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PARTIE I SYSTEMES DISTRIBUES ET ADMINISTRATION: CONTEXTE, NOTIONS

2.3 Interopérabilité et gestion de la performance globale

A superexposição a imagens e, por outro lado, a recepção acrítica em relação às mídias visuais nas últimas décadas vem operando transformações profundas no olhar humano (Zilberman; Lajolo, 1993)

Se, em relação à literatura infantil, a escolha de temas cívicos e moralistas de publicações apreciadas pelas escolas do início do século afastaram o público infantil dos livros, a predominância do visual - imediatamente acessível - sobre o escrito – mediado por alfabetos - na sociedade contemporânea, ajudou a vincular o aprendizado da leitura e escrita a uma “tarefa escolar”, contra o contato com a imagem como “fruição de prazer”.

A face mais cruel desse desinteresse pelo código escrito, o analfabetismo, põe em risco a própria sobrevivência da civilização, na medida em que impede ao homem o acesso à cultura letrada. Essa forma perversa de exclusão, contudo, determinada por origens históricas, e alimentada por interesses das classes dominantes, não se restringe, a meu ver, à ignorância na capacidade de decodificação de um único sistema estruturado, o da escrita. Ela estende-se à habilidade essencial de traduzir e manipular, de configurar estruturas.

E, nesse sentido, a exclusão em relação ao universo das letras torna-se também exclusão cultural, de mundo, enfim, dificultando-se ao iletrado a vivência com formas de linguagem, instrumento fundamental para a formação do homem como

sujeito de sua história, porque detentor da capacidade de transformar a Natureza e também de se comunicar com o Outro.

Lago (2004) divide a história do livro ilustrado para crianças em três momento, ou melhor, possibilidades. A do texto ilustrado, como é o caso de Orbis Pictus de Comenius (1658). A do texto encenado, que se inicia com livros como Der Struwwelpeter de Heinrinch Hoffmann’s (1840) e ganha sua forma definitiva com os livros de Caldecolt em 1870. A do livro trimídia, como o exemplar Where the Wild Things Are de Maurice Sendak (1963). Parece que o livro para criança sempre cativou criadores como Hoffmann e Sendak, que ao invés de escolherem um único código, recorrem a esse espaço de cruzamentos de linguagens, que hoje consideramos próprio às novas mídias. Vale lembrar William Blake, Wilhelm Bush, Beatrix Potter, Edward Lear, entre outros.

O percurso da imagem na literatura infantil brasileira por meio do texto visual propriamente dito, com as características do Livro de Imagem, somente começa a se delinear com a publicação de Ida e Volta, de Juarez Machado, em 1.976. Historicamente, portanto, o paralelo necessário com a literatura infantil no decorrer do século apenas pontua a configuração lenta desse tipo específico de livro, da ilustração à ausência total do texto escrito.

A aversão à leitura do público em geral e do infantil em particular, cuja crise vem sendo sentida nas últimas décadas, tem origens históricas. Tendo na escola um poderoso aparelho ideológico, a literatura infantil no Brasil esteve sempre vinculada aos interesses do Estado, desde seu nascimento, no final do século XIX. As primeiras traduções dos “Contos seletos das Mil e Uma Noites” foram feitas por Carlos Jansen, ele mesmo um professor, para atender a necessidades escolares.(Zilberman, 1986)

O aspecto educativo da literatura infantil já se denota em seus primórdios. O Pantcha Tranta, série de cinco livros traduzida para o antigo idioma persa provavelmente no século XVI, e considerada precursora do gênero na Europa, encerrava em suas páginas ensinamentos para a educação dos filhos do Rei da Índia Amara Sacti. (Arroyo, 1968)

O interesse pela literatura infantil no Brasil também surge a reboque do crescimento do gênero na Europa, entre os séculos XVII e XIX.. A permanência de poucas obras no imaginário infantil universal, contudo, comprovam, desde o início, que o gosto da criança, em última instância, é que norteou e continua norteando as características inerentes a uma obra infantil.

Queremos dizer, em síntese, que a natureza da literatura infantil, o seu peso específico, é sempre o mesmo e invariável. Mudam as formas, o revestimento, o veículo de comunicação que é a linguagem. A fábula de Esopo é imutável desde seu nascimento e desde que consagrada pelo único critério válido em literatura infantil – o gosto do leitor infantil – permanecerá despertando interesse até o fim do mundo. Esta realidade específica não pode ser confundida com exercícios intelectuais ou pedagógicos estritos, fórmulas de moral ou de pureza gramatical, variáveis em suas vinculações históricas. Deixa-se bem claro o valor fundamental do gosto infantil como único critério de aferição da literatura infantil”. (ARROYO, 1968, p.25)

O critério se repete no caso do Livro de Imagem. Faria (1991) cita também o insólito, a surpresa e o menos banal como diferencial determinante na escolha do leitor mirim. Danset-Léger (apud Faria, 1991) observa, contudo, que no caso do Livro de Imagem, imagens complexas ou insólitas exigem um grau de organização muito elevado, de tal forma que o esforço despendido para compreendê-la não seja grande demais, destruindo tanto o interesse como o prazer suscitado no início.

benefícios da inclusão de imagens nos livros escolares. A ilustração em textos para crianças começa, portanto, com a escola, que passou a utiliza-la deliberadamente como instrumento didático já no século XVII, com a publicação, em 1658, do manual para ensino do latim para crianças com vocabulário latino em imagens, já citado.

O autor, Comenius, foi imitado por educadores de diversos países. Somente no século XIX, contudo, com as mudanças na relação adulto-criança, delineada pela burguesia no poder, é que a imagem passa a fazer parte de livros infantis não pedagógicos.

Além disso, somente na década de 1930 é que a imagem começa a se tornar preponderante no livro infantil, associado-se ao texto escrito de tal modo que texto escrito e texto visual passam a formar um conjunto indivisível.

O aumento das ilustrações nos livros infantis começa a acontecer sobretudo em função do aperfeiçoamento das técnicas de impressão e em consonância com as modificações que vão ocorrendo no relacionamento adulto/criança, influenciado pelo desenvolvimento da psicologia e da pedagogia”. (FARIA, 1991, p.9)

1.6.4.2. o Livro de Imagem e a criança