Parece existir uma preferência pela descrição sumária dos exames complementares de diagnóstico, tendo a maioria (74.5%) ficado situada nos níveis 4 e 5 (tabela 42). Não se encontraram diferenças significativas entre os Magistrados quando se aplicou o teste de χ2.
Grau de importância
0 1 2 3 4 5
n 1.0 2.0 5.0 5.0 17.0 21.0 descrição sumária dos exames
complementares de diagnóstico (%) (2.0) (3.9) (9.8) (9.8) (33.3) (41.2)
n 2.0 4.0 8.0 23.0 11.0 3.0 descrição detalhada (%) (3.9) (7.8) (15.7) (45.1) (21.6) (5.9)
n 21.0 7.0 18.0 3.0 1.0 1.0 necessidade de inclusão de outros
aspectos (%) (41.2) (13.7) (35.3) (5.9) (2.0) (2.0)
n 10.0 14.0 19.0 8.0 qualidade da descrição dos exames (%) (19.6) (27.5) (37.3) (15.7)
Tabela 42. Frequências e percentagens relativas aos itens agrupados na descrição dos Exames complementares
Quando comparámos as médias das respostas (utilizando o t-student), também não se encontraram diferenças significativas nos sub-grupos considerados (tabela 43).
DelegaçãoA Gabinete DelegaçãoB Total
Média n SD Média n SD Média n SD Média n SD descrição sumária dos
exames complementares de diagnóstico 3.88 24 1.36 3.91 11 1.38 4.00 16 1.10 3.92 51 1.26 descrição detalhada 2.83 24 1.17 3.27 11 0.90 2.75 16 1.24 2.90 51 1.14 necessidade de inclusão de outros aspectos 1.29 24 1.30 1.36 11 1.03 0.94 16 1.24 1.20 51 1.22 qualidade da descrição dos exames 3.58 24 1.06 3.45 11 0.69 3.38 16 1.09 3.49 51 0.99
2.9 Discussão
A maioria dos Magistrados é de opinião que as referências ao nexo de causalidade e a referência à data de cura ou consolidação, que já constam dos relatórios, são muito importantes (mais de 90% dos respondentes assinalaram 4 ou 5). Igualmente, os Magistrados valorizaram a inclusão de aspectos ainda não constantes dos relatórios, “referência à fundamentação de danos valorados”, “referência à existência de factores de risco ou de perigo” e “referências a propostas em termos de protecção”, com níveis de 4 e 5 em percentagens que ultrapassam ou se aproximam dos 80% (tabela 44). As diferenças entre os Magistrados não foram significativas quando aplicado o teste de χ2 para um p=0.01. Todavia, os itens “referência à
data de cura/consolidação” (χ2=9.074) e a “referência a propostas em termos de protecção”
(χ2=21.706) são significativos para um p=0.05.
Grau de importância
0 1 2 3 4 5
n 4.0 8.0 39.0
referência ao nexo de causalidade
(%) (7.8) (15.7) (76.5)
n 5.0 8.0 38.0
referência à data de
cura/consolidação (%) (9.8) (15.7) (74.5)
n 1.0 1.0 5.0 14.0 30.0 referência à fundamentação dos
diversos danos valorados (%) (2.0) (2.0) (9.8) (27.5) (58.8)
n 1.0 2.0 6.0 11.0 31.0 referência à existência de factores
de risco e de perigo (%) (2.0) (3.9) (11.8) (21.6) (60.8)
n 2.0 1.0 4.0 7.0 16.0 21.0 referência a propostas em termos
de protecção
(%) (3.9) (2.0) (7.8) (13.7) (31.4) (41.2)
Tabela 44. Frequências e percentagens relativas aos itens agrupados na Discussão
É o que mostra a box-plot: unanimidade na valorização dos quatro primeiros itens e considerável importância do último, apesar da maior dispersão de opiniões (gráfico 22).
discusA5 DiscusA4 discusA3 discusA2 discusA1 5 4 3 2 1 0 39 40 41 50 10 12 16 2 33 2 12 16 41 12 24 24
Gráfico 22. Box-plot da dispersão de respostas aos itens associados à Discussão
discusA1 - referência ao nexo de causalidade discusA2 - referência à data de cura/consolidação
discusA3 - referência à fundamentação dos diversos danos valorados discusA4 - referência à existência de factores de risco e de perigo discusA5 - referência a propostas em termos de protecção
Entre os grupos dos respondentes considerados registaram-se as seguintes diferenças significativas: a Delegação A valoriza mais os itens: “referência à data de cura/consolidação” e “referência a propostas em termos de protecção” em relação aos restantes (t=2.44 e t=2.58 respectivamente) (tabela 45), o que vem validar os resultados de χ2 referidos.
DelegaçãoA Gabinete DelegaçãoB Total
Média n SD Média n SD Média n SD Média n SD referência ao nexo de
causalidade 4.79 24 0.51 4.64 11 0.67 4.56 16 0.73 4.69 51 0.62 referência à data de
cura/consolidação 4.88 24 0.45 4.27 11 0.79 4.56 16 0.73 4.65 51 0.66 referência à fundamentação
dos diversos danos valorados 4.54 24 0.72 4.55 11 0.69 4.00 16 1.37 4.37 51 0.98 referência à existência de
factores de risco e de perigo 4.46 24 0.78 4.00 11 1.55 4.38 16 1.02 4.33 51 1.05 referência a propostas em
termos de protecção 4.38 24 0.88 3.82 11 0.60 3.25 16 1.84 3.90 51 1.30
Tabela 45. Medidas de tendência central relativas aos itens agrupados na Discussão
A maioria dos Magistrados é de opinião que a qualidade da referência ao nexo de causalidade e à data de cura ou consolidação, rubricas que já constam dos relatórios, é muito importante (mais de 80% dos respondentes assinalaram 4 ou 5). No que diz respeito à avaliação da qualidade dos outros itens, e já que não aparecem nos actuais relatórios, era de esperar que não existisse. O facto de que os Magistrados terem, também, atribuído um valor a esses itens, aponta para a existência de um desejo de que eles passem a constar nos relatórios.
Também neste item a maioria pensa que não existe necessidade de inclusão de outra informação (tabela 46).
Grau de importância
0 1 2 3 4 5
n 5.0 9.0 25.0 12.0
qualidade da discussão sobre nexo de causalidade
(%) (9.8) (17.6) (49.0) (23.5)
n 3.0 7.0 26.0 15.0
qualidade da discussão sobre
a cura/consolidação (%) (5.9) (13.7) (51.0) (29.4)
n 3.0 13.0 27.0 8.0
qualidade da discussão sobre
a valorização dos danos (%) (5.9) (25.5) (52.9) (15.7)
n 1.0 15.0 12.0 17.0 6.0
qualidade da discussão sobre a existência de factores de risco e de perigo (%) (2.0) (29.4) (23.5) (33.3) (11.8) n 2.0 2.0 16.0 10.0 17.0 4.0 qualidade da referência a propostas em termos de protecção (%) (3.9) (3.9) (31.4) (19.6) (33.3) (7.8) n 21.0 8.0 16.0 3.0 1.0 2.0 necessidade de inclusão de outros itens (%) (41.2) (15.7) (31.4) (5.9) (2.0) (3.9)
Tabela 46. Frequências e percentagens relativas aos itens agrupados na qualidade da Discussão
Não existem diferenças significativas na forma como os diferentes grupos responderam quando se avaliam as médias (t-student) (tabela 47).
DelegaçãoA Gabinete DelegaçãoB Total
Média n SD Média n SD Média n SD Média n SD qualidade da discussão sobre nexo de causalidade 3.92 24 0.88 3.64 11 0.81 3.94 16.0 1.00 3.86 51 0.89 qualidade da discussão sobre a cura/consolidação 4.13 24 0.68 4.00 11 0.77 3.94 16.0 1.06 4.04 51 0.82 qualidade da discussão
sobre a valorização dos
danos 3.79 24 0.72 3.45 11 0.52 4.00 16.0 0.97 3.78 51 0.78 qualidade da discussão sobre a existência de factores de risco e de perigo 3.04 24 1.20 3.18 11 0.87 3.50 16.0 1.15 3.22 51 1.12 qualidade da referência a propostas em termos de protecção 2.96 24 1.20 2.91 11 1.14 3.06 16.0 1.39 2.98 51 1.22 necessidade de inclusão de outros itens 1.21 24 1.18 1.82 11 1.40 0.88 16.0 1.41 1.24 51 1.32
Tabela 47. Medidas de tendência central relativas aos itens agrupados na qualidade da Discussão
Foram cruzados os dados relativos às variáveis que inquiriam da importância no capítulo da “discussão do relatório” com a qualidade que os Magistrados reconhecem aos relatórios que têm analisado para os mesmos itens. Assim, encontraram-se diferenças
significativas entre os pares “referência ao nexo de causalidade” / “qualidade da discussão sobre nexo de causalidade” (t=6.17), no par “referência à data de cura/consolidação” / “qualidade da discussão sobre cura/consolidação” (t=5.41), no par “referência à fundamentação dos diversos danos valorados” / “qualidade da discussão sobre a valorização dos danos” (t=3.82), no par “referência à existência de factores de risco” / “qualidade da discussão sobre a existência de factores de risco” (t=5.44) e entre “referência a propostas em termos de protecção” / “qualidade da referência a propostas de protecção” (t=3.49). Tais diferenças significam que a realidade do que os Magistrados constatam na avaliação dos relatórios diverge da importância que atribuem aos aspectos relativos à “Discussão” e essa diferença é desfavorável à qualidade.