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As primeiras menções sobre estratégia estão em tempos demasiados distantes. Suporta-se a idéia que o termo tenha surgido ainda na China, nos escritos de Sun Tzu, por volta do ano 500 a.C.. A arte da guerra é o mais antigo tratado militar da história da humanidade (TZU, 1994).

Todavia, este termo, estratégia, surgiu com referência à arte do general, referindo-se às habilidades psicológicas e comportamentais do general à frente de um exército. Apenas tempos depois, o seu significado incorporou as habilidades administrativas e passou a ser interpretado como a capacidade de empregar forças para vencer os inimigos e desenvolver um sistema unificado de governança global (ROWE, 2002).

Em seus estudos seminais, Chandler (1998, p.136) expõe um conceito de que o desempenho é resultado do alinhamento entre estrutura e estratégia, caracterizando esta como “a definição dos objetivos de longo prazo de uma empresa, bem como a adoção de linhas de ação e alocação de recursos tendo em vista esses objetivos” e conclui que a estrutura organizacional deve seguir a estratégia adotada. De fato, o ambiente pós-guerra americano da época destes estudos era caracterizado pelo avanço tecnológico, a expansão demográfica e o incremento da renda nacional. Aspectos que colaboraram para que a idéia deste conceito fosse bem sucedida e bem aceita (CHANDLER, 1998). Porém, o ponto negativo desta perspectiva reside na forte separação entre os processos de formulação e implementação, bem como a distinção hierárquica entre as pessoas que são responsáveis pela realização das estratégias no nível operacional e aquelas que são responsáveis pela sua elaboração, os altos executivos.

A partir de então, outros autores continuaram a destacar conceitos de estratégia que resultavam no entendimento do seu processo de formulação como sendo controlado e

consciente, que produz estratégias deliberadas completamente desenvolvidas, que serão explícitas antes de sua implementação formal (MINTZBERG; AHLSTRAND; LAMPEL, 2005). Porter (1986, p.22) entende que a função da estratégia é encontrar uma posição dentro da indústria “em que a companhia possa melhor se defender contra estas forças competitivas ou influenciá-las em seu favor”. Para este autor, as estratégias devem ser escolhidas, selecionadas e não criadas, a chave para alcançar as estratégias ótimas são a pesquisa em profundidade e a análise das forças competitivas das indústrias (PORTER, 1986, p.23). “O lema da estratégia competitiva é ser diferente. Significa escolher, de forma deliberada, um conjunto diferente de atividades para proporcionar um mix único de valores” (PORTER, 1999, p. 52). Barney (2002), que lida com o sucesso empresarial, declara um conceito de estratégia como uma teoria da empresa. Isto implica que é esta teoria que rege a empresa perante a competição e que sua concepção é um ato deliberado e cognitivo. Esta abordagem também trata do estabelecimento de missões como sendo a ferramenta de comunicação e manutenção da teoria da empresa.

A abordagem prescritiva, exemplificada por estes autores, ganhou popularidade entre o meio empresarial. Henderson (1998) enfatiza que a estratégia nada mais é do que uma “busca deliberada de um plano de ação para desenvolver e ajustar a vantagem competitiva da empresa”. Todavia, os aspectos prescritivos e analíticos destes estudos contribuíram significativamente para o início dos avanços do campo de conhecimento e até hoje continua sendo utilizado como base para o desenvolvimento das práticas de empresas de consultoria.

Por outro lado, pode-se identificar nas pesquisas e estudos sobre a estratégia e seu processo de formação que muitos autores defendem uma abordagem descritiva para este fenômeno. Neste caso, entende-se que a estratégia é formada e não formulada, ela deixa de ser um plano para ser um padrão (MINTZBERG; AHLSTRAND; LAMPEL, 2005).

Artigos e estudos publicados por Mintzberg e outros pesquisadores da McGill University sustentam a premissa de que a estratégia é um padrão consistente que se reconhece mediante o fluxo das decisões empresariais, ou seja, é a consistência no comportamento, seja ela pretendida ou não (MINTZBERG, 1973; 1978; MINTZBERG; WATERS, 1982; 1985). Esta definição engloba o comportamento resultante. De fato, as duas definições de estratégia como plano e padrão podem ser muito independentes uma da outra: planos podem se realizar ou não de acordo com o que foi pensado, já os padrões podem torna-se reais sem ser preconcebidos (MINTZBERG; LAMPEL; QUINN; GHOSHAL, 2006).

O ambiente de competição atual exige das empresas uma atualização constante em seus objetivos e metas, bem como uma capacidade de resposta muito maior às mudanças cada vez mais rápidas. Nas palavras de Mintzber, Ahlstrand e Lampel (2000, p. 156),

“a natureza complexa e imprevisível do ambiente da organização, muitas vezes associada à difusão de bases de conhecimento necessárias à estratégia, impede o controle deliberado; a formação de estratégia precisa, acima de tudo, assumir a forma de um processo de aprendizado ao longo do tempo, no qual, no limite, formulação e implementação tornam-se indistinguíveis”

Sob esta perspectiva, reconhece-se que as estratégias são formadas ao longo do tempo e considera ainda que estas não são somente deliberadas, porém elas podem também ser emergentes. Ou seja, muito embora ela se realize e se torne um padrão consistente, não havia qualquer intenção explícita para que ela ocorresse. Elas seriam fruto da aprendizagem da organização ao longo do tempo. Sendo assim, não se pode esperar encontrar nas organizações uma estratégia puramente emergente ou puramente deliberada ou intencionada (MINTZBERG; WATERS, 1985). A figura 2 (2) apresenta os tipos de estratégias que podem ser percebidas nas organizações segundo Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000). As intenções que são realizadas em sua plenitude são as estratégias deliberadas. As intenções estratégicas que não acontecem, são as estratégias não realizadas. E finalmente, há aquelas que são constituídas das deliberadas e das emergentes que de fato torna-se um padrão, que são as realizadas.

Para Quinn (1978), a estratégia envolve forças em tão grande número e dimensão e tão vasta combinação de poderes que ninguém pode prever os acontecimentos em termos probabilísticos. Então a lógica indica que se deve proceder com flexibilidade e experimentalmente, partindo de conceitos vastos para ações específicas, retardando estas tanto quanto possível, com vista a reduzir a incerteza e beneficiar da melhor informação disponível. Também Quinn (1978), em seu artigo, Strategic Change: Logical Incrementalism, propõe que a estratégia seja um padrão que integra os principais objetivos, políticas e seqüências de ações da organização em um todo coeso, afetando a viabilidade e direção da empresa ou determinando sua postura competitiva ao longo do tempo.

Estratégia Pretendida

Estratégia Deliberada

Estratégia

Não realizada Estratégia

Emergente

Estratégia Realizada

FIGURA 1 (2): ESTRATÉGIAS DELIBERADAS E EMERGENTES FONTE: Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000, p. 19)

Desde já, a investigação proposta neste estudo, tomará como base a definição trazida por Mintzberg representada na figura 1 (2). Considerando-se que a estratégia é um padrão que se forma ao longo do tempo, cabe então neste momento uma discussão mais aprofundada sobre este processo. Na seção seguinte, discutir-se-á a teoria a cerca dos processos de formação das estratégias.

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