Os depoimentos de professores e estudantes mostrou que há uma lacuna entre as discussões promovidas no mundo da educação e o enfrentamento dos desafios impostos no mundo do trabalho. Ainda que os estudantes e professores reconheçam a importância da temática ética na sua formação, ressaltam que as condições experienciadas nos estágios supervisionados não são adequadamente problematizadas e não se sentem preparados para realizar as suas aspirações de prestar cuidados éticos adequados e resolver problemas. As instituições educacionais têm uma capacidade limitada para assumir seu papel e efetivar discussões críticas, uma vez que o modelo de educação não busca resgatar os valores e a dimensão ética no trabalho. Essas competências ainda são invisibilizadas nos projetos políticos pedagógicos dos cursos de Enfermagem e deveriam estar voltados a práticas pedagógicas que estimulem as competências da reflexão sobre a ação.
Do mesmo modo, o fato de a disciplina ou o eixo temático da ética se apresentar nos currículos em momentos iniciais do curso dificulta a contextualização teórico-prática, uma vez que a realidade torna-se distante e utópica. Apontam para capacitação contínua dos
professores e o reconhecimento da necessidade de se valorizar mais a formação ética e de humanização no atendimento ao paciente e nas relações com os integrantes da equipe de enfermagem, que, ao mesmo tempo em que cuidam do outro, necessitam também de cuidados.
Segundo os professores e estudantes há múltiplos elementos intervindo ao longo da formação do técnico de enfermagem e nos contextos de trabalho (estágios supervisionados), dentre eles: a motivação pela busca da ascensão social e imediata inserção no mercado de trabalho;a invisibilidade das questões éticas nos currículos voltados para o ensino deontológico e organizados sob a lógica do treinamento técnico e da moral da obediência; a falta de sensibilização e instrumentalização dos professores, de metodologias relacionadas à reflexão ética; o baixo desenvolvimento da capacidade de julgamento moral; a desvalorização da ação profissional no alcance dos objetivos dos serviços de saúde.
A qualificação no preparo desses profissionais críticos e reflexivos diante dessa exploração de dados necessariamente passa pela possibilidade de uma formação ético-cidadã e pelo desenvolvimento de métodos mais criativos e dialógicos que favoreçam um encontro reflexivo entre os sujeitos envolvidos, considerando o estreitamento entre a dimensão ética da formação profissional e as situações do mundo do trabalho.
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5.4 ARTIGO 3 - O SUJEITO ÉTICO NO TRABALHO E OS DESAFIOS DA FORMAÇÃO CRÍTICA DO TÉCNICO DE ENFERMAGEM
O SUJEITO ÉTICO NO TRABALHO E OS DESAFIOS DA