I.2 Microstructure des TPUs
I.2.1 Introduction sur les copolymères à blocs
O termo triangulação em ciências sociais é usado quando se compara um fenómeno a partir de perspetivas diferentes, por obervadores distintos e se cruzam os dados obtidos com recurso a diferentes instrumentos. O principal objectivo deste procedimento é comparar as informações obtidas a partir de diferentes recursos.
De acordo com Sousa (2009), pelo facto de as pesquisas em ciências humanas e mais especificamente, as metodologias de investigação em educação, levantarem algumas dúvidas dada a subjectividade que advem de proporcionarem opiniões e não dados factuais, aconselha-se a que os dados obtidos sejam alvo de uma triangulação no sentido de asservar a validade dos resultados conseguidos.
No que diz respeito à relevância das ACC, verificamos que estas têm grande importância no cumprimento da missão da escola sendo referenciadas com grande Figura 17 - Relação entre o grau de concordância com o critério "se tivessem (ACC)
influência nas minhas notas participava" e a média obtida no final do 11º ano.
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enfoque nos documentos orientadores da escola (PEE, PAE e RI). São definidas no PEE como “pilares estratégicos da escola” e têm como objetivo principal “orientar os jovens para uma formação integral” por se constituirem como um factor essencial na realização pessoal dos alunos, nomeadamente por lhes fomentarem um espírito democrático e pluralista, tornando-os cidadãos críticos e criativos, solidários e voluntários. Em termos da orgânica da escola, e dos seus órgãos colegiais, o Coordenador de Atividades de Complemento Curricular, por definição do RI, tem assento no Conselho Pedagógico da escola, órgão de charneira no plano pedagógico e de coordenação e orientação educativa. As ACC são também especificadas como estratégia de cumprimento de dois dos principais objetivos previstos no PAE no que diz respeito à educação para a cidadania através de projetos como “Escola Saudável”, “Espaço Anjos” e “Projeto Pares”. Outro aspeto fundamental é sensibilizar e envolver os alunos no seu próprio processo de aprendizagem envolvendo-os nas várias ACC que estão disponíveis na escola. Sobre este último aspeto, de ressalvar, que o espectro de envolvência das ACC ganha diferentes contornos ao longo do ano letivo. Ou seja, num primeiro momento, a dinamização das ACC confina-se aos alunos e professores envolvidos mas, num segundo momento, são orientadas para fomentar a articulação entre as diversas estruturas de coordenação pedagógica e entre estas e a comunidade, por exemplo, através da promoção da “Semana dos Clubes e Projetos”, do “Festival Regional do Teatro Escolar”, e de campanhas de solidariedade, entre outros. As ACC são vistas pelo presidente do órgao de gestão da escola como um ponto forte da instituição; vê nas ACC um reflexo da autonomia da escola; invoca o PEE, e adianta que “é fundamental preparar o jovem para que possa ser um cidadão de corpo inteiro na sociedade”; reconhece que as ACC são uma forma de integração, de identidade e valorização da escola. Sobre a importância das ACC, a própria missão da DGP da DRE vai ao encontro de aspetos já mencionados como o “desenvolvimento pessoal e social dos alunos”, incentivando práticas pedagógicas inovadoras, lúdicas e formativas, e que a escola “tem que ser mais do que o programa de uma disciplina” sendo capaz de proporcionar as mais variadas experiências a partir do desenvolvimento de ACC assente numa lógica de transdisciplinaridade.
No que concerne à opinião dos alunos que fizeram parte deste estudo, as opiniões são contraditórias. Se por um lado há alunos que admitem que participar em ACC pode contribuir para o sucesso escolar e que essa participação constitui um fator complementar para as atividades letivas, outros admitem que não é importante participar em ACC (vide
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Tabelas 7 e 8). Dos alunos que têm por hábito participar em ACC, 62,2% admitem que há atividades onde já estiveram envolvidos em mais do que dois anos e que, aqueles alunos, despendem semanalmente pelo menos uma hora em ACC (Figura 11). A relevância das ACC é justificada (vide Tabela 12), essencialmente, por permitir aumentar conhecimentos não contemplados nas disciplinas e melhorar competências desenvolvidas no âmbito das disciplinas. Acresce que tornam a escola mais dinâmica, são um contributo para o sucesso no ensino superior e promovem a convivência e o espirito de iniciativa. Verificámos (Tabela 15) que 50% dos alunos com média superior a 17 valores reconhece que as ACC permitem aplicar conhecimentos adquirdos nas disciplinas e, todos os alunos com média superior a 14 valores, reconhecem que nas ACC é possível desenvolver competências que no âmbito do curso não é possível. Percebemos também pelos resultados dos inquéritos que os melhores alunos são simultaneamente os que mais valorizam as ACC (Figura 13) e que mais tempo semanal lhes dedicam (Figura 16). Contudo, no ano de transição para o 12º ano, verifica-se uma diminuição da participação dos “bons alunos” nas ACC (Figura 15). Uma parte significativa dos alunos, 37,6% (Tabela 8), concorda que a valorização das ACC é um fator que pode contribuir para o sucesso escolar.
Sobre os critérios para a definição das ACC a implementar, no PAE, como já referimos, procura-se uma conformidade com a missão e visão da escola e sempre numa lógica de formação integral do aluno como cidadão em desenvolvimento também numa dimensão europeia da educação. A Tabela 9 demonstra-nos que 41,6% dos alunos que não participam em ACC justificam este facto com o argumento de que as ACC existentes na escola não são do seu agrado.
Os projetos propostos às escolas pela DGP seguem as diretrizes ministeriais e, para além daqueles que contribuem para a formação pessoal a social dos alunos, também existem projetos de apoio a àreas curriculares que se apresentam mais críticas como o Português e a Matemática.
Dos obstáculos que se colocam à implementação e dinamização de ACC, destacam-se sobretudo, aqueles que se prendem com a situação económica, social e financeira que afeta o país e a região neste momento. É mais dificil conseguir apoios para o desenvolvimento de atividades que careçam, por exemplo, da presença de convidados exteriores à escola, ou até da aquisição de materiais não disponíveis na escola. Os próprios alunos admitem (Tabela 12) que a atual situação financeira interfere na dinamização de
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ACC. A DGP também admite que a situação financeira do país constitui um obstáculo, porém, vai um pouco mais longe referindo que, as sucessivas reestruturações curriculares também dificultam a obtenção e utilização de espaços, na gestão do curriculo, para o desenvolvimento de projetos.
Em virtude da cultura escolar estar voltada para a dinamização de ACC, e sobre
incentivos à implementação de ACC, no início do ano letivo incentivam-se e
sensibilizam-se os alunos para as várias ofertas que existem na escola. A DGP reconhece nas parcerias (DGP/empresas, escola/empresas), uma forma de incentivar a implementação de ACC, até porque imputa ao sector empresarial uma responsabilidade social. Nesta perspetiva, a escola admite o apoio das várias secretarias regionais como um aspeto fundamental na dinamização das ACC, nomeadamente, a Secretaria Regional da Educação e Recursos Humanos, da Cultura, Turismo e Transportes, do Ambiente e Recursos Naturais, da Juventude, entre outras instituições regionais. Na ótica dos alunos, um incentivo à participação em ACC, consistiria na sua contribuição para a avaliação interna (Figura 12).
As ACC que existem na escola são de múltipla natureza, encontrando-se descritas e enquadradas no PAE. Cobrem diversas áreas do saber, desde as ciências sociais/económicas (Clube Europeu, RS4E, Parlamento Jovem, Clube “Território, a nossa casa”, por exemplo), passando pelas línguas e humanidades (Projeto Delf, Projeto Editorial, Projeto EnglishNet, Projeto Português.com, Curso de Inglês e Alemão, por exemplo), pelas artes performativas (Clube de Dança, Clube de Teatro, Clube de Ginástica Rítmica, Clube de Musica - coral, Clube de Cinema, Projeto “laboratórios de guitarra”, por exemplo), pela área da prevenção/intervenção (Projeto “escola saudável”, Projeto “espaço anjos”, Projeto “Equal”), pelas ciências (parque natural/educação ambiental, Clube de Ciências “amigos do ambiente”, por exemplo) e informática (site da escola). Como foi reconhecido pela DGP, “algumas escolas desenvolvem os seus próprios projetos” ou seja, possuem e exercem autonomia para desenvolver os seus próprios projetos. Nesta escola essa autonomia é notória, uma vez que, dos vinte e quatro projetos que enunciámos, dezoito foram desenvolvidos pela escola e apenas seis foram da responsabilidade de entidades externas.
Depreendemos que a relação entre a participação dos alunos em ACC e o
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alavancar o sucesso, seja qual for o seu significado e que aqui associamos a resultados escolares. Na ótica da DGP, apesar da inexistência de dados objetivos, o contacto informal com os professores permitiu apurar que os melhores alunos são muito participativos em ACC. Porém, no contexto atual, é difícil admitir a possibilidade das ACC serem tidas em consideração na avaliação interna dos alunos. Por um lado, pelo facto de a participação nas ACC ser facultativa e por outro, porque nem todos os projetos têm a duração de um ano letivo. Porém considera interessante a possibilidade de futuramente se enformarem as ACC nessa perspetiva. A escola também não possui dados objetivos que sustentem a possível relação entre ACC e sucesso escolar. Assim, apenas foi possível reconhecer que os alunos que integram estas atividades “têm melhor aproveitamento e sentem-se melhor na escola”. Em termos de avaliação, o presidente do órgão de gestão da escola entende o sucesso escolar como “um processo holístico que integra todos os pontos de um ser humano” e portanto considera que a ponderação relativa a “atitudes e valores” (que constitui 10% da avaliação) já é uma forma de avaliar objetivamente a participação em ACC. Isto é, a avaliação interna do aluno não corresponde na totalidade à parte curricular, pelo que as competências sociais, atitudinais e humanas desenvolvidas em ACC serão valorizadas na avaliação final. A partir da análise estatística, verificamos que, os alunos consideram que a participação em ACC é um aspeto que contribui para o sucesso escolar (Tabela 7). A “diversidade de ACC” assim como a “valorização da participação nas ACC” também são aspetos apontados nesse sentido (Tabelas 7 e 8). Das informações recolhidas e tendo em conta a totalidade dos alunos que costumam participar em ACC, foi possível depreender que estas atividades são maioritariamente frequentadas pelos melhores alunos (Figura 13).
É impossível, a partir dos documentos internos à escola definir o perfil do aluno
que participa em ACC. Para além dos dados que se reportam a sucesso
escolar/aproveitamento escolar, a escola não possui dados estatísticos sobre quem são os alunos que participam em ACC, pelo que generalizam, avançando com a informação de que são oriundos de todos os cursos. No âmbito do PEE e do PAE, não existe qualquer especificidade, recomendação ou regra na inscrição/participação nas ACC, pelo que qualquer aluno de qualquer curso pode frequentar a ACC que pretende. Os dados obtidos através dos inquéritos demostram que há mais rapazes do que raparigas a participar em ACC (Figura 12) e que os alunos procedem dos diferentes cursos que existem na escola, ainda que a maioria frequente os cursos Cientifico-Humanísticos (Tabela 13). A maioria
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dos “bons alunos” (Figura 16) que participam em ACC declarou que semanalmente despende nestas atividades entre duas a três horas.
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