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: Items retenus et poids factoriels obtenus après analyse en composante principale (N = 133)

Dans le document Analyse exploratoire du construit de don (Page 23-30)

Durante o corpo deste capítulo, fiz alusão à contribuição que têm as experiências dos sujeitos com a música e ao reconhecimento de padrões e elementos sonoros dentro do fragmento musical. Isso encontra argumentação quando Garner (1974) e Jones (1978) discutem ao redor dos elementos envolvidos na percepção do discurso musical: simetria, imitação e repetição. Ele ganha significado, pois o cérebro, segundo Galvão (2006), procura regularidades tal e como acontece em outras experiências cognitivas.

Perceber musicalmente implica a existência de atividade cognitiva complexa: analisar a motivação e as emoções referidas a ela. Os aspectos, que têm que ver com a percepção consciente, constituem motivação relativa a um processo

cognitivo que traz consigo um estado de afetividade. Penso que tal estado de saber está relacionado também ao comportamento do indivíduo. Por exemplo, pessoas que assistam a shows de Funk e gostem de dançar esse gênero se movimentarão de uma forma característica; de fato, tal expressão corporal é aprendida e transmitida entre os que a compartem.

Resulta, a meu ver, tão forte o envolvimento das pessoas com a música que reflete na vida pessoal. Neste sentido, reparo nas palavras de Nietzsche (1870, p.29):

Se todavia relacionamos com razão, na exemplificação indicada, o desaparecimento do espírito dionisíaco1 a uma transformação e degeneração altamente chocantes, mas até agora inexplicadas (...) que esperanças devem avivar-se em nós, quando os mais seguros auspícios nos afiançam a ocorrência do processo inverso, o despertar do espírito dionisíaco em nosso mundo presente. (...) O gênio da música a revirar-se diante deles com uma força de vida incompreensível, sob movimentos que não querem ser julgados, nem em termos da beleza eterna nem tampouco do sublime.

O elemento cognitivo, assim como o afetivo, está intimamente relacionado à percepção das simetrias e regularidades musicais. No que diz respeito a um ouvinte costumeiro de música, ele pode identificar quando um fragmento não está acabado, provocando-lhe certo incômodo na sua expectativa auditiva. Isso acontece quando a peça não finaliza na tônica e, em alguma medida, quando existem dissonâncias e há percepção de mudanças rítmicas.

A falta de habilidade no reconhecimento das simetrias e regularidades não impede que as pessoas se emocionem. O fato de considerarmos uma música nostálgica, eufórica, rústica ou compulsiva dentre outras classificações não é exclusivo da existência de um conhecimento prévio da obra. A identificação de determinados recursos musicais ou elementos sonoros estão ligados à diversidade de experiências de cada indivíduo.

Ainda assim, parece existir um consenso entre as pessoas quando, no Carnaval de Salvador ou nos Festivais brasileiros de verão e inverno, uma quantidade considerável delas cantarola e se emociona enquanto curtem a plenitude do momento. A sintonia emocional expressa pelos diferentes ouvintes

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O autor faz referência ao espírito carnavalesco, festivo, eufórico e à vontade de viver que a música passa para as pessoas.

não implica a carência de divergências e polêmicas ao redor das suas percepções ou detalhes de apreciação ao realizarem uma crítica mais rigorosa do momento. (STORR, 2007)

Os ouvintes estão submetidos à estimulação e dessa forma uns e outros deverão concordar que a música provoque um feito sobre eles. A música provoca intensa estimulação emocional, abrangendo uma gama de categorias que podem ir desde a felicidade de encher o coração até o choro e a tristeza desmedida.

Isso não acontece com pessoas que, desde o ponto de vista psicológico, a música não os comove, como é o caso da epilepsia musicogênica. Nesse distúrbio neural, ocorrem crises epilépticas desencadeadas por estímulos musicais. Trata-se de uma doença rara, estimada em 1 caso em cada 10 milhões de pessoas, ocorrendo geralmente após os 20 anos de idade. (SACKS, 2007).

A neuropsicologia trata dos processos e funções do sistema nervoso que lidam com a recepção de estímulos chegados do exterior e produzidos no interior com a resposta que damos. Esses estímulos se relacionam com o plano mental e o comportamento ou conduta que adotamos ante a escuta sonora.

Acho pertinente abordar os elementos físicos que de um início lidam com a percepção sonora. Reitero que o som é considerado a gama de frequências que se situam aproximadamente entre 16-2x104 Hz ou 20-2x104 Hz, que coincidem com a faixa audível para o ser humano. Vale ressaltar que valores acima ou embaixo desses deixam de ser perceptíveis.

Para sensibilizar nosso órgão auditivo, é suficiente que uma onda com essas características atinja o nosso ouvido. No caso que nos compete, é preciso que exista um instrumento, um CD ou aquilo que os físicos chamamos de fonte sonora. Como a onda é mecânica implica a presença de um meio elástico no qual se propaga a sua energia a partir de contínuas dilatações e compressões provocadas pela fonte até chegar ao ouvinte (receptor).

Num instrumento musical, podemos identificar três etapas segundo Roederer (2009): i) mecanismo primário de excitação, que é ativado pelo executante; ii) elemento vibrante capaz de manter e segurar os modos de vibração e frequências prefixadas que determinam a altura do tom e o número de harmônicos que caracterizam a qualidade sonora e o timbre do instrumento ou

voz; iii) o instrumento possui caixa ressonadora (violão ou uma tábua harmônica como no piano), cuja função é converter mais eficientemente as vibrações do corpo.

No que se refere ao ouvinte, i) o tímpano recepciona as oscilações da pressão da onda sonora, que se modificam em vibrações mecânicas que acionam sobre ossos internos do ouvido; ii) o ouvido interno é o local onde as oscilações são ordenadas segundo faixas de frequência e convertidos em impulsos elétricos; iii) o sistema nervoso auditivo transmite os sinais nervosos ao cérebro, onde a informação é processada, identificada, armazenada na memória e transferida a outros centros neurais.

No que diz respeito ao meio, pode-se dizer que nele influi o que Roederer (2009) chama de contorno: paredes, revestimentos, o teto e tudo aquilo que ajuda à propagação ou amortecimento da onda através dos fenômenos de reflexão e absorção respectivamente. Enfim, no seu conjunto, cada fase até aqui descrita pode propiciar, seguindo determinadas regras acústicas em cada uma delas, uma percepção adequada do estímulo sonoro (musical) e conseguir sensibilizar emocionalmente o indivíduo que a escuta.

Dans le document Analyse exploratoire du construit de don (Page 23-30)

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