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Neste momento me debruço sobre o Projeto Integrador do Curso Técnico Integrado em Química como possibilidade de uma educação mais contextualizada e menos “decorativa”, capaz de alcançar os mais diversos níveis de entendimento de conteúdos e abrangente a todos os estudantes. Essa proposta vem ao encontro aos princípios levantados no PDI (IFF, 2009) da instituição e que considero serem os mais efetivos na formação de um cidadão completo, capaz de emitir opiniões, estar consciente de suas responsabilidades no mundo atual e apto para ingressar no mundo do trabalho, com capacidade de desenvolvimento

nas mais diversas atividades propostas pelo empregador. São fundamentos básicos e princípios do IF Farroupilha (2009, p. ):

 Ser um espaço de construção do conhecimento, de socialização e de crescimento individual e coletivo.

 Respeitar as diferenças, sem desconsiderar os conhecimentos, valores e cultura prévios dos atores envolvidos no processo educacional.

 Contribuir na formação de cidadãos comprometidos com a realidade social, autônomos e empreendedores.

Segundo o PPC Química (IFF, 2010, p. 27), o Projeto Integrador é desenvolvido como proposta que pretende aliar a teoria e a prática com diferentes disciplinas do período letivo, procurando utilizar o ensino, a pesquisa e extensão para isso, além de promover de maneira efetiva a interdisciplinaridade entre as mesmas disciplinas. O trabalho de articulação dessa atividade fica a cargo da coordenação do curso, no entanto, sua elaboração é feita em conjunto com todos os seus professores, que entendem que sua disciplina pode contribuir com a temática proposta. Saliento que o professor é livre para participar. O referido projeto deve estar explicitado nos planos de ensino de todas as disciplinas envolvidas e ser capaz de integrar áreas de conhecimento, além de apresentar resultados práticos e objetivos que tenham sido propostos pelo coletivo envolvido no projeto. Ele é desenvolvido durante o ano letivo e o material desenvolvido durante o período é apresentado em momentos previamente definidos, sendo que essas práticas podem ser compartilhadas pelos demais estudantes do curso e comunidade em geral através da Mostra dos Trabalhos, onde são apresentados resultados dos projetos integradores desenvolvidos.

Salienta-se que o Projeto Integrador visa orientar o educando para a elaboração de um projeto em que o aluno deverá utilizar as ferramentas adquiridas nos componentes curriculares, exercitando a interdisciplinaridade, e, procurando sempre o apoio técnico dos educadores e colegas.

A organização do Projeto Integrador ocorreu simultaneamente ao estudo aqui apresentado, portanto, não há resultados concretos, pois os docentes ainda estavam construindo a proposta. Nota-se, porém, nas falas dos professores que o projeto é aceito por todos, mostrando-se abertos para a essa iniciativa, cujo fato expresso na seguinte fala do sujeito participante da pesquisa:

Acho que o primeiro passo, engatinhando talvez, foi o Projeto Integrador, que agora pensando melhor é uma coisa interessante, se a gente for relacionar com a música, tem aqui: na hora do jornal eu desligo porque eu não sei nem o que é

inflação, claro que na época dessa música a inflação era uma coisa bem violenta, essa música aqui é de 93, 94, foi logo depois do impeachment do Collor, mas acho que o Projeto Integrador vem buscar isso, não só a integração das disciplinas, mas você tentar trazer para o teu dia a dia, e isso aqui é uma coisa do dia a dia, o que é inflação, cada Projeto Integrador vai ter seu tema e é um primeiro passo para mudar isso [...]. (Sujeito 2).

O que venho defendendo no decorrer deste estudo é uma forma mais transparente de avaliar e que não sejam avaliados somente os conteúdos conceituais e, nesse sentido, o Projeto Integrador surge como uma alternativa. Por intermédio dessa iniciativa podemos buscar um meio mais efetivo de avaliar, procurando trabalhar todas as possibilidades de desenvolvimento dos estudantes, fazendo com que os mesmos não fiquem reféns de métodos fechados de ensino, mas que abranjam todas as suas capacidades. Que ele seja capaz de não somente verificar a apreensão de conhecimentos estáticos, que basicamente são utilizados para progressão ou não à série seguinte, mas de conhecimentos que se movem no dia a dia, através da sua vida cotidiana, como por exemplo, a questão do lixo – seu destino, reaproveitamento e processos químicos por que passa até voltar ao mercado. Isto fica claro na fala do sujeito:

Eu acho que no momento uma das coisas que vai nos ajudar no Processo de Avaliação é a apresentação do Projeto Integrador, por exemplo, onde você vai ver o quanto eles conseguem entender [...]. (Sujeito 3).

A constatação acima, porém, não foi completamente comprovada, pois apesar de haver melhorias positivas enquanto formação integral dos estudantes, os professores ainda não conseguem verificar essas mudanças no desenvolvimento do Processo Avaliativo, o que foi exposto na fala do sujeito:

[...] ele não tem contribuído muito na questão da avaliação no sentido que o processo não está sendo integrado, o planejamento das minhas aulas não tem o projeto integrador fortalecido, pois eu penso que o planejamento deveria ser conjunto e no final você também fazer avaliação coletiva [...].

Todo começo de algo inovador precisa de tempo para que amadureça e dê bons frutos. Isso fica evidente no Projeto Integrador desenvolvido pelos professores do Curso Técnico Integrado em Química, juntamente com a direção de Ensino no decorrer do ano de 2011. Inicialmente não se sabia como trabalhar essa metodologia de Projeto Integrador, havia dúvidas quanto ao seu funcionamento. Essa dinâmica aconteceu de março a maio daquele ano, até que foi compreendida e colocada em prática, não de forma completa, mas por partes, agrupada em pequenos grupos e, a partir daí, agregada a todos os envolvidos no processo.

Falo desse momento, pois fui participante como docente da atividade e não como pesquisador, estando ciente das dificuldades apresentadas e das mais diversas dúvidas que foram surgindo no decorrer do trabalho.

O desenvolvimento da construção do Projeto Integrador se deu em reuniões previamente agendadas para que todos pudessem participar, porém, não se conseguiu contar com a presença de todo o grupo de professores. Ficaram evidentes as diferenciações conceituais que os professores tinham sobre o Projeto Integrador, o que pode ser explicado talvez pela vivência de cada um, fato que gerou bastante discussão sobre a forma de implementá-lo. Notou-se, também, a tomada da frente das atividades por alguns professores, enquanto outros, talvez por não estarem seguros, se deixaram levar pelas proposições de um pequeno grupo. Imagino que pelo tema em que o Projeto Integrador do curso Técnico Integrado em Química se desenvolveu os professores mais voltados a essas áreas tiveram uma inserção maior no contexto, ou seja, as disciplinas de Química e Biologia estiveram mais ativas nas atividades.

O trabalho resultante das reuniões pedagógicas foi intitulado Entendendo o ambiente

através da Química, e procurou englobar as mais diversas áreas do conhecimento dentro de

temas que pudessem relacionar o conteúdo desenvolvido na sala de aula com a sua vida cotidiana, seus conceitos práticos e utilidades na vida diária. O tema escolhido tem muito a ver com a organização dos eixos temáticos e a estrutura curricular durante os três anos em que os estudantes estão na instituição, os quais são divididos da seguinte maneira:

1° ano 2° ano 3° ano

Ciência, Cultura e Linguagem Ciência, Tecnologia e Responsabilidade Social

Trabalho, Tecnologia e Meio Ambiente

Quadro 6: Eixos estruturantes.

Fonte: Projeto Político de curso Técnico Integrado em Química (IFF, 2010).

A temática desenvolvida, portanto, procurou envolver ciência, cultura e linguagem, o que acabou levando aos seguintes temas: da Alquimia à Química; processo Haber-Bosch: a

síntese da NH3; tratamento do lixo urbano; química e agricultura: o uso de agrotóxicos; corantes: da Antiguidade aos sintéticos; microondas: funcionamento, aplicações e mitos; radioatividade e o átomo: ajuda ou risco à humanidade?; sais e o corpo humano; biocombustíveis; tratamento de resíduos; ácidos no cotidiano; armas químicas; tratamento de água e efluentes; por que alguns alimentos são mais calóricos?; as atividades de um químico; espectro luminoso: onde Bohr se faz presente?

Foram escolhidos de dois a três professores como orientadores para cada grupo de três estudantes por projeto a fim de estipular limites e conduzir a direção do trabalho. Como já citado anteriormente esse foi um trabalho bastante difícil, que perdurou do início de abril a julho de 2011, quando houve a sua sistematização, possibilitando a nossa organização a fim de auxiliar os alunos nessa tarefa. No decorrer do estudo os estudantes precisavam apresentar relatórios parciais com o andamento das atividades para que pudéssemos participar com nossas contribuições, o que serviu de esteio para que eles sanassem suas dúvidas. Creio que o Projeto Integrador pode contribuir com essa formação integral a que tenho me referido no decorrer do estudo, sendo que o sujeito 4 reafirma isso:

[...] com relação ao projeto integrador acho que sim, que ele pode contribuir e muito para a formação integral do aluno, mas acho que a maior dificuldade nesse instante é nossa, dos professores, de conseguir sentar juntos, planejar juntos e isso precisaria ser diferente, com a gente sentar uma tarde toda, discutir, planejar e dizer: a geografia precisa desenvolver isso, isso e isso e as outras disciplinas também [...].

Precisamos, porém, melhorar a dinâmica de desenvolvimento do trabalho, pois da forma como é feito hoje não conseguimos contribuir de maneira significativa para uma educação integral ou, ainda, para que o processo avaliativo se modifique da mesma forma. A fala do sujeito 3 referenda isso:

[...] atualmente a gente só recebe o projeto, lê, dá as contribuições que a disciplina pode dar nesse projeto, a gente não senta, não discute, não vê em que momento eu poderia entrar com essa questão da matemática e acho difícil a gente fazer isso com o trabalho em andamento [...].

A contribuição que se espera deste trabalho é que o Projeto Integrador melhore a questão do processo avaliativo desenvolvido, sendo mais processual, mais abrangente, verificando todas as nuances da aprendizagem.

Um dos docentes afirma que os professores envolvidos na elaboração do Projeto Integrador fizeram uma avaliação coletiva dos trabalhos, porém ela acabou ficando superficial, sendo que poderia ser muito mais proveitosa, como mostra a fala do sujeito a seguir:

[...] tivemos nossa avaliação em conjunto, sentamos, discutimos projeto por projeto e aluno por aluno, mas nós devíamos ter feito isso lá no começo, tema por tema, por exemplo, tratamento de esgoto, entra química, biologia, solos, geografia, etc. [...].

Creio que essa é uma evolução que já vem acontecendo, pois neste ano de 2012 houve outras posições quanto à organização da atividade, com professores mais envolvidos e mais cientes das responsabilidades que cada um possui. Essa melhora deve-se à maior compreensão do que significa o Projeto Integrador e os erros que foram apresentados no ano de 2011, os quais acabam por provocar a elevação da qualidade do trabalho, tornando as atividades mais atrativas e levando a trabalhos mais autênticos, com a “cara” dos estudantes.

Durante o desenvolvimento das atividades havia entre os professores algumas dúvidas quanto ao Projeto Integrador, pois não se tinha clareza quanto ao seu andamento e, consequentemente, dos seus resultados. Com o passar das atividades, porém, foi se percebendo que seria um avanço enorme em relação à educação segmentada que até então era desenvolvida. Concluiu-se que deveríamos pensar juntos, planejar juntos e também avaliar juntos, fato que se comprova na fala de um dos sujeitos da pesquisa:

Só falta a gente sentar, planejar juntos [...]. (Sujeito 1).

É preciso considerar que nem todas as áreas puderam ser envolvidas a fundo no Projeto Integrador. Algumas disciplinas, como a Educação Física, por exemplo, ficaram de fora em determinadas áreas do conhecimento, fato considerado normal, pois nem todas têm alguma relação íntima com a temática que seria desenvolvida nos projetos. Entretanto, minha contribuição com os projetos foi auxiliar na busca de relações com o cotidiano e a influência que aquele trabalho poderia gerar na comunidade. Além disso, buscar a compreensão juntamente com os estudantes sobre todas as características e conceitos atrelados ao mesmo projeto, tanto na parte de conhecimentos conceituais, como procedimentais e atitudinais. O que não podemos exigir, contudo, é uma aproximação forçada, gerando um trabalho descontextualizado, que nada acrescenta à formação dos estudantes.

Apesar da disposição mostrada pelos sujeitos da pesquisa em conhecer e desenvolver o “novo”, ainda se constata a “obrigação” da maioria dos sujeitos em cumprir uma gama de conteúdos, considerados obrigatórios e essenciais para uma boa educação. Isso fica evidente na fala do sujeito:

E também tem uma lista de conteúdos que tem que ser seguido, então ainda existe aquela pressão que tem que ver todos aqueles conteúdos [...]. (Sujeito 1).

Creio que a pressão citada pelo sujeito integrante do estudo se refira à estrutura escolar hoje apresentada, o que acaba levando aos vestibulares tradicionais, voltados à admissão dos mais capazes em decorar fórmulas e cálculos, classes e famílias ao invés do mais preparado em todas as instâncias da vida. Imagino não ser o ideal o estudante passar três anos da sua vida se preparando para o Vestibular, cuja tarefa é pequena demais tendo em vista a importância que a educação escolar deve preencher na vida de uma pessoa. Para Zabala (1998, p. 197), a função social do ensino não consiste em apenas promover e selecionar os “mais aptos” para a universidade, mas sim o preenchimento de outras dimensões da personalidade.

É no mínimo superficial que preparemos apenas cerca de 10 a 20% dos estudantes, pois é essa a porcentagem de estudantes que ingressa nas universidades, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Censo de 2010. E a grande maioria é preparada para quê? Essa concepção, portanto, é extremamente excludente e elitista, levando cada vez mais ao distanciamento das classes que têm condições de pagar uma escola particular (que prepara os estudantes para questões de múltipla escolha e um cursinho pré- vestibular) daquelas que estudam nas escolas públicas e não possuem as mesmas condições levantadas acima.

Apesar dos avanços apresentados ainda presenciamos a compartimentalização dos conteúdos e, com isso, um consequente Processo Avaliativo cercado dessa mesma compartimentalização, consequência, talvez, da formação inicial e continuada que recebemos e a estrutura escolar apresentada desde há muito tempo. Essa mudança necessita de tempo e compromisso para ser implantada por inteiro dentro do IF Farroupilha – Campus Panambi, RS. A compartimentalização dos conteúdos é clara, e apesar de os Projetos Integradores terem sido desenvolvidos conjuntamente num grupo de docentes, seu Processo de Avaliação se deu de forma individual e estanque na maioria dos casos, pois se notou diferenças na forma de avaliação das atividades dos projetos. Alguns fizeram sua avaliação de acordo com o que foi apresentado no dia dos trabalhos, ou seja, na Mostra dos Trabalhos; outros por conceitos; e outros ainda por notas que serviram somente para classificar. A presença desses problemas evidenciou que a maioria dos professores não leva em conta a construção do conhecimento do estudante, deixando de lado a caminhada que foi desenvolvida por eles até chegarem ao resultado final.

Apesar de não se poder generalizar o fato, o estigma de dar notas pelo que foi apresentado e não pelo processo pelo qual os estudantes passaram está presente entre os

docentes. Notas são atribuídas como parâmetro para a progressão de ano, e não como condição de um sujeito detentor de um conhecimento que o auxiliará na constituição de sua vida. Hoffmann (2010, p. 46) confirma isso, dizendo que o professor aplica provas e testes para simplesmente constatar resultados, os quais são explicitados em valores numéricos, o que leva a uma concepção de avaliação que venho combatendo no decorrer deste trabalho, caracterizada como sentenciva e classificatória. A autora segue afirmando que concebe e nomeia a avaliação mediante o “fazer testes” e o “dar notas” uma atitude simplista e ingênua. Significa reduzir o Processo Avaliativo de acompanhamento e ação por meio da reflexão a precários instrumentos desse processo, é como se o bisturi fosse entendido como um procedimento cirúrgico.

A atitude de avaliar deve ser inerente à ação educativa. Tal ação não pode ficar reduzida ao ato de dar notas, como presenciamos em alguns casos na avaliação do Projeto Integrador, mas sim deve ser efetiva, baseada na caminhada desenvolvida, baseada no crescimento alcançado pelo estudante em todas as esferas do conhecimento. O Projeto Integrador é um caminho que pode levar a frutos de grande qualidade e que podem se transformar em vinhos ótimos, porém, como todo parreiral, necessita de aperfeiçoamento e talvez até do descarte de algumas colheitas para que se chegue a um vinho de qualidade extrema. O caminho é doloroso, pois pensar dói e necessita de tempo para que os pensamentos e atitudes venham ao encontro aos princípios levantados à educação que se pretende no IF Farroupilha – Campus Panambi, RS.

O Processo Avaliativo tem me preocupado desde o início da minha trajetória docente. Trata-se de uma ação de extrema responsabilidade ter que aferir pessoas, dar conceitos a alguém, podendo ser danoso aos próprios professores, pois quase nunca terão a certeza de estar procedendo a avaliação mais coerente e consistente. Poderia fazer uma retomada história do conceito de avaliação neste trabalho, porém esse não é o enfoque que pretendo lhe dar. Trabalhos como esse existem em vasta quantidade, e não tenho interesse nessa discussão. Quero entender, entretanto, o significado da avaliação no contexto do IF Farroupilha – Campus Panambi, RS, levantado nas sessões grupais com os docentes e, a partir daí, buscar alternativas para a formação de nível Técnico Integrado ao Ensino Médio, a fim de mudar o estigma da avaliação pautada no medo e na reprodução, a qual já foi citada anteriormente.

No decorrer do próximo capítulo pretendo mostrar como está acontecendo o Processo Avaliativo no IF Farroupilha – Campus Panambi, estabelecendo as ligações entre o Projeto Integrador e o Processo Avaliativo.

4 PROJETO INTEGRADOR: UMA ALTERNATIVA?

Chego ao último capítulo desta dissertação com uma dúvida veemente e que procuro elucidar no decorrer do mesmo: será que o Projeto Integrador está sendo visto pelos docentes como um meio ou canal para que o Processo Avaliativo se constitua menos classificatório e mais abrangente, como regem as diretrizes que estão no Plano de Desenvolvimento Institucional e nos Projetos de Curso do IF Farroupilha? Ou apenas se constitui em mais um procedimento utilizado para realizar a mesma avaliação que há anos vem se desenvolvendo, baseada na capacidade de memorização e não na construção de conhecimentos de forma coletiva?

Questiono ainda: os docentes do próprio curso já interiorizaram essa proposta ou ela ocorre somente nos planos e projetos? Eles estão preparados para essa mudança, ou seja, estão prontos para organizar essa forma de ensinar e fazer a retomada do que foi apreendido através de um Processo Avaliativo coerente como pregam as diretrizes do IF Farroupilha e Projetos de Curso? Estão conseguindo fazer a articulação entre a avaliação e o processo diário de ensino e aprendizagem?

Procuro buscar nas transcrições das entrevistas com o Grupo Focal as possíveis respostas para esses questionamentos que levanto, não as considerando como verdades em si, mas como elementos problematizadores.

Como foi apresentado no segundo capítulo desta dissertação, os participantes da pesquisa se mostraram receptivos às mudanças, mesmo que num primeiro momento tenham sido contrários às modificações, pois também teriam que se modificar e como qualquer mudança leva tempo e incomoda, viam as alterações somente como novos “métodos” para ensinar a mesma coisa. Citam posteriormente que o Projeto Integrador poderia auxiliá-los na modificação dessa visão fechada do ensino e aprendizagem, saindo da pura classificação para uma atividade mais participativa que colabore para uma formação mais ampla do estudante. Apesar de concordarem que é uma possibilidade que pode auxiliar, entendo que se tem um longo caminho a percorrer, pois ainda não se consegue fazer a construção dos projetos conjuntamente, sentar e planejar. Para corroborar, um sujeito da pesquisa afirma:

Para que o Projeto Integrador consiga modificar a prática que temos hoje nós precisamos sentar e planejar juntos. (Sujeito 1).

Nota-se uma preocupação muito grande em como isso poderia acontecer, o que é um fato normal, pois o medo e a dúvida sempre precedem as mudanças. Os sujeitos participantes da pesquisa estão conscientes de que o sistema tem seus problemas e que não serve mais da forma que está estruturado, entretanto, não sabem como agir, como realizar as mudanças e, em muitos casos, não estão preparados para as modificações. No meu ponto de vista não conseguem utilizar a avaliação para melhorar o processo de ensino e aprendizagem. Um

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