3. DESCRIPTION OF ISL
3.2. The ISL method
3.2.3. ISL well field
A densidade dos painéis ficou em torno de 0,63 a 0,81 g/cm³, sendo caracterizados como painéis de média densidade, segundo a NBR 14810 (ABNT, 2013) e Iwakiri (2005). A substituição pela fibra de coco não apresentou melhorias aos painéis, devido não diferirem significativamente.
Segundo Maloney (1993), os painéis devem possuir razão de compactação entre 1,3 a 1,6. No presente estudo, apenas os painéis com 40% de fibra de coco em sua composição não atendeu esse padrão, apresentado uma razão de compactação superior a 1,8.
Os valores médios de absorção de água em 2 e 24 h e de inchamento em 2 e 24 horas apresentaram diferenças estatísticas para os diferentes tratamentos avaliados. Os menores valores de absorção de água e inchamento em espessura foram observados nos painéis que apresentaram a inclusão da fibra de coco na sua composição. Segundo Güler e Buyüksari (2011), uma maior densidade dos painéis aglomerados pode ocasionar uma menor absorção de água, assim como em menor inchamento em espessura dos painéis. Este comportamento foi observado em seus estudos, analisando painéis aglomerados confeccionados com adição
y = -0.0002x2+ 0.0096x + 0.1063 R² = 0.9012 0.000 0.050 0.100 0.150 0.200 0.250 0 10 20 30 40 L ig a ç ã o In te rn a (M Pa ) Fibra de coco (%)
48 da casca de amendoim. Assim como verificado para o presente estudo, painéis com adição da casca de amendoim foram os que apresentaram as menores densidades, e consequentemente os menores valores de inchamento em espessura em 2 e 24 h. Os valores observados por estes autores foram próximos aos encontrados neste estudo.
De modo geral, as propriedades físicas foram melhoradas com o incremento da fibra de coco, em que os painéis que possuíam fibra de coco apresentaram menor inchamento em espessura, assim como menor absorção de água, sendo o melhor ponto de substituição o de 20%. Este comportamento pode ser explicado, devido à fibra de coco apresentar comportamento hidrofóbico (Barreto et al., 2012; Oliveira, 2018), o que aumenta a estabilidade dos painéis.
De acordo com Yang et al. (2006) as propriedades de inchamento e absorção de água de compósitos particulados sofrem influência direta de hidrofobicidade ou hidrofilicidade do material utilizado. Em estudos realizados por Rauber (2011), ao analisar painéis aglomerados de eucalipto e sólidos granulares de poliuretano, constatou-se que painéis contendo na sua composição maior taxa de poliuretano (componente hidrofóbico) foram os que apresentaram menores valores de absorção de água e de inchamento em espessura, portanto o uso de matérias-primas que apresentam características hidrofóbicas tende a proporcionar melhor estabilidade aos painéis fabricados com as mesmas. Dessa forma, os painéis deste estudo apresentam grande potencial, podendo os mesmos serem usados em ambientes externos em que possam sofrer intempéries.
Outro fator relacionado a estabilidade dos painéis é a composição química do material, devido à alta porcentagem de teor de extrativos presentes na fibra de coco, a mesma apresenta-se como um material impermeabilizante, dificultando a absorção de água assim como também o inchamento em espessura destes painéis.
Cabe ressaltar que nem todos os resíduos agroindustriais proporcionam aos painéis a melhoria em relação às suas propriedades físicas. A exemplo disso, Melo et al. (2009), estudando a substituição de casca de arroz em painéis aglomerado observaram um aumento na absorção de água e inchamento em espessura. Comportamento semelhante foi observado
49 por Guimarães et al. (2019) ao avaliarem a substituição do casquilho de soja em painéis. Já Stacolino et al. (2017) avaliando o emprego do sabugo de milho e, Mendes et al. (2010) avaliando casca de café, também verificaram um amento da absorção de água e inchamento em espessura após 24 h de imersão.
De acordo com Commercial Standard - CS 236 (CS, 1968) determina-se valor máximo de inchamento em espessura de 35% após 24 horas de imersão para painéis aglomerados, diante disso os painéis referentes a todos os tratamentos estão dentro dos padrões estabelecidos comercialmente.
Propriedades mecânicas
Os valores de rigidez (MOE) e resistência (MOR) dos painéis apresentaram tendência parabólica apresentando melhores resultados com 20% de fibra de coco. Alguns autores como Güler e Buyüksari (2011) relatam que o MOE e MOR diminuem com o aumento da taxa de compactação. Porém não é possível estabelecer este tipo de padrão neste estudo, pois os painéis produzidos quando avaliados os dados referentes ao parâmetro de taxa de razão de compactação não diferem estatisticamente.
De acordo com o CS 236 (1968) os painéis particulados devem apresentar no mínimo 5,5 MPa para MOR e 1029,7 MPa para MOE para que sejam inclusos dentro do padrão, neste estudo todos os painéis de diferentes tratamentos se apresentaram dentro do padrão estabelecido, sendo os painéis contendo 20% de fibra de coco os que apresentaram melhores valores para as propriedades mecânicas.
Referentes ao dados de ligação interna, o CS 236 (CS, 1968) determina valor mínimo de 0,41 MPa para que os painéis possam ser comercializados, diante desse padrão nenhum dos tratamentos realizados atingiu o valor mínimo para a comercialização.
Essa tendência a melhoria destes parâmetros também está relacionada a composição química da matéria-prima, pois a mesma é capaz de lhe conferir rigidez, assim como fornecer estabilidade aos painéis produzidos.
50 CONCLUSÃO
Os painéis produzidos com fibra de coco apresentaram boa estabilidade dimensional, principalmente aqueles com 20% de fibra de coco na sua composição. Apresentando características físico mecânicas satisfatórias. Sendo que estes painéis aglomerados com fibra de coco de 20% na sua composição apresentam desempenho para serem utilizados para fins comerciais. Neste sentido, a fibra de coco surge como uma alternativa para painéis aglomerados, agregando resistência ao material produzido.
AGRADECIMENTOS
À Capes pelo incentivo financeiro para o andamento da pesquisa. As Universidades Federais de Lavras (UFLA), do Rio Grande do Norte (UFRN) e Rural do Semi-Árido (UFERSA) por disponibilizar a estrutura para o desenvolvimento do estudo.
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