3.3 Jeux de données additionnels
3.3.1 Jeu de données OhioT1DM
Nesta subseção advogamos por uma visão da LA como campo de pesquisa investigativa da linguagem como prática social, seja no contexto de aprendizagem de língua materna ou de outra língua, seja em qualquer outro contexto em que surjam questões relevantes sobre o uso da linguagem (PAIVA 2009, p. 25).
Além de uma disciplina de foro próprio, autônoma, de reflexão e investigação, de ação e de intervenção, de articulação de problemáticas e que pressupõe uma metodologia pragmática de pesquisa (CUNHA, 2003, p. 23), cujas especificidades contribuem para o desenvolvimento do ensino aprendizagem/aquisição de línguas e para a formação de primeiros, segundos e terceiros agentes desse processo.
Embora a LA tenha alcançado avanços consideráveis nos últimos 30 anos, no Brasil, mais especificamente nos últimos 15 anos (MOITA LOPES, 1999, p. 420), vislumbramos que para sermos reconhecidos em âmbitos mais genéricos como as políticas públicas ou o senso comum temos a frente um longo caminho a percorrer (CUNHA, 2003; ALMEIDA FILHO, 2007).
Trabalhos indicam como marco de partida da LA o primeiro curso independente ministrado por Charles Fries e Robert Lado na Universidade de Michigan em 1946 (PAIVA, 2009 apud. TUCKER, s.d.). Paiva (2009) mostra que em um momento inicial os aspectos centrais da LA focavam questões teóricas em temas relativos à aprendizagem de línguas e ao diálogo com outras disciplinas.
Moita Lopes (1999) apresenta um levantamento cotejando os relatos de Gomes de Mattos e Wigdorsky (1968), mostrando os consideráveis avanços da LA nos últimos 30 anos. Na fotografia15 do autor, um fator relevante diretamente relacionado aos progressos da LA é a criação dos cursos de pós-graduação no Brasil. Segundo o mesmo autor, avanços da LA podem ser comprovados a partir da comparação de aspectos como a ampliação do número de programas de pós-graduação, de tópicos de pesquisa, de criação de associações de professores de LEs e LA, da organização de eventos científicos, do Projeto Nacional de Ensino de Inglês Instrumental, assim como o aumento de publicações na área e a elaboração dos Parâmetros Curriculares de língua estrangeira.
Até o início da década de 90 a área a LA era tida por alguns pesquisadores como campo de estudo de aplicação da linguística teórica16 ao ensino de línguas, principalmente, estrangeiras (ROTH & MARCUZZO, 2008). Porém, tanto em âmbito nacional como mundial essa perspectiva não foi aceita. As autoras asseveram que no Brasil linguistas aplicados como José Carlos Paes de Almeida Filho, Marilda de Couto Cavalcanti, Maria Antonieta Alba Celani e Luis Paulo Moita Lopes criticaram essa visão reducionista e contribuíram para a sedimentação da visão da LA como uma ciência aplicada auto-consciente e preocupada em encaminhar soluções sistemáticas para questões reais de uso da linguagem (ALMEIDA FILHO, 1991, p.7).
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Metáfora escolhida pelo autor para mostrar os avanços alcançados pela LA em 30 anos.
16 Uma forma desatualizada de denominação da linguística que tem como objetivo delimitar as duas disciplinas,
a linguística e a linguística aplicada. O Projeto Glossa define linguística como “Uma das três ciências que compõem a grande área da Linguagem cujo foco recai na descrição da estrutura e do funcionamento da linguagem humana em toda a sua complexidade e dimensões. Dentre os fatos que a Linguística procura descrever e explicar estão os padrões sonoros, gramaticais e lexicais bem como os mecanismos discursivos de uma língua em uso. Evoluções mais recentes incluem variações ou tendências na análise do discurso nas suas várias acepções”. E Linguística Aplicada como “Área de investigação científica que constitui uma de três ciências da grande área da Linguagem, aquela cujo foco é o estudo de questões da prática social envolvendo uso de linguagem. Os campos de atividade da linguística aplicada contemporânea incluem frequentemente o ensino e a aprendizagem de línguas, a interpretação, a tradução e legendagem, a terminologia e a lexicografia aplicadas e as relações sociais mediadas pela linguagem.”
Autoras como Cunha (2003) e Cavalcanti (2006) agregam valor à pós-moderna LA, problematizando respectivamente a indefinição da natureza dessa disciplina e sua denominação. Cunha (2003) observa a falta de reconhecimento acadêmico – nas instâncias da graduação e pós-graduação – do objeto de pesquisa da LA e aponta esse fato como um problema a ser enfrentado. Segundo a autora, enquanto pesquisadores de outras áreas não reconhecerem o objeto da LA de forma integrada e autônoma seguiremos tendo que administrar o fenômeno da “casa da mãe Joana17”. Por outro lado, Cavalcanti (2006) problematiza a própria denominação “linguística aplicada” que induz a uma de suas formas primevas, a aplicação de teorias linguísticas. Essa indução do reconhecimento pela denominação limita o entendimento da amplitude de nossa disciplina.
Roth & Marcuzzo (2008) realizam uma diferenciação entre as características da LA antes de 1980 e as atuais. Para as autoras até os anos 1980 a LA se caracterizava, em termos teórico-metodológicos, por privilegiar um método científico uniforme, centralizado no indivíduo completo em si, e buscando universalidades. Sua relação com o objeto de pesquisa estava propensa à elaboração de teorias sobre a descrição do sistema da língua e teorias sobre a linguagem.
As mesmas autoras acrescentam que em uma visão atual da LA encontramos o foco na construção conjunta entre uma teoria ‘geral’ e uma teoria ‘local’ para dar conta do contexto social, mantendo seu foco no participante da pesquisa que é reconhecido como ator sócio-histórico, transglobal, fragmentado e portador de identidades múltiplas. Além de também atentar para dimensões de investigação que favoreçam a linguagem a partir de uma semiótica social, e participar da era Pós-Método no ensino de línguas (com foco nos objetivos e no contexto).
Signorini (1998) em relato sobre o congresso de Linguística Aplicada realizado em 1998 que reuniu as quatro subáreas, em formação naquele momento, com campos específicos de ensino e de pesquisa em LA no país, a saber: Ensino/Aprendizagem de Língua Materna, Ensino/Aprendizagem de Língua Segunda e Estrangeira, Tradução e Educação Bilingue, pode observar a diversidade de temas e de perspectivas de abordagens, bem como o interesse generalizado pelo componente sócio-histórico e ideológico que constituem as práticas
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focalizadas (SIGNORINI, 1998, p. 172). Também se fez presente, ainda que com menor número de trabalhos, o interesse pelos fatores psicológicos e meta-psicológicos.
A autora verificou um crescente interesse pelas teorias pós-estruturalistas de interpretação nas diferentes subáreas, porém, sem relação com a existência de linhas de pesquisa ou projetos filiados a estas teorias que reunissem pesquisadores com interesses específicos variados. Verificou o mesmo com relação aos pesquisadores que trabalham com diferentes tradições de análise de discurso, com as teorias sócio-interacionistas, ou com metodologias de cunho etnográfico.
Signorini (1998, p.184) conclui que naquele momento os grupos de pesquisa e trabalho que têm como núcleo os mesmos assuntos e perspectivas teórico-metodológicas se mantinham isolados. Ela sugeriu que os congressos buscassem favorecer a pesquisa em diferentes horizontes e instituições.
Em panoramas traçados por Almeida Filho (2007), Paiva (2009) e Roth & Marcuzzo (2008), na atualidade a LA conta com um grande número de pesquisas em âmbito internacional, principalmente no âmbito das teorias de ensino/aprendizagem de línguas (EUA, Holanda, Inglaterra, Finlândia, Canadá, França, Austrália, Japão, Nova Zelândia e Grécia). Em comparação com outras realidades, os 33 países da América Latina possuem relativamente poucos programas. Podemos citar o tradicional programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Universidad Autónoma de México – CELE/UNAM, o Magister em Linguística Aplicada da Universidad Distrital de Bogotá e o Magister em Linguística Aplicada da Universidad de Santiago de Chile.
Segundo os autores aqui citados, atualmente a LA no Brasil conta com um movimento sistemático e reconhecido. E seus campos de atividade podem ser organizados em: ensino e aprendizagem de línguas, tradução e interpretação, tradução e legendagem, terminologia e lexicografia aplicadas e as relações sociais mediadas pela linguagem. A LA tem seus programas fortemente concentrados na pós-graduação, apresentando condições para seu desenvolvimento e continuidade (ROTH & MARCUZZO, 2008). Suas subáreas podem ser reconhecidas com denominações como o ensino/aprendizagem de línguas (subárea com maior dimensão e presença nos cursos) e a tradução (ALMEIDA FLHO, 2007).
São muitos os programas de pós-graduação voltados para a pesquisa aplicada no âmbito da linguagem, e entre estes os que chamam mais atenção são os que pesquisam o processo de ensinar e aprender línguas. Esses programas podem ser reconhecidos por sua
especificidade como programas de pós-graduação em Linguística Aplicada ou permanecerem menos visíveis como programas de letras ou estudos da linguagem (ALMEIDA FILHO, 2007).
Após termos identificado nossa área de pesquisa, a seguir passaremos a mostrar qual a perspectiva de nossa metodologia de pesquisa.