Computational Geometry II
2.6 Path Planning
2.8.3 Intersection Computation
Quando nos reportarmos ao papel do navegador, facilmente depreendemos que este deve ser um facilitador do processo de ensino-aprendizagem junto do aprendiz, em todo o contexto no qual ele está inserido, e situado nos tempos em que vivemos. Pilão (1998, p. 15) esclarece que, quando ocorre a aprendizagem que é refletida e compreendida, o aprendiz articula o que aprendeu e reflete sobre os processos e as decisões que foram adotadas pelo processo, partindo daí um entendimento com mais capacidade de transferir aquele conhecimento que construiu.
Quando falamos em educação, referimo-nos a um fenómeno fundamental que auxilia a fundar o homem como sujeito e como pessoa, para que assim possa construir a sua autonomia (Bento, 2003). Desta forma, um dos meu principais objetivos aquando as lições e no decorrer da viagem, foi promover a autonomia e responsabilização gradual dos meus aprendizes no seu processo de E/A. Só deste modo o aprendiz é colocado no centro do processo E/A, concedendo espaço para a problematização e consequente autonomia decisional (Pereira 2009). O navegador deve ser então encarado como um catalisador do processo de E/A, capaz de utilizar estratégias como o questionamento, a responsabilização dos praticante no cumprimento das tarefas ou o accountability para estimular o comportamento prospetivo do aprendiz em detrimento do reativo. As três estratégias acima referidas foram aplicadas ao longo da viagem na caravela dos sonhos, com o objetivo de não só incrementar a autonomia como também a responsabilidade e liberdade.
“Após esta conversa decidi dar início à aula já com a separação dos clubes para os exercícios. No cumprimento do primeiro exercício do plano de aula de aula, devido ao espaço do G1 ser pequeno e limitativo para a prática da modalidade, percebi que este não iria resultar da maneira que eu objetivava. A confusão era imensa, o sucesso ausente e o contacto com a bola quase nulo. Posto isto, a solução encontrada e dialogada com os alunos foi a execução de um exercício por eles organizado e um outro por mim estruturado após detetar os erros e dificuldades dos alunos na tarefa do
- 94 -
Meiinho. O exercício que compus visava aprimorar o passe e receção da bola, uma vez que na tarefa anterior as bolas não eram direcionadas, e eram batidas de qualquer forma.”
Reflexão da aula 5 e 6 de futsal, 3 de Janeiro
Em todas as SP, houve tempo e espaço para que os aprendizes fossem responsabilizados pelas tarefas de ativação geral, desenvolvendo não só o domínio cognitivo mas também a sua autonomia e responsabilização perante a equipa. No entanto ao longo da viagem as tarefas atribuídas aumentavam o seu nível de exigência e complexidade, na medida em que os aprendizes em conjunto e em grupos, tiveram de ser capazes de tomar decisões importantes e que influenciavam todo o trabalho da modalidade de forma democrática.
“Nesta aula, optei por dar oportunidade aos alunos de trabalharem essencialmente as suas coreografias, não impondo a execução de figuras em específico. Nesta fase, considero que esta atitude seja adequada e de extrema necessidade, dado que ao longo das aulas, os alunos foram praticando as figuras, com alguma qualidade, o que não aconteceu com a coreografia. Assim, é imprescindível interligar todas as figuras harmoniosamente, trabalho este complexo e dificuldade pelo número de pessoas que se devem sincronizar na coreografia (oito). Os alunos puseram mãos à obra e começaram a negociar as figuras facultativas, os passos de dança que iriam incluir e qual seria a função de cada um.”
Reflexão da aula 9 de ginástica acrobática, 23 de Março
“Assim, nesta primeira aula apesar de nenhum objetivo específico imposto, pedi que tivessem em conta a modalidade a abordar e mobilizassem as articulações e segmentos mais recrutadas nesta. Logo no início da aula, após a chegada de um dos alunos a quem atribui, apercebi-me que apenas um dos alunos a realizou. Tal como no primeiro período refleti, também agora aconteceu. O fenómeno de Social Loafing, investigado por Ringelman em 1913, traduz-se na visível falta de comprometimento com a tarefa da parte de um dos alunos por saber que o outro a irá fazer com sucesso por ser competente e responsável para tal. No entanto, tenho de agir de modo a contrariar estas situações, visto que objetivo é também lhes dar autonomia e responsabilidade para que entendem as necessidades articulares e de movimento para uma determinada modalidade. Assim sendo, o aluno que não se envolveu nesta tarefa, terá de a voltar a fazer na próxima aula.”
“Os estudantes privilegiam o processo de aprendizagem centrado na descoberta de soluções e novos pontos de vista, em que possam desenvolver a autonomia, a responsabilidade, a criatividade e o espirito crítico e reflexivo. (…) Enfatizando- se que a prática sem fundamento não faz sentido e uma teoria que não tenha aplicação na prática é abstrata e inútil” (Sardinha, 2014, p. XI) ”Quando as tarefas não são sustentadas por meios de responsabilização, formais ou informais, a sua realização é quase sempre incompleta, alterando o aluno, muitas vezes as intenções que presidem à sua realização” (Doyle, 1983, cit. porRosado &
Mesquita, 2011, p. 109)
A autonomia é assim um processo que permite e encoraja o aprendiz, incentivando a escolher o processo mais adequado, para que emirja o que este é realmente, o ser que quer fazer, o ser que pensa, para que seja definida a linha orientadora do seu trabalho e haja uma tomada de significação do próprio aprendiz sobre o processo (Oliveira, 1999, cit. por Sousa, 2013). Foi neste sentido que implementei a participação ativa e efetiva dos aprendizes nas lições, tomando a consciência que as estratégias implementadas foram condição crucial para a construção dos seus conhecimentos e aprendizagens