B. Les salafistes et le choc du soulèvement
3. Les nouveaux salafistes-jihadistes : violence et enracinement local
A Reconquista da Península Ibérica tinha o objetivo de apoderar das terras sob domínio dos muçulmanos. Esse movimento foi empreendido pelos monarcas, no caso, em destaque Jaime II de Aragão, que utilizou do argumento religioso para uma série de expedições contra os muçulmanos. Esse reino levaria a missão de oferecer resistência e empreender cruzadas contra seus inimigos. Convém observar que, a imagem da cruzada efetuada contra os islâmicos em Jerusalém a fim de conquistar a Terra Santa, foi utilizada de forma semelhante ao ideal espiritual de “libertar” os territórios cristãos dos inimigos da cristandade.
Para entender como caracterizou o termo da “Reconquista” é relevante debater como neste período o Reino de Aragão, especialmente, os lugares por onde perpassou Arnaldo de Vilanova, coexistiu com os mouros. Esse autor conviveu com os árabes, judeus, cristãos; uma população multicultural. Desse modo, pode-se analisar a Reconquista como:
Além de um movimento político de retomada territorial, a Reconquista foi imbuída do ideal cruzadístico que se espalhou pela Europa durante o século XI, a partir da convocação das Cruzadas por Urbano II no Concílio de Clermont em 1095, tornando-se uma missão divina que passaria a guiar e justificar as ações dos reis cristãos ibéricos em suas campanhas dirigidas contra os muçulmanos, pois “longe de ser um simples empreendimento de conquista, ela deve aparecer como uma guerra justa (BASCHET, 2006, p.92; apud MOCELIM; TAVARES, 2015, p.135).
Neste período da Reconquista Ibérica, um Reino que havia resistido durante o governo de Jaime II, foi o de Granada. Ao longo deste contexto histórico, abordou-se como se deu esse momento, principalmente, o cerco que o rei empreendeu contra a cidade de Almeria. Convém salientar que, Arnaldo era embaixador real da casa de Aragão, e teve um relevante papel político na busca de apoio político e financeiro para a pretensão do monarca.
Jaime II de Aragão, modificou a política de reino adotando um tom expansionista, anexando territórios como o Reino de Múrcia em 1296, devolvido ao Reino de Castela em 1304. Realizou campanhas militares contra o Reino de Granada, no período da Reconquista. Por pressão do papa Bonifácio VIII deixou o trono de Sicília, porque o pontífice estava interessado em apoiar um governo vindo da casa de Anjou. A Sicília era um ponto estratégico que o monarca desejava obter para manter sua luta nos territórios do Marrocos contra os árabes, mas isso não impediu os conflitos futuros do rei (FALBEL, 1977, p.41).
Por volta de maio de 1306, o exército do Reino de Nazari de Granada tomou a cidade de Ceuta no Marrocos, e é a partir daí que as relações com Jaime II tornaram- se conflituosas. Depois que sua majestade expugnou-os do Reino de Múrcia que fazia divisa com Aragão, os habitantes de Granada realizavam assaltos contra os comerciantes catalães, além de causar revolta dos muçulmanos de Valência contra a monarquia aragonesa. O exército de Nazari era bem preparado para lançar tanto ataques, como para defender seu território, haviam diversas bases militares espalhadas próximas às fronteiras dos reinos que o território muçulmano fazia divisa (FAGUNDES, 2014, p.147).
Convém observar que, por questão de disputas territoriais, seja dos ataques empreendidos por Granada contra o Reino aragonês, ou não, existia também aspectos econômicos envolvidos. Com relação à questão econômica, Jaime II tinha interesse no reino de Nazari, principalmente, na cidade de Almeria:
[...] havia também os interesses econômicos devido à projeção mercantil de catalães e valencianos nos portos granadinos, o que era uma oportunidade para ampliarem-se os limites do reino, estendendo a fronteira até essa cidade, lugar essencial ao comércio catalão-aragonês no Mediterrâneo ocidental e uma base estratégica para o controle do estreito e para a entrada até o norte da África. Foi nesse contexto que Jaime II formou a aliança com Castela e Marrocos contra o reino de Granada, visando à expansão da Coroa de Aragão pela costa mediterrânea da península. A cidade de Almeria representava a abertura de uma fronteira direta com o reino muçulmano [...] (FAGUNDES, 2014, p.149).
Por causa dessa missão contra os infiéis de Granada, em 19 de dezembro de 1308, Jaime II juntou-se com Fernando IV (1295-1312), rei de Castela e Leão, firmou um tratado denominado de Alcalá de Henares53. O teor da aliança era atacar o Reino
em 1309, para isso, Castela atacaria Gibraltar, Algeciras e Aragão atacaria Almeria. Era necessário buscar apoio tanto espiritual como financeiro do papa Clemente V, além de formar coalização com outros reinos, como no caso, o de Marrocos. O acordo Marrocos-Aragão-Castelha, através do Tratado de Fez, estabeleceu que Jaime II auxiliaria o monarca marroquino a recuperar o domínio de Ceuta, em poder de Granada, além de oferecer impostos sobre o comércio de mercadores, e de cereais (VALLVÉ, 1990, p.172).
Jaime II enviou embaixadores até à corte pontifícia a fim de obter apoio para a cruzada contra o Reino de Granada, um deles foi Arnaldo de Vilanova. Em 1309, enviando novamente representações da Coroa de Aragão até o sumo pontífice, em Avinhão, obteve a resposta positiva para dar seguimento à armada contra os árabes. De acordo com Desamparados; San Pedro (1997, p. 583), em 24 de abril de 1309, o papa Clemente V mandou que o bispo de Valência concedesse isenção de dívidas, perdão de penas aos que vivessem sobre o domínio de Aragão e que fossem para a guerra. Além de reservar, 10 % dos impostos eclesiásticos por três anos para a guerra.
A cruzada sob o comando de Jaime II iniciou saindo de Valência em 18 de julho para ficar no Cabo de Aljub, atual Santa Pola. Esse translado foi feito por meio naval e terrestre, levando diversas embarcações. Com o início da guerra, os cristãos começariam levando vantagem nos levantes, mas depois os muçulmanos venceram diversos confrontos, e isso causou do lado aragonês-castelha-marroquino, traições e deserções. De acordo com Fagundes (2014, p.155), o governo de Marrocos ao conquistar Ceuta fez um acordo de paz com Granada em troca de alguns territórios,
53Alcalá de Henares é uma cidade pertencente à Comunidade Autônoma de Madrid (Espanha). O
passando para o lado dos mouros e atacando o exército de Castela. Por sua vez, os castelhanos enfrentaram uma crise financeira e falta de armamentos. Isso de fato levou Fernando IV a recuar, e pedir paz ao Reino de Granada. Nesse sentido, a campanha militar que durou quatro meses levou, principalmente, ao fracasso de Aragão que não conquistou nenhuma cidade, nem Almeria, importante porto na época.
Quando o rei de Granada percebeu que havia vencido a batalha em 19 de dezembro de 1309, propôs um acordo a Jaime II, baseando em três fatores: primeiro, o inverno que aproximava; segundo, não encontraria ajuda dos castelhanos que haviam abandonado o rei; libertava os cristãos cativos e ainda autorizava o comércio do seu reino com Aragão. O monarca aragonês refletiu e consultou os nobres de seu reino, por fim, resolveu acatar o acordo proposto pelos infiéis, em 26 de janeiro de 1310, juntou sua tropa e recuando, voltou para Valência (DESAMPARADOS; SAN PEDRO,1997, p. 580-581).