Os dados analisados, nesta pesquisa, constituem-se de enunciados postados no perfil institucional do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (doravante APP-Sindicato) na rede social Facebook17. Dessa maneira, são
enunciados produzidos nas redes sociais, em específico o Facebook, um espaço interacional que possibilita a hibridização de discursos e enunciados das mais variadas esferas discursivas como, por exemplo, a esfera do sindicalismo, a esfera escolar e a cotidiana, como observamos neste trabalho.
A APP-Sindicato foi a primeira organização sindical criada pelos profissionais docentes da rede de ensino público paranaense. A instituição foi fundada no dia 27 de abril de 1947, sob o nome “Associação dos Professores do Paraná” (APP). No entanto, foi somente em 18 de março de 1989, com o fim da ditadura, que a entidade pode assumir a condição de sindicato. Livre do impedimento que a ditadura impôs, a entidade foi capaz de assumir o nome que possui hoje, APP-Sindicato dos Professores das Redes Públicas Estadual e Municipais no Paraná.18
Durante o seu percurso histórico, o sindicato unificou-se com outros sindicatos da área de educação pública do Paraná. Em 1981, uniu-se com a Associação do Pessoal do Magistério do Paraná (APMP) e em 1997 a entidade se uniu com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (Sinte-PR). A unificação da APP-Sindicato com o Sinte surgiu da necessidade de organizar os trabalhadores da educação do Paraná em uma só categoria.
A instituição está filiada à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), o Fórum Paranaense em Defesa da Escola Pública e também com o Fórum dos Servidores Públicos do Paraná. Em seu site, a APP-Sindicato afirma que trabalha em união com essas instituições, pois a parceria entre todos os funcionários da educação produz (e produziram) ações e propostas importantes que beneficiam a todos.
17 No capítulo 3.2 desta dissertação, a rede social Facebook é abordada com mais profundidade, como um espaço interacional onde imbricam-se discursos e enunciados de diferentes esferas sociodiscursivas.
18 Dados retirados do site da instituição. Disponível em: http://appsindicato.org.br/index.php/historico/. Acesso em: 02/03/2016.
Além disso, por enfrentar e lutar por problemas que não afetam somente os professores e funcionários da educação, mas também outras categorias profissionais como bancários, agricultores, comerciantes, entre outras, a instituição também é filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT). A APP considera que as propostas aos problemas e ações de resistência podem ser pensadas em conjunto com toda a classe trabalhadora.
Segundo o estatuto19 da instituição, a APP-Sindicato possui como principal
prerrogativa a representação, junto às autoridades administrativas e judiciárias, dos interesses gerais, individuais ou coletivos, dos funcionários da educação pública do Paraná, onde se incluem professores, pedagogos e funcionários de pré-escola, ensino fundamental, médio e especial, das redes públicas estadual e municipal do estado do Paraná.
No artigo 5º de seu estatuto são listados cinco deveres principais da APP- Sindicato, que compreendem-se em: I – Defender as causas dos trabalhadores em educação sempre, onde e quando for necessário; II – encaminhar o Plano de Lutas e as campanhas reivindicatórias nos níveis educacional, social e político; III – reivindicar, junto aos poderes competentes, isoladamente ou em conjunto com entidades, sindicatos e movimentos populares, uma política educacional que atenda aos interesses da população; IV – zelar pelo cumprimento da legislação, Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho, Contrato Coletivos de Trabalho, sentenças e similares, que se assegurem direitos à categoria; V – estimular a organização da categoria nos locais de trabalho. (APP-Sindicato, 2013, p.4).
A instituição utiliza de diferentes meios de comunicação para divulgar suas atividades no âmbito do sindicalismo, concretizando assim os seus projetos discursivos. O principal veículo de informação da APP-Sindicato é o Website20 onde, além de apresentar notícias relevantes aos funcionários públicos da educação do estado do Paraná, é possível ter acesso a todos os outros veículos utilizados pelo sindicato para comunicar suas ações. Em seu site, é possível acessar a TV APP onde, por intermédio de uma conta na rede social de compartilhamento de vídeos Youtube, é possível acessar reportagens e entrevistas realizadas pela equipe jornalística do sindicato. Além disso, há a Rádio APP, em que as ações do sindicato são compartilhadas em formato de áudio por meio da ferramenta de compartilhamento de
19 Disponível em: http://appsindicato.org.br/index.php/estatuto/ Acesso em: 26/06/2016. 20 Disponível em: http://appsindicato.org.br/
áudio online Soundcloud. Também é possível, pelo Website, o acesso à versão digitalizada dos jornais impressos distribuídos pelo sindicato. Ao todo, são três jornais impressos produzidos pela APP-Sindicato, são eles: Mural da Educação, Página da Educação e Jornal 30 de Agosto, além das edições especiais de impressos que incluem panfletos e comunicados a respeito de greve e manifestações.
Além do Website e dos perfis no Youtube e Soundcloud, já citadas anteriormente, a instituição também possui perfil em outras redes sociais, como o Facebook – foco deste trabalho. Assim, a instituição lança mão de convergência tecnológica, por meio de diferentes mídias, para concretizar seu projeto discursivo e alcançar o seu interlocutor previsto. Portanto, nesses ambientes online, é possível afirmar que a esfera sociodiscursiva do sindicalismo está inserida e imbricada com outras esferas, como a esfera educacional, do jornalismo e do cotidiano.
Embora esta dissertação analise textos publicados em uma rede social pública, entramos em contato com a instituição APP-Sindicato com vistas a solicitar a autorização para realizar a presente pesquisa, bem como usar o nome da instituição e as postagens de sua página pessoal no Facebook nas análises empreendidas. A declaração de anuência de pesquisa encontra-se em anexo.
Como esta dissertação busca compreender como a identidade docente é discursivizada em enunciados, publicados no perfil da instituição na rede social Facebook, a subseção a seguir detalha o processo de geração dos dados.