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Un Juif ne peut plus être à la tête d'une entreprise »

Chapitre II : les régimes totalitaires dans les années 1930

Article 2. Un Juif ne peut plus être à la tête d'une entreprise »

Cuidar não é, de forma alguma, um processo simples e linear. Implica lidar com situações complexas e de elevado nível de dificuldade que exigem estratégias de igual complexidade. Ao lidarmos com a vida humana, sobretudo numa situação de fragilidade e do aproximar eminente da última etapa da vida terrena, as questões éticas assumem contornos de destaque, essencialmente se existem situações não resolvidas ou de negação do processo de doença. O mesmo se verifica em caso de conflitos familiares e de pedidos de Conspirações do Silêncio ou de “mentiras piedosas”. É fulcral mantermo- nos leais aos pressupostos dos CP e à verdade acima de tudo. Manter as relações de confiança e terapêutica estabelecidas e permitir a esperança realista. Deve haver espaço para debate de ideias e desmistificação de ideias preconcebidas e mitos associados a tratamentos farmacológicos, a clarificação de conceitos de eutanásia, encarniçamento terapêutico e sedação paliativa. Se pusermos na mesa todas as opções e clarificarmos as opções terapêuticas, mais facilmente conseguiremos dar resposta a estes dilemas. Caso a situação se coloque entre profissionais de diferentes Equipas e a Equipa de CP é importante demonstrar, à luz dos actuais conhecimentos científicos e evidências práticas, que os CP são uma ciência rigorosa e solidamente assente em pressupostos científicos demarcadamente comprovados internacionalmente.

Os profissionais de saúde que acompanham doentes em fim de vida são, inúmeras vezes, confrontados com dilemas éticos que se transformam em verdadeiros desafios, sendo crucial que estejam preparados para evitar conflitos, devendo ter presentes os

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quatro Princípios Bioéticos: Autonomia (auto-determinação), Beneficência (fazer o bem), não-Maleficência (não provocar danos) e Justiça (equidade) (Watson et al, 2010). O processo de morrer e a morte em si, criam questões éticas profundas sobre o sentido e valor da vida humana. Watson et al (2010), refere que se um doente no nosso contexto prático nos questiona sobre eutanásia, isso pode ser significativo de assuntos não resolvidos, medo ou culpa que necessitam de ser avaliados e explorados.

Através das perícias de comunicação e no estabelecimento de uma relação de confiança doente-profissional, essas atitudes e medos podem ser “desmontados” e estabelecer-se um plano de intervenção, diminuindo a necessidade de um pedido deliberado para abreviar a sua vida. Ellershaw e Wilkinson (2005) enumeram as questões éticas mais frequentes em CP: a ressuscitação cardiorrespiratória, a hidratação/nutrição, a eutanásia e a sedação paliativa. Já Pereira (2008:98) aborda as questões éticas na perspectiva da comunicação. Esta autora refere que “(…) as opiniões no domínio da informação (…) colocam-se em dois pólos extremos, a “verdade” e a “mentira” (…) outros ainda optam pelo silêncio”. Esta situação pode ocorrer devido a conflitos entre a preocupação em respeitar os direitos do doente e por outro lado, a vontade de os proteger.

Como profissionais de saúde devemos revestir-nos dum conjunto de atitudes morais das quais se destacam o respeito incondicional pela vida humana e sua dignidade, assim como a aceitação da finitude humana. A pessoa humana é um fim em si mesma, um ser único e irrepetível dotado de dignidade própria que, por intermédio da sua consciência, age livremente e se auto-determina. Enquanto seres autónomos, temos o direito de decidir sobre a forma como queremos ser cuidados e teremos sempre uma palavra a dizer acerca do nosso plano terapêutico. Como Profissionais do Cuidado devemos respeitar essa autonomia do doente, ao respeitar as prioridades e objectivos por ele traçados, não escondendo a informação desejada e respeitando a sua vontade de não ser tratado, quando o tratamento simplesmente nada mais faz que prolongar o processo do morrer (Princípio da Autonomia). Estaremos a proporcionar ao doente a tomada de decisão no seu processo de morte, sem lhe retirar a sua dignidade. Contudo, nesta procura pelo respeito da vida até à morte, não poderemos entrar numa atitude de obstinação terapêutica, de tratamentos fúteis e inúteis ou de paternalismo que agravam o sofrimento, prolongando a vida do doente. Teremos de ser capazes de deixar a morte ocorrer enquanto processo natural, não a atrasando nem apressando, muito menos provocando-a, mesmo que a pedido do doente (Princípios da Beneficência e não- Maleficência). Se as nossas atitudes terapêuticas e relacionais se centrarem no benefício do doente e sua família, terão sempre sentido e acrescentarão qualidade e dignidade aos cuidados prestados, estaremos a actuar sempre no melhor interesse do doente. Perante um doente em fase terminal temos de ter sempre presente que este é

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uma pessoa capaz de tornar a vida numa experiência rica de crescimento e plenitude, de se relacionar e de decidir até ao seu momento final. Cabe-nos partilhar e intervir activamente no processo de morrer, companheiros na morte em busca do sentido da vida.

No decorrer da Prática Clínica, a questão ética com que me deparei, em ambos os contextos de Estágio, foi relativa à hidratação. Ao acompanhar a ESCP de C. pude conhecer uma utente em situação de oclusão intestinal. Em consulta de ambulatório, a senhora veio acompanhada das filhas. Foi-lhes explicada pelo Médico a situação clínica, possibilidades terapêuticas, vantagens e desvantagens de cada uma delas e prognóstico. Recordo-me da firmeza de decisão da utente que, prontamente, respondeu que não pretendia tratamento cirúrgico, que apenas precisava da certeza de poder continuar a contar com o apoio da Equipa para alívio dos sintomas e da sua família para que pudesse permanecer em casa. Apesar de alguma relutância por parte de uma das filhas, ambas acabaram por aceder à vontade da mãe e respeitar a sua decisão (livre e informada).

Assim, foram informadas da impossibilidade de ingestão de qualquer alimento ou líquido pela boca, foram explicados os cuidados orais a ter para combater o desconforto/xerostomia, as intervenções terapêuticas para controlo das náuseas e vómitos (através de administração via subcutânea), a intervenção para alívio da dor (conversão do tratamento analgésico da via oral para a via subcutânea e transdérmica). Por fim, foi validada toda a informação transmitida pela Equipa à utente e família e agendada nova consulta, sendo que no dia seguinte iriam ser contactadas via telefone. O que mais me marcou e me fez reflectir nesta situação foi a resposta imediata daquela utente, sem qualquer dúvida acerca do seu futuro e de como gostaria de passar os seus últimos momentos, assim como a capacidade e esforço das filhas para apoiar e satisfazer o desejo da sua mãe e a sua disponibilidade para manterem os cuidados no domicílio. A intervenção da Equipa foi, também ela, criteriosa e sensível, empática e de verdadeira disponibilidade para com a utente e família, seguindo as guidelines para a comunicação de más notícias e no apoio à tomada de decisão consciente e informada. Segundo Buckman (2010) a relação entre doente e profissional de saúde pode resumir-se a duas equações básicas, o utente deverá ser entendido como a soma da doença e da pessoa em si, enquanto o tratamento será a soma da intervenção terapêutica com o profissional de saúde e sua atitude. Para este autor, a melhor e mais útil técnica de comunicação é a resposta empática, considerando-a a forma mais simples e directa de conhecer as emoções do doente ao permitir que se expresse e dando-lhe a conhecer que estamos disponíveis e atentos para o ouvir e interpretar as suas necessidades e emoções. De referir que a senhora faleceu nessa semana, em casa, de forma pacífica, acompanhada da sua família.

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Enquanto acompanhava a ECSCP de B. a mesma questão foi levantada, embora neste caso, apenas tenha sido no campo hipotético, já que o quadro não se veio a instalar durante a minha permanência. Contudo, foi uma oportunidade muito interessante de observar como se dissipam receios quanto ao futuro e avanço progressivo da doença, sendo que a questão foi colocada pelo cuidador informal, que mostrava muito receio quanto à possibilidade do seu ente querido vir a “morrer de fome ou de sede”. A Equipa abordou a questão referindo as evidências científicas actuais quanto aos benefícios/malefícios da hidratação/alimentação artificial, expôs como seria previsível o avanço progressivo da doença e de que forma esta se manifestaria. Este tema foi trabalhado durante várias visitas, até não restarem dúvidas ou receios por parte da família.

3.7. Comunica de forma terapêutica com o doente, familiares e Equipa de

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