Section 9 System Setup and Initialization
9.3 ISA Bridge (SIO) Initialization
Na constituição da problemática que focaliza a avaliação institucional na EI, reconhecemos a importância de compreender seus entrelaçamentos com diferentes temáticas emergentes no campo da EI e sua inserção no contexto social e no sistema educacional mais amplo. Mediante esse contexto, as políticas educacionais brasileiras vêm demonstrando quase uma compulsão por processos avaliativos, ao investirem em testes padronizados e avaliação em larga escala, divulgarem resultados dos alunos sob a forma de ranking das escolas e premiarem financeiramente os professores cujos alunos atingem metas de desempenho.
Nesse cenário, Ball (2013) pontua que grande parte dos estudos investigativos sobre as políticas públicas de educação direcionadas para o aumento do padrão de desempenho (standards) é direcionada à análise da efetivação dessas políticas, “[...] mas há poucas pesquisas direcionadas em compreender como as escolas realmente lidam com essas múltiplas demandas, muitas vezes contraditórias” (BALL, 2013, p. 465). Embora nossa pesquisa não focalize a avaliação em larga escala, visto que essa política ainda não integra a primeira etapa da educação básica, concordamos com o autor acerca da necessidade de conhecer as ações desencadeadas nas instituições de EI com a realização da avaliação institucional
como possibilidade de analisar as concordâncias, divergências, alternativas, compreensões, enfim, as ações dos sujeitos nesse processo que atualmente suscita intensas reflexões e posicionamentos.
No Brasil, Sousa (2011, p. 314) destaca a relevância científica e social de pesquisas que “[...] informem sobre como vem sendo concebida e vivenciada a avaliação nas instituições”, reafirmando que “[...] a avaliação é um instrumento de poder, que pode (ou não) ser utilizado para promover a escola de qualidade para todos”. Essas questões nos remetem à importância do conhecimento científico e do nosso compromisso como pesquisadores, pois,
Se, por um lado, os movimentos sociais assumem o papel de expressar as necessidades e demandas da população e cobrar seu atendimento, o conhecimento científico produzido por pesquisadores pode se constituir em um dos fundamentos das negociações em políticas sociais. Embora essas opções sejam políticas, resultantes do jogo de interesses e pressões, o conhecimento deve instrumentar os atores a fim de fortalecer os seus argumentos (CRUZ, 2013, p. 211).
Diante das questões abordadas até aqui, cabe então demarcar nossa participação como pesquisadores nesse contexto. Essa participação nos exige uma busca permanente por diferentes conhecimentos e requer uma postura atenta, em relação às nossas próprias concepções, aos nossos princípios ontológicos e ao contexto social, político e econômico. Movidos por esse senso de compromisso, detalhamos nossas intenções de pesquisa.
1.3.1 Questões associadas, objetivo geral e objetivos específicos
Em consideração ao contexto atual intensamente marcado pelas políticas de avaliação e pelo movimento de resistência da EI quanto a avaliações que incidam sobre as crianças, partimos da hipótese de que a avaliação institucional se constitui como processo potente na interlocução com as ações de formação continuada, possibilitando importantes análises sobre seus entrelaçamentos. Contudo, reconhecemos que buscamos compreender os acontecimentos da nossa posição e, nesse intento, cada sujeito está “[...] com sua visão de mundo já formada” (BAKHTIN, 2011, p. 378). Assim, precisamos nos atentar que esse ponto de vista já determina nossa avaliação, mas não se mantém inalterado, passando por mudanças, considerando que
[...] o sujeito da compreensão não pode excluir a possibilidade de mudança e até de renúncia aos seus pontos de vista e posições já prontos. No ato da compreensão desenvolve-se uma luta cujo resultado é a mudança mútua e o enriquecimento (BAKHTIN, 2011, p. 378).
No propósito dessa pesquisa, retomamos nossa problemática de estudo que se situa no campo da EI e focaliza as ressonâncias da avaliação institucional nos processos de formação continuada. Associadas a essa problemática, elencamos as seguintes questões:
a) Como a avaliação institucional se insere no contexto atual das políticas públicas educacionais para a EI?
b) Como se constituem os movimentos da avaliação institucional no processo de formação continuada?
c) Nos diferentes momentos em que foram desenvolvidas ações para a efetivação da avaliação institucional nos CMEI (planejamento e elaboração do instrumento, realização e análise dos resultados e definição de ações), que processos formativos foram vivenciados pelos docentes (professor, diretor, assistente de EI, pedagogo)?
d) Nesses momentos, como se constituíram os processos de formação e participação dos docentes?
Para a sistematização da pesquisa, definimos como objetivo geral compreender as ressonâncias da avaliação institucional na EI nos processos de formação continuada de docentes que participaram do processo avaliativo em dois CMEI de um município do ES. E, como desdobramentos de nossas intencionalidades, estabelecemos os seguintes objetivos específicos:
a) Contextualizar a avaliação institucional na EI no cenário das políticas públicas educacionais atuais.
b) Analisar as diferentes etapas do processo de avaliação institucional: planejamento e elaboração do instrumento, realização da avaliação, análise dos resultados e definição de ações decorrentes da ação avaliativa.
c) Explorar os processos de formação continuada vivenciados pelos docentes no processo de avaliação institucional.
Nesse movimento dialógico, nossa pesquisa tem como sujeitos os docentes (professor, diretor, assistente de EI, pedagogo) que participaram da avaliação
institucional desenvolvida nos CMEI. Nesse intuito, precisamos qualificar nossas escutas, atentando para os diversos enunciados que se movimentam entre esses sujeitos e acreditando que não encontraremos todas as respostas, afinal:
Pergunta e resposta não são relações (categorias) lógicas; não podem
caber em uma só consciência (una e fechada em si mesma); toda resposta gera uma nova pergunta. Perguntas e respostas supõe uma distância recíproca. Se a resposta não gera uma nova pergunta, separa-se do diálogo e entra no conhecimento sistêmico, no fundo impessoal (BAKHTIN, 2011, p. 408, grifo do autor).
Na reciprocidade entre perguntas e respostas, articulamos nossa metodologia à pesquisa de abordagem qualitativa e de caráter exploratório, com procedimentos metodológicos de análise documental e entrevistas semiestruturadas, conforme detalharemos no capítulo 4.
Sequenciando nossos propósitos, no reconhecimento de nossa constituição como sujeito em meio ao contexto social e histórico, trazemos, no próximo capítulo, a contextualização da temática de pesquisa.
2 EXPLORANDO O CONTEXTO EM QUE SE INSERE A PESQUISA
Na dinâmica de compreensão do meio em que nos inserimos, acreditamos que “O texto só tem vida contatando com outro texto (contexto). Só no ponto desse contato de textos eclode a luz que ilumina retrospectiva e prospectivamente, iniciando dado texto no diálogo” (BAKHTIN, 2011, p. 401). Considerando esse contato como encontro dialógico entre indivíduos e concebendo os textos como enunciados carregados de sentidos, propomo-nos, neste capítulo, ao diálogo com questões do campo da EI no “movimento dialógico da interpretação: o ponto de partida – um dado texto, o movimento retrospectivo – contextos do passado, movimento prospectivo – antecipação do futuro contexto” (BAKHTIN, 2011, p. 401).
Dispostos a compreender as ressonâncias da avaliação institucional na EI nos percursos formativos docentes e as relações que se constituem entre esses dois processos, neste capítulo tomamos como ponto de partida a abordagem do contexto da EI na legislação brasileira. Em seguida, abordamos a questão da formação continuada e suas correlações com o processo de avaliação institucional na perspectiva da valorização do trabalho docente. Na sequência, trazemos a avaliação institucional no conjunto de desafios para o campo da EI e, por fim, apresentamos o contexto local com informações sobre a EI no município de Vitória.