6.4 - MATHEMATIQUES, SCIENCES PHYSIQUES ET CHIMIQUES :
IV – RÉFÉRENTIEL DE SCIENCES PHYSIQUES ET CHIMIQUES
O conceito de Sociedade da Informação foi introduzido nos anos setenta do século passado por Daniel Bell e Alain Touraine e tem vindo a evoluir nestes primeiros anos do século XXI para converter-se na Sociedade do Conhecimento. A Sociedade da Informação é também denominada por Pós-Industrial, Pós-Moderna, Aldeia Global, Pós-Capitalista, Teia Global, Infoera. Todas elas visam descrever uma nova etapa do desenvolvimento social dentro da evolução da sociedade moderna.
Uma sociedade altamente tecnológica, onde tudo acontece a um ritmo alucinante, em que as distâncias e fronteiras se esbateram, onde cada indivíduo tem à sua disposição uma quantidade imensa de informação. Não há margem para dúvidas, finalmente deixamos a Sociedade da primeira revolução industrial e habitamos na Sociedade da Informação – uma sociedade que se move à velocidade do pensamento impondo a necessidade de formação constante dos indivíduos para essa realidade.
A designação utilizada para descrever a nossa sociedade não é consensual. Para Vieira (2005), é frequente a utilização indiscriminada das expressões “Sociedade da Informação” e “Sociedade do Conhecimento”, daí o autor (idem, 2005), sentir necessidade de nos situarmos face ao conceito que associamos à definição da sociedade atual: uma sociedade em que o acesso é facilitado pelas tecnologias à informação, vai contribuir de forma decisiva para a capitalização global da informação transformada em conhecimento.
Seguidamente, apresentaremos algumas definições do termo Sociedade da Informação elaboradas por diferentes especialistas e que são na generalidade aceites:
Sociedade que cresce e que se desenvolve à volta da informação, permitindo um “florescimento” geral da criatividade intelectual humana, substituindo o aumento do consumo material (Masuda, 1984);
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A Sociedade da Informação caracteriza-se por basear-se no conhecimento e nos esforços para converter a informação em conhecimento. Quanto maior é a quantidade de informação gerada por uma sociedade, maior é a necessidade de convertê-la em conhecimento. Outra dimensão desta sociedade é a velocidade com que tal informação é gerada, transmitida e processada. Na atualidade, a informação pode obter-se de uma forma praticamente instantânea e muitas vezes, a partir da mesma fonte que a produziu (Linares e Chaparro, 1996);
A Sociedade da Informação, mais do que um projeto definido, é um novo desejo humano, onde os conhecimentos, a sua produção e divulgação, são o elemento que define as relações entre indivíduos e nações. Este termo surgiu na Europa, onde é muito usado como parte da construção do contexto para a União Europeia (Trejo, 1996);
A Sociedade da Informação é:
(…) um modo de desenvolvimento social e económico em que a aquisição, armazenamento, processamento, transmissão, distribuição e disseminação de informação conducente à criação de conhecimento e à satisfação das necessidades dos cidadãos e das empresas, desempenham um papel central na atividade económica, na criação de riqueza, na definição da qualidade de vida dos cidadãos e das práticas culturais. A Sociedade da Informação corresponderá, por conseguinte, a uma sociedade cujo funcionamento recorre crescentemente a redes digitais de informação (Missão para a Sociedade da Informação, 1997: 7).
A Sociedade da Informação, segundo Castells (1997), é um novo sistema tecnológico, económico e social; é uma economia em que o incremento da produtividade não depende do incremento quantitativo dos fatores de produção (capital, trabalho, recursos naturais), e sim a aplicação dos conhecimentos e da informação à gestão, produção e distribuição, tanto nos processos como nos produtos;
A informação é um fator-chave no êxito económico, fazendo um uso intenso e extenso das TIC (British Department of Trade and Industry’s Information Society Initiative, 1999).
Como pudemos observar, existe uma ampla diversidade de definições, características e orientações acerca do que se entende por Sociedade da Informação. As definições são variadas, não existindo uma uniformidade de critérios que permita trabalhar com uma definição comummente aceite. Face a esta situação e num esforço de sistematização das definições anteriores, definimos Sociedade da Informação como um produto do desenvolvimento das TIC, em que a informação, relacionada com os aspetos de criação, processamento, armazenamento e divulgação, é a principal base, a partir da qual se estruturam
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os processos de desenvolvimento qualitativo a nível económico, social e político de uma comunidade.
Outra forma de se fazer a classificação da evolução da sociedade é tomar como referência a tecnologia da codificação, armazenamento e recuperação de informação. Adell (1997), expõe as opiniões de vários autores e referencia este aspeto por considerar que as mudanças tecnológicas deram lugar a novas formas de armazenar, organizar o conhecimento da sociedade.
O termo Sociedade da Informação é muito utilizado nos discursos correntes. Para Webster (1995, apud Vieira, 2005), são vários os critérios em que os teóricos da Sociedade da Informação se baseiam para dar conta das mudanças em curso que justificam esta nova designação da sociedade. Para este autor, os seguintes critérios permitem diferentes conceções e interpretações da expressão “Sociedade da Informação” e dizem respeito a visões tecnológicas, económicas, ocupacionais, espaciais e culturais.
A visão tecnológica de Sociedade da Informação - Esta visão é a mais comum e enfatiza a espetacular inovação no domínio da tecnologia. A ideia central é que o processamento, armazenamento e transmissão de informação, permitidos pelas tecnologias, irrompem num crescendo contínuo em todos os domínios da sociedade, principalmente, devido à redução do custo dos computadores, à sua versatilidade, ao aumento da sua capacidade e a sua consequente aplicação em tudo e em todo o lado;
A visão económica da Sociedade da Informação - A tese principal da Sociedade da Informação dos economistas tem como argumento primordial que a economia está a sofrer uma alteração radical. O processamento e manuseamento da informação recorrendo às TIC passam a ter um papel económico essencial. Webster (1995, apud Vieira, 2005) defende que é comum afirmar-se que o conhecimento é o fundamento da economia moderna e que a economia baseada no conhecimento está a substituir a economia de bens. Também é comum afirmar-se que evoluímos ou que estamos a encaminharmo-nos para uma sociedade na qual a característica distintiva, e o primeiro motor para a criação de riqueza, é o conhecimento, a produção de conhecimento;
A visão ocupacional da Sociedade da Informação - Uma outra perspetiva da emergência da Sociedade da Informação é a que focaliza a mudança ocupacional. A mudança na distribuição das ocupações é o cerne das teorias mais influentes da Sociedade da Informação, tal como a do pós-industrialismo de Daniel Bell, que vê o declínio acentuado do
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trabalho industrial, o fim do conflito político de classes, a maior consciência dos cidadãos e o desenvolvimento da igualdade entre sexos. A dificuldade está, segundo o autor, em definir quem é rigorosamente um trabalhador da informação e quem não é, uma vez que toda a ocupação implica um grau significativo de processamento de informação e de cognição. Mais ainda, é necessário distinguir aqueles que possuem o conhecimento tecnológico daqueles que são trabalhadores da informação e que apenas concretizam tarefas práticas;
A visão espacial de Sociedade da Informação - Na visão espacial, para Webster (1995, apud Vieira, 2005), a ênfase é colocada nas redes de informação que conectam locais e daí terem efeitos na organização do tempo e do espaço. Interliga-se com a visão económica no sentido em que com o efetivo processamento e troca de informação, as economias tornaram- se verdadeiramente globais e diminuem as contingências do espaço. As infraestruturas são providenciadas pelos computadores interligados que permitem que a informação seja processada e distribuída a uma escala nunca antes imaginada, instantaneamente ou em tempo real;
A visão cultural da Sociedade da Informação - O aumento extraordinário da informação no nosso dia-a-dia, a vivência num ambiente saturado pelos meios de comunicação social e o reconhecimento da explosão de significação, permite afirmar que, há cada vez mais informação e cada vez menos significado, isto é, o conhecimento direto sobre as coisas diminui e também se torna evidente que os símbolos já não representam nada e nem ninguém. A noção de que eles representam alguma realidade perde credibilidade. Esta visão cultural de Sociedade da Informação é facilmente reconhecida, mas como visão de uma nova sociedade muito mais instável e irregular do que as anteriores, dada a ausência de critérios através dos quais se possa medir o crescimento da significação nos tempos atuais.
As repercussões da informação na nossa sociedade, têm um maior alcance do que a simples ideia de que só serve para a transferência de informação de uma forma rápida e fácil, eliminando as barreiras impostas pelas culturas, raças e sexos. Têm repercussões em todas as atividades sociais, educativas, lúdicas, etc. Fernández (2001) e Adell (1997) afirmam que é tão grande o impacto da informação na sociedade que está a provocar uma mudança nas atitudes e na própria maneira de pensar.
O motor que provoca estas alterações na sociedade é a chamada revolução digital, que é o conjunto de inovações tecnológicas que possibilitou que a informação (som, imagem e texto) se transmita a grande velocidade devido à simplificação destes dados através das
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combinações de zeros e uns, integradas num circuito eletrónico. Neste contexto, a Internet converteu-se no foco desta convergência.
Adell (1997) e Minian (1999) compararam a revolução que provocaram as TIC na sociedade com o aparecimento da imprensa. Começou-se a usar papel para suportar a informação, alterando formas tradicionais de transmissão de conhecimento e que alterou nessa época mudanças na forma de trabalhar, viver, comunicar e no acesso à cultura.
Na Sociedade da Informação, ter acesso à informação é ter poder, e como menciona La Borderie (1997), o saber informar-se e compreender os mecanismos de produção e de difusão da informação exige uma formação específica a que se convencionou chamar “Educação para os Media”. Numa reunião realizada em Paris pela UNESCO (2001), conclui- se que a rápida evolução das TIC criaram possibilidades e desafios inéditos no âmbito da produção, intercâmbio de conhecimentos, educação, formação, criatividade e no diálogo intercultural.
Há mais de cinquenta anos, McLuhan introduziu a noção de “aldeia global” e para muitas pessoas, esta era vista como um excerto, a representação de uma espécie de filme de ficção científica. McLuhan asseverava que o mundo caminhava para uma “aldeia global” e que o processo de globalização seria o surgimento dos meios de comunicação que cortariam as distâncias físicas do planeta. E isso aconteceu, pois já não existe uma delimitação diferenciada entre as dimensões locais e internacionais, a cultura estende-se livremente pelo mundo. As atividades marcadas exclusivamente pela presença, como por exemplo com a educação, realizam-se em espaços e tempo relativizados.
Analisar o papel que a tecnologia e a informação têm desempenhado na nossa vida social, inclui, não só explorar as especificidades técnicas dos meios, mas também procurar entender as condições sociais, culturais e educativas nos seus contextos. Esta visão é capital para perceber as possibilidades que se estabelecem com o uso das tecnologias.
Atualmente, a Sociedade da Informação é um facto incontornável na maioria dos países desenvolvidos. Tornou-se numa questão de sobrevivência dos próprios países uma vez que é cada vez mais a capacidade de evolução que dita o desenvolvimento dos países e as guerras são mais económicas e informacionais do que militares. Os objetivos principais no
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desenvolvimento da Sociedade da Informação são promover a aprendizagem, o conhecimento, o envolvimento, a ligação em rede, a cooperação e a igualdade dos cidadãos.