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Intrication

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 12-17)

Para que o quinto objetivo proposto fosse atingido, optou-se em realizar o teste-não paramétrico U de Mann-Whitney. Para realização desse teste, foi realizada uma análise entre as médias dos construtos (variáveis dependentes) e as variáveis categóricas (independentes) utilização de SGA, certificação ISO 14.001 e certificação ISO 9.001. O propósito dessa análise foi comparar os níveis de Orientação Ambiental, Pressão dos Stakeholders, Práticas de Gestão Ambiental e Desempenho entre as organizações que possuem e não possuem SGA e as certificações ISO 9.001 e 14.001.

Conforme os resultados apresentados anteriormente, pode se perceber que as empresas que possuem SGA possuem maior orientação ambiental das que não possuem. Além disso, as empresas que possuem SGA são as que mais desenvolvem as práticas ambientais e que possuem maior pressão dos stakeholders. Os resultados indicam também que as empresas que possuem SGA conseguem obter um melhor desempenho em relação as que não fazem uso desse sistema.

Os resultados também podem sugerir que empresas que possuem maior orientação ambiental e que realizam práticas de gestão ambiental estão mais propensas a implementarem SGA. Assim, os resultados apresentados estão de acordo com o trabalho exposto por González et al. (2008). Conforme os autores há uma associação entre as práticas de gestão ambiental e o SGA.

Historicamente, a teoria da administração ignorou as restrições impostas pelo meio ambiente (HART, 1995). Contudo, as crescentes exigências dos clientes, bem como a

globalização dos mercados mundiais, estão entre os muitos fatores que levaram ao estabelecimento de práticas de gestão ambiental, para que as organizações busquem vantagem competitiva (RODRÍGUES et al., 2011).

Além disso, empresas que já estão orientadas ambientalmente e/ou desenvolvem as práticas de gestão ambiental conseguem implementar SGA mais facilmente. As organizações podem utilizar modelos próprios para realizar suas práticas de gestão ambiental (BARBIERI, 2011). Assim, a institucionalização de diretrizes, objetivos e práticas de um processo formal, exigidos por um SGA, tornam-se mais fácil de serem alcançadas (GUPTA, 1995; BARBIERI, 2011).

Outro motivo que pode justificar o fato das empresas que estão orientadas ambientalmente e que desenvolvem práticas de gestão ambiental estarem mais favoráveis à implantação de SGA é a questão da cultura organizacional. Nesse raciocínio, para Testa et al. (2014), para realizar a gestão eficiente de um SGA em uma empresa, é necessário que todos os stakeholders estejam envolvidos, ou seja, que haja um compromisso interno para que os objetivos sejam atingidos.

O fato de melhorar o desempenho ambiental permite que as empresas consequentemente melhorem a sua competitividade. Assim, empresas que desenvolvem práticas de gestão ambiental, conseguem reduzir custos, ganhar uma forte reputação entre os clientes e também aumentar a sua competitividade nos mercados internacionais (LÓPEZ- GAMERO et al., 2009).

O foco desse estudo não foi direcionado às práticas de gestão ambiental e a relação que possuem com os níveis de exportação das empresas e/ou atuação no comércio internacional. Dessa forma, não se pode afirmar se as práticas de gestão ambiental ou a própria Orientação Ambiental possui um efeito positivo na competitividade das indústrias moveleiras do APLMSG no mercado internacional.

A análise das variáveis dependentes com a variável obtenção da certificação ISO 9.001 demonstrou que nenhuma das variáveis dependentes analisadas possui diferença significativa na obtenção dessa certificação. Dessa maneira, os resultados indicam que as empresas que possuem a certificação ISO 9.001 não estão orientadas ambientalmente, pressionadas pelos stakeholders, realizando práticas ambientais ou obtêm um desempenho superior daquelas que não possuem tal certificação.

A ISO 9.001, segundo Heras-Saizarbitoria e Boeiral (2013) fornece diretrizes para sistematizar e formalizar processos que envolvem a gestão da qualidade nas empresas. No entanto, os aspectos abordados nesse estudo, relacionados aos aspectos ambientais, não são

motivadores para que as empresas obtenham essa certificação. Contudo, como já mencionado em outras análises do estudo, a certificação ISO 9.001 pode contribuir para que as organizações consigam obter a certificação ISO 14.001 (PEREIRA-MOLINER, 2012; ZHU et al., 2013).

A análise dos resultados da relação entre as variáveis dependentes e da variável categórica ISO 14.001 indica que empresas que possuem a certificação ISO 14.001 possuem uma orientação ambiental significativamente maior se comparada às empresas que não possuem tal certificação. Contudo, as empresas que possuem essa certificação não possuem diferenças significativas se comparadas as que não possuem em relação: a pressão exercida pelos stakeholders, pela realização de práticas de gestão ambiental ou associadas ao desempenho.

O impacto direto das ações das organizações sobre o meio ambiente tem sido responsável por certo grau de integração das questões ambientais nas estratégias empresariais, também considerada como Orientação Ambiental (BANERJEE, 2002). Assim, esses resultados sugerem que as organizações, de maneira geral, estão considerando o meio ambiente em suas ações, porém, o fato de estarem orientadas às questões ambientais não justifica que devem estar realizando ações práticas voltadas ao meio ambiente. Assim, empresas que detém a certificação ISO 14.001 não consideram como diferencial o fato da empresa já estar realizando tais práticas ou estarem sob pressão das partes interessadas.

A obtenção dessa certificação não é uma norma, nem lei obrigatória às empresas, assim, os stakeholders não exercem diferença significativa. Porém, deve-se mencionar novamente que o direcionamento desse estudo não esteve relacionado aos níveis de exportação e/ou atuação no comércio internacional. Cabe salientar que essa certificação é diferencial competitivo em diversos países do comércio internacional. Assim, uma organização que almeja expandir seus negócios internacionalmente deve considerar a certificação ISO 14.001 como um requisito essencial para as relações no exterior (POMBO; MAGRINI, 2008).

O fato das empresas que possuem a certificação ISO 14.001 não considerarem as práticas de gestão ambiental como diferença significativa, pode ser justificado pelo motivo de alguns requisitos exigidos por essa certificação. A ISO 14.001 requer um sistema de implementação e operação formal. Essa reestruturação deve incluir, além de treinamentos, controles documentados (MORROW; RONDINELLI, 2002). Assim, mesmo que as organizações já estejam desenvolvendo práticas de gestão ambiental, elas terão que readequar-se às exigências que essa norma solicita.

No entanto, o processo de compreensão por parte das organizações de que a orientação ambiental e as práticas de gestão ambiental podem vir a tornarem-se ferramentas competitivas ainda está em processo de transição (LÓPEZ-GAMERO et al., 2010). Desse modo, o desempenho ambiental e econômico não foi percebido como diferencial para que as organizações implantassem a ISO 14.001. É preciso mencionar ainda que as questões referentes ao construto Desempenho não estavam relacionadas à questão de expansão de mercado, mas sim relacionadas com os ganhos da empresa por meio da redução de custos e

payback.

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