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Introduction des informations de rupture dans l’algorithme de

4.2 Segmentation thématique

4.3.2 Combinaison de la mesure et de la détection de rupture de cohésion

4.3.2.2 Introduction des informations de rupture dans l’algorithme de

A mimesis I, segundo Ricœur, compreende o conjunto de potencialidades simbólicas do campo da praxis377 e a pré-compreensão das linhas com

que se urde a ação (agente, motivo, fim, obra, responsabilidade, circuns- tâncias, ocasião favorável ou desfavorável, interação, êxito e outros) ou «a qualidade narrativa da experiência humana, sem a qual poeta nenhum poderia representar agentes que se tornam nobres ou vis»378. Efetivamente,

a literatura seria incompreensível se não configurasse, sob o signo recriativo e redescritivo da mimesis, o que já figura na praxis humana, ou seja, a estrutura profunda da ação, onde se incluem os seus pressupostos éticos, simbólicos e culturais, descritos pela linguagem convencional e que o poeta deve, no mínimo, conhecer. É por isso que não basta ser estro ou inspirado. Um bom poeta tem de ser obrigatoriamente uma pessoa culta e letrada, com um profundo conhecimento da língua em que escreve e da realidade onde está inserido. Na verdade, é convicção do filósofo francês, o discurso

375 Ibid., 108. «Neste processo concreto, a prefiguração do campo prático do nosso quo-

tidiano, mediante a configuração textual, termina na refiguração operada numa receção da obra aberta ao mundo» (M. BATISTA PEREIRA, 1993, 438-439).

376 «C’est en construisant le rapport entre les trois modes mimétiques que je constitue

la médiation entre temps et récit. C’est cette médiation même qui passe par les trois phases de la mimèsis» (RICœUR, TR I, 107).

377 Cf., Ibid., 91.

não vive «para a sua própria glória visa, pelo contrário, em todos os seus usos, trazer à linguagem uma maneira de habitar e estar no mundo que o precede e pede para ser dita»379. Representar um acontecimento humano

é, em primeiro lugar, compreender o que nele ocorre, nomeadamente, a sua semântica, os seus símbolos e a temporalidade inerente. A composição da intriga e a mimética textual ou literária que ela implica ergue-se sobre esta pré-compreensão da referência a montante. É que se, de facto, «só por meio da estrutura simbólica e narrativa da palavra humana podemos aceder ao homem capaz na sua dimensão histórica, ética e institucional»380,

essas mesmas dimensões semânticas e simbólicas já prefiguradas na ação humana devem ser configuradas na narrativa, antes de serem refiguradas pelo leitor. Isto significa que a atividade de configuração ou mimesis II efetua a mediação entre um estado pré-narrativo, já constituído por uma rede de símbolos e um mundo público, o do leitor, passível de ser trans- formado pela configuração inovadora da narrativa.

O poeta, sendo também agente temporal, encontra no campo da praxis uma ordenação implícita, uma forma primitiva de narratividade, constituída por um grupo de estruturas temporais e «pressupostos reguladores de relações que lhe permitem provocar a novidade e a emoção por meio da transgressão operada pela novidade da fábula. Sem o seu enraizamento no seio de tais pressupostos a história não faria sentido pois não evocaria qualquer fami- liaridade com a nossa experiência quotidiana»381.

Assim, algumas competências são exigidas ao construtor de intrigas ou poeta, lato sensu: uma vez que toda a narrativa é imitação de uma ação, ele deve, primeiramente, ser capaz de identificar a ação pelos seus traços estruturais; em segundo, para que uma ação possa ser narrada com sentido e de modo articulado, é preciso identificar o que Ricœur designa de mediações simbólicas (médiations symboliques)382da ação, ou seja, arti-

culações simbólicas da ação, portadoras de carateres temporais que permitem a sua narração. Em suma, para que possa haver narração, o poeta deve

379 ID., Ibid., 66. 380 ID., Ibid., 60. 381 ID., Ibid., 67. 382 TR I, 108.

ler previamente no campo da ação três tipos de traços: estruturais, simbólicos e temporais383.

A inteligibilidade da composição de uma intriga depende da com- petência do poeta em utilizar de modo significativo a rede conceptual que compõe qualquer ação e a distingue estruturalmente de um mero acon- tecimento físico. Em primeiro lugar, ação implica fins, sem que os resultados sejam previsíveis, isto é, a sua antecipação não se confunde com previ- sibilidade. Não obstante, a ação compromete o agente. Outra característica da ação é a de reenviar a motivos, que justificam o procedimento presente ou passado do agente. Esta característica marca a diferença entre ação e acontecimento, uma vez que um acontecimento físico pode causar um outro, sem que se lhe possa pedir explicações acerca do modo como acon- teceu. Acrescente-se ainda que as ações dependem de agentes que são res- ponsáveis pelas suas ações e aos quais se pode pedir contas384. Isto faz

com que identificar um agente e indagar os motivos da sua ação sejam operações complementares. Reconhecemos, todavia, que muitas vezes os agentes são vítimas de circunstâncias que não produziram e que dependem de acontecimentos físicos, aos quais o sujeito está alheio, sem que, porém, este consiga evadir-se aos seus efeitos fastos ou nefastos385. A estrutura

pré-compreensiva da ação supõe, então, o conhecimento das circunstâncias.

383 «Sem o enraizamento numa pré-compreensão do mundo da ação, que implique o conhe-

cimento espontâneo das suas estruturas inteligíveis, das suas mediações simbólicas e do seu caráter temporal, não se pode compor qualquer intriga, apesar da força criadora do génio poético» (M. BATISTA PEREIRA, 1993, 439). Já Camões, na senda do classicismo renascentista, quando se propunha redigir a epopeia d’Os Lusíadas, dizia apoiar-se não só no engenho mas também arte, pois tinha consciência que o fero engenho sem arte que o domestique é insuficiente. A arte não se cinge unicamente ao domínio das estruturas discursivo-gramaticais mas também ao conhecimento do mundo da ação e dos seus traços inteligíveis, simbólicos e temporais.

384 Les actions ont encore des agents qui font et peuvent faire des choses qui ont tenues

pour leur œuvre, ou, comme on dit en français, pour leur fait: en conséquence, ces agents peuvent être tenus pour responsables de certaines conséquences de leurs actions» (RICœUR,

TR I, 109).

385 «Nous comprenons aussi que ces agents agissent et souffrent dans des circonstances

qu’ils n’ont pas produites et qui néanmoins appartiennent au champ pratique, en tant précisément qu’elles circonscrivent leur intervention d’agents historiques dans le cours des événements physiques et qu’elles offrent à leur action des occasions favorables ou défavorables» (ID., Ibid., 110).

Para além das contingências das circunstâncias, o sujeito agente tem de contar sempre também com as adversidades da interação. Quem age interage, por outras palavras, nenhum sujeito age sozinho, mas sempre em cooperação, competição ou luta com outros. Desta reflexão infere Ricœur a seguinte conclusão: «l’issue de l’action peut être un changement de fortune vers le bonheur ou l’infortune»386. Todos estes termos ou outros semelhantes

respondem às questões do “quem”, “como”, “porquê”, “quê”, “com quem”, “contra quem” e estão numa relação de intersignificação, na medida em que é possível ligar cada um deles aos outros do conjunto, numa situação de questão resposta. Ricœur afirma que «dominar esta rede conceptual no seu conjunto, e cada termo como um membro do conjunto, é ter a competência que se pode denominar de compreensão prática»387, neces-

sariamente conhecida do narrador e do recetor.

Ademais, a narrativa, para além da necessária familiaridade com termos como sujeito, fim, meio, circunstância, deve pressupor o que a semiótica designa de ordem sintagmática, isto é, as regras sintáticas de composição narrativa, que contribuem para o desenvolvimento diacrónico da trama con- ceptual da semântica da ação. São traços discursivos ou sintáticos cuja função é engendrar a composição das modalidades de discursos dignos de serem chamados de narrativos e que distinguem a trama conceptual da ação de uma simples sequência de frases de ação. Podemos dizer que a intriga tal como Aristóteles a entendia (disposição dos factos – sunthesis

ton pragmaton) é o equivalente literário da ordem sintagmática que a

narrativa introduz no campo prático388. É assim que Ricœur descobre um

laço literário entre inteligência narrativa e inteligência prática: «on peut résumer de la manière suivante la relation double entre intelligence narrative et intelligence pratique. En passant de l’ordre paradigmatique de l’action à l’ordre syntagmatique du récit, les termes de la sémantique de l’action

386 Ibid.

387 «Maîtriser le réseau conceptuel dans son ensemble, et chaque terme à titre de membre

de l’ensemble, c’est avoir la compétence qu’on peut appeler compréhension pratique» (Ibid.).

388 «L’intrigue, entendue au sens large qui a été le nôtre dans le chapitre précédent, à

savoir l’agencement des faits (et donc l’enchaînement des phrases d’action) dans l’action totale constitutive de l’histoire racontée, est l’équivalent littéraire de l’ordre syntagmatique que le récit introduit dans le champ pratique» (RICœUR, TR I, 112).

acquièrent intégration et actualité»389. A atualidade deve-se ao facto de

na ordem paradigmática estes termos terem apenas uma significação virtual, ou seja, uma potencial capacidade de emprego; é graças ao encadeamento sequencial que a intriga confere aos agentes, às suas ações e às suas paixões que estes termos recebem uma significação efetiva, uma ativação ou, em termos filosóficos, uma atualização. Ao falar de integração, Ricœur390pensa

nos agentes, motivos e circunstâncias que, apesar de serem tão heterogéneos, são tornados compatíveis e operam conjuntamente em totalidades temporais efetivas. Assim, «comprendre une histoire, c’est comprendre à la fois le langage du «faire» et la tradition culturelle de laquelle procède la typologie des intrigues»391.

Para além dos traços estruturais da ação, o poeta, ao compor a intriga, deve identificar de antemão todo um conjunto de recursos simbólicos que o campo prático lhe apresenta. Assim, «outro pressuposto da inteligência narrativa é o sistema simbólico da cultura em que a ação se torna legível na sua tecitura pública, que, à maneira de um texto, precede toda a con- ceptualização científica e funciona como um código cultural normativo com sua escala de valores»392. A transposição poética do campo prático

para o campo narrativo só será possível se o poeta compreender os símbolos inerentes à própria ação. Segundo Paul Ricœur, a ação só pode ser narrada porque já está simbolicamente mediatizada: «si, en effet, l’action peut être racontée, c’est qu’elle est déjà articulée dans des signes, des règles, des normes: elle est dès toujours symboliquement médiatisée»393. Importa escla-

recer, neste ponto, o que é que Ricœur entende por símbolo. Em Temps

et Récit I, o autor explica que o símbolo é um meio-termo entre a identificação

imediata de uma simples notação e o duplo sentido ou a ambivalência mediata, própria da linguagem metafórica de significação por vezes oculta ou elitista. Dito de outro modo, o símbolo ocupa o lugar intermédio entre

389 Ibid.

390 Cf. Ibid., 113. 391 ID., Ibid.

392 M. BATISTA PEREIRA, 1993, 439. 393 TR I, 113.

a denotação elementar ou demasiado explícita e a conotação demasiado rebuscada e esotérica394.

Ricœur preocupa-se, essencialmente, em vincar a ideia de que o sím- bolo é uma significação subsumida na própria ação, que nela se pode decifrar: «le symbolisme n’est pas dans l’esprit, n’est pas une opération psychologique destinée à guider l’action, mais une signification incorporée à l’action et déchiffrable sur elle par les autres acteurs du jeu social»395.

Antes de ser texto, a mediação simbólica é ela própria já um texto. De facto, cada cultura é uma tecitura de símbolos que interagem uns com os outros, pelo que o poeta deve saber situar o símbolo no conjunto dos símbolos com os quais está interligado e forma um tecido cultural. Entender este sistema simbólico é ter acesso a um contexto de descrição para ações particulares396. Sabemos bem como alguns símbolos podem ter um significado

diferente consoante o contexto. Nesse caso, é necessário conhecer a con- venção simbólica onde se insere o símbolo para podermos interpretar o seu significado. Cada símbolo é assim também um interpretante, na medida em que fornece regras de significação em função das quais se pode interpretar uma determinada conduta. Assim sendo, este acaba por conferir à ação uma primeira legibilidade, traduzindo à letra o termo de Ricœur “lisibilité”397.

Por fim, o símbolo, para além de nos permitir interpretar determinados

394 «Le mot symbole y est pris dans une acception qu’on peut dire moyenne, à mi-chemin

de son identification à une simple notation […] et de son identification aux expressions à double sens selon le modèle de la métaphore, voire à des significations cachées, accessibles seulement à un savoir ésotérique. Entre une acception trop pauvre et une acception trop riche, j’ai opté pour un usage voisin de celui de Cassirer, dans la Philosophie des Formes symboliques, dans la mesure où, pour celui-ci, les formes symboliques sont des processus culturels qui articulent l’expérience entière» (TR I, 113). No contexto da via longa da hermenêutica ricœuriana, M. L. Portocarrero descreve o símbolo em termos de duplo sentido e de ambivalência linguística, «nomeação de um inominável que, rompendo os limites da linguagem unívoca habitual, demanda apesar de tudo a experiência da comunicação e da palavra partilhada. São as expressões ambíguas e simbólicas da autocompreensão originária que o homem tem de si [… que nos dão acesso] às experiências ontológicas mais radicais da condição humana, aquelas que o pensamento por conceitos e a sua linguagem unívoca deixam escapar» (2002, 48).

395 TR I, 114.

396 «Un système symbolique fournit ainsi un contexte de description pour des actions

particulières» (ID., Ibid., 114).

comportamentos ou ações singulares, também pode desempenhar a função de norma, servindo de regulador social. São as normas imanentes de uma cultura que nos possibilitam avaliar ou julgar moralmente determinada ação. A avaliação atribuída, em primeiro lugar, às ações pode ser estendida, em segundo lugar, aos agentes responsáveis, os quais podem ser considerados bons, maus, melhores ou piores. Esta reflexão acerca do símbolo no campo da ação possibilita-nos estabelecer uma conexão entre a mimese I ricœuriana e alguns pressupostos da Poética aristotélica analisados no capítulo anterior. Aristóteles defendia, no seu tratado literário, que todos os agentes não são apenas indivíduos que agem, mas, fundamentalmente, indivíduos pro- vidos de qualidades éticas que os tornam nobres ou vis. Assim, comenta Ricœur: «si la tragédie peut les représenter «meilleurs» et la comédie «pires» que les hommes actuels, c’est que la compréhension pratique que les auteurs partagent avec leur auditoire comporte nécessairement une éva- luation des caractères et de leur action en termes de bien et de mal. Il n’est pas d’action qui ne suscite, si peu que ce soit, approbation ou répro- bation, en fonction d’une hiérarchie de valeurs dont la bonté et la méchanceté sont les pôles»398. É, de facto, a qualidade ética dos carateres que suscita

nos espetadores simpatia ou antipatia, logo, o prazer estético de um drama está diretamente associado a critérios éticos intrínsecos à própria ação. Do mesmo modo que nenhuma ação pode ser eticamente neutra, também nenhuma intriga o pode ser, já que a última é uma configuração da pri- meira.

A compreensão de uma ação não se pode limitar aos seus traços estru- turais e simbólicos, isto é, a atividade mimética de nível II, para além do domínio da rede conceptual da ação e das suas mediações simbólicas, deve reconhecer na ação estruturas temporais que demandam uma narração. É este fator que torna implícita a relação entre tempo e narrativa.

Efetivamente, há uma afinidade evidente entre determinadas categorias da ação e as dimensões temporais: é fácil observar que um projeto diz respeito ao futuro; a motivação implica a capacidade para mobilizar no presente a experiência herdada do passado; dizer “eu posso”, “eu faço”

ou “eu sofro” põe, de imediato, em relevo o sentido que espontaneamente conferimos ao presente. No entanto, não são estas associações óbvias que movem Ricœur no âmbito da sua pesquisa sobre a relação entre tempo e narrativa. Como o próprio afirma, interessa-lhe «l’échange que l’action effective fait apparaître entre les dimensions temporelles»399. O filósofo,

partindo do conceito agostiniano de distentio animi como reunião do passado, do presente e do futuro, no presente, avança para a praxis quotidiana e a sua forma de ordenar o presente do passado, o presente do futuro e o presente do presente, porque é esta articulação o indutor mais básico da narração400. As estruturas temporais da pré-compreensão da ação são

entendidas, pois, por Ricœur, como indutoras de narrações, justificando que se fale de uma pré-narração da experiência. Isto significa que na espon- taneidade da ação humana já figura a unidade retensa, atenta e protensa do tempo ou a distentio animi de que falava Agostinho; esta experiência psicológica do tempo é vivida no campo da mimesis I ou pré-compreensão do agir humano espontâneo, que tem a estrutura de uma narração incipiente e é familiar ao poeta e ao seu auditório401.

Neste sentido, Ricœur toma emprestado a Heidegger o conceito de intratemporalidade, que define o estar-“no”-tempo, como tendo por base o “cuidado”. O “cuidado” heideggeriano, equivalente à distentio animi agos- tiniana, atravessa a ação quotidiana com a unidade dos êxtases do passado, do futuro e do presente. Distingue-se da “preocupação”, na medida em que esta «esquecida do homem, se deixa absorver apenas pelo “presente” das coisas isolado, como um momento abstrato, do passado e do futuro, mediante a obliteração da retenção e da expectativa»402. Esclarece Batista

Pereira, «enquanto a preocupação se desumaniza na sua absorção pelas coisas, o cuidado mantém na praxis quotidiana o tempo humano na sua unidade extática do passado, futuro e presente, que é o tempo da narração,

399 Ibid., 118.

400 «Ce qui importe, c’est la manière dont la praxis quotidienne ordonne l’un par rapport

à l’autre le présent du futur, le présent du passé, le présent du présent. Car c’est cette articulation pratique qui constitue le plus élémentaire inducteur du récit» (Ibid., 119).

401 Cf. M. BATISTA PEREIRA, 1993, 440. 402 ID., Ibid.

captado na linguagem do quotidiano […]»403. Eis porque o filósofo francês

tem o cuidado de separar a intratemporalidade heideggeriana da representação linear do tempo, uma vez que esta não pode ser identificada com uma simples sucessão de “agoras”. A primeira constatação que, na verdade, devemos estabelecer como princípio inalterável é a de que ser-“no”-tempo, segundo a terminologia de Heidegger, retomada por Ricœur, é diferente de medir o tempo. Diz o filósofo francês que «être-“dans”-le-temps, c’est avant tout compter avec le temps et en conséquence calculer»404. É porque

contamos com o tempo e fazemos cálculos que devemos recorrer à medida; não o inverso. Deve, pois, ser possível fazer uma descrição existencial desse “contar com”, antes da medida que ele exige405. O benefício que

a análise da intratemporalidade aporta à relação entre tempo e narrativa reside na rutura que essa análise opera com a representação linear do tempo. As configurações narrativas e as formas mais elaboradas da temporalidade que lhe correspondem vão ser edificadas a partir da base da intratem- poralidade406.