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Processus al´ eatoires intrins` eques

4.6 Utilisation des processus al´ eatoires intrins` eques

4.6.2 IRF et d´ erivation

As reportagens “Entenda a polêmica do livro que defende os “nós pega” na escola” e “Uso de linguagem popular na sala de aula é orientação do MEC”, publicadas no Portal iG, no dia 19 de maio, às 11h, são as que mais destoam da cobertura feita sobre a polêmica do livro didático pelo veículo de comunicação. Enquanto a maioria das notícias é construída com base em um tom acusatório, a publicação aqui referida, escrita pelas jornalistas Marina Morena Costa e Tatiana Klix, da sucursal de São Paulo, tenta desmistificar algumas supostas verdades propagadas pelo próprio portal, buscando relacionar a obra didática amplamente criticada com o contexto no qual está inserida e comparando-a com outros livros de gramática. É possível dizer que é a notícia mais esclarecedora sobre a polêmica até o momento.

Ainda que a edição do material tenha optado por títulos que pouco acrescentam ao conteúdo possivelmente já lido pelo público leitor, as linhas de apoio já indicam a existência de informações novas, ou seja, a de que “outras obras didáticas abordam as variantes da língua”. Além disso, a linha de apoio “obra (...) provoca debate”, sugere uma referência à própria polêmica instituída pelo portal. O material, contudo, gera o esclarecimento de que o livro não é o único a abordar a questão das variedades linguísticas e desmonta toda a

polêmica até então utilizada como gancho para as notícias sobre o caso.

A dupla de jornalistas desmistifica, nas entrelinhas, que a opção pelo uso das variantes do português tenha relação com o atual governo quando traz a informação de que os Parâmetros Curriculares Nacionais, documento utilizado para validar a escolha metodológica do livro didático Por Uma Vida Melhor, datam de 1998, ou seja, são da época do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Chegam, inclusive, a entrevistar uma professora e linguista que participou, na época, da elaboração do documento.

É interessante observar que ainda que usem trechos do documento para explicar as opções teórico-metodológicas do livro, as autoras da reportagem tentam, de alguma forma, traduzir o conteúdo para uma linguagem mais coloquial. Evita-se, por exemplo, a reprodução de trechos longos. As jornalistas, com as próprias palavras, explicam as diferenças entre normal culta e norma popular registradas no documento. Há, portanto, uma tentativa de fugir do estereótipo de língua “certa” e “errada” propagado até agora pela polêmica – e, de certa forma, um esforço próprio das repórteres em deixar os possíveis preconceitos de lado.

Uma das melhores formas de desmistificar o livro didático foi comparar a obra amplamente criticada com outros dois livros didáticos, que abordam exatamente o mesmo tema. A comparação partiu da transcrição de passagens destes livros e da reprodução de imagens, com fragmentos nos quais são explicadas as diferenças entre a linguagem formal e informal. Enfatiza-se, inclusive, que os livros que trazem essa abordagem não são apenas de escolas públicas, mas obras didáticas usadas igualmente em escolas particulares. Para sustentar a informação de que as variedades da língua portuguesa são comuns a outros livros didáticos, e não somente ao livro amplamente criticado, a jornalista traz a opinião de uma reconhecida autora de livros de português, que reitera que este tipo de discussão sobre a língua é comum nos livros e na sala de aula. Ao fim, a autora ensaia uma defesa da obra, ao dizer que ele foi usado como “boi de piranha”. A reportagem, no entanto, peca ao não traduzir a expressão, que indica uma situação em que algo é sacrificado no lugar de outro bem. Outro ponto positivo do conteúdo é a pluralidade e diversidade de fontes apresentadas. Em “Entenda a polêmica (...)” são ouvidos cinco especialistas no campo, porém, cada um defendendo pontos de vista diferentes sobre o assunto.

Não há dúvidas que este é o melhor material publicado pelo iG em toda a cobertura sobre a polêmica do livro didático. Chega a ser até mesmo incompreensível que tenha sido publicado, tendo em vista o tom denuncista e acusatório bancado pelo veículo até então. O mérito parece ser daqueles profissionais que perceberam o pré-

julgamento existente anterior e se dispuseram a conhecer o desconhecido.

A reportagem acima analisada é o que de melhor foi produzido pelo portal sobre a polêmica do livro didático, representando uma espécie de evolução na cobertura sobre o caso. O material supera a visão estereotipada sobre a língua portuguesa, transmitida até então, e passa a explicar as questões teórico-metodológicas e as interferências de políticas educacionais que envolvem as escolhas feitas pelos autores da publicação. Como já dito anteriormente, essa tentativa das repórteres de apresentar uma visão diferente sobre a polêmica e sobre o livro não alterará a repercussão negativa sobre o assunto junto ao público leitor. Na verdade, o conteúdo não afetará nem a atitude de outros repórteres de outras sucursais do iG ao lidar com o tema. Pelo contrário, as notícias produzidas após esta reportagem da sucursal de São Paulo dão continuidade ao tom acusatório registrado desde o início da polêmica. Essa conduta por parte de outros repórteres evidencia a inexistência de uma efetiva comunicação entre as diferentes redações ligadas ao portal e a carência de leitura dos conteúdos publicados no site por parte dos próprios jornalistas que ali atuam.

Estes problemas de continuidade na cobertura são perceptíveis na notícia “Sarney critica livro que defende o “nós pega” em escolas”67

, publicada no dia 22 de maio, às 23h48min, pelo jornalista Wilson Lima, da sucursal do iG Maranhão. Aqui, volta-se a repercutir o caso por meio da reprodução da opinião de terceiros. O material pouco acrescenta ao que havia sido publicado anteriormente, como é possível ver no exercício de crítica de mídia abaixo:

EXERCÍCIO 10: