III. Analyse de la communication des acteurs
1. Interview de Pierre Paquet, directeur des Musées, la Boverie
1º MEDIÇÃO 2026 (2.24) 1324.70 (1.47) 2º MEDIÇÃO 2096.10 (2.32) 1222.10 (1.35) 3º MEDIÇÃO 1944.10 (2.15) 1331.00 (1.47) 4º MEDIÇÃO 1951.80 (2.16) 1277.10 (1.41) 5º MEDIÇÃO 1968.80 (2.18) 1274.80 (1.41) MÉDIA 1997.36 (2.21) 1285.94 (1.42) DESVIO PADRÃO ± 57.09 (0.06) ± 39.52 (0.04)
Tabela 3.9 – Valores máximos da força vertical, para cada repetição, e respectivo
Sabendo que quanto maior a velocidade da passada menor é o tempo de contacto do pé com o chão, o que conduz a um menor valor de impulso mecânico [75], e verificando que o tempo de
contacto médio para o pé traseiro é de, aproximadamente, 0.297s, enquanto para o pé dianteiro é de, aproximadamente, 0.664s, é possível corroborar a hipótese anteriormente avançada – o atleta reduz a velocidade entre as duas últimas passadas.
Relativamente à configuração da passada, existem fundamentalmente três padrões universalmente aceites, estando cada uma deles associado a diferentes evoluções de força vertical – a forma como o pé é apoiado no chão dita a evolução da força vertical. Assim, na passada rear-foot o primeiro impacto é realizado pelo calcanhar, havendo uma progressão da passada no sentido posterior-anterior, realizando o segundo impacto com a região dos metatarsos (ponta dos pé). Por esta razão, a evolução admite dois picos de força associados às duas situações de impacto evidentes durante a passada (calcanhar e ponta do pé) – ver figura 3.37 (B). Quanto maior a velocidade, menor é o desfasamento entre picos, já que o tempo de contacto é menor [74] [76] [77]. A passada front-foot, tal como o próprio nome indica, está associada
a uma única situação de impacto, realizada pelos metatarsos (ponta do pé), não se verificando um segundo impacto com o calcanhar. Por essa razão, a evolução da força vertical assume uma configuração aproximadamente parabólica – ver figura 3.37 (A).Por fim, a passada mid-foot representa a situação em que o impacto do pé no solo é realizado de forma, aproximadamente, uniforme. Durante a corrida, é frequente utilizar-se um padrão de marcha do tipo front-foot, particularmente se não se utilizar calçado especializado [76]. Uma vez que para as recolhas
realizadas no âmbito do presente projecto o atleta não utilizou calçado próprio de corrida, conclui-se que o padrão de marcha evidenciado pelo atleta depende da fadiga (desprezável no contexto do problema em questão), do tipo de calçado (igualmente desprezável) e da velocidade (tal como acontecia com o valor máximo da força) [76].
(B) (A)
Figura 3.37 – Evolução da força vertical para diferentes padrões de marcha (pé
Apesar de não ser uma regra universal, e depender das características do indivíduo, é frequente verificar-se uma variação no padrão de marcha com o aumento da velocidade. Para velocidades baixas é comum adoptar-se uma passada do tipo rear-foot, enquanto para velocidade elevadas o atleta adopta um padrão de marcha semelhante ao front-foot.
Comparando as evoluções da força vertical para cada um dos apoios (gráficos da figura 3.36), e as evoluções para cada um dos padrões de marcha (gráficos da figura 3.37) é possível concluir que a configuração da passada traseira, realizada a uma velocidade superior, é do tipo
front-foot, enquanto a passada do pé dianteiro, realizada a uma velocidade inferior, é do tipo rear-foot. Constata-se não só uma mudança de velocidade entre as duas passadas, mas também
uma mudança no padrão de marcha: o pé traseiro está associado à geração de um maior valor de força, menor tempo de contacto e maior velocidade (padrão de marcha front-foot), ao passo que o pé dianteiro está associado a uma menor geração de força, maior tempo de contacto, e, consequentemente, maior impulso mecânico (padrão de marcha do tipo rear-foot).
As constatações anteriormente descritas permitem retirar algumas conclusões relativamente à mecânica da placagem, particularmente no que diz respeito aos apoios do atleta. Verifica-se uma desaceleração deste ao longo do movimento, uma vez que a passada que suporta a situação de impacto é realizada a uma velocidade inferior, relativamente à passada imediatamente anterior. Esta desaceleração pode ter um cariz involuntário, uma vez que na situação de contacto existe uma barreira física que impede o movimento/progressão do atleta, reduzindo a velocidade anteriormente adquirida (verifica-se a transferência de quantidade de movimento e energia para o escudo, mantendo válido o princípio da conservação da quantidade de movimento numa situação de impacto). Pode, no entanto, ter simultaneamente um cariz voluntário: estando na eminência de uma situação de colisão, o atleta desacelera e adopta uma posição/passada mais estável. Privilegia-se, por isso, a geração de impulso mecânico e estabilidade postural, em detrimento da geração de força – atleta passa de uma passada que aumenta a força e diminui o tempo de contacto com o solo, para uma passada que maximiza o impulso mecânico, garantindo que o impacto derruba o adversário e condu-lo ao chão.
Apesar das conclusões previamente inferidas serem coerentes com os resultados obtidos, com as características típicas de uma placagem e com o tipo de desporto em estudo, é importante ter em consideração alguns aspectos que condicionam a validade das conclusões. Em primeiro lugar, as recolhas correspondem a estudos-piloto, realizados com um único atleta, não sendo correcto, do ponto de vista científico, extrapolar as conclusões para todos os atletas de
rugby que realizam frequentemente placagens. Em trabalhos futuros seria fundamental
trabalhar com uma amostra de jogadores, por forma a perceber se a variação de velocidade, evoluções de força e padrões de marcha entre passadas são transversais a todos os atletas.
Em segundo lugar, durante as recolhas foi pedido ao atleta que tivesse o cuidado de realizar os apoios em duas plataformas de força específicas. Apesar de ser terem realizado
treinos antes das medições efectivas, por forma a adaptar o atleta à realidade de placagem no laboratório, existe a possibilidade de este ter alterado, ainda que involuntariamente, as condições de corrida e placagem tipicamente evidenciadas num jogo de rugby, reduzindo a validade dos resultados obtidos. Seria importante, em futuros trabalhos, registar mais do que as duas passadas imediatamente antes da placagem. Desta forma, seria possível verificar se o padrão de marcha mantém-se constante até ao momento de impacto e se se verifica a posterior alteração na configuração da passada (de front-foot para rear-foot).
A evolução da componente ântero-posterior e médio-lateral de cada um dos apoios verifica, de uma maneira geral, as conclusões estabelecidas anteriormente, havendo, no entanto, desfasamentos pontuais (ver figura 3.38 e 3.39), que permitem distinguir uma situação normal de corrida de uma situação de preparação de placagem [73] [74]. Na tabela 3.10 encontram-se
discriminados os valores máximos das duas componentes, para cada um dos apoios e para cada medição.
(A) (B)
Figura 3.38 – Evolução das duas componentes planares de força para o pé
traseiro: (A) componente Médio-Lateral; (B) componente Ântero-Posterior.
(A) (B)
Figura3.39 – Evolução das duas componentes planares de força para o pé
Analisando em primeiro lugar as forças geradas pelo apoio traseiro, verifica-se que, à semelhança do que acontecia com a força vertical, as duas evoluções são monótonas e aproximadamente parabólicas, corroborando as conclusões anteriores referentes ao padrão de marcha – apoio traseiro associado a uma passada do tipo front-foot. Em módulo, os valores máximos médios das duas componentes correspondem a, aproximadamente, 0.31 BW e 0.78 BW (componente médio-lateral e ântero-posterior, respectivamente), sendo concordantes com uma velocidade de passada elevada (tipicamente de corrida) – numa situação típica de caminhada a componente ântero-posterior admite um pico de 0.16 BW [78].
Sabendo que as evoluções de força apresentadas no presente documento correspondem directamente às acções realizadas pelos apoios (e não às reacções medidas pelas plataformas de força), constata-se que o sentido das forças é concordante com a configuração do procedimento experimental, nomeadamente com a trajectória admitida pelo atleta durante a placagem. Por um lado, a componente médio-lateral (associada ao pé traseiro) é negativa o que, tendo em consideração o referencial de medição associado à plataforma (1) (transformado – ver secção 3.3.), é consistente com a trajectória do atleta. Uma vez que esta apresenta uma evolução curvilínea, a componente médio-lateral corresponde à força centrípeta necessária para a realização de uma trajectória curva. Por essa razão o seu valor não oscila em torno de zero (como acontece tipicamente durante as passadas de corrida e caminhada), apresentando um pico relativamente elevado. Por outro lado, a componente ântero-posterior admite, única e exclusivamente, uma fase de propulsão (devido à configuração front-foot da passada [74]),
estando associada a uma evolução negativa – para gerar a propulsão e o impulso necessários para a passada seguinte, o atleta “empurra” a plataforma para trás, o que, tendo mais uma vez em consideração o referencial transformado da plataforma (1), gera uma força com sentido negativo.