uma transição de uma condição de aluno para uma condição de profissional. “Não só todo fenômeno tem sua história, como esta história é caracterizada por mudanças qualitativas (mudanças na forma, estrutura e características básicas) e quantitativas” (Vygostsky, 2003, p.8).
Considera-se que a universidade tem um sistema de significações e referências onde se veicula e transforma valores associados do trabalho. É fundamental questionar o papel das instituições como formadoras e transformadoras de atitudes e valores, interferindo no comportamento, na conduta e na vida cotidiana dos sujeitos e por conseqüência na própria sociedade. Trata-se de encarar a universidade como instituição mediadora e produtora de sentidos do trabalho, que são culturalmente apropriados pelos sujeitos.
A estrutura em questão se trata de uma instituição pública com quarenta e cinco anos de existência, localizada na capital do Estado de Santa Catarina ( Fonte: http://www.ufsc.br/paginas/historico.php), que oferece sessenta e dois cursos de graduação com bacharelado e de licenciatura em todas as áreas de conhecimento, além de cursos de mestrado e doutorado. A diferença entre se estudar em uma universidade federal e uma particular, repercute em discursos sociais quase como uma apologia ao mercado de trabalho. Assim, a grande preocupação quanto à inserção do formando mascara situações nas quais, dependendo de seu lugar social e do curso escolhido, tendem a ocupar empregos mais instáveis e precários.
A missão da universidade em seu estatuto (Fonte: http://www.ufsc.br/paginas/historico.php ) é "produzir, sistematizar e socializar o saber filosófico, científico, artístico e tecnológico, ampliando e aprofundando a formação do ser humano para o exercício profissional, a reflexão crítica,
solidariedade nacional e internacional, na perspectiva da construção de uma sociedade justa e democrática e na defesa da qualidade de vida”. Tem por finalidade, também, a formação profissional na missão da universidade, o elemento formador é que define nosso percurso de reflexão acerca da universidade.
A universidade o lugar decisivo de apelo a uma resposta social, da qualificação para o trabalho, vista pelo senso comum quase como que “garantia de profissionalização”, e como tal é geradora de possibilidades e impossibilidades da inserção profissional. Neste contexto a transição, passagem de uma situação de inatividade, associada ao período escolar obrigatório – para uma de atividade – seja por meio de uma ocupação, seja na condição de desempregado – faz com que ambos os temas adquiram maior intensidade nos discursos dos alunos.
Nesta relação escola-trabalho, se constitui novas possibilidades de sentidos do trabalho entre os universitários e trazem suas implicações no projeto de vida dos mesmos. São pois os formandos universitários que se inscrevem na sociedade na convergência entre o sistema educativo e o sistema produtivo. A fim de compreender os sentidos do trabalho, a universidade é eleita como um lugar privilegiado para pesquisar, principalmente porque também atua como reprodutora das relações de dominação social, gerando contradições, condição fundamental promovida pelo sistema capitalista. Passa-se a abordar quem são os sujeitos desta pesquisa.