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Dans le document Instructions d installation (Page 49-53)

Esta seção, e também a de entrada 4.1.2, têm por objetivo recapitular um pouco da história e das características do inglês, como forma de conferir-lhe uma identidade. A relevância do relato que se segue reside no fato de nosso trabalho almejar uma síntese do encontro entre a identidade do inglês e a identidade dos informantes – a ser caracterizada, também, em capítulo próprio. Esse movimento deverá dar origem a uma terceira entidade – nosso objeto de estudo : a identidade renovada do aprendiz como resultado desse encontro.

Blake (2003) retoma a divisão da história do inglês em três partes, como faz a maioria dos autores. São elas Inglês Antigo, Inglês Médio e Inglês Moderno. Porém, não lhe escapa a ressalva de que tal divisão tem razões tanto de ordem política quanto linguística.

      

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Tradução de: “English is now represented in every continent, and in islands of the three major oceans. […] It

is this spread of representation which makes the application of the label ‘global language’ a reality”.

(CRYSTAL, 2010, p. 29). Deste ponto em diante, as traduções são minhas e sempre terão sua forma original em inglês em nota de rodapé toda vez que excederem a extensão de duas linhas.

As razões para esta divisão são tanto políticas quanto linguísticas. O Inglês Antigo difere do Médio em razão da Conquista da Normandia, em 1066, ter introduzido novos habitantes, que falavam uma variante do Francês Antigo e que, portanto, mudou a natureza do inglês. [...] O Inglês Médio difere do Primeiro Inglês Moderno e a transição de um para o outro é tradicionalmente datada em 1485, quando os Tudors substituíram os Yorkists após a Batalha de Bosworth. Tanto 1066 quanto 1485 são datas políticas cuja familiaridade forçou historiadores da língua a aceitá-las como significativas também para o seu desenvolvimento. (BLAKE, 2003, p. 4).17

Os autores (BAUER, 2005; BAUGH; CABLE, 2001; BLAKE, 2003; CRYSTAL, 2010) são unânimes em afirmar que o inglês surpreende a todos pela difusão e aceitação que acabou obtendo mundo afora em um relativamente curto espaço de tempo. De uma língua falada no início da história de sua versão mais moderna por pouco mais de um milhão e meio de pessoas até o cenário atual em que ela tornou-se a língua com o maior número de falantes não nativos no planeta (CRYSTAL, 2010) transcorreu uma jornada de cerca de cinco séculos e de muitas conquistas.

A divisão acima mencionada sobre as etapas da história do inglês é didaticamente útil porque nos ajuda a estabelecer os fatos mais importantes que atingiram a língua e que, por consequência, determinaram as suas características fundamentais. Por exemplo, nos primórdios de sua história – período geralmente chamado de ‘Old English’ (Inglês Antigo) – o inglês era basicamente o idioma mais tarde batizado de ‘anglo-saxão’, pois era falado por esses povos germânicos, tidos como bárbaros, que atravessaram o Mar do Norte e se estabeleceram na grande ilha a oeste por volta do ano 450 d. C. Obviamente que a língua trazida por esses povos para a nova terra não era ainda o inglês mas “dialetos germânicos muito próximos que tornar-se-iam a base do inglês dentro de algumas gerações que fixaram- se e interagiram na Inglaterra.” (SINGH, 2005, p. 67-68).

O inglês antigo (Old English, amplamente documentado) guarda semelhanças com sua versão moderna, mas não muitas. Aliás, à primeira vista eles são muito diferentes e só é possível para nós hoje em dia comparar as duas formas exclusivamente através de textos. Existem muitos documentos e literatura escritos em inglês antigo, mas só podemos intuir a forma como ele era falado cotidianamente pelos seus usuários. Além do mais, como ocorre com qualquer modalidade linguística, seus diferentes usos estavam sujeitos a fatores de

      

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“The reasons for this division are as much political as linguistic. Old differs from Middle English in that the Norman Conquest of 1066 introduced new settlers who spoke a variety of Old French and thus changed the nature of English. […] Middle English differs from Early Modern English, and the transition from one to the other is traditionally dated at 1485 when the Tudors replaced the Yorkists after the Battle of Bosworth. Both 1066 and 1485 are political dates whose familiarity has forced historians of the language to accept them as significant for the development of the language as well.”

distribuição social entre seus falantes, o que nos permite afirmar que os textos escritos muito provavelmente refletem a variedade empregada pela elite razoavelmente letrada.

Com a introdução gradual do alfabeto latino, a partir dos primeiros anos da cristandade em solo bretão, teve início o processo de representação da língua através dos novos caracteres, processo esse que dura até hoje, com alguns evidentes insucessos nos mecanismos de equivalência fonema-letra. Por exemplo, call – called (onde ouve-se o mesmo som). São bastantes os documentos apresentados por Burnley (2000) para exemplificar e caracterizar essa etapa18 ainda inicial do inglês, inclusive com a presença de textos canônicos da liturgia cristã traduzidos do latim, documentos oficiais históricos, todos eles textos representando as variedades que a língua apresentava então (dialetos). Nota-se imediatamente em todos esses textos uma distância muito grande entre a forma inicial do inglês (estágio em que continha, inclusive, um complexo sistema de declinação e casos) e a língua que vemos, produzimos e ouvimos hoje em dia.

Mais um fato considerado muito importante para a história do inglês – e que confirma mais uma vez sua condição de língua formada a partir da contribuição de várias outras que, ao longo do percurso, deixaram nela sua marca – foi a terceira onda de invasões do território da Bretanha que deu-se no século IX. (CULPEPER, 2004). Desta vez, foram os Vikings, oriundos da Escandinávia (Dinamarca, Noruega, Finlândia e Suécia), que se estabeleceram no leste da ilha. A presença de línguas escandinavas em território inglês teve como consequência um aumento de variações dialetais para a língua local. (CULPEPER, 2004). Mais uma vez constatamos que a identidade do inglês é, assim como a das demais línguas internacionais, atravessada por diversas influências que acabam por conferir-lhe um aspecto múltiplo e sujeito a reconfigurações.

O início de um novo período histórico para o inglês é geralmente marcado pelos autores a partir da invasão da Inglaterra pelos normandos, habitantes do norte da França (Normandia) em 1066 (BURNLEY, 2000; CRYSTAL, 2003; CULPEPER, 2004). Ainda que represente apenas um corte histórico com a finalidade de estabelecer um traçado evolutivo para a língua, a escolha desse fato como uma fronteira não é arbitrária. É quase consenso19

      

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O emprego que fazemos aqui neste texto de termos como etapa, estágio, fase não pretende absolutamente levar o leitor a considerar a forma atual da língua como uma ‘evolução’ a partir de sua versão inicial, como se a história de uma língua fosse uma mera sucessão de formas, com cada nova configuração acrescentando qualidades ou avanços à última. O uso desses termos por nós tem função meramente didática, como uma forma de enumeração das fases que a língua tem atravessado em sua jornada histórica.

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Não chega a haver consenso entre os autores sobre este ponto porque Blake (2003, p. 107-108), por exemplo, considera um exagero afirmar que a presença dos normandos em solo inglês tenha representado uma revolução para a língua local. Ele concorda que houve influências, mas lembra, também, que estas não foram tantas nem tão fortes, entre outros motivos, devido ao fato de que o número de falantes de francês oriundos do continente

entre os estudiosos que sob a presença da língua francesa (ou como quer que chamemos aquela variedade empregada então pelo invasor oriundo do que mais tarde viria a ser conhecido como ‘França’) a língua local, o inglês, ratificou mudanças que já vinham ocorrendo em todos os níveis de análise (fonológico, morfológico, gramatical) e ampliou seu inventário lexical enormemente. (BURNLEY, 2000).

As mudanças mais notáveis desse período são uma revolução no sistema vocálico da língua, com o alongamento de algumas vogais diante de determinados contextos consonantais (como antes de -ld ou -rd a vogal o, por exemplo, alongou-se para produzir os atuais old, cold ou lord) e a redução de ditongos, que eram até então um forte testemunho da influência do latim. Além disso, temos a confirmação de uma tendência apresentada desde o último século: a redução no número de casos do sistema de declinação. Os autores geralmente denominam esse período de transição do inglês antigo para o inglês médio de “Primeiro Inglês Médio” (livre tradução de Early Middle English) e o situam entre 1100 e 1300 d.C.

O século XIV marca para a maioria dos autores o ‘amadurecimento’ do inglês em diversas áreas de sua constituição e, então, ele deixa de ser ‘Primeiro Inglês Médio’(Early Middle English) para tornar-se “Inglês Médio Tardio” (Later Middle English) e vai de 1300 a mais ou menos 1500. Na esteira de alguns avanços sociais, como um número maior de pessoas tendo acesso à educação e, um pouco mais tarde, o advento da palavra impressa, o inglês confirma tendências anunciadas anteriormente em sua gramática (morfologia) como, por exemplo, o desaparecimento da flexão de gênero para os números e a redução do número de casos para apenas três (nominativo, acusativo igual ao dativo e o caso genitivo), a fixação do artigo definido the como invariável e simplificações fonéticas em alguns campos.

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