7. DISCUSSION
7.3. Interpretation of mineral and whole-rock compositions of Group IIHN xenoliths
No século XIX, os estudos que incorporam o tema paisagem à Geografia, tiveram como pilares fundantes os trabalhos dos alemães Alexander von Humboldt19 e Karl
Ritter20, os quais deram à disciplina um caráter sistemático além de metodologia própria. Apesar de terem elaborado trabalhos distintos, estes dois cientistas tinham objetivos comuns: estabelecer parâmetros legais – leis, à ciência geográfica.
A grande contribuição de Humboldt foi a utilização de comparações universais
relativas às formas de paisagens das áreas que estudava, com outras da superfície terrestre. E a maior contribuição de Ritter, à disciplina, refere-se “[...] ao estudo das relações dos homens com a natureza, e a influência da natureza sobre os homens, na perspectiva das representações
das paisagens, [...].” (GOMES, 1997, p. 34).
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Alexander von Humboldt - (1769-1859), Estudou engenharia de minas, física e filosofia, adentrou aos estudos de botânica, química, geologia e astronomia. A Geografia não fazia parte de suas reflexões. Para ele, a Geografia que existia era a Geografia matemática, que tratava com precisão a localização dos lugares. Por possuir posses materiais, pôde organizar expedições a diversas partes do mundo, dentre as quais, destacam-se: Viagem a América Latina, no período de 1799-1804, quando fez explorações na Bacia do Orenoco (Venezuela), e percebeu sua ligação com a Bacia Amazônica e com a Cordilheira dos Andes e a visitou ao litoral peruano, e mediu a temperatura da corrente marítima que, posteriormente, recebeu o seu nome; já na Cordilheira dos Andes, onde observou a variação de clima, altitude e introduziu aos seus estudos a terminologia: quente, temperado e frio, utilizada até os dias atuais. Realizou expedições a Sibéria, e tentou estabelecer semelhanças entre os ameríndios e os povos asiáticos. Em sua obra, o Cosmos de destaca, cujos quatro volumes foram publicados entre 1845 e 1859, sendo o quinto volume, publicado após sua morte. De acordo com FERREIRA, Conceição Coelho. A Evolução do Pensamento Geográfico. Conceição Coelho Ferreira e Natércia Neves Simões. 6a. ed. Lisboa: Gradiva, 1990. p. 60-62.
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Karl Ritter – (1779-1859), estudou filosofia, matemática, história e ciências naturais; foi professor, amigo pessoal de Humboldt; como não dispunha de fortuna para organizar expedições, adquiriu vastos conhecimentos a partir dos trabalhos existentes na época, fato que o credenciou a complementar e organizar pedagogicamente os estudos de Humboldt. Através de suas reflexões, Ritter, preocupou-se com a natureza constitutiva da Geografia, constatando que a disciplina adquiria seus dados a partir de fontes diversas, e o fato que lhe atribuía unidade, era o fato desses dados se localizaram na superfície terrestre. Concluiu que não só os fenômenos naturais eram importantes à Geografia, mas, também as inter-relações que mantém entre si, e ainda, estas relações com o homem. Escreveu Erdkund – Conhecimento da Terra, em cujos dezenove volumes publicados, procurou integrar o quadro físico com a ocupação humana. Em sua obra, aparece uma latente preocupação pedagógica, imbricada de pretenções de elevar a disciplina geográfica aos currículos universitários de seu tempo. Segundo: Ferreira e Simões (op. cit., p. 62-65).
Segundo Claval 200121, foi a partir da assimilação das lições de Humboldt e Ritter, que Ratzel22 elaborou uma nova concepção de geografia – Antropogeografia23. Atribuí-se a esse renomado cientista, a primazia de relacionando nos seus trabalhos - o homem ao seu
ambiente físico – e, de ter abordando cientificamente a Geografia Humana mantendo a unidade desta com a Geografia Física.
Para Gomes (1997, p. 27), na obra Antropogeografia, Ratzel conseguiu antecipar
questionamentos sobre os determinantes na relação homem-natureza, e a partir destes, elaborou as primeiras representações de paisagem segundo a cultura vigente, com suporte na argumentação científica.
No início do século XX, os estudos da relação sociedade-natureza, através da representação de paisagem, têm na obra de Schlüter24, um encaminhamento à compreensão da paisagem cultural. De maneira que, as pesquisas “[...] dos estabelecimentos humanos
torna[m]-se o tema central da disciplina. Eles constituem aquilo que os autores alemães chamam freqüentemente de Kulturlandschaft [25].” (CLAVAL, op. cit., p. 24).
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CLAVAL, op.cit., p. 20-21.
22 Friedrich Ratzel – (1844-1904), foi professor universitário e grande divulgador da teoria determinista na
Geografia. Viajou pela Europa e pela América do Norte e Central, interessou-se principalmente pelas correntes migratórias dos animais e humanas. Examinou as causas que levaram a concentração da população em algumas áreas da superfície terrestre, bem a influência do ambiente físico nos deslocamentos e na distribuição da população, nos indivíduos e nas sociedades, tendo concluído que o homem vivia sujeito às leis na natureza e que as diversas culturas resultam das condições do ambiente natural. As concepções deterministas de Ratzel se estenderam as reflexões sobre a Geografia Política. Seus conceitos foram desenvolvidos numa obra fundamental: Antropogeografia, publicada em 1882, o segundo volume foi publicado em 1891, ressaltando modificações no seu modo de pensar, e atribuindo a importância da História ao ambiente cultural. De acordo com Ferreira e Simões (op. cit., p. 68-71).
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“[Princípios básicos da Antropogeografia:] 1) a Antropogeografia descreve as áreas onde vivem os homens, e as mapeia; 2) procura estabelecer as causas geográficas da repartição dos homens na superfície da Terra; 3) propõe-se a definir a influência da natureza sobre os corpos e os espíritos dos homens.” (BUTTMANN, 1997, p. 63, apud CLAVAL, op. cit., p. 21).
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Otto Schlüter (1872-1959), se especializou desde o final dos anos de 1890, no estudo dos estabelecimentos humanos, casas, campos, cercados, etc. Em 1907, redigiu uma brochura na qual elege a paisagem como objeto de estudo da geografia humana, que encontra grande respaldo em sua época. Schlüter manteve a unidade da geografia, pois uma paisagem e modelada tanto pelas forças da natureza, quanto pela vida, quanto pela ação dos homens; também evitou tomar partido na difícil questão do determinismo; consagrou o essencial de sua obra a retraçar desde a pré-história as flutuações de cobertura florestal e das zonas humanizadas no espaço germânico. Segundo Claval, op. cit., p. 23-24).
25
“Kulturlandschaft - paisagem cultural, freqüentemente equivalente à paisagem humanizada.” (CLAVAL, op.cit., p.24).
Nesse sentido, reportado-nos outra vez a Gomes (1997, cit., p. 27), destacamos que, Otto Schlüter lançou a pedra fundamental para a investigação da paisagem cultural e propôs um caminho para os pesquisadores que optam, na atualidade, pelos estudos relativos à
geografia social no campo dos estudos comportamentais e da geografia da percepção.
Adentramos a algumas das referências fundamentais no que concerne aos estudos da paisagem na geografia alemã. Contudo, essa temática, também, se destacou no meio
acadêmico francês, bem como nos Estados Unidos da América. Na França, por um vasto período, a geografia manteve-se em lugar de destaque no âmbito das ciências emergentes, até que no final do século XIX, nos moldes da geografia alemã, modernizou-se conforme os
estudos de Paul Vidal de la Blache26.
Claval (op. cit., p. 33-35), registra que, os estudos franceses relativos à geografia humana partiam da concepção proposta por Ratzel. Entretanto, para la Blache e outros
geógrafos daquela época (especialmente, alemães e americanos), a cultura pertinente era aquela que se apreendia através dos instrumentos que as sociedades utilizavam e das paisagens que modelavam.
Entretanto, o fundador da Escola Regionalista Francesa se destaca entre os demais, por inserir em suas análises geográficas a relevância dos elementos (da paisagem), a partir da compreensão dos gêneros de vida, permitindo lançar um olhar sobre as
técnicas, os utensílios e as maneiras de habitar das diferentes civilizações, como elas organizam os seus sucessivos trabalhos e, como se relacionam os hábitos e as maneiras de elaborar as paisagens.
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26 Paul Vidal de la Blache (1845-1918), era historiador e se interessava por questões de geografia, fez
doutorado nessa disciplina e conseguiu independência acadêmica desta, em relação a História (disciplina); foi encarregado pelo governo francês de elaborar uma divisão regional da França. Entre suas obras, destacam-se o Tablóide de Géogrphie da la France, e a elaboração do primeiro Atlas com mapas temáticos e a fundação de uma revista que ainda se publica nos dias atuais: Annales de Géographie. Com Vidal de la Blache, surgem novos conceitos na geografia, como: região, modo de vida e circulação. A la blache se sucederam números discípulos, que continuaram o pensamento da escola possibilista e elaboraram numerosas monografias regionais a respeito de vários países da Europa e dos Estados Unidos. Conforme Claval, (op. cit., p. 33-35) e Ferreira e Simões, (op.cit., p. 72-78).
Os estudos de Paul Claval registram ainda, que, a ambição de Vidal de la Blache era explicar os lugares e não de se concentrar sobre os homens, tendo este, chegado a afirma em 1913: ‘A geografia é ciência dos lugares, e não dos homens.’ (CLAVAL, op. cit., p. 33).
Brunhes27, aluno de La Blache, procurou se ocupar com os estudos relativos ao habitat e às técnicas do mundo rural. Vale lembrar, que nesse período, Defontaines colaborou com as pesquisas de Brunhes, afirmando-se como especialista dos problemas culturais.
Para Claval (op.cit., p. 30), Carl O. Sauer28, foi profundo conhecedor das orientações alemãs à disciplina geográfica, e, de maneira interdisciplinar, fazia citações freqüentes das pesquisas de franceses e italianos. E, em 1925, escreveu artigo no qual
apresenta sua concepção para o estudo de geografia cultural: The morphology of landscape onde retoma a expressão popularizada por Passarge – morfologia da paisagem:
“[...] insistimos em um lugar para uma ciência que encontra seu campo inteiramente na paisagem, na base da realidade significativa da relação corológica. Os fenômenos que compõem uma área não estão simplesmente reunidos, mas estão associados ou interdependentes. Descobrir esta conexão e ordem dos fenômenos em uma area é uma tarefa científica e de acordo com nossa posição a única na qual a geografia deveria devotar suas energias.” (SAUER, 1925, in: CORRÊA e ROSENDAHL, 1998, p. 17).
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Jean Brunhes (1869-1930), decendente de uma família de cientistas, cumpre a rigor as exigências da pesquisa científica, cujo eixo condutor era a paisagem, destinava especial atenção ao aos elementos visíveis e funcionais, ligados à valorização do ambiente, cujo valor das coisas são antes de mais nada, simbólicos. Praticava uma geografia diferente da de outros vidalianos. Entre 1896 e 1912, ensinou na Universidade de Friburgo, na Suíça, onde acompanhou de perto as publicações alemãs, e também, se famialiarizou-se com os trabalhos de etnografia local e pesquisas sobre o folclore suíço. Publicou Géographie humaine em 1909, onde enfatiza o objetivo da geografia humana, “ tem por objetivo analisar os fatos da ocupação do solo, seja ela produtiva ou destrutiva”. Em 1912, foi encarregado por Albert Kahn, de organizar os Arquivos do Planeta – uma coleção de autocromos, que deviam fizar a imagem de um mundo em rápida mutação. Nesse mesmo período, foi nomeado para o Colégio de França. Em sua obra Géographie humaine de la Françe (1920-1922) – aborda especialmente os aspectos culturais da geografia, e Géographie de I’histoire (1921) – leva em consideração as realidades, o inventário e as formas do habitat. Adaptado de Claval (op. cit., p. 36- 37).
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Carl Ortwin Sauer (1889-1975), procedente de uma comunidade de imigrantes alemães, próxima ao Missouri, quando criança, foi enviado para estudar na Alemanha, ao retornas para os Estados Unidos, aprende os métodos que estavam na moda, no tocante aos estudos geográficos, na Universidade de Chicago; ensinou em Michigan e em 1922, torna-se titular da Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde conhece L. Kroeber, antropólogo, que leva-o a conhecer os índios do sudoeste dos Estados Unidos; a partir dessa aproximação, Sauer desenvolve estudos a respeito das populações indígenas que teve contato, bem como, àquelas do México, fascina-se também com o passado pré-colombiano. A sua aproximação com os ecologistas, ensinaram-no que a paisagem ;é feita em parte de matéria viva, e os homens agem sobre ela, transformando-a, contudo, mostrava-se crítico às civilizações modernas, e considerava-as dessecantes em relação ao plano humano e indiferente à natureza.Segundo CLAVAL (op. cit., p. 29-32).
De acordo com a análise feita por Ferreira e Simões (op. cit., p. 77), para o fundador da Escola de Berkeley, a paisagem cultural era o resultado do modelado da paisagem natural por um grupo humano. Por conseguinte, a cultura seria o agente; o espaço
natural, o meio; a paisagem cultural o resultado.
Fundamentando-se nesses dados, Claval (op.cit., p. 30-31), enfatiza que, desde o seu surgimento, a geografia humana ocupa um lugar distinto nas realidades culturais, numa
ótica reducionista, por colocar ênfase sobre as técnicas, os utensílios e sobre as transformações da paisagem. Por isso, a difusão é o único aspecto a ser trabalhado, no tocante à transmissão de culturas.
De acordo com Claval (op. cit., p.39), a geografia concebida por Sauer limitava-se às dimensões materiais, isto é, o que é perceptível na superfície terrestre; portanto, ignorava as dimensões sociais e psicológicas da cultura. No entanto, ressalta que, nos trabalhos da Escola
de Berkeley, na década de 1930, havia uma inquietação ecológica moderna para a época, sendo que, nesse sentido, as orientações dadas por Sauer à geografia, permanecem atuais.
Concordando com o pensamento de Claval, citado anteriormente, Luchiari (op.
cit., p.15), destaca que, a paisagem no âmbito da geografia cultural, desde os seus primórdios, sempre foi analisada a partir da dimensão material que a sociedade imprime ao meio. E que, com esta visão, a geografia cultural considerou, apenas, a análise estrita das formas, buscando
a subsistência da paisagem na relação entre a forma e o conteúdo, ou seja, materialidade e representação, desconsiderando o imaginário coletivo, como formadores de paisagem.
Para Holzer (op.cit., p. 154-156), foi Sauer, quem delineou o arcabouço teórico da
geografia cultural, e esta, mesmo passando por algumas mudanças no âmbito do pensamento geográfico acadêmico, chegou praticamente sem grandes alterações até os nossos dias. Todavia, registra ainda: o que mudou nesse período, foi o prisma das preocupações no âmbito dos estudos relativos ao conceito de paisagem.
1.3. O CONCEITO DE PAISAGEM NAS DISTINTAS CORRENTES