• Aucun résultat trouvé

INVALID 'IRANSACTION IDENTIFICATION - FLEASE RESUBMIT

Dans le document Program Product (Page 35-42)

que

ainda que seja tentador, as representações sociais não podem ser diretamente equacionadas à atividade representacional per se. [...] os processos que engendram representações sociais estão embebidos na comunicação e nas práticas sociais: diálogo, discurso, rituais, padrões de trabalho e produção, arte, em suma, cultura. (1997, p. 79).

Segundo Jovchelovitch, as noções acima demarcam um campo de distinção para as representações sociais. A realidade social exerce uma função constitutiva na origem das representações, da atividade simbólica e do indivíduo. Deve se levar em conta que, quando se trata de representações sociais, a análise se desloca para os fenômenos produzidos pelas construções particulares da realidade social.

Assim, o problema não está em abandonar o indivíduo porque ele implica necessariamente uma perspectiva individualista. Ao contrário, o problema central é reconhecer que, ao analisar fenômenos psicossociais – e representações sociais – é necessário analisar o social enquanto totalidade. Isso quer dizer que o social envolve uma dinâmica que é diferente de um agregado de indivíduo. (JOVCHELOVITCH, 1997, p. 79, grifo do autor).

Na obra em que Moscovici resgata (LANE, 1995, p. 58) o conceito de Durkheim de representações coletivas, ele evidencia a indissociação entre indivíduo, grupo e sociedade e exprobra a Psicologia Social contemporânea, ao apontar ―algumas falácias fundamentais‖, como a dicotomia indivíduo-sociedade, o conhecimento fracionado do indivíduo e a separação artificial nas Ciências Sociais.

Moscovici e outros pesquisadores partiram de uma postura cognitivista, em que a representação social era considerada como um conhecimento desenvolvido no cotidiano das interações sociais, em que grupos de referências desempenhavam considerada influência na criação de representações sociais individuais. Por hora, observa-se uma preocupação de muitos investigadores em reunir aspectos afetivos e simbólicos em seus estudos. Já mesmo Moscovici afirmara que as emoções e afetos são excitados por símbolos da tradição, nos emblemas-bandeiras, fórmulas, etc., aos quais cada um retine (LANE, 1995, p. 59). Nesse sentido (LANE, 1995, p. 60), Moscovici expõe como a criação de uma representação social pressupõe uma troca entre intersubjetividades e o coletivo na construção de um saber que não se apresenta meramente como um processo cognitivo, mas que possui aspectos inconscientes, emocionais e afetivos, seja na produção ou na reprodução das representações sociais.

A teoria das Representações Sociais atua contra uma epistemologia do indivíduo e do objeto ‗puros‘ e foca-se na relação entre ambos. Dessa forma, aquele, por meio de sua atividade e interação com o objeto, constrói tanto esse como se constrói. O mundo social desempenha também papel central na teoria. Esse pressuposto tem base em Durkheim e supera-o. Moscovici percebeu que na Sociologia durkheimiana há a ameaça de se olvidar que a força do coletivo está em sua mobilidade na dinâmica do social, consensual, reificada, que, não obstante, abre-se constantemente para os esforços dos indivíduos sociais que a desafiam e, caso preciso, a transformam (GUARESCHI; JOVCHELOVITCH, 1997, p. 19).

A teoria institui uma síntese teórica entre dimensões da realidade estritamente ligadas: cognitiva, afetiva e social. As representações sociais buscam construir saberes sociais, o que, por conseguinte, envolve a cognição. O aspecto simbólico e imaginativo dos saberes trazem consigo a dimensão dos afetos, visto que indivíduos que interpretam o mundo o fazem com emoção, com sentimentos. Assim, a construção da significação simbólica constitui, para além de um ato de conhecimento, uma obra afetiva. A cognição e os afetos que se fazem presentes nas representações sociais têm seu alicerce na realidade social (GUARESCHI; JOVCHELOVITCH, 1997, p. 20).

Partindo de uma postura essencialmente cognitivista, os estudos e pesquisas demostraram tratar-se de um conceito globalizante, através do qual o indivíduo é concebido como um todo, em que o singular e a totalidade social são indissociáveis, e o sujeito, ao elaborar e comunicar suas representações, recorre a significados socialmente constituídos e de sentidos pessoais decorrentes de suas experiências cognitivas e afetivas. A constatação dos conteúdos emocionais nas Representações Sociais permitiu o avanço dos estudos na direção dos conteúdos inconscientes [...]. (LANE, 1995, p. 70).

Contrariamente ao conhecimento ―dito científico‖, que precisa se submeter a um metassistema de regras compartilhadas que determina os caminhos da pesquisa (SPINK, 1995, p. 102), o conhecimento do senso comum, objeto de estudo das Representações Sociais, não pauta-se pela lógica e coerência interna. Não obstante, existe um metassistema de regras que aqui direciona, também, o percurso de pesquisa – como as orientações de cunho ideológico, habitus de classe ou regras ditadas pela tradição. Todavia, há uma liberdade consideravelmente maior de criação. A diversidade de formas que as representações assumem, revela a coexistência de representações arcaicas, resíduos do estoque cumulativo do imaginário social, e representações novas, resultado do encontro cotidiano com a ciência transmitida nos meios de comunicação. Tal coexistência levanta oportunas indagações sobre a presença de noções universais nas representações de objetos socialmente valorizados que remetem a remotas controvérsias sobre a mente coletiva e às novas teorizações a respeito da memória coletiva presente na natureza (SPINK, 1995, p. 102-103).

Moscovici (1997, p. 14) critica a dicotomia entre métodos de pesquisa ―bons‖ e ―maus‖. Ele se coloca contra a tendência de se venerar um método específico, mas faz ressalvas.

A tarefa do pesquisador [...] é de discernir qual de nossos métodos pode ser mantido com plena responsabilidade. [...] Em síntese, minha posição pessoal é a de que a [teoria das Representações Sociais] permanecerá criativa por tão longo tempo, o quanto ela souber aproveitar as oportunidades que cada método disponível possa oferecer. Se minha preferência se relaciona com os métodos de observação e de análise qualitativa [...], isso é problema de escolha pessoal, e não problema epistemológico. (1997, p. 14-15).

A teoria das Representações Sociais não adota um método de pesquisa específico. As possibilidades de escolha disponíveis ao pesquisador são amplas na construção do objeto de pesquisa que usa o discutido referencial teórico. Atenção deve ser dada à assertiva acima. Ela não significa que todos os métodos convêm para pesquisas de representações sociais independentemente de seu ajuste teórico-conceitual, mas que a adoção de quadros teóricos distintos de referência, as teorias complementares, resulta na escolha de diferentes métodos

preferenciais, de maneira que a teoria não se conforma, por si, a nenhum método restrito (SÁ, 1998, p. 80). Logo, uma das características da pesquisa em representações sociais está em não privilegiar nenhum método de pesquisa específico, o que consiste em uma sistemática metodológica científica heterogênea e não prescritiva (CABECINHAS, 2009, p. 62). Assim, a teoria oportuniza amplas possibilidades na construção do objeto de pesquisa (SÁ, 1998, p. 80). ―A rigor, é difícil especificar quais são os métodos mais bem autorizados [para] cada uma das diferentes perspectivas complementares à grande teoria.‖ (SÁ, 1998, p. 81, grifo do autor). Nessa perspectiva, Sá explicita o estatuto arrojado do estudo em representações sociais (1998, p. 85):

Trata-se de um campo que ainda permite – e solicita mesmo – algo como um espírito de aventura na perseguição do conhecimento científico. Não há nele procedimentos cristalizados, cuja não-observância possa resultar na imediata exclusão de alguém do rol de ―pesquisadores sérios‖. O que se exige é uma seriedade autêntica no engajamento do pesquisador em sua própria aventura metodológica.

Lane (1995, p. 64) menciona que os usos metodológicos para a abordagem da teoria das Representações Sociais podem perpassar por entrevistas abertas, semiestruturadas, questionários abertos e fechados, escalas, desenhos e representações gráficas. ―Para o estudo das representações têm sido utilizadas as mais variadas metodologias, pelo que actualmente não existe ainda uma única que se possa afirmar que estuda a representação social em todas as suas dimensões.‖ (PEREIRA, 1997, p. 49).

Das formas metodológicas comumente empregadas para acessar as representações, optou-se por técnicas verbais na presente investigação. Elas são, para Spink, a forma mais usual de se acessar as representações e, segundo a teórica, existe, sem dúvida, uma preferência pela aplicação de entrevistas abertas, a partir de um roteiro mínimo – instrumento de investigação seguido pela pesquisa –, entre os pesquisadores das representações sociais.

A perspectiva teórica e metodológica usada nas Representações Sociais (SPINK, 1997, p. 140) possibilita inverter a posição do indivíduo no que tange ao conhecimento; de observador neutro e passivo, esse transfere-se para uma posição central, a de formulador de teorias, científicas ou do senso comum, na criação de uma realidade consensual. Nessa direção (SPINK, 1997, p. 141), o trabalho de dados de forma qualitativa pressupõe rediscutir ―o estatuto de interpretação na atividade científica.‖

Por conseguinte, para a investigação sobre representações do adventismo para jovens82 da IASD, se executam entrevistas semiestruturadas, mediante três categorias empíricas: escatologia, sábado e dieta alimentar. A escolha dos três temas se justifica pela possibilidade de verificarmos a influência dos mesmos na conduta dos jovens, em detrimento de outras doutrinas específicas do adventismo, leia-se, o dom de profecia, as formulações em torno do santuário celestial e a imortalidade condicional, que possivelmente seriam acessadas apenas em seus aspectos teológicos e dificultariam uma relação compreensiva na esfera prática. As entrevistas, gravadas em áudio, foram feitas com dez indivíduos83 da Igreja Adventista de Uvaranas – que têm a identidade resguardada – mediante os seguintes critérios prévios de escolha: ter, no mínimo, 18 anos; ser membro batizado da IASD há pelo menos um ano; estar matriculado na Classe de Jovens da Escola Sabatina da Igreja Adventista de Uvaranas e ser integrante frequente/participativo da mesma.

A pesquisa bibliográfica buscou as obras referências em língua portuguesa sobre os aspectos gerais da(s) Ciência(s) da Religião enquanto área acadêmica, livros e artigos especializados que tratam de diferentes perspectivas sociológicas de abordagem da religião, bem como as principais obras em português a respeito das Representações Sociais e artigos em periódicos de destaque de facetas oportunas da teoria pertinentes à pesquisa, além das dissertações e teses com base na IASD das pós-graduações stricto sensu no Brasil, livros que abordam a denominação tanto com fins apologéticos, como científicos, e artigos sobre a Igreja Adventista em revistas científicas temáticas de Ciência da Religião, Ciências da Religião, Ciências das Religiões, Ciências Sociais, Sociologia e Teologia.

No apêndice C está dividida a documentação utilizada para embasar este trabalho em ‗Referências denominacionais‘, aquelas produzidas por instituições e veículos oficiais da IASD; ‗Referências sobre a Igreja Adventista do Sétimo Dia‘, que se constituem em produções a respeito da IASD e que não estão ligadas oficialmente à denominação – mesmo que os agentes produtores de tais sejam adeptos da Igreja ou com ela tenham algum vínculo

82 Existem impasses na delimitação da faixa etária exata correspondente à idade dos jovens adventistas. Consultado, o pastor Elmar Borges, líder de jovens da Igreja Adventista para a região sul do Brasil, informou, com relação à idade ideal para frequência na Classe de Jovens da Escola Sabatina que ―a IASD não tem nada oficializado. O que [há] é a convenção de que jovens são aqueles entre 15-35 anos.‖ Todavia, o pastor Edison Choque, líder de Escola Sabatina para a Igreja Adventista na América do Sul, em matéria sobre os 160 da Escola Sabatina, assinada à revista Mais Destaque, periódico independente que trata de temas ligados à IASD, na edição de setembro/outubro de 2013, indica que os jovens situam-se no grupo etário que possui mais de 18 anos. Por conseguinte, para a presente investigação, optou-se pela referência dada pela instância consultada mais elevada na hierarquia adventista, a de nível sul-americano, leia-se, a Divisão Sul-Americana da IASD.

83

O uso de poucos indivíduos na compreensão de uma representação se constitui num ―exemplo do que chamamos [...] de ‗sujeitos genéricos‘ que, se devidamente contextualizados, tem o poder de representar o grupo no indivíduo.‖ (SPINK 1997, p. 129).

formal; ‗Referências sobre Representações Sociais‘, que tratam sobre a teoria empregada no trabalho; e ‗Referências de apoio‘, formadas pelas obras das Ciências Sociais, Ciência(s) da(s) Religião, Teologia e Comunicação – majoritariamente –, entre outros artigos, livros, dissertações e teses consultados e usados, em sua maioria, na reflexão aqui apresentada. A divisão visa facilitar a identificação do perfil e a procedência das obras utilizadas.

A investigação conta também com uma caracterização da comunidade investigada – IASD de Uvaranas – através de pesquisa documental. A IASD de Uvaranas, fundada em 1992, possui, segundo dados84 do Adventist Church Management System,85 sistema que gerencia o cadastro de adventistas no mundo, 294 membros. Destes, cerca de 50 estão matriculados na Classe de Jovens da Escola Sabatina. A média de frequência na mesma gira em torno de 40 pessoas por sábado,86 entre membros regulares e visitantes. A Escola Sabatina forma um dos momentos do culto de sábado dos adventistas. Durante a mesma, a Igreja recapitula um tema previamente definido e estudado durante a semana na Lição da Escola Sabatina, confraterniza-se através de pedidos de oração e agradecimentos em grupos reduzidos de membros, chamados de classes, coordenadas por um professor(a) e elaboram planos para a pregação da mensagem adventista.

Pesquisas realizadas nas atas de comissão da IASD de Uvaranas, com o auxílio do secretário da Igreja mostram que, em 1991, o pastor Mário Batista, então responsável pelo distrito central de Ponta Grossa, planejou realizar um trabalho de evangelismo no bairro de Uvaranas. A iniciativa foi executada um ano após, em 1992, coordenada pela, à época, Federação Sul Paranaense da IASD, por meio de sua equipe de pastores, obreiros e evangelista. Os primeiros trabalhos missionários na região foram a distribuição de folhetos com mensagens adventistas, o oferecimento de estudos bíblicos e uma conferência bíblica feita em um auditório móvel com estrutura metálica – chamado pelos membros da IASD de Uvaranas de ‗tenda‘ – disponibilizado pela Federação, de 130 metros quadrados, montado no pátio de onde se encontra hoje a Igreja.

As atividades na ‗tenda‘ iniciaram em 17 de dezembro de 1992. Em 22 de dezembro foi realizada a primeira comissão e escolhida a liderança local – membros de outras IASD‘s da cidade se juntaram ao grupo de Uvaranas no início das atividades do mesmo. Do trabalho realizado pela conferência na ‗tenda‘, se batizaram mais de 100 pessoas. A lista de membros

84 A consulta foi realizada em 31 de outubro de 2014. 85 Disponível em: <www.acmsnet.org>.

86

A partir de 13 de julho de 2013, mudou-se a estrutura do culto de sábado da IASD de Uvaranas. O Culto Divino passou a ocorrer no primeiro momento da liturgia, às 8h45, e a Escola Sabatina, no segundo, a partir das 10h30.

da Igreja de Uvaranas de 16 de março de 1993 mostra registrados no grupo local 112 pessoas. Oficialmente, a construção da nave da Igreja começou em 31 de março de 1993. Foi em um programa jovem, de um sábado à tarde, no dia 25 de dezembro de 1993, com o templo semipronto, que os adventistas de Uvaranas passaram a usá-lo em seus cultos, ao invés do auditório móvel. A Igreja de Uvaranas foi oficialmente organizada, ou seja, ascendeu de grupo para Igreja, em 7 de maio de 1994.

A pesquisa foi submetida à Comissão de Ética em Pesquisa envolvendo Seres Humanos da Universidade Estadual de Ponta Grossa, através da Plataforma Brasil. Do projeto inicial encaminhado, as únicas adequações necessárias foram as de simplificar alguns fragmentos do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) elaborado para os indivíduos entrevistados, providenciar assinatura de responsável para as fontes com menos de 18 anos87 e apresentar autorização da direção da Igreja dos jovens consultados para realização da pesquisa. Após esses ajustes, a pesquisa foi aprovada pela Comissão.88

Em Ponta Grossa, a Igreja Adventista do Sétimo Dia iniciou suas atividades em setembro de 1917. Na Rua Sant‘Ana, em uma residência próxima à Catedral Sant'Ana, também conhecida como Igreja Matriz Sant'Ana, realizou-se a primeira série de conferências adventista da cidade. No mesmo mês, foi alugada uma casa de madeira na Rua Sete de Setembro, esquina com a Rua Tiradentes – mesma localização da atual Igreja –, que serviu como local de reunião para os adventistas. Em 27 de abril de 1929, com 41 membros, foi organizada, pelo pastor Artur Westphal, a primeira Igreja Adventista de Ponta Grossa. Os adventistas congregavam em um templo situado na Rua Santos Dumont, esquina com a Rua Tiradentes, no centro da cidade.89 Na década de 1970, começou a construção da atual Igreja Adventista do Sétimo Dia Central de Ponta Grossa.90

Segundo informações cedidas pela secretaria da Associação Central Paranaense da IASD, administradora das igrejas adventistas de Ponta Grossa, a cidade conta com cinco distritos pastorais – os quais abrangem também as igrejas da denominação dos municípios de

87

Esse quesito influenciou uma mudança do projeto de pesquisa inicial. Por conta de indefinições quanto à idade correspondente dos jovens adventistas, o pesquisador estipulou que a faixa etária acessada seria de 16 a 35 anos, conforme convenções observadas. Por isso, a Comissão de Ética cobrou assinatura de um responsável para os com menos de 18 anos. Após o pedido, o pesquisador procurou fontes que auxiliaram na delimitação da idade dos jovens adventistas entre 18 e 30 anos, o que exclui a necessidade de ajuste nesse ponto.

88 Parecer de número 544.834. Documento aprovado em 28 de fevereiro de 2014. 89 Imagem do templo no anexo E.

90

Informações fornecidas por Alvair Martins, neta de pioneiros da Igreja Adventista em Ponta Grossa, que possui documentos históricos da IASD Central da cidade, em entrevista concedida ao autor em 23 de outubro de 2014.

Carambeí, Ivaí e Palmeira –, cinco pastores, 22 templos e um ministério na Cadeia Pública Hildebrando de Souza. Ponta Grossa possui 2.954 adventistas.91

O que motivou e conduziu à seleção e escolha da IASD de Uvaranas como grupo a ser investigado foi a procura da Igreja Adventista de Ponta Grossa que possuísse o maior número de jovens matriculados em uma classe de Escola Sabatina para a idade, por considerarmos que necessitávamos, de preferência, de uma Igreja específica que propiciasse acesso a colaboradores de pesquisa alternativos entre o maior número possível de indivíduos. Nesse sentido, duas possibilidades nos apareceram: a Igreja Adventista do Sétimo Dia Central de Ponta Grossa e a de Uvaranas. Após consultas com os professores da Classe de Jovens das duas igrejas, optamos pela de Uvaranas, que contém cerca de 50 jovens inscritos em sua respectiva classe de Escola Sabatina – pouco mais do que a Igreja central da cidade. Após escolhido o lócus de pesquisa, o investigador solicitou transferência de outra IASD que frequentava para a Igreja Adventista de Uvaranas.

O pesquisador se inseriu na Classe de Jovens da IASD de Uvaranas e, durante um ano, observações e participação92 nas reuniões foram levadas a cabo com o intuito de visualizar características do grupo e delimitar os(as) potenciais entrevistados(as) para a pesquisa.

Quando da seleção dos(as) presumíveis colaboradores(as) da investigação, algumas precauções foram tomadas: houve o cuidado de equilibrar a escolha de entrevistados masculinos e femininos; buscou-se também igualar a quantidade de indivíduos que pareciam estar próximas do ideal de conduta e crença adventista em relação àqueles que não estavam.93 Após essas etapas, chegou-se, de um universo de 50 possíveis entrevistados(as), ao número de 20 escolhidos(as), que passaram pelo crivo de outros critérios para a escolha das dez fontes finais pretendidas: novamente, o maior equilíbrio possível entre fontes masculinas e femininas; a preferência por aqueles(as) que durante as observações efetuadas nos momentos da Classe de Jovens – e, também, em outras interações religiosas, como cultos e conversações informais – se mostrassem desenvoltos e sem nenhum constrangimento ou temor para falar sobre questões referentes à condutas e crenças, caso fossem convidados; a não repetição de fontes com grau de parentesco ou proximidade afetiva; e, logicamente, o aceite ao convite e a disponibilidade de tempo de cada qual.

91 Dados de setembro de 2014.

92 Quando solicitado, em alguns sábados, o pesquisador auxiliou na coordenação da recapitulação da Lição da Escola Sabatina.

93 Cumpre lembrar que quando da realização das entrevistas, em certos casos, tais aparências se confirmaram e em outros, não.

Grande parte das definições quesituais elencadas para a escolha dos indivíduos acessados partiu da vivência do pesquisador junto aos jovens durante a classe de Escola Sabatina dos mesmos. Em dois momentos, somente, não foi possível cumprir cabalmente os pressupostos prévios de seleção: na escolha das fontes masculinas e femininas, os

Dans le document Program Product (Page 35-42)

Documents relatifs