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Os avanços das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) nos últimos anos geraram mudanças profundas nos códigos da transmissão de informação e abriram espaço para o surgimento das chamadas mídias sociais. Através destas, os canais de comunicação sempre restritos às mídias tradicionais e aos grupos que as possuíam, se multiplicaram dando voz a setores da sociedade, acostumados apenas a serem especta- dores dos intercâmbios de informação. A notícia deixou de ser propriedade exclusiva de jornais, emissoras de rádio e de televisão. A Internet possibilitou que praticamente qualquer cidadão, bastando apenas ter acesso à rede, fosse capaz de se expressar por meio dessas novas plataformas. Surgem assim novas vozes; as dos cidadãos comuns, as de organizações não governamentais, as de grupos organizados e as de movimentos sociais. As chamadas mídias tradicionais reveem seus papéis e batalham na necessidade de não perder seu poder, surgem versões online dos jornais impressos e a transmissão online para

rádio e TV, assim como outras mudanças que complementam essas adaptações aos novos mercados. Diante da imposição de um novo cenário da comunicação, várias empresas decidem apostar à interatividade com leitores, ouvintes e telespectadores.

O cidadão demonstra sentir que o seu papel já não é apenas de quem assiste passivamente às propostas das mídias. São várias as formas possíveis para quem não é jornalista de expressar a sua opinião ou até de produzir informações. Uma das vias mais comuns é deixar comentários nos espaços destinados para esse propósito, tanto nas publicações online quanto nos vídeos postados é possível registrar uma opinião. Essa possibilidade de comentar as notícias ou posturas editoriais permite captar uma “interferência” no processo de transmissão de informação já que os próximos leitores terão acesso não apenas à informação, mas também ao que outros pensam sobre ela; assim aquele enquadramento inicial da realidade, dado pelos jornalistas, acaba se constituindo apenas num momento do processo de construção da informação. Os comentários de leitores, ouvintes ou telespectadores, acabam fazendo parte da informação. Às vezes essas intervenções “de fora” oferecem novas informações sobre os fatos ou no mínimo novas perspectivas. A seção de comentários provavelmente seja o espaço mais tímido com que contam os não jornalistas para se expressar na Internet. A rede oferece hoje uma ampla gama de possibilidades para quem quer ser ouvido. Os comentários não vêm de grupos organizados com estratégias preestabelecidas que permitam definir uma identidade coletiva, porém

dispõe-se de ‘pistas’ ou de ‘traços’ recuperáveis em suas falas, que imprimem à identidade de quem os produziu amplitude social em consonância com as idiossincrasias da própria sociedade brasileira (TARGINO, 2007, p. 15).

Blogs e sites podem ser construídos por qualquer pessoa ou organização, em alguns casos precisa-se de investimento financeiro, mas para a construção de ferramentas mais simples

se faz necessário apenas um pouco de paciência. Estes espaços oferecem ao seu dono a possibilidade de gerenciar todo tipo de conteúdo. Ali é possível postar textos próprios ou da autoria de outros e é possível compartilhar fotos e vídeos e estabelecer

links com outros espaços na rede. O gerenciamento do conteúdo,

abrindo espaço para alguns assuntos, silenciando outros, e escolhendo formas de “tratamento” das informações, é uma tarefa que até não faz muito tempo era exclusiva das mídias tra- dicionais. A elaboração e manutenção de blogs e sites requerem tempo e dedicação para que eles se tornem espaços legítimos nas suas propostas, se bem, as garantias de “sucesso”, medido em acesso e seguidores, nem sempre aparecem claras. Essas plataformas contam também com recursos de interatividade com os leitores. Entretanto a grande revolução do cenário da comunicação parece estar nas chamadas redes sociais.

As redes sociais abrem novas formas de interação na Internet, elas permitem que qualquer pessoa, bastando apenas conexão à rede, publique de forma imediata qualquer tipo de conteúdo. As redes sociais se apresentam como um cami- nho de fácil acesso outorgando a quem as usa uma sensação de “poder mediático” antes desconhecida para quem estava fora do circuito, sensação provocada pela possibilidade de produzir notícias sem ser jornalista, opinar sobre qualquer assunto sem ter necessariamente legitimidade para isso ou expor a vida privada através de fotos, textos ou vídeos ao estilo de uma celebridade. Chouliaraki (2010) chama a essa nova apropriação das novas mídias de “práticas de auto- mediação” que oferecem “possibilidades inéditas de textos polifônicos”, segundo o autor o “uso da voz comum revigora as práticas de engajamento cívico” (CHOULIARAKI, 2010, p. 5). Essas novas práticas sociais colocam o ator social numa posição discursiva de aparente privilégio, onde tudo parece indicar que a liberdade de expressão não tem limites.

Por outro lado, aqueles acostumados a ocupar posições de poder na sociedade, muitas vezes mantidas por discursos hegemônicos legitimados pelo acesso privilegiado às grandes mídias, veem ameaçadas as tradicionais estruturas que os sustentam. O processo de desconstrução e construção do papel das mídias tradicionais traz à luz a luta por manter a hegemonia dos processos da Comunicação. Segundo Fairclough (2001, p. 122), a hegemonia consiste em

foco de constante luta sobre pontos de maior instabilidade entre classes e blocos para construir, manter ou romper alianças e relações de dominação/subordinação, que assume formas econômicas, políticas e ideológicas.

Para Targino (2009), alguns espaços oferecidos ao público de

externar ideias, pensamentos e opiniões, ainda que dissi- dentes, consiste em mecanismo para manter a aparência democrática da imprensa e dissimular seu atrelamento ao poder (TARGINO, 2009, p. 52).

As redes sociais, entretanto, constituem uma ameaça ao status quo de concentração mediática e da verticalidade da distribuição de informação.

O Webjornalismo ao encontro do

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