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Houve um intenso combate entre as forças governistas e a oposição, que determinou a organização das forças políticas para as eleições de 1950 e a vitória da UDN.

Mario de Carvalho Lima, em seu Sururu Apimentado, destaca diversos fatos que antecederam as eleições de 1950. Momentos nos quais a tirania e o desrespeito pelas liberdades democráticas aconteciam ao conhecimento de toda população alagoana. Iremos fazer uma rápida exposição de alguns desses fatos e analisar indícios que justificam a vitória eleitoral da UDN.

Em 1949 aconteceu um escandaloso atentado à liberdade de expressão, que foi o empastelamento do jornal da oposição Diário do Povo, pertencente a UDN. O periódico publicou que eram conhecidas as ameaças de empastelamento e destruição de máquinas pelo

62 Os deputados liderados pelos correligionários do governador Silvestre Péricles (PSD) não vão as Assembléias

convocadas para apreciar o processo referente à prisão, prolongando a estadia dos referidos presos na cadeia.

63 GUSMÃO, 1970, p.245. 64

Mais informações sobre esses acontecimentos envolvendo o executivo e judiciário alagoano na obra de Carlos de Gusmão (1970).

governador Silvestre Péricles de Góis Monteiro como forma de calar a voz dos opositores ao seu governo.65 Sete dias após a denúncia, o Jornal de Alagoas contou em seu jornal:

Anteontem (22/12/1949) cerca das 23 horas um movimento estranho era notado no quarteirão da rua do comércio, onde está localizado o “Diário do Povo”. Pessoas que procuram atravessar as imediações da redação do jornal da UDN eram advertidas que deveriam tomar outra direção, pois o trânsito por ali estava interditado por ordem superior. [...] Colhidos de surpresa foram intimados pelos assaltantes de armas em punho. Começou então o trabalho de destruição do jornal, tendo sido os próprios operários do “Diário do Povo” obrigados a ajudarem os assaltantes que munidos de marreta danificaram os linotipos, máquinas de impressão, caixetas [...] o trabalho durou cerca de duas horas. Alguns operários foram maltratados pelos assaltantes que se retiraram levando parte do material das oficinas do jornal.66

Não só esse fato gerou grande escândalo na sociedade e revolta nos deputados da UDN, mas também como o poder público trabalhou em conjunto para que a ação não fosse impedida. O deputado udenista Rui Palmeira, um dos diretores do jornal, denunciou o empastelamento do Diário do Povo e acusou o governador Silvestre Péricles do acontecido, informou que esteve no local, mas foi impedido por policiais armados de seguir para o jornal, e depois soubera que havia a ordem de que, se estivessem na redação do jornal, assassinar os deputados udenistas Melo Motta e Segismundo Andrade. No momento a oposição ficava privada de imprensa.67 Silvestre Péricles justificou de forma absurda o empastelamento afirmando que o referido jornal refletia o pensamento “udeno-comunista” e que a ação ocorreu para reprimir atividades bolchevistas e as comemorações do aniversário de Stalin.68

Outro fato foi o rompimento dentro da família Góis Monteiro. Separam-se Ismar de Góis Monteiro (PSD), senador, e Edgard de Góis Monteiro (PSD), exonerando-se da presidência do Instituto do Açúcar e do Álcool69, do seu irmão Silvestre Péricles (PST), devido os acontecimentos violentos em Alagoas, envolvendo o governador. O irmão e chefe da Família Gen. Pedro Aurélio de Góis Monteiro ficou ao lado de Silvestre e criticou duramente seus irmãos. Esse fato dividiu a família com maior poder político no Estado, encurtando a distância eleitoral entre o PSD e UDN.

Durante a campanha eleitoral, ocorreram fatos bastante violentos, que foram atribuídos a Silvestre Péricles como o assassinato do pai do deputado oposicionista Oséias Cardoso,70 quando o governador Silvestre Péricles colocou para correr a tiros estudantes que

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LIMA, Op., cit., p. 157.

66 Jornal de Alagoas, 24/12/1949. Apud LIMA, Ibid., p. 158.

67 Diário do Congresso Nacional. 24/01/1950, p. 168. Lima Ibid., pp. 159,160 e 161. 68 Ibid., 161.

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Ibid., 167.

faziam propaganda do Brigadeiro Eduardo Gomes, nas vésperas da visita do líder da UDN a Alagoas. 71 E quando na cidade de Mata Grande ocorreu um grande tiroteio no dia do pleito eleitoral de 03 de outubro de 1950,72 misturando a disputa entre famílias e as questões políticas.

A campanha eleitoral feita por Arnon de Mello no ano de 1950 será classificada por Tenório como um novo momento no fazer política dentro do estado de Alagoas.73 O político da UDN fez uma grande campanha eleitoral, utilizando os seus conhecimentos de jornalista para sair na frente na disputa eleitoral. A tecelã M. L., em entrevista ao projeto Trama da

Memória: tessitura do tempo, conta que a campanha de Arnon de Mello foi muito animada,

quando ele chegava ao bairro de Fernão Velho era uma festa. Ele sempre era atencioso com as pessoas, distribuía dinheiro e presentes para os operários. Ela se recorda de uma história, na qual o candidato, discursando em cima de um caminhão, ao lado uma máquina de costura, prometia a entrega do objeto. Alvo do desejo de todas as mulheres, mas a máquina nunca foi entregue.74

O fato de Arnon de Mello ter ido várias vezes e ter utilizado estratégias diversas para conquistar os operários é plausível, pois o contingente de votantes nas regiões fabris era significativo. Prova dessa importância foi o resultado político que o PCB obteve nas eleições de 1947. O PCB recebeu 5.496 votos e conseguiu eleger a única bancada comunista na história do partido em Alagoas.75

Elencamos três motivos essenciais, a partir da análise das fontes e bibliografia, fatores preponderantes no sucesso da campanha da UDN, com a vitória de Arnon de Mello sobre o candidato da situação Campos Teixeira do (PST). 1) A forma que Silvestre Péricles conduziu seu governo com autoritarismo e violência, o que afastou grande parte do apoio popular. 2) O rompimento dos irmãos Ismar e Edgard de Góis Monteiro, lideranças do PSD, com Silvestre e Pedro Aurélio de Góis Monteiro que colocou em lados opostos o PST e o PSD, e a consequência foi a aliança entre UDN e PSD para eleição de 1950. 3) O Crescimento da UDN dentro de Alagoas. Arnon chegou à disputa eleitoral com a imagem de um homem moderno e

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Ibid., 215.

72 Ibid., 231. Foi baleado o senador Ismar de Góis Monteiro e mortos em conflito o Sr. Eustáquio de

Albuquerque Malta, seus filhos Josué Ubaldo de Alencar Malta e Maria Sônia de Alencar Malta, e seu empregado Napoleão Henrique de Souza. Após algumas horas chegam as tropas do exército que foram designadas para dar segurança e condições para o pleito eleitoral.

73 TENÓRIO. Op. Cit., 1995, pp. 27-28. Arnon de Melo foi governador do estado de Alagoas de 1951 a 1955. 74 M.L. Trama de Memória Tessitura do Tempo: Registro da memória e da iconografia das famílias de tradição

operária têxtil residentes no bairro de Fernão Velho – Maceió/AL. Vol. 7. 2008. Nasceu no dia 12 de junho de

1926, foi tecelã da Fábrica Carmen por mais de 30 anos. Conhecida por seu temperamento forte.

inteligente, afastado de qualquer rótulo ligado à violência. Acreditamos que esse conjunto de motivos sejam os principais na vitória udenista.

1.2. O novo já nasce velho: governo Arnon de Mello e a violência contra a classe

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