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Após os processos de reflexão sobre o projeto de pesquisa (processo de orientação, de reflexão pessoal e orientações da Banca Examinadora no Exame de Qualificação) ficou definido que a abordagem dos sujeitos de pesquisa se daria de forma aleatória dentre os munícipes, sendo o local de acesso também sem prévia definição. Os encontros que fossem se dando no período de coleta de dados definiriam o sujeito de pesquisa. A prática no campo forneceu uma variedade de perfis, conforme será apresentado na caracterização detalhada e, também, a prática de campo elucidou que haveria benefícios na captação dos munícipes com algum tipo de relação com as defesas agrárias. Esta captação se mostrou possível a partir do fluxo de movimento de munícipes no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Corumbiara (STTRC).

O projeto de pesquisa foi aprovado com a informação de que participariam da pesquisa 12 sujeitos de pesquisa. Ainda que houvesse a definição deste número, a população a ser formada, seria definida pelas possibilidades dadas pelo próprio campo de estudo, considerando a natureza das informações e o tempo disponível para articular coleta e análise de dados. O número das entrevistas se confirmou, sendo que um sujeito de pesquisa, identificado como A03 necessitou interromper a pesquisa e não foi possível retomá-la posteriormente. Assim, esta pesquisa baseia-se nas entrevistas com 11 munícipes de Corumbiara.

O local de acesso aos sujeitos foi a cidade e também o espaço do STTRC, uma vez que houve a decisão, em campo, de trazer para o estudo este contexto e vozes relacionadas. O aspecto principal era o estado de cidadão, sendo a intenção abordar o sujeito em si mesmo, sem referência ou conexão com sua instituição empregadora e/ou de referência. Com isso especifica- se que a opção pelos sujeitos de pesquisa não esteve primordialmente vinculada à instituição de onde fazem parte. Os sujeitos de pesquisa foram convidados para a metodologia de entrevistas em profundidade e estas escolhas pretenderam alcançar um estado de informações que possam beneficiar um conhecimento local do tema, com possibilidades de ter reflexões propostas para além do local de estudo. Os locais de abordagem inicialmente pensados foram ruas aleatórias, praças e outros espaços sociais possíveis (manifestações, ajuntamentos, grupos). Neste último, então, enquadrando-se o STTRC.

O perfil destes onze sujeitos de pesquisa residentes no município de Corumbiara, Rondônia, contempla em sua caracterização: a identificação, a idade, o estado civil, o número de filhos, a escolaridade, a religião, raça/cor auto-referida, a classe social auto-identificada, a naturalidade, a observação sobre receber ou ter recebido algum tipo de benefício assistencial

do governo federal, estado ou município, a observação sobre receber ou ter recebido algum tipo de benefício assistencial de alguma outra instituição que não as anteriormente citadas, atuação profissional e principal mídia de informação. Estas informações estão também especificadas no APÊNDICE B.

A partir destes dados, apresenta-se que as identificações variaram de A01 até A12, observando-se que a situação da entrevista com A03, iniciada e não concluida. As idades dos sujeitos de pesquisa variaram entre 20 e 60 anos (idade média de aproximadamente 43 anos). Sobre o estado civil foram 06 solteiros e 05 casados. Referente a sexo, cinco sujeitos de pesquisa são do sexo feminino e seis, do sexo masculino. A quantidade de filhos variou de nenhum filho até a quantidade de 08 filhos, sendo que 06 entrevistados mencionaram não ter filhos. O nível de escolaridade variou de 4ª Série do Ensino Fundamental a Superior Completo. Observando-se por níveis de escolaridade, a maioria dos entrevistados está categorizada no Ensino Fundamental Incompleto (06 entrevistados até a 5ª série). Um entrevistado finalizou o Ensino Fundamental, um finalizou o 3º ano do Ensino Médio e dois finalizaram Ensino Superior Completo.

Todos os entrevistados referem pertencer à religião Católica Apostólica Romana. Um dos entrevistados ressalva estar afastado da Igreja. Em relação à cor/raça, três entrevistados se declaram brancos; seis, declaram-se negros ou pretos; dois, declaram-se pardos. No que se refere à classe social auto-identificada, cinco referiram classe baixa, dois identificaram sua classe social como agricultores e um identificou classe média. Ainda neste perfil da classe social, três dos entrevistados se utilizaram de expressões para identificar a própria classe social como: “Baixinha”, “Que dá para sobreviver” e “Proletária de origem e atual”.

A naturalidade dos entrevistados revela o perfil de imigração, conforme abordados na caracterização do local de estudo, para a região chamada de Cone Sul do Estado de Rondônia. Este território de identidade Cone Sul é composto pelos municípios de Vilhena, Pimenta Bueno, Espigão d’Oeste, Chupinguaia, Colorado do Oeste, Cabixi, Cerejeiras, Pimenteiras do Oeste, Corumbiara e Parecis. Dos sujeitos de pesquisa, apenas um era natural de Corumbiara/RO; dois outros, naturais de outro município de RO chamado Colorado do Oeste; os demais são naturais de municípios na Bahia (um), Minas Gerais (um), Mato Grosso (dois), Paraíba (um) e Paraná (três).

Sobre a identificação de receber ou já ter recebido algum tipo de benefício assistencial por parte do governo federal, estado ou município, três entrevistados reportaram que não. Os demais identificaram os seguintes benefícios assistenciais: Bolsa Família, Luz Para Todos, Habitação Rural, Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), terra

destinada a partir do INCRA, Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), bolsa de auxílio estudante, auxílio doença, ajuda assistencial para comprar caixão do irmão, ajuda assistencial para deslocamento de irmão portador de deficiência, aposentadoria do irmão portador de deficiência e Prouni (Programa Universidade para Todos).

Quando solicitados a responder sobre receber ou já ter recebido benefício assistencial de alguma outra instituição os entrevistados, oito entrevistados responderam que não; um entrevistado reportou bolsa integral de estudo pela ação social de uma instituição de ensino superior privado; um reportou uma cesta básica recebida em situação específica e um outro referiu que não recebeu benefício assistencial de outra instituição, mas contou com solidariedade de conhecidos. No que tange à atuação profissional estão destacadas as atividades voltadas para agricultura e foram assim referidas: administrativo, vereador e agricultor familiar, representante de políticas agrícolas, representante no Conselho Municipal de Saúde e administrativo de finanças, lavrador e diretor administrativo, lavradora, vereador e agricultor familiar, administrativo e tabeliã substituta, faxineira, agricultura familiar e professor.

O tempo de atuação profissional variou de 60 dias até 52 anos de atuação profissional. Com relação à principal mídia de informação foram referidas: TV Globo (Jornal Nacional), TV Senado, programas religiosos, internet, Facebook, WhatsApp, YouTube, TV Bandeirantes (Justus+) e TV Globo (Jornal Nacional), rádio, internet (sites sobre previdência social), conversa com a vizinha que conta informações, TV (Jornal da Globo e Jornal do SBT), sites oficiais do Estado (Jornal Oficial de RO e Diário Oficial), internet (Extra de Rondônia, Folha de Vilhena e Portal R7). Um dos entrevistados referiu não assistir televisão há aproximadamente 06 meses anteriores ao momento da entrevista.