centralisation de la coordination entre les différents intervenants
A.4: Types d'activités de l'organisation
4.1. Compilation des données
4.1.2. Intervenants, groupes d'intervenants et rôles Nombre et types d'intervenants
História de vida:
No dia 31 de Julho de 2010, cerca das 15h visitou-se o cesteiro José Teixeira (Fig.106), na freguesia de Várzea de Ovelha, Marco de Canavezes, na oficina improvisada na “loja” de sua casa (Fig.107), para compreender mais de perto o trabalho da cestaria rachada. Embora o objectivo da visita fosse acompanhar o processo de execução de um cesto, o cesteiro não iniciou nenhum trabalho. Na verdade, começou a tornar-se evidente ao longo da visita que este já não os fazia há algum tempo, tanto por limitações físicas como também devido às poucas encomendas que tinha.
Através da observação do próprio local de trabalho foi possível perceber que aquele espaço se mantinha intacto há muito tempo. O chão coberto por tiras de madeira dos inúmeros trabalhos, o banco e as ferramentas desgastadas testemunhavam-no.
Cesteiro: José Teixeira Localidade: Várzea de Ovelha, Marco de Canavezes Tipo de produção: cestaria grossa; cestos das vindimas, condessas… Matéria-Prima: Lodão Figura 106 – José Teixeira
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O cesteiro, agora com 75 anos, trabalha desde os 14 sempre na arte. Durante muito tempo o seu dia de trabalho começava às 4 da manhã e terminava às nove da noite.
Participou em inúmeras feiras de artesanato durante vários anos, no entanto a idade e a falta de apoios económicos nas deslocações fizerem com que actualmente apenas se faça representar nestas através dos produtos, como é o caso da Feira de Artesanato de Vila do Conde, onde os seus cestos estão no stand da Associação de Artesãos do Marco de Canavezes.
O pai, o avô e o bisavô, todos eles eram também cesteiros. Esta foi a sua única profissão. Aliás, a cestaria e o trabalho de pedreiro eram as profissões predominantes naquela localidade há algumas décadas. No início foi difícil, mas era muito jovem e adaptou-se bem à actividade.
O Sr. José Teixeira, tem três filhos, mas apenas o mais velho aprendeu a arte, no entanto tem outra profissão, a cestaria surge apenas como um hobby.
Segundo ele é cada vez mais difícil viver da cestaria e encontrar alguém que faça o mesmo tipo de trabalho. Por um lado os clientes queixam-se dos preços praticados por comparação com os artigos em plástico, desconhecendo o trabalho envolvido, por outro lado a aprendizagem desta arte exige muitas horas de dedicação. Em tempos, já teve alguns aprendizes enviados pelo centro de emprego, mas segundo o cesteiro apenas um aprendeu a arte.
Os preços são marcados à peça, são muito variáveis, vão até aos 60 euros da condessa maior. Na feira de Artesanato de Vila do Conde são vendidos no stand da Associação de Artesãos, com um acréscimo de de 10 euros.
Matéria-Prima
Nos cestos feitos de madeira rachada emprega diversos tipos de madeira, desde que susceptíveis de serem abertas/ rachadas para poderem ser usadas. Neste caso, o cesteiro trabalha predominantemente com a madeira de lódão, embora também use outras.
A madeira é comprada nas quintas da região. O cesteiro já chegou a extrair madeira de árvores com 30 cm de diâmetro. Apenas se aproveita a parte lisa da madeira, sem nós. A apanha faz-se no Inverno, entre meados de Dezembro e meados de Janeiro. Nesta época a madeira, não tem folhas e não ganha bicho. Se for apanhada fora desta época torna-se demasiado dura, para além de estar susceptível às doenças habituais.
Preparação madeira
A madeira (Fig. 108) necessita de passar por várias fases antes de poder ser usada para construir um cesto.
Primeiro é posta ao lume numa fogueira, a crestar. Já seca, é posta a demolhar para poder ser trabalhada. Em seguida, as varas grandes de madeira vão sendo progressivamente rachadas com ajuda de uma foice, com a qual se vai dando pancadas de forma hábil para que a madeira abra sempre pelo centro.
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Enquanto o cesteiro abre a vara com a foice segura-a com as pernas, até que esta esteja completamente aberta (Fig.109). Este passo, executado de forma aparentemente fácil, envolve perícia e muitos anos de experiência e repetição dos mesmos movimentos.
Essas varas rachadas são novamente abertas com a foice, subdivididas na largura que se necessita para o tipo de trabalho ou para uma determinada parte do cesto (Fig.110). Para peças mais finas são usadas varas mais finas, enquanto para os trabalhos mais grossos e também para os fundos são usadas varas mais grossas (Fig.111).
Figura 109 – abertura das varas com foice
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Após essa fase, as varas tem que ser trabalhadas para ficarem mais macias e maleáveis. Vão ser preparadas, retirando-se-lhes lascas até estarem lisas. As varas com melhor acabamento garantem trabalhos mais perfeitos. O cesteiro trabalha as varas sentado numa espécie de banco, também designado por burro (Fig.112).
Este é composto por duas pranchas, uma corresponde ao elemento fixo, mais longa, na qual o cesteiro se senta de frente para a ponta do banco, e a outra mais pequena, sobre a qual se trabalham as varas, esta pode ser colocada a diferentes alturas, mediante um sistema de travamento que a atravessa verticalmente.
O banco possui também pedais laterais onde o cesteiro apoia os pés enquanto trabalha, o que auxilia também o movimento, ao travar a força com os pés.
Para o desbaste das varas utiliza-se um foição (Fig.113), ferramenta com uma lâmina central longa e fina em cujas extremidades existem duas pegas, por onde se segura o instrumento enquanto se executa um movimento contínuo, através do qual se vai retirando lascas das varas. As varas vão sendo travadas pela cabeça central do banco.
Figura 112 – banco do cesteiro
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Ferramentas
As ferramentas usadas no trabalho da cestaria de madeira rachada, para além dos pés e das mãos que servem como utensílios e instrumentos de medida são essencialmente três, para além do foição, usados em diferentes etapas da execução do cesto (Fig.114);
Preparação da madeira
- A foice, para abrir a meio as varas de madeira
- O foição ou cutelo, para retirar lascas das varas de madeira, de modo a que estas fiquem lisas Construção/Arremate do cesto
- O podão, para golpear as varas verticais que vão ser dobradas no bordo do cesto - A cunha, para bater e assentar as varas dobradas do bordo