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IPv6/IPsec Implementation

Dans le document FreeBSD Developers’ Handbook (Page 78-96)

II. Interprocess Communication

8.1 IPv6/IPsec Implementation

Assim como Oittinen (2006), Lathey (2016) também nos informa acerca de importantes aspectos que devem ser levados em conta na tradução de literatura infantil. No que tange à dualidade de leitorado, Lathey afirma que “Ambas as camadas de sentido devem ser tão aparentes na tradução quanto no texto fonte, uma tarefa que requer refinamento considerável do tradutor”3 (LATHEY, 2016, p. 16, tradução nossa). Isso quer dizer que o fato de as obras

para crianças terem, em geral, dois públicos leitores – a criança e o adulto, que muitas vezes atua como filtro ao avaliar se a obra é adequada para a criança – deve ser levado em conta. Há autores que dialogam com ambos – a criança e o adulto – articulando camadas de sentido que serão acessadas de acordo com a maturidade do leitor; no caso, o tradutor deve não só observar, como também buscar em seu trabalho estabelecer diálogo semelhante com o adulto e a criança na cultura alvo. Embora Lathey cite Winnie-the-Pooh de A. A. Milne como exemplo, cremos que ambas as traduções de “Little Red Riding Hood and the Wolf” de Roald Dahl – nosso objeto de estudo – também podem ser referidas como tal, pois Dahl dialoga com a criança leitora e, ao mesmo tempo, com o adulto que lê para a criança; conforme demonstramos em outro capítulo de nosso trabalho, Luísa Ducla Soares e Luciano Vieira Machado (respectivamente em Portugal e no Brasil) articulam diálogo semelhante com crianças e adultos.

Outro aspecto apontado por Lathey como possível dificuldade para o tradutor é a adequação da voz narrativa: é necessário que o profissional perceba se há um narrador onisciente e se a essa onisciência associa-se uma ironia que poderá ser percebida pelo leitor adulto, mas não necessariamente pelo leitor infantil; o narrador também pode assumir a perspectiva de quem conta uma história, colocando-se, consequentemente, muito próximo do leitor. Tal proximidade viabiliza um diálogo com a criança por meio de comentários críticos a comportamentos dos adultos – nesse caso é possível que a criança se sinta representada por meio da verbalização de uma inquietação sua. Depreendemos que ao tradutor impõem-se a tarefa de identificar como essa voz narrativa está posta para, levando em conta as características de seu público alvo, optar pela forma mais adequada de viabilizar essa voz narrativa. Acreditamos que dificuldade semelhante ocorra quando a obra é apresentada do ponto de vista

3 “Both layers of meaning should be as apparent in the translation as in the source text, a task requiring considerable

da criança, pois corre-se o risco de idealizar uma criança narradora distanciada da criança real e, consequentemente, gerar a rejeição do leitor.

Dois outros aspectos discutidos por Lathey a que julgamos pertinentes nos referir que são possíveis intervenções do tradutor e a censura a determinados temas, associada diretamente a ideologias. A autora aponta que diferenças culturais podem exigir algum tipo de interferência do tradutor – se o texto fonte faz referência a algum aspecto desconhecido pelo público alvo, faz-se necessário que o tradutor insira no texto, por meio de acréscimo ou nota de rodapé, informações que possibilitem a compreensão do texto. Contudo, observa que a nota de rodapé não é adequada para um texto literário e a inserção de informações em excesso pode interferir na leitura. Em relação à censura, Lathey observa que é uma prática corrente, uma vez que há temas sensíveis em diferentes culturas, tais como violência, crueldade, sexualidade e racismo. Cabe ao tradutor não só identificar no texto fonte temas que podem ser sensíveis para a cultura alvo, mas também buscar compreender o propósito da presença daquele tema na obra para, a partir dessa compreensão, pautar suas decisões e argumentos que podem ser apresentados aos responsáveis pela edição. Mais uma vez, apontamos Dahl como exemplo, pois o autor usa um vocabulário em sua versão de “Cinderella” que adultos podem julgar inadequado para as crianças; nesse caso, o tradutor deve decidir se usará vocabulário que possa causar estranhamento ou se selecionará uma opção que evite desconforto.

Oittinen e Lathey discutem a relação entre adultos e crianças na medida em que ambas consideram que as obras de literatura infantil tendem a passar pelo crivo de um adulto. Mesmo que o livro seja lido pela criança, não para a criança, e mesmo que a criança seja levada à livraria – evento bastante comum nos dias de hoje – caberá ao adulto a palavra final quanto à compra ou não do livro. A literatura infantil implica uma complexa teia de relações que envolve autor, tradutor, editores e familiares que podem ser os compradores e/ ou leitores da obra, todos adultos que, de uma forma ou de outra, avaliam o texto antes que este chegue de fato às mãos da criança. Ora, nessa intrincada trama, estão em jogo uma dose de censura e aspectos ideológicos que devem ser levados em conta pelo tradutor no desenvolvimento de seu trabalho. Temas sensíveis para uma cultura podem não ser tão problemáticos para outra, e esta avaliação interfere diretamente nas decisões tradutórias.

Além disso, as autoras também evidenciam a importância da imagem de criança em jogo na cultura e, consequentemente, no texto fonte, bem como a imagem de criança prevalente na cultura alvo que a tradução inevitavelmente refletirá. Tornando essa questão ainda mais complexa, não se pode negligenciar a visão de criança que o tradutor traz consigo, independentemente de estar de acordo com o que prevalece na cultura alvo. Oittinen discute a

relevância da imagem de criança ao considerar a pertinência da domesticação e da estrangeirização da tradução, enquanto Lathey tece considerações a respeito das dificuldades impostas pela voz narrativa e a necessidade de adequação dessa voz narrativa na tradução. Os aspectos que destacamos até este ponto nos levam a refletir sobre a ambivalência do texto, ou seja, de uma maneira ou de outra, a literatura infantil está direcionada ao pequeno leitor, mas também ao adulto que lê a obra infantil, seja para avaliar a adequação do texto, seja para intermediar a interação entre criança e livro, quando lê para ela. A seguir, apresentaremos o ponto de vista de Zohar Shavit a esse respeito.

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