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1/ JOB LINKGO

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A Ordem, enquanto jornal ultraconservador, representante ativo dos interesses católicos, da militância muito ativa da Congregação Mariana de Moços e da Ação Católica, reage aos eventos do governo Vargas com entusiasmo, pelas vitórias no campo da política, da educação e da proteção do país aos inimigos do povo.

Assim como em qualquer regime totalitário, a imprensa tem protagonismo. Não apenas a criação do DIP e dos DEIP’s, os órgãos oficiais de censura, garantiriam ao governo o apoio popular. É bem verdade que, não importa o tipo de governo, não há sustentação do mesmo sem o apoio da população. E para orientar a opinião pública, existem os meios de comunicação, assim como A Ordem.

A entrevista collectiva do Presidente Getulio Vargas

139 Edição 668, de 13 de novembro de 1937. Disponível em:

147 [...] queria apresentar seus agradecimentos á imprensa pela maneira vigorosa e patriotica com que colleborou com o governo na repressão á onda extremista140, trazendo o espirito publico num ambiente de receptividade para

a reacção que se faz contra a doutrina exotica.

[...] A deantou estar certo de que a imprensa continua disposta a collaborar intransigentemente com a ordem e com a lei, mormente quando o perigo ainda não passou141 sendo, mais do que nunca indispensavel uma conjugação

de esforços. [...] (A ORDEM. 12/01/1936)

Na medida em que o novo governo busca terminar o comunismo, perseguir e fechar a maçonaria, A Ordem apoia o regime, apesar do seu endurecimento e do fechamento dos partidos políticos142. Com o golpe, em 10 de novembro de 1937, Vargas assume o poder total no país. Sua fundamentação vai além dos eventos subsequentes à Intentona de 35, mas encontra explicação na criação de um tipo de Estado que controla, sim, mas que garante ao cidadão a segurança e a estabilidade necessárias ao crescimento do Brasil.

Dessa forma, a justificativa para tal mudança deve ser o mais racional possível, mais lógica possível, para garantir o apoio e adesão necessários para sua continuidade. Passado o pavor provocado pela divulgação do Plano Cohen, eram necessárias sustentação econômica e reorganização política para que o comunismo deixasse de ser uma ameaça. Ocorreu então o advento do Estado Novo Brasileiro.

Interpretando o Estado Novo

Liberalismo, Marxismo, Corporativismo

Interpretando a Constituição de 10 de Novembro, assim se expressa o Ministro Francisco Campos:

<<O liberalismo político e economico conduz ao communismo. O communismo se funda, precisamente, sobre a generalização á vida economica dos principios, das technicas e dos processos do liberalismo politico.

Toda a dialética de Marx tem por pressuposto essa verdade: a continuação da anarchia liberal determina, como consequencia necessaria, a instauração final do communismo. [...]

O corporativismo mata o comumunismo, como liberalismo gera o communismo. O corporativismo interrompe o processod e decomposição do mundo capitalista previsto por Marx como consequencia necessaria da anarchia libera.[...]

O corporativismo, inimigo do communismo e, por consequencia, do liberalismo, é a barreira que o mundo hoje oppõe á inundação moscovitta. Inimigo do liberalismo não significa inimigo da liberdade. Ha para esta lugar na organização corporativa.

E liberdade na organização corporativista é limitada em superficie e garantida em profundidade.[...]

(A ORDEM. 02/12/1937)

140 Refere-se à Intentona Comunista, no fim de novembro de 1935. 141 Refere-se à busca por Luís Carlos Prestes, ainda foragido. 142 Incluído neste contexto a AIB.

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O ministro desenvolve a argumentação de que o Estado Novo surge por necessidade econômica. Utiliza os próprios preceitos da filosofia marxiana em relação ao desenvolvimento histórico e da luta de classes que, por meio da evolução do capitalismo industrial, criariam as conjunturas e oportunidades para uma revolução proletária, socialista/comunista. Afirma que, de acordo com o desenvolvimento econômico do Brasil, que vem tendo sucesso nos anos anteriores, corria-se o risco das condições para uma revolução se apresentarem, assim como visto em 1935, e na suposta nova tentativa, mais facciosa e rude, em 1937.

Para resolver esta questão, evitar tal risco, uma nova modalidade econômica se faz necessária: o corporativismo. Muito semelhante ao que se sucedeu na Itália de Mussolini, o controle do trabalhador, em troca de concessões trabalhistas, leis e direitos inéditos no Brasil, Vargas busca o desenvolvimentismo nacional como resposta à concentração de poderes e perseguição ao comunismo.

Nos dias seguintes, Alceu Amoroso Lima, diretor civil da militância católica no Brasil, ganha espaço no programa oficial do governo, a “Hora do Brasil”, em que sustenta as palavras do Ministro Francisco Campos e realiza uma contribuição:

Tristão de Athayde falou hontem, na "Hora do Brasil"

Só o Corpo Mistico de Christo salvará o Brasil da catastrophe que se avizinha

RIO, 6 - Especialmente convidado, o sr. Alceu Amoroso Lima (Tristão de Athayde), chefe do laicato catholico brasileiro, proferiu hoje algumas palavras, na "Hora do Brasil", sobre o Communismo, encarando o de uma maneira profundamente sensata e realista. Estudou o marxismo em suas causas e applicação da doutrina em alguns paizes, especialmente na Russia. Entre as causas collocou o capitalismo industrial avançado.

[...]

O communismo tem uma concepção total do mundo. Só outra concepção total do mundo o pode substituir. A concepção communista é materislista e athéa. Contra ella a concepção catholica do univerno.

Contra a mistica proletaria, a mistica christã.

Finalizando o seu profundo discurso, o sr Alceu Amoroso Lima accentuou que só o Corpo Mistico de Christo (a Igreja Catholica), ao qual todos devemos nos incorporar, salvará o Brasil e o mundo da catastrophe materialista que se avizinha.

(A ORDEM. 07/12/1937)

Alceu Amoroso Lima reproduz a concepção do ministro de que o comunismo deve ser combatido com o controle do Estado sobre a economia e sobre o trabalhador. Estas declarações marcam o acolhimento das frentes de militância católica do país, arregimentados agora como massa política do Estado Novo, uma vez que a Igreja deve se submeter ao Estado Totalitário.

Enquanto esta submissão se consolida, as práticas totalitárias, as quais não apenas a Igreja mas as imprensas também devem adotar, surgem n’A Ordem, como o culto à personalidade. Em diversas ocasiões, o jornal veicula matérias sobre os feitos, as

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reuniões importantes com outros chefes de estado, de Vargas. Assim como seus discursos, publicados na íntegra, especialmente os que reforçam a política trabalhista, como os discursos realizados no Dia do Trabalho, de 1938 até 1945.

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Assim como parte integrante do culto à personalidade, que personifica o poder e o Estado, acontecimentos da vida pessoal de Vargas são noticiados com entusiasmo, como seus aniversários:

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O Presidente Getulio Vargas encaminha o Brasil para o triunfo de uma ressurreição economica

Reorganização de todas as suas fontes de produção

RIO, 18 - Para a edição especial com que a "A Manhã" festejará o aniversário do Presidente Getulio Vargas, o sr. Apolonio Sales, MInistro da Agricultura escreveu as seguintes palavras: "Com a mesma coragem de atitudes, só pol em quem tem a consciencia tranquila de estar ser indo á Patria. O Presidente Vargas, que já salvou o Brasil do cáos das competições politicas e ideologicas, encaminha-o agora, para os triunfos de uma ressurreição economica, pela organização de todas as suas fontes de produção". (A

ORDEM. 02/04/1942)

Ao mesclar as conquistas do governo com a figura de Vargas, é reforçada a sua autoridade e liderança da nação. Assim como todo líder totalitário. Mesmo em sua derrocada política, sua deposição em 1945, garante que ela seja feita de forma harmônica, sem ferir sua figura enquanto chefe da nação, muito menos a constituição de sua personagem histórica, aspectos mais valiosos naquele momento do que o efetivo cargo de presidente. Facilmente ele se elege senador e continua na esfera política pronto para as próximas eleições, em que retorna ao poder “nos braços do povo”.

Mas não deixa o cargo sem antes realizar uma declaração de despedida, a qual A Ordem publica na íntegra. Da mesma forma como cobre o golpe que o depõe, ressaltando que tudo foi realizado com absoluta ordem, sem confrontos. Ainda que o governo atravessasse períodos instáveis, a imprensa, inclui-se A Ordem, continua atrelada ao chefe da nação, de forma irredutível, até o momento final de seu governo.

143 Edição 1383, de 06 de maio de 1940. Disponível em:

http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=764051&pesq= Acesso em: 16/01/2018.

144 Edição 1953, de 20 de abril de 1942. Disponível em:

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