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IV Observations sur la présentation et la rédaction d'un courriel

Os relacionamentos sociais são de grande importância para o bem-estar físico e psicológico dos idosos, relacionando-se positivamente à possibilidade de uma experiência de vida com qualidade na terceira idade (Capitanini, 2000; Carneiro, Falcone, Clark, Del Prette, & Del Prette, 2007). De acordo com Ramos (2002), a ajuda recebida de alguém ou oferecida a outrem colaboram para um senso de controle pessoal, o que influencia positivamente no bem- estar psicológico do indivíduo; por outro lado, os desgastes no âmbito da saúde podem ser

causados, dentre outros elementos, pela diminuição da quantidade ou da qualidade das relações sociais estabelecidas pelos idosos.

Acredita-se que a forma como os indivíduos se relacionam e buscam lidar com mudanças significativas de rotinas de vida pode favorecer ou prejudicar o seu ajustamento, de forma que algumas pessoas podem enfrentar a ruptura com o trabalho formal de uma maneira saudável, enquanto muitas outras podem adoecer. Conforme discutido anteriormente, o acontecimento de vida marcado pela aposentadoria é vivenciado, em geral, por pessoas que se encontram entre o fim da idade adulta e o início terceira idade. Portanto, considera-se necessário identificar a literatura que traz contribuições relacionadas à importância do estabelecimento e manutenção de relacionamentos interpessoais positivos por idosos, visando a sua qualidade de vida atual e futura (Braz, 2010; Braz, Del Prette, & Del Prette, 2011; Carneiro et al., 2007; Carneiro & Falcone, 2004; Z. Del Prette & Del Prette, 1999), assim como um processo de envelhecimento saudável e bem-sucedido. Adicionalmente, considera- se que uma aposentadoria satisfatória pode ser alcançada a partir do planejamento interpessoal para esta etapa da vida (Bossé, Aldwin, Levenson, & Spiro, 1993; Leandro-França & Murta, 2014).

Em estudo mais recente, Z. Del Prette e A. Del Prette (2013), também assinalam que um bom repertório de habilidades sociais está relacionado à qualidade das relações interpessoais, o que contribui para diferentes âmbitos de vida, tais como realização profissional, saúde, qualidade de vida e satisfação pessoal. Corroborando com este posicionamento, outros estudos (Gresham, 2009; Oláz, 2009; Pinto & Barham, 2014a) destacam que a melhora nos relacionamentos interpessoais pode ser ocasionada por uma melhora nas habilidades sociais. Entretanto, segundo Pinto & Barham (2014b), para além de adquirir um repertório de habilidades sociais é necessário compreender como e quando usá-lo, com a finalidade de desenvolver relacionamentos bem-sucedidos.

A Psicologia das Habilidades Sociais, enquanto campo teórico-prático, tem contribuído sobremaneira para a compreensão e promoção de competência social e habilidades sociais assertivas de idosos (Braz, 2010). A importância das habilidades sociais e da competência social para os idosos vem sendo documentada na literatura especializada (Braz, 2010; 2014; Braz et al., 2011; Carneiro & Falcone, 2004; Carneiro et al., 2007; Pinto & Barham, 2014a; 2014b; Pinto, Barham, & Del Prette, s. d.), considerando-se a competência social como um fator de proteção para o desenvolvimento global das pessoas (A. Del Prette & Z. Del Prette 2003; Murta, 2005a). Faz-se necessário, portanto, definir estes dois conceitos fundamentais da área: habilidades sociais e competência social. De acordo com A. Del Prette & Z. Del Prette (2001, p. 31):

[...] o termo habilidades sociais aplica-se à noção de existência de diferentes classes de comportamentos sociais no repertório do indivíduo para lidar com as demandas das situações interpessoais. A competência social tem sentido avaliativo que remete aos efeitos do desempenho das habilidades nas situações vividas pelo indivíduo.

Dentre as principais classes e subclasses de habilidades sociais (A. Del Prette & Z. Del Prette, 2001; Z. Del Prette & A. Del Prette, 2001), destacam-se as habilidades de civilidade (e.g. agradecer, cumprimentar, despedir-se), de comunicação (e.g. dar e pedir feedback, elogiar, iniciar, manter e encerrar conversação), empáticas (e.g. expressar apoio, parafrasear), assertivas (e.g. lidar com críticas, desculpar-se, manifestar opinião, fazer e recusar pedidos, admitir falhas), de expressão de sentimento positivo (fazer amizade, expressar a solidariedade) e de trabalho (falar em público, coordenar grupo, resolver problemas). Vale ressaltar que, segundo A. Del Prette e Del Prette (2006), para além das classes identificadas anteriormente, a habilidade de automonitoria também se destaca por estar na base de qualquer desempenho socialmente competente, sendo caracterizada como uma “habilidade geral de

observar, descrever, interpretar e regular pensamentos, sentimentos e comportamentos em situações sociais” (p. 1).

Especificamente em relação à população idosa, Braz (2014) e Braz, Del Prette, Fontaine e Del Prette (s. d.), identificaram quatro conjuntos de habilidades sociais bastante pertinentes ao relacionamento interpessoal na terceira idade. Estes conjuntos de habilidades sociais encontram-se nos fatores do Inventário de Habilidades Sociais para Idosos (IHSI-Del- Prette), validado pelos autores e com uma consistência interna satisfatória (α de Cronbach = 0,926) após as etapas de Análise Fatorial Exploratória e Confirmatória. O primeiro fator, denominado “Expressividade emocional”, avalia a expressão de sentimentos negativos ou positivos dos seus respondentes. O segundo fator, “Assertividade de enfrentamento”, engloba as habilidades de lidar com críticas injustas, expressar discordância a conhecidos, etc. O terceiro fator, intitulado “Conversação e desenvoltura social”, inclui habilidades como: interromper uma conversa, participar e encerrar conversação, iniciar conversação com desconhecidos. Por fim, o último fator do instrumento, “Autoexposição afetivo-sexual”, tem por objetivo avaliar as habilidades de apresentar-se a outra pessoa, declarar sentimento amoroso e abordar o outro para relação sexual.

Diante das habilidades sociais identificadas como importantes no contexto da terceira idade é possível construir atividades que podem ser realizadas em programas de intervenção voltados à orientação ou preparação psicológica para a aposentadoria, a fim de testar e refinar estes repertórios. Alguns estudiosos (Bressan, Mafra, França, Melo, & Loretto, 2013; L. França & Vaughan, 2008) evidenciam, inclusive, que as atitudes positivas ou negativas dos pré-aposentados em relação à aposentadoria são fortemente influenciadas pelo seu relacionamento com a família e com o mundo social, além da diversidade de atividades com as quais preenchem o seu tempo livre, o que pode conferir uma vantagem aos pré-aposentados que apresentam um bom repertório de habilidades sociais para lidar com este contexto de

transição e mudanças de rotina. Ademais, de acordo com outros estudos (L. França & Carneiro, 2009; Greller & Richtermeyer, 2006; Leandro-França & Murta, 2014; Wang, Zhan, Liu, & Shultz, 2008), um relacionamento satisfatório do pré-aposentado com os amigos e com a família pode ser considerado um importante recurso de apoio e de proteção nesta fase da vida; esta pessoa será capaz de refletir com outros sobre suas dificuldades e encontrar apoio e sugestões para a resolução de impasses.

Considerando-se que “a aprendizagem de habilidades sociais e o aperfeiçoamento da competência social constituem processos que ocorrem naturalmente, por meio das interações sociais cotidianas ao longo da vida” (A. Del Prette & Del Prette, 2011, p. 19), entende-se que um programa de preparação para a aposentadoria pode apresentar condições favoráveis para a aquisição e o aperfeiçoamento de habilidades sociais dos pré-aposentados, mesmo que um Treinamento de Habilidades Sociais (THS) não seja sistematicamente realizado neste contexto de intervenção. Defende-se que a aprendizagem e desenvolvimento de habilidades sociais podem facilitar o planejamento e a implementação de planos de vida (a partir do estabelecimento ou manutenção de relações sociais positivas com familiares, colegas e amigos), a fim de promover a adaptação de trabalhadores que se encontram em transição para a aposentadoria. Desta forma, supõe-se que, quanto mais socialmente habilidosos, mais os pré-aposentados podem contribuir para a qualidade das relações que estabelecem com as pessoas com as quais convive e com as quais, provavelmente, compartilharão os seus projetos de futuro. Em outras palavras, considera-se importante que o pré-aposentado ou o recém- aposentado tenha acesso a oportunidades para exercer suas habilidades de planejamento, em contextos que o leve a refletir e o incentive a consultar outras pessoas importantes (por exemplo, familiares, amigos ou pessoas que ofereçam serviços de seu interesse), a fim de estabelecer projetos ou planos de vida futuros que estejam integrados aos planos destas outras pessoas com as quais se relaciona.

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