Japan M. QUESEDO
THERMAL DIFFUSIVITY MEASUREMENTS ON OXIDISED IRRADIATED URANIA FUEL UP TO 900°C
3. THERMAL DIFFUSIVITY MEASUREMENTS 1. Laser flash apparatus
3.4. Irradiated IFA-558 results
Uma das fontes de poluição em lagos, rios, estuários e em regiões costeiras, é o lançamento de esgotos domésticos e industriais, in natura ou com tratamento inadequado. A proteção dos corpos d’água começa com o tratamento dos dejetos lançados para atender a preservação satisfatória da qualidade da água. Um
problema agravante do lançamento de poluentes é a quantidade. A natureza fica incapacitada de reverter o quadro de poluição, devido a grande quantidade despejada nas águas, aumentando a degradação tanto na superfície quanto no fundo dos corpos d’água. Resultam assim, em problemas de degradação envolvendo compostos orgânicos e inorgânicos, materiais tóxicos e agentes biológicos (ROMEIRO, 2003).
Von Sperling (1996) define as cargas poluidoras em:
Carga pontual – os poluentes atingem o corpo d’água de maneira
concentrada em um único ponto.
Carga não pontual ou difusa – os poluentes adentram o corpo d’água distribuídos ao longo de parte de sua extensão.
As fontes difusas de poluentes são mais frequentemente associadas às atividades de uso do solo. Entre as que mais contribuem para esse tipo de poluição, é a drenagem pluvial das atividades agrícolas e pecuárias, e das áreas residenciais e industriais (SILVA, 2003).
4 METODOLOGIA
4.1 ESCOLHA E DESCRIÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
A região selecionada para desenvolvimento do trabalho foi o baixo curso do Rio São Francisco, uma vez que a decisão do desenvolvimento do tema deste trabalho surgiu em função da demanda identificada pela Rede EcoVazão, aplicando seus estudos nesta mesma área, onde as condições hídricas caracterizam-se por um processo de regularização de vazões, determinada pela barragem de Xingó, localizada a montante do trecho. Os impactos ambientais da intervenção humana na região são verificados quando da constatação de redução da biodiversidade que, do ponto de vista econômico, remete ao estrangulamento de atividades relacionadas a piscicultura, agricultura e pecuária, reduzindo as oportunidades de emprego e renda para a população local, afetando diretamente o ecossistema aquático.
O baixo curso do Rio São Francisco possui uma área de 25.523 km², população total de 1.372.735 habitantes distribuídos em 86 municípios, com taxa de urbanização de 51%. Está localizado entre o quadrante de coordenadas geográficas 8º 35’ latitude S, 37º 87’ longitude W e 10º 64’ latitude S, 36º 31’ longitude W (ANA, 2003).
Essa área se divide entre os Estados de Sergipe e Alagoas, no trecho compreendido após a UHE Xingó, a jusante da cidade de Piranhas, passando pelas cidades de Pão de Açúcar e Traipu, ambas no município alagoano, e finalizando na cidade de Propriá e Ilha das Flores no município sergipano. Ressalta-se que as cidades de Piranhas e Ilha das Flores não foram estudas em virtude de falta de dados.
A Agência Nacional de Águas (ANA) possui nesse trecho do Rio São Francisco diversas estações fluviométricas, onde são mensurados constantemente nível d’água (cota, vazão), perfil transversal, qualidade de água e telemetria que podem ser acessados diretamente através do seu site oficial.
Na Tabela 1, são apresentados os pontos georreferenciados considerados para este estudo.
Tabela 1 – Áreas em estudo com coordenadas geográficas e códigos da ANA. Estado Município Códigos da ANA referente a localidade Coordenadas Geográficas Altitude (m) Latitude (S) Longitude (O)
Alagoas Pão de Açúcar 49370000 9°44’54’’ 37°26’12’’ 19
Alagoas Traipu 49660000 9°58’14’’ 37°00’12’’ 10
Sergipe Propriá 49705000 10º12'40" 36º50'25" 14 Fonte: CPRM (2005b); ANA (2008).
A Figura 2 mostra mapa com as áreas definidas para o estudo.
Figura 2 - Áreas definidas para o estudo no baixo curso do Rio São Francisco.
Fonte: (UFBA, 2009)
Pão de Açúcar - AL
Traipu - AL
Propriá - SE UHE XINGÓ
Foz do Rio São Francisco
4.1.1 Caracterização do Município de Pão de Açúcar
4.1.1.1 Localização e Acesso
O município de Pão de Açúcar está localizado na região centro-oeste do Estado de Alagoas, limitando-se a norte com os municípios de São José da Tapera e Monteirópolis, a leste com Palestina e Belo Monte, a sul com o Rio São Francisco/SE e a oeste com Piranhas. A área municipal ocupa 659,12 km2 (2,37% de Alagoas), inserida na mesorregião do Sertão Alagoano e na microrregião de Santana do Ipanema. O acesso a partir de Maceió é feito através das rodovias pavimentadas BR-316, BR-101, AL- 220 e AL-130, com percurso em torno de 239 km (CPRM, 2005b).
4.1.1.2 Aspectos Sócio-econômicos
Segundo o censo 2010 realizado pelo IBGE, a população total residente é de 24.351 habitantes, sendo 10.806 os habitantes da zona urbana (44,40%) e 13.545 os da zona rural (55,60%). A densidade demográfica é de 36,94 hab km-2.
Apenas 44,90% dos habitantes com 10 anos ou mais são alfabetizados. Existem no município 5.219 domicílios particulares permanentes, dos quais 3.810 (73,00%) possuem banheiro ou sanitário e destes, apenas 26 (0,50%) estão conectados à rede geral de esgotamento sanitário. Cerca de 3.409 (65,30%) são abastecidos pela rede geral de água, enquanto que 111 (2,13%) são abastecidos por poço ou nascente e 1.699 utilizam outras formas de abastecimento (46,45%). Apenas 2.871 (55,00%) domicílios são atendidos pela coleta de lixo, evidenciando a existência de sérios riscos de problemas ambientais e de saúde pública para a população. As principais atividades econômicas do município são: comércio, serviços, agro- pecuária e atividades de extrativismo vegetal e silvicultura (CPRM, 2005b; IBGE, 2010).
No ranking de desenvolvimento, Pão de Açúcar está em 21º lugar entre os 102 municípios do estado e em 4.415º lugar entre 5.561 municípios do Brasil (CPRM, 2005b).
4.1.1.3 Aspectos Fisiográficos
O município de Pão de Açúcar está inserido predominantemente na unidade geoambiental da Depressão Sertaneja (cerca de 70%), que representa a paisagem típica do Semi-Árido nordestino, caracterizada por uma superfície de pediplanação bastante monótona, relevo predominantemente suave-ondulado, cortada por vales estreitos. Elevações residuais, cristas e/ou outeiros pontuam a linha do horizonte. Esses relevos isolados testemunham os ciclos intensos de erosão que atingiram grande parte do sertão nordestino. A vegetação é basicamente composta por Caatinga Hiperxerófila com trechos de Floresta Caducifólia. O clima é do tipo Tropical Semi-Árido, com chuvas de verão. O período chuvoso se inicia no outono e vai até o inverno. A precipitação média anual é de 431,8 mm. Com relação aos solos, nos patamares compridos e baixas vertentes do relevo suave ondulado ocorrem os Planossolos, mal drenados, fertilidade natural média e problemas de sais; em topos e altas vertentes, os solos Brunos não Cálcicos, rasos e fertilidade natural alta; em topos e altas vertentes do relevo ondulado ocorrem os Podzólicos, drenados e fertilidade natural média e as elevações residuais com os solos Litólicos, rasos, pedregosos e fertilidade natural média (CPRM, 2005b).
4.1.1.4 Geologia
O município de Pão de Açúcar encontra-se geologicamente inserido na Província Borborema, abrangendo rochas do embasamento gnáissico-migmatítico, datadas do Arqueano ao Paleoproterozóico e a sequência metamórfica oriunda de eventos tectônicos ocorridos durante o Meso e NeoProterozóico. Depósitos Aluvionares ocorrem às margens do Rio São Francisco, formados por areias, cascalhos e níveis de argila (CPRM, 2005b).
4.1.1.5 Recursos Hídricos: Águas Superficiais
O município de Pão de Açúcar está inserido na bacia hidrográfica do Rio São Francisco, e sua porção WNW é banhada pelo Rio Capiá e seus afluentes, os Riachos das Cacimbas e do Carcará. Cortando o município em sua porção central, no sentido Norte-Sul, existe o Riacho Grande, de porte e dimensões consideráveis.
A porção ESE, é banhada pelos Rios Farias, Tapuios e Jacaré. Os padrões de drenagem predominantes são: o dendrítico nas porções central e ESE, e o pinado, uma variação do dendrítico, na porção WNW do município. Todo esse sistema fluvial deságua no Oceano Atlântico (CPRM, 2005b).
4.1.2 Caracterização do Município de Traipu
4.1.2.1 Localização e Acesso
O município de Traipu está localizado na região centro-sul do Estado de Alagoas, limitando-se a norte com os municípios de Girau do Ponciano e Jaramataia, a sul com o Rio São Francisco, a leste com Campo Grande, Olho D’ Água Grande e São
Brás e a oeste com Batalha e Belo Monte. A área municipal ocupa 698,8 km2 (2,51%
de Alagoas), inserida na mesorregião do Agreste Alagoano. O acesso a partir de Maceió é feito através das rodovias pavimentadas BR-316, BR-101, AL-220 e AL- 115, com percurso em torno de 188 km (CPRM, 2005b).
4.1.2.2 - Aspectos Sócio-econômicos
O município foi criado em 1835. Segundo o censo do IBGE (2010), a população total residente é de 23.439 habitantes, sendo 7.131 os habitantes da zona urbana (30,40%) e 16.308 os da zona rural (69,60%). A densidade demográfica é de 33,54
hab/km2. No município existem 8.533 habitantes alfabetizados com idades acima de
10 anos (36,40% da população). Existem no município 4.953 domicílios particulares permanentes, dos quais 1.859 (37,50%) possuem banheiro ou sanitário e destes, apenas 08 (0,16%) estão conectados à rede geral de esgotamento sanitário. Cerca de 929 (18,80%) são abastecidos pela rede geral de água, enquanto que 1.277 (25,80%) são abastecidos por poço ou nascente e 2.747 utilizam outras formas de abastecimento (55,50%). Apenas 1.092 (22,05%) domicílios são atendidos pela coleta de lixo, evidenciando a existência de uma fonte de sérios problemas ambientais e de saúde pública para a população (CPRM, 2005b).
As principais atividades econômicas do município são: comércio, serviços e agropecuária. No ranking de desenvolvimento, Traipu está em 101º (penúltimo) lugar no estado e em 5.504º lugar entre os 5.561 municípios do Brasil (CPRM, 2005b).
4.1.2.3 Aspectos Fisiográficos
O município de Traipu está inserido na unidade Superfícies Dissecadas Diversas, que ocorre nas áreas que margeiam as chapadas do Piauí e do Maranhão, em importantes áreas do sertão de Alagoas e Sergipe e em pequenos trechos de outros estados. Uma pequena porção a leste do município se insere na unidade das Superfícies Retrabalhadas. Os recursos hídricos de superfície são muito bons pelo fato do Rio São Francisco atravessar as áreas que compõem essa unidade (Alagoas e Sergipe). O potencial de água subterrânea é quase sempre baixo a muito baixo, aparecendo pequenas áreas com potencial mais alto, com a qualidade variando em função do substrato. A vegetação é composta por Floresta Caducifólia, cerrado e caatinga. O clima é caracteristicamente muito quente, com estação chuvosa no inverno. O período de chuvas inicia-se em março e se estende até setembro. Com relação aos solos, nos topos de relevos arredondados e vertentes íngremes ocorrem os solos do tipo Litólico, rasos pedregosos e fertilidade natural média; nas baixas vertentes os solos são Bruno não Cálcicos, textura argilosa, e fertilidade natural alta e nos topos planos ocorrem os Latossolos, profundos, bem drenados, ácidos e de fertilidade natural baixa (CPRM, 2005b).
4.1.2.4 Geologia
O município de Traipu encontra-se geologicamente também inserido na Província Borborema, representada por litótipos constituídos de ortognaisses TTG, xistos, mármores, quartzitos, etc.
4.1.2.5 Recursos Hídricos: Águas Superficiais
Parte do município de Traipu está localizado na bacia hidrográfica do Rio São Francisco, e é banhado pela sub-bacia do Rio Traipu, cujo afluente principal é o Riacho Priaca. A drenagem é densa e, em sua maior parte, secundária. O padrão de
drenagem predominante é o dendrítico. Todo esse sistema fluvial deságua no Rio São Francisco (CPRM, 2005b).
4.1.3 Caracterização do Município de Propriá
4.1.3.1 Localização e Acesso
Localiza-se no estado de Sergipe, e distante 98 km da capital, Propriá possui uma área de 92 km², e uma população estimada em 2010 de 28.451 habitantes, com densidade 299,42 hab km-². O município é limitado pelo estado de Alagoas a nordeste e pelos municípios de Neópolis e Japoatã a sul, São Francisco a sudoeste, e Cedro de São João e Telha a oeste (IBGE, 2010).
Propriá já foi a segunda economia do Estado de Sergipe (a primeira era Aracaju) e liderava o comércio atacadista do Baixo São Francisco.
4.1.3.2 Aspectos Sócio-econômicos
Propriá foi elevada à categoria de Cidade em 21 de fevereiro de 1866, sendo porto fluvial e também servida pela Ferrovia Federal Leste Brasileiro. A cidade tinha o nome primitivo de "Urubu de Baixo" devido à localização entre o rio Sergipe e o Rio São Francisco. Seu sistema de comércio é intenso, estimulado pelo rio e pela sua localização no eixo viário da BR- 101, elo entre Sergipe e o restante do país. É sede da diretoria regional da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF), que desenvolve vários projetos de irrigação na região. Possui como
principais atividades econômicas a piscicultura e rizicultura. Apresenta
aproximadamente oito mil residências, tendo sua concentração populacional em 80% na zona urbana. Apenas 50% das suas escolas são de ensino fundamental, apresentando um elevado nível de analfabetismo (CPRM, 2005b).
4.1.3.3 Aspectos Fisiográficos
Compreende platôs de origem sedimentar, que apresentam grau de entalhamento variável, ora com vales estreitos e encostas abruptas, ora abertos com encostas
suaves e fundos com amplas várzeas. De modo geral, os solos são profundos e de baixa fertilidade natural. O clima é do tipo Tropical Semi-Árido com verão seco, e bioma predominante a Mata Atlântica, uma vegetação predominantemente do tipo capoeira, caatinga e vegetação hidrófila, e temperatura média anual de 26 ºC. O período chuvoso começa no outono tendo início em fevereiro e término em outubro. A precipitação média anual é de 1.200 mm. A vegetação é predominantemente do tipo Floresta Subperenifólia, com partes de Floresta Subcaducifólia e Cerrado/Floresta. Os solos dessa unidade geoambiental são representados pelos Latossolos e Podzólicos nos topos de chapadas e topos residuais; pelos Podzólicos com Fregipan, Podzólicos Plínticos e Podzóis nas pequenas depressões nos tabuleiros; pelos Podzólicos Concrecionários em áreas dissecadas e encostas e Gleissolos e Solos Aluviais nas áreas de várzeas (CPRM, 2005b).
4.1.3.4 Geologia
O município de Propriá também encontra-se geologicamente inserido na Província Borborema, representada pelos litótipos do Complexo Belém do São Francisco.
4.1.3.5 Recursos Hídricos: Águas Superficiais
Parte do município de Propriá está localizado na bacia hidrográfica do Rio São Francisco, tendo como seu principal afluente o Rio Jacaré, que apresenta vazão apenas durante o período chuvoso (ANA, 2011).