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Direção

Geral

Centro Nacional de Pesquisas Agropecuária s Instituto de Biologia Animal Instituto de Botânica Agrícola Instituto de Febre Aftosa Instituto de Fitotecnia Instituto de Engenharia Rural Instituto de Microbiologi a e Indústria Agropecuári a Instituto de Patologia Animal Instituto de Patologia Vegetal Institutos de Solos e Agrotecnia Instituto de Zoonoses Diretoria Administrativa Arquitetur a Relações

Públicas RegionaisCentros

Pampeano 12 E.E. e 43 A.E. Andino 3 E.E. e 7 A.E. Chaqueño 4 E.E. e 6 A.E. Mesopotâmico 6 E.E. e 13 A.E. Rionegrense 2 E.E. e 6 A.E. Noroeste 6 E.E. e 9 A.E. Patagônico 3 E.E. e 2 A.E. Figura 3.2 – Estrutura organizacional do INTA em dezembro de 1958

Fonte; Gaceta del INTA, 1/12/1958, p. 351. E.E.: Estação Experimental

A.E.: Agência de Extensão

entre 1945 e 1949, para 985 pesos entre 1955-57, enquanto que o valor das exportações per

capta saltou de 262 pesos a 800 pesos, respectivamente (ARGENTINA, 1959, p. 6-7).

Quanto ao cultivo grano-cerealífero, a sentença de Bernardino Horne era a de que as plantações, quando não experimentaram retrocessos, não lograram adequar-se ao ritmo das necessidades provenientes do aumento da população e à urgência em se obter saldos exportáveis. Para ilustrar a situação, argumentou-se que a área dedicada à cultura de grãos e cereais reduziu-se a 3 milhões de hectares entre meados da década de 1930 e de 1950, acompanhada do declínio da produção, passando de uma média quinquenal de 16 milhões de toneladas, antes da guerra, para 13,7 milhões de toneladas. Complementando os dados, o relatório publicado pela presidência da República em 1962 (ARGENTINA, 1962) aponta que, paralelo à redução da produção, há um aumento de quase 60% do consumo interno de produtos agropecuários entre os anos de 1930 e 1950 (TABELA 3.3).

Tabela 3.3 – Consumo e exportação de produtos agropecuários na Argentina (1935-1959) Índice: 1935 - 100

Período Consumo Exportação

1935-1939 106,6 101,3

1940-1944 158,8 74,4

1945-1949 146,5 66,8

1950-1954 155 51,3

1955-1959 168,5 62,1

Adaptado de: Argentina, 1962, p. II-23.

Entretanto, cenário mais crítico traçava-se para a pecuária, que, após um período de acréscimo, assistiu a uma redução do número de cabeças de gado entre 1956 e 195826 (TABELA

3.4), em um cenário de inflação e crescimento populacional. Mesmo ainda possuindo a primazia na produção e exportação, o país via a redução da sua participação no mercado mundial, provocada pelo aumento da produção concorrencial, mormente da Europa e Oceania (ARGENTINA, 1962, p. II-33). A estratégia frente ao problema se revelava ainda mais aguda, propondo-se a redução e o racionamento do consumo de carne pela população. Conforme o ministro Horne,

26 A urgência com que se tratava o assunto também se explicava pelo fato de a pecuária ser o setor que mais

produzia divisas por meio da exportação, alcançando o total de 508,7 milhões de dólares em 1958 (MALLON Y SOURROUILLE, 1973, p. 170-171).

esto explica de manera patética las razones por las cuales la población no puede seguir consumiendo carne en la forma que lo ha estado haciendo, pues de lo contrario no podríamos recuperar nuestra ganadería. (...) No creemos necesario insistir en el real sentido de la preservación de esta riqueza y del significado de sacrificios, individuales y colectivos, que se reflejan hasta la modificación de hábitos alimentarios y costumbres hondamente arraigados, pero sí consideramos que es deber común contribuir a su consolidación*

(ARGENTINA, 1958, p. 8).

Tabela 3.4 – Número de cabeças de gado na Argentina (1952-1960)

Ano Cabeças de gado (milhões de)

1952 41,9 1953 41,2 1954 43,6 1955 44,0 1956 46,9 1957 44,0 1958 41,3 1959 41,2 1960 43,4

Fonte: Adaptado de Argentina, 1962, p. II-121.

Frente a essa situação, o discurso em prol da ciência e tecnologia para o campo vem à tona como caminho irremediável, na esteira dos eventos e experiências em curso e promovidas pelos EUA na América e Ásia. Como solução, o discurso ministerial defendia a modernização e a inserção de novas práticas pautadas pela C&T em diversos aspectos, desde o manejo do solo, passando pelo aumento da produtividade média por trabalhador27 e chegando à

* Isso explica de forma escrachada as razões pelas quais a população não pode seguir consumindo carne da forma

que a tem realizado, pois do contrário não poderíamos recuperar nossa pecuária (...). Não acreditamos ser necessário insistir no real sentido da preservação desta riqueza e do significado de sacrifícios, individuais e coletivos, refletidos até mesmo na modificação de hábitos alimentares e costumes profundamente arraigados, mas consideramos ser dever comum contribuir com sua consolidação. (Tradução livre).

27 Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o aumento da produção média por trabalhador na Argentina havia

crescido em 14%, ao passo que países vizinhos, como Chile e Uruguai, elevaram em 30% e 62%, respectivamente, e os EUA em 127%, no mesmo período de análise. Ademais, defendia-se a ideia de que o progresso técnico no

infraestrutura da propriedade rural. Outrora visto como organismo marcadamente burocrático, reflexo de um passado que buscava-se soterrar, o INTA e o trabalho proveniente de sua ação foram destacados como elementos importantes da ação governamental para a superação da crise. Bernardino Horne salienta o esforço realizado para a sua organização e aponta qual seria o comportamento esperado da classe produtora frente à instituição

La Secretaria de Estado de Agricultura y Ganaderia ha puesto en marcha, por intermedio del I.N.T.A., a diversos centros de investigación y de estudio, así como estaciones experimentales, agrícolas y ganaderas y su obra debe ser impulsada y aprovechada en esta labor. Los productores deben acostumbrarse a mirar estos centros de investigación como cosa propia, pues en ellos se encaran problemas básicos, cuya solución llevará el aumento de los niveles de productividad e, a su vez, su permanente contacto, servirá como estímulo para quienes, por su capacidad, tienen la obligación de afrontar los problemas y difundir los resultados logrados* (ARGENTINA, 1959, p. 12).

Paralelo a isso, houve a definição de um plano denominado Operación Carnes**, que

por sua vez compunha a reunião de ações coordenadas pela Comisión Nacional de

Administración del Fondo de Apoyo al Desarrollo Económico*** (CAFADE), organizada em

1959, por meio de um convênio entre a Argentina e os Estados Unidos da América “para

coordinar, programar trabajos, promover investigaciones y brindar asesoramientos,

destinados a fomentar el desarrollo económico del país**** (ARGENTINA, 1959, p. 1). A

proposta tinha por finalidade facilitar a assistência técnica e financeira às universidades latino- americanas, visando desenvolver temas relacionados com o desenvolvimento econômico, especialmente nos setores de tecnologia agropecuária, engenharia industrial, administração pública e de empresas e economia. Além do mais, previa-se a criação de um programa de pós-

campo deveria estar inserido em uma proposta de desarrollo nacional, apto a capacitar outros setores da atividade econômica, a ponto de absorverem a contínua expansão da força de trabalho, substituída pela mecanização da produção (ARGENTINA, 1959, p. 10-11).

*

A Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária inaugurou, através do I.N.T.A., diversos centros de pesquisa e estudo, assim como estações experimentais, agrícolas e pecuárias e sua ação deve ser incentivada e aproveitado nesta tarefa. Os produtores precisam se habituar a olhar para estes centros de pesquisa como se fossem seus, visto que neles se discutem problemas cuja solução levará ao aumento dos níveis de produtividade e cujo contato permanente servirá de estímulo para aqueles que, por sua capacidade, tem a obrigação de enfrentar os problemas e difundir os resultados obtidos. (Tradução livre).

** Operação Carnes. (Tradução livre).

*** Comissão Nacional de Administração do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Econômico. (Tradução livre). **** Para coordenar, programar trabalhos, promover pesquisas e fornecer assessoria destinados a incentivar o

graduação nas mesmas áreas, valendo-se dos acordos bilaterais e multilaterais existentes. A CAFADE contava com uma previsão orçamentária de 319 milhões de pesos argentinos, e se desenvolvia em cinco pontos distintos, entendidos como aspectos nevrálgicos da crise econômica:

1) Operación Carnes;

2) Ayuda a las Universidades;

3) Contribución a la Comisión Nacional de Energia Atomica; 4) Contribución al Programa Bilateral y Multilateral de Becas;

5) Investigaciones sobre Desarrollo Industrial28* (ARGENTINA, 1959, p. 4-7).

A Operación Carnes era vista como prioridade do trabalho realizado e tinha como objetivo elevar a produção em curto prazo e outorgar empréstimos aos pecuaristas que adotassem as recomendações feitas pelos técnicos do projeto, contando com um orçamento de 250 milhões de pesos, provenientes do montante total a ser investido. A operação contava com pessoal especializado, economistas, biblioteca e arquivo como auxílio para o produtor, além de estudos e cursos concernentes à melhoria da qualidade e quantidade de carne por animal. Destarte, ciência e tecnologia desempenhariam uma importante função no contexto, como fica exposto em carta que o então secretário de finanças argentino, Antonio López, enviou ao diretor da United States Operations Mission in Argentina, Albion Patterson: “en gran parte del país

la cria de ganado se guia por normas tradicionales que deben dejar lugar al espíritu de

empresa moderna com la cooperación de las ciencias”**. Para a realização das pesquisas

necessárias, contratar-se-ia o serviço das universidades e do Instituto Nacional de Tecnologia

Agropecuaria (ARGENTINA, 1959, p. 24-26).

Muito além de transformações que levassem ao súbito incremento da produção, esperava-se que o trabalho fosse realizado paralelamente a um preparo para a sua recepção, por meio de atividades educacionais e de extensão, e formação de técnicos capacitados, entendida como a iniciativa que garantiria a consolidação do processo em longo prazo. Com isso, buscava-

28 Por ora, vamos nos ater ao primeiro ponto. Os demais serão tratados de forma mais detalhada posteriormente. * 1) Operação Carnes;

2) Ajuda às Universidades;

3) Contribuição à Comissão Nacional de Energia Atômica; 4) Contribuição ao Programa Bilateral e Multilateral de Bolsas; 5) Pesquisas sobre Desenvolvimento Industrial. (Tradução livre).

** Em grande parte do país, a criação de gado é orientada por normas tradicionais que devem ser substituídas pelo

se estimular a formação de “una ‘consciencia tecnológica’ de productores y entidades

interesadas – en cuanto a la necesidad y benefícios de los nuevos métodos –, que haga de aquél

um programa fructifero y eficaz”*. O plano de trabalho definido buscava soluções para um

conjunto de problemas divididos em três frentes: a) alimentação animal, por meio da obtenção de mais pastagem por unidade plantada; b) saúde animal, através de melhor assistência sanitária; c) genética animal, em busca de obter novilhos precoces e reduzir o tempo de abate. (ARGENTINA, 1961, p. 16-17).

Figura 3.3 – Regiões de atuação da Operación Carnes

1 – Pradera Pampeana; 2 – Nordeste; 3 – Bosque Pampeano. Fonte: Argentina, 1961, p. 15.

As regiões atendidas seriam aquelas onde a pecuária já estava consolidada, como a zona pampeana29, área que representava 80% da produção ganadera. Ali pretendia-se a aplicação imediata das técnicas disponíveis. Em outras regiões, buscava-se a expansão e o melhoramento da produção e a inserção da pecuária intensiva, como o nordeste argentino (FIGURA 3.3), setor

* Uma “consciência tecnológica” de produtores e entidades interessadas – acerca da necessidade e dos benefícios

dos novos métodos – que faça do programa algo frutífero e eficaz. (Tradução livre).

29 No trabalho da Operación Carnes, essa região foi dividida em pradera pampeana e bosque pampeano, como

que enfrentava problemas vinculados à baixa qualidade das raças existentes, à deficiência nutricional, à vulnerabilidade a doenças e parasitas e à falta de programas para o melhoramento de pastagens e de sementes de qualidade para a produção de alimento, o que levava à escassez de carne por superfície de cultivo. Ademais, a área enfrentava problemas no âmbito logístico, revelados na insuficiência dos transportes e dificuldade no acesso da produção aos mercados consumidores (ARGENTINA, 1961, p. 14, 37-38).

Já no nordeste argentino, entendia-se que a superação das dificuldades encontradas repousava na adoção de um processo intenso e contínuo de extensionismo rural. No âmbito da operação, instalou-se uma agência de extensão rural em Resistência, província de Chaco, composta por um técnico argentino e outro especialista estadunidense para a prestação de assistência aos produtores, e firmaram-se convênios com o INTA e com o Instituto Agrotécnico

Economico de Misiones para estudos sobre genética e nutrição animal. Além do mais, elaborou-

se um plano de ação integral, composto por recomendações com vistas a elevar a quantidade de crias e garantir a sobrevivência do gado por meio de adaptação adequada de propriedades, vacinação, provas de fertilidade, nutrição animal (a fim de permitir o desmame precoce), melhoria das pastagens, maior inserção de maquinários e fertilizantes agrícolas, e a inserção de raças melhor adaptáveis às condições ecológicas da região, como o zebu (ARGENTINA, 1961, p. 38-39).

Por fim, a zona denominada bosque pampeano, que abrange aproximadamente 4 milhões de hectares e caracteriza-se como um setor de transição entre o clima temperado, característico dos pampas argentinos, e a aridez andina. Ela era vista como uma região de grande potencial para a expansão da pecuária, mas debilitada pela seca e erosão. Para ela, realizar-se- iam estudos com o objetivo de avaliar quais as ações mais pertinentes para o aumento instantâneo da produção, aliados a uma análise que proporcionasse a intervenção de longo alcance por meio de um plano de trabalho estrutural. Para isso, contou-se com a colaboração de técnicos do INTA e de cientistas da Facultad de Ciencias Agrarias da Universidad de Cuyo e dos EUA, que definiram as ações a serem realizadas imediatamente para o combate à vegetação concorrente à pastagem, como arbustos e ervas daninhas, para o aumento do número de poços e açudes, e o plantio de forragem proveniente de espécies adaptadas às condições da região e de elevado valor nutritivo. Para a ação em longo prazo, planejava-se um projeto que possibilitasse a ocupação permanente do solo árido e semiárido, visto serem estes os tipos mais comuns no país, cobrindo um total de 75% da superfície argentina (ARGENTINA, 1961, p. 41- 42).

Ao que tudo indica, a ação do INTA foi imediata, correspondendo ao discurso proferido pelo ministro Horne e à iniciativa da CAFADE, em janeiro de 1959. Visto a necessidade de se elevar a produção pecuária frente ao aumento da demanda interna e de se obter saldos exportáveis, a direção do instituto organizou, no mesmo mês, a Comisión de Producción de

Semillas Forrajeras, voltada ao estudo e à melhoria das pastagens argentinas. A iniciativa foi

tomada levando-se em consideração a inviabilidade de se incorporar novas terras para a atividade, já que qualquer incremento, por meio dessa alternativa, correspondia a uma diminuição da área dedicada à agricultura. Destarte, a única solução viável seria elevar a quantidade de pastagem por superfície plantada, substituindo as espécies débeis por outras de maior rendimento. A comissão contava com a presença de cientistas que ocupavam posições de destaque na instituição30 (GACETA DEL INTA, 2 de fevereiro de 1959, p. 15), aspecto que dimensiona a importância de tal empreitada.

O trabalho da junta teve por desdobramento a constituição do Plan Nacional de

Produccion de Semilla Forrajera, iniciativa que pretendia delinear as ações em prol da

produção de espécies de pastagens mais rentáveis. O objetivo principal do plano, exposto no texto de sua criação, era o de “lograr que se produzca en el país semilla en cantidad adecuada

y de alta calidad, de las especies forrajeras más aptas para constituir las praderas cultivadas necesarias para incrementar de modo substancial la producción ganadera nacional, en el más

breve lapso posible”* (GACETA DEL INTA, 2 de março de 1959, p. 49), expressando o

tamanho e a urgência da proposta. Ademais, almejava-se que os produtores cultivassem a necessidade de adotar essas sementes melhoradas e substituir as pastagens de baixa produtividade, bem como criar um mercado nacional de sementes forrageiras. O plano era claro nesse quesito e as estações experimentais do INTA iniciariam o trabalho de produção visando garantir a qualidade genética das sementes. Todavia, as estações não poderiam transformar-se em espaços dedicados à reprodução dessas sementes, esperando que, com o passar do tempo, a iniciativa privada assumisse a tarefa de multiplicação, restringindo ao Estado a promoção da atividade e o controle de qualidade. De início, propunha-se importação de 39 toneladas de

30 Integravam a referida comissão: o diretor de fomento agrícola, Eduardo Luis Ramperti; o diretor de extensão

agrícola, Norberto Reichart; o diretor do Centro Nacional de Pesquisas Agropecuárias, Arturo Ragonese; o diretor do Centro Regional Pampeano, Walter Kugler; o chefe do Serviço Nacional de Fomento Agropecuário, Rogelio Fernandez Cornejo; o diretor da Estação Experimental de Anguil, Guillermo Covas; o diretor da Estação Experimental de Rafaela, Alfredo Villar; o diretor do Instituto de Solos e Agrotecnia, Antonio Prego; pesquisadores da Estação Experimental de Pergamino, Jose Gorostegui e Hernan Serrano (GACETA DEL INTA, 2 de fevereiro de1959, p. 15).

* alcançar uma produção no país de sementes em quantidade suficiente e de alta qualidade, das espécies de

forragens mais aptas para a formação de pradarias cultivadas e necessárias para aumentar substancialmente a produção pecuária nacional no período mais breve possível.

sementes de diversas espécies a serem cultivadas nos campos do INTA e de produtores conveniados ao instituto, além da inserção de maquinário adequado e fertilizantes (GACETA DEL INTA, 2 de março de 1959, p. 49-51).

Além do aspecto nutricional, outro problema que preocupava as autoridades argentinas relacionava-se com a saúde animal, especialmente a ameaça representada pela febre aftosa, visto como a maior ameaça da pecuária argentina (GACETA DEL INTA, 29 de agosto de 1960, p. 461). Frente à questão, criou-se a Comision Asesora Nacional para la Erradicación de la

Fiebre Aftosa, mediante o Decreto nº 8595, de 29 de julho de 1960, com o intuito de reunir

esforços em prol do combate à doença. Semelhantemente ao ocorrido com a Comisión de

Producción de Semillas Forrajeras, o conjunto dos componentes da comissão contra a febre

aftosa – que contava com a presença de INTA, CAFADE, universidades, associações de produtores e do Ministério da Agricultura e Pecuária – revela, ao menos inicialmente, a projeção e seriedade com que se encarava a questão31 (GACETA DEL INTA, 29 de agosto de 1960, p. 462).

Aliado ao estudo sobre pastagens, havia a necessidade de formação técnica para a pecuária ante o estágio incipiente em que o país se encontrava em matéria de zootecnia, com ausência de especialistas para o setor32. Para o preenchimento de tal lacuna, contou-se com o

auxílio de técnicos de instituições e organismos internacionais, como a FAO33 (INTA, 1959, p. 42-43). Exemplo disso foi a visita de John Hammond34 ao país em 1960, para ministrar estudos

31 Além do INTA e CAFADE, formavam a Comision Asesora Nacional para la Erradicación de la Fiebre Aftosa

a Dirección General de Sanidad Animal (vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura y Ganaderia), a Junta

Nacional de Carnes, a Facultad de Agronomia y Veterinaria da Universidad de Buenos Aires, a Facultad de Ciencias Veterinarias da Univerisdad Nacional de La Plata, a Comisión Coordinadora de Entidades Agropecuarias, as Confederaciones Rurales Argentinas, a Sociedad Rural Argentina, a Confederación Intercooperativista Agropecuaria, a Junta Intercooperativa Agropecuaria, a Junta Intercooperativa de Productores de Leche, a Sociedad de Medicina Veterinaria e a Cámara de Fabricantes de Productos Veterinarios

(GACETA DEL INTA, 29 de agosto de 1960, p. 462).

32 Além da ausência e da necessidade de formação mínima de técnicos para o setor, o panorama incipiente da

pesquisa zootécnica no período fica exposto ao analisarmos o caráter elementar de algumas das ações realizadas, como o programa de pesquisa sobre “características fundamentales de la carne” e “estudio de razas”, com a finalidade de traçar um inventário mínimo de características das raças de gado na Argentina, como teor de gordura, carne e ossos (INTA, 1959, p. 43).

33 Em 1958, a Gaceta del Inta publica um edital para a contratação de tradutores de inglês e alemão para o auxílio

de técnicos da ONU, especialistas em administração rural e nutrição animal, que ministrariam cursos de capacitação ao corpo técnico do INTA (GACETA DEL INTA, 28 de abril de 1958, p. 12-13).

34 O relatório sobre as atividades da Operación Carnes e da CAFADE descreve John Hammond, britânico e

professor da Universidade de Cambridge, como “(...) quizás la más eminente figura en el campo de la fisiologia

animal” e membro de “(...) sociedades cientificas y academias de su especialidad de muchos países, participa de organismos nacionales e internacionales relacionados con su actividad técnica y há desarrollado una fecunda labor bibliográfica, concretada em vários libros y numerosos artículos científicos”. Ao todo, Hammond passou

os meses de fevereiro e março de 1960 ministrando conferências, participando de mesas redondas e visitando estabelecimentos. O conteúdo da visita foi compilado no livro “Carne: Producción y Tecnología”, publicado na esfera da CAFADE (ARGENTINA, 1961, p. 54-55).

sobre seleção de animais e técnicas para o aprimoramento de espécies de bois, porcos e ovelhas, além de indicar as tendências do mercado mundial em relação ao consumo de carne e seus derivados. A atividade foi desenvolvida no domínio da Operación Carnes e contou com autoridades técnicas dos EUA e Argentina (GACETA DEL INTA, 7 de março de 1960, p. 98). Paralelo a isso, houve a realização de cursos voltados ao treinamento de profissionais argentinos. As atividades se desenrolaram entre 1960 e 1961, com um público composto majoritariamente por pesquisadores do INTA, de universidades e de instituições privadas. No total, foram realizados quatro cursos (QUADRO 3.3), sendo que dois contaram com a colaboração direta do Instituto Interamericano de Ciências Agrícolas (IICA), vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA), bem como de faculdades de agronomia e veterinária argentinas e do próprio INTA. O primeiro deles foi o Curso sobre Manejo de

Pasturas y Rodeos, ocorrido entre janeiro e abril de 1960, cujo objetivo fundamental, segundo

o diretor-geral da CAFADE, era o

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