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l’interpolation dans les classes de Nevanlinna et Smirnov

Um dos maiores problemas desenhados ao longo dos anos, mais precisamente depois da universalização do ensino público brasileiro, depois da década de 1990, é o da distorção idade/série. E o que vem a ser a distorção idade/série? Trata-se da soma entre a repetência e a idade do aluno que dão origem à distorção idade/série e controverte da defasagem entre a idade e a série no qual o aluno efetivamente deveria estar cursando. Como destacado no início desse parágrafo, esse é um dos maiores problemas a serem enfrentados pelos responsáveis da educação basilar no país, pois o fato de os alunos colecionarem reprovações, segundo pesquisadores, gera no final da linha um alto índice de evasão. Bem, se hoje estamos próximos à universalização do ensino, o mesmo não abrange a saída desses alunos: o número expressivo de evasão está longe de ser erradicado. O Bloco Pedagógico se faz como uma resolução que pode auxiliar na queda dessa triste estatística de distorção idade/série. Para Moysés (1995, p.35):

O Brasil, como os demais países da América Latina, está empenhado em promover reformas na área educacional que permitam superar o quadro de extrema desvantagem em relação aos índices de escolarização e de nível de conhecimento que apresentam os países desenvolvidos.

Esse trecho de Moysés (1995) vem a reboque dos conceitos do Bloco Pedagógico o qual está inserido nas reformas de políticas educacionais. Um bloco de três anos para a alfabetização pode ser o início de uma mudança de concepção de ensino, excluindo do cenário dos anos iniciais a ferramenta da reprovação. Se tomarmos as concepções de Schwartzman (2008, p. 8):

É necessário entender mais a fundo o que está ocorrendo, olhar os dados, comparar a experiência brasileira com a de outros países, e capacitar a sociedade a lidar com mais inteligência e conhecimento de causa com os problemas da educação do país.

Segundo fontes do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira-INEP (2012), cerca de 8,7 milhões de alunos do ensino fundamental encontram-se em séries incompatíveis com a idade, uma porcentagem elevada de distorção série/idade, demonstração de que os alunos em algum momento da vida escolar colecionam fracasso. Um efeito catraca se estabelece em função desse quadro, pois ao serem reprovados, os alunos tendem a ficar com a auto-estima baixa e demonstrar, gradativamente, menos interesse pelo aprendizado, dificuldade de relacionamento: tanto com os professores, quanto com os colegas, pois a diferença de faixa etária é comprovadamente um fator de dificuldade de relacionamento. Esse indicador comprova o sério problema de qualidade do ensino público brasileiro. Onde se pesa a questão entre o binômio quantidade/qualidade há que se ajustar políticas públicas cada vez mais acertivas, pois a garantia de vaga não endossa a mesma a da qualidade, dentro da qual a educação pública teria importância resgatada como direito fundamental e direito de aprender.

O Bloco Pedagógico vem nesse pacote de ajustes da educação pública, buscando a qualidade do ensino. O início do Ensino Fundamental pode fazer a diferença para o alcance das metas propostas pela resolução que institui o Bloco Pedagógico. Espera-se, portanto, que o BP consiga se concretizar como um programa que ajude a tornar mínima essa estatística de distorção idade/série, as quais, caso se perpetuem ao longo dos anos farão com que o ensino público não garanta a plena cidadania aos indivíduos, cidadania postulada e garantida pelas leis da educação. A educação é um direito fundamental e, com o tal, deve fornecer aos alunos uma formação completa em que se associem aspectos cognitivos, comportamentais e sociais. Por isso cabe à escola, auxiliada pelo poder público, a função de desenvolver as competências e habilidades aos seus alunos para a formação de cidadãos plenos e capazes de pensar, agir, interagir, inferir, criticar.

O direito fundamental à educação, acertado pela Constituição Federal de 1988, define as vontades individuais, as quais emergem reiteradamente no tempo e no espaço pelo conjunto de interesses da sociedade civil, passando do pessoal para

politizam, daí se formam as políticas públicas, tópicos de agendas nesse cenário, assim podemos enxergar o Bloco Pedagógico como um legado possível para intervir no corrente fracasso que se dá quando da distorção idade/série.

As reformas educacionais iníciadas nas décadas de 1980 e 1990 e, para entendermos como elas foram se desenvolvendo, uma vez que nosso objeto de estudo, o Bloco Pedagógico, faz parte desse contexto merecendo destaque. Ele pode ser considerado mais uma das ações propostas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de nove anos (DCNEF) Parecer CNE/CEB Nº 11/2010, de 7 de julho de 2010.

Ao conceber que toda política pública é permeada por relações de poder em sua formulação, é a autoridade pública que de forma legítima a torna passível de implantação. Após sua formulação, a política ela se desdobra em atividades, planos, programas, pesquisas e ao serem implementadas ficam submetidas a sistemas de acompanhamento, avaliação e monitoramento. Apesar de seus resultados serem sentidos a médio e longo prazo, como pode ser o caso do Bloco Pedagógico, não invibializa a política pública de produzir impactos em um curto espaço de tempo a partir do início de seu processo de implementação e gerenciamento.

Tudo dependerá do engajamento e empenho dos responsáveis diretos pela implantação. A maneira como a política é gerenciada, de fato, faz toda a diferença. Diferenciar progressão automática e progressão de conteúdos é parte fundamental para o início da filosofia impelida pelo bloco, pois a primeira o aluno é promovido, mesmo que não tenha atingido o índice de proficiência necessário, sem um planejamento pedagógico e curricular para o ano seguinte, enquanto o segundo prevê a progressão de aprendizagem que se constrói nos três anos do Bloco Pedagógico, assim, não deve haver prejuízo ao aluno que terá sua progressão respeitada de um ano para o outro.

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