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1.3 Internet et le documentaire : des utopies en « sympathie »
As amostras coletadas foram encaminhadas ao Laboratório de Saneamento Prof. Lucas Nogueira Garcez do Depto. De Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI/USP), para realização das análises de potabilidade e contaminação da água.
A coleta das amostras foi efetuada conforme metodologia apresentado no Manual Técnico para Coleta de Amostras de Água (MPSC, 2009), que utiliza como referências suplementares as Normas Brasileiras Registradas (NBR) da Associação Brasileira de Normas Tecnicas (ABNT) e do Standard Methods for Water and Wastewater.
As tabelas contendo os dados organizados, conforme metodologia descrita no tópico
Carta de Situação dos Poços e Corpos d’Água, apresentam-se em Anexos. Para a
caracterização dos corpos d’água, foram considerados os parâmetros apresentados no Quadro 14, conforme importância destacada por Von Sperling (2005).
Caracterização das Águas
Parâmetros Referencial Temperatura von Sperling, 2005 pH Alcalinidade Total Acidez Total
Quadro 14 – Parâmetros utilizados na caracterização das águas
De acordo com o autor mencionado, o registro de temperaturas elevadas influencia no aumento da taxa das reações químicas e biológicas; diminuem a solubilidade dos gases (como o oxigênio dissolvido) e aumentam a taxa de transferência de gases, ocasionando o mau cheiro, no caso da liberação de gases com odores desagradáveis. Em relação aos valores de pH, à medida que afastam-se da neutralidade podem afetar a vida aquática e os micro- organismos responsáveis pelo tratamento biológico dos esgotos.
A alcalinidade total fornece informações acerca da capacidade da água em neutralizar ácidos; ademais, em teores elevados, pode proporcionar sabor desagradável à água, e influenciar nos processos de tratamento da água. Já a acidez total, embora com pouco significado sanitário, águas com acidez mineral são desagradáveis ao paladar e são responsáveis pela corrosão de materiais e tubulações.
Em relação aos parâmetros quanto ao Padrão Organoléptico de Potabilidade, foram avaliados os parâmetros apresentados no Quadro 15.
De acordo com von Sperling (2005), todos os contaminantes da água, com exceção dos gases dissolvidos, contribuem para a carga de sólidos. Por esta razão, os sólidos são analisados separadamente, antes de se apresentar os diversos parâmetros de qualidade da água. Simplificadamente, os sólidos podem ser classificados de acordo com (a) suas características físicas (tamanho e estado: sólidos em suspensão; sólidos coloidais e sólidos dissolvidos) ou (b) as suas características químicas (sólidos orgânicos e sólidos inorgânicos).
De maneira geral são considerados sólidos dissolvidos aqueles com diâmetro inferior a 10-3µm (ex: sais, matéria orgânica); sólidos coloidais aqueles com diâmetro entre 10-3µm e 10-oµm (ex: argilas) e sólidos em suspensão aqueles com diâmetro superior a 10-0µm (algas protozoárias, flocos bactérias, bactérias).
Padrão Organoléptico de potabilidade
Referencial Parâmetros Indicativos Autores referência
P ortaria M S 2. 91 4, d e 12 /1 2/ 20 11 – An ex o X; Re so lu çã o CON AM A 3 96 d e 03 /0 4/2 00 8 – An ex o I Amônia
Ocorrência de concentrações elevadas de amônia pode ser resultante de poluição próxima, bem como de redução de nitrato por bactérias ou por íons ferrosos presentes no solo
Alaburda & Nishihara (1998) apud Silva &
Araújo (2003) Cloreto
Em determinadas concentrações imprimem um sabor salgado à água; a origem natural está associada à dissolução de minerais, enquanto que a origem antropogênica advém de despejos domésticos, industriais e das águas utilizadas em irrigação
Sperling (2005) Cor Aparente
Origem natural associada à decomposição da matéria orgânica e concentrações de Fe e Mn; origem antropogênica ligada à resíduos industriais e esgotos domésticos
Dureza Total
Corresponde à concentração de cátions multimetálicos em solução (Ca2+ e Mg2+). Em condições de supersaturação,
esses cátions reagem com ânions na água, formando precipitados.
A origem natural corresponde à dissolução de minerais contendo cálcio e magnésio (ex: rochas calcáreas); a origem antropogênica está relacionada aos despejos industriais. Não há evidência que a dureza cause problemas sanitários, e alguns estudos realizados em áreas com maior dureza indicaram uma menor incidência de doenças cardíacas; em determinadas concentrações, causa um sabor desagradável e pode ter efeitos laxativos; reduz a formação de espuma, implicando num maior consumo de sabão; causa incrustação nas tubulações de água quente, caldeiras e aquecedores.
Pouco significado sanitário; em pequenas concentrações causam problemas de cor na água e podem causar sabor e odor.
As altas concentrações de ferro no corpo humano podem provocar câncer no colo-retal. O ferro provoca a oxidação das células do colon por meio das reações catalisadores do ferro, especialmente na presença de gordura (KATO et. al, 1999; (Feder, 1996)).
As doenças neurodegenerativas como Mal de Alzheimer e Mal de Parkinson são causados pelo acumulo de ferro no organismo. Acredita-se que altos níveis de ferro resultam em stress de oxidação, tomando as células cerebrais suscetíveis a esse processo (PINERO et al,2000)
Ferro e Manganês Sólidos Dissolvidos Totais - Sulfato
Ocorrem naturalmente em consequência da ação das águas sobre certos minerais ou como uma das fases de decomposição da matéria orgânica. Em concentrações elevadas pode ter efeito laxativo; pode comunicar certo gosto perceptível pelo consumidor, e contribuir para acelerar a corrosão dos materiais metálicos componentes de redes distribuidoras
Turbidez Origem natural vinculada às partículas de rocha, argila e silte; algas e outros microrganismos. Não traz inconvenientes sanitários diretos, porém é esteticamente desagradável na água potável, e os sólidos em suspensão podem servir de abrigo para microrganismos patogênicos
Em relação aos parâmetros quanto ao Padrão de Potabilidade para substâncias químicas que representam risco à saúde, foram avaliados os parâmetros apresentados no Quadro 16.
Padrão de Potabilidade para substâncias químicas que representam risco à saúde
Parâmetros Referencial
Nitrato Portaria MS 2.914, de 12/12/2011 – Anexo VII e Portaria MS 518, de 25/03/2004* - Tabela 3 Portaria MS 2.914, de 12/12/2011 – Anexo VII e Portaria MS 518, de 25/03/2004* - Tabela 3 e 5; Resolução CONAMA 396 de 03/04/2008 –
Anexo Ie 5; Resolução CONAMA 396 de 03/04/2008 – Anexo I
Nitrito Fluoreto
Quadro 16 – Parâmetros em função do padrão de potabilidade para substâncias
químicas que representam risco à saúde
De acordo com Foster (1993) apud Silva e Araújo (2003), entre os constituintes inorgânicos nocivos à saúde que podem ser encontrados na água, o nitrato é aquele que apresenta ocorrência mais generalizada e problemática, devido a sua alta mobilidade e estabilidade nos sistemas aeróbios de águas subterrâneas. Nitrato em concentração superior a 10mg N03-N/L causa a metahemoglobinemia, podendo trazer graves consequências para a saúde, inclusive morte, principalmente em lactentes (OPS, 2000).
Segundo von Sperling (2005), o nitrogênio é um elemento indispensável para o crescimento de algas e, quando em elevadas concentrações em lagos e represas, pode conduzir a um crescimento exagerado desses organismos (processo denominado eutrofização). O nitrogênio, nos processos bioquímicos de conversão da amônia a nitrito e deste a nitrato, implica no consumo de oxigênio dissolvido do meio (o que pode afetar a vida aquática); na forma de amônia livre é diretamente tóxico aos peixes.
Conforme destaca Resende (2002), o nitrato é a principal forma de nitrogênio associada à contaminação da água pelas atividades agropecuárias. Isso ocorre pelo fato de que o ânion nitrato, caracterizado por ser fracamente retido nas cargas positivas dos colóides, tende a permanecer mais em solução, principalmente nas camadas superficiais do solo, nas quais a matéria orgânica acentua o caráter eletronegativo da fase sólida (repelindo o nitrato), e os fosfatos aplicados na adubação ocupam as cargas positivas disponíveis. Na solução do solo, o nitrato fica muito propenso ao processo de lixiviação e ao longo do tempo pode haver considerável incremento nos teores de nitrato nas águas profundas.
Assim, quando no solo há nitrato em quantidade acima da que determinada cultura pode aproveitar, a chance de lixiviação do íon para camadas profundas não exploradas pelo sistema radicular é maior.
Segundo Bhumbla (2001) a contaminação da água por nitrato é menor em solos argilosos nos quais a água move-se lentamente e em pequenas distâncias. Além disso, o espaço poroso fica normalmente preenchido com água, o que provoca menor pressão de oxigênio, situação em que passam a atuar bactérias denitrificadoras que utilizam o nitrato como receptor de elétrons no seu metabolismo anaeróbico, convertendo-o a N2O e N2, formas
de N gasoso que podem migrar para a atmosfera.
O nitrato de amônio causa irritações nos olhos, na pele e no trato respiratório. A substância pode afetar o sangue, devido ao íon nitrato, causando uma doença chamada metahemoglobinemia, ou doença do bebê azul (IPCS ICHEM, 2011). Seus principais efeitos na saúde humana e dos ecossistemas são decorrentes dos compostos secundários que podem ser formados.
Dias (2004) apresenta que o teor de flúor na água é definido de acordo com o clima e a temperatura de cada região, pois isso afeta o consumo médio diário de água por pessoa. Para o Estado de São Paulo, o teor ideal de flúor é de 0,7 mg/l (miligramas por litro), podendo variar entre 0,6 a 0,8 mg/l. A ausência temporária ou variações da substância não tornam a água imprópria para consumo.
Apesar de o flúor ser habitualmente, adicionado à água de abastecimento público devido a sua ação como inibidor da cárie, o consumo prolongado de água com concentração excessiva deste elemento pode resultar, em crianças, numa patologia denominada fluorose dental e, em concentrações extremas, a fluorose esquelética.
Costa el al (2004) apresentaram um estudo de ocorrência de fluorose dental em crianças nas região dos Vales do Rio Pardo e Rio Taquari, RS, como uma patologia associada ao consumo prolongado de água com excesso de flúor. Dias & Bragança (2004) também associaram casos de fluorose dentária, relacionados à água subterrânea no município de Verdelândia – Minas Gerais.
Em relação aos parâmetros que indicam poluição por fertilizantes e despejos domésticos foram avaliados os parâmetros apresentados no Quadro 17.
Parâmetros que indicam poluição por fertilizantes e despejos domésticos
Parâmetros Referencial
von Sperling (2005)
Fósforo Condutividade
Quadro 17 – Parâmetros que indicam poluição por fertilizantes e despejos domésticos
Von Sperling (2005) relaciona a origem natural do fósforo à dissolução de compostos dos solos e decomposição da matéria orgânica, enquanto que a origem antropogênica se deve aos despejos domésticos, industriais, detergentes, excrementos de animais e fertilizantes. O fósforo não apresenta problemas de ordem sanitária nas águas de abastecimento, porém, quando em elevadas concentrações contribui para a eutrofização de lagos e represas. De acordo com o mesmo autor, os esgotos domésticos veiculados por sistemas de esgotamento dinâmico constituem a maior fonte de contribuição de fósforo, uma vez que encontra-se presente nas fezes humanas, nos detergentes para limpeza doméstica e em outros subprodutos das atividades humanas.
De acordo com Resende (2002), a contaminação dos corpos d’água de áreas agrícolas por acréscimo de fósforo nos solos apresenta uma ampla variabilidade, em termos de valores, dependendo da capacidade de retenção do solo, irrigação tipo de fertilização da cultura e condições climáticas. O processo de lixiviação e a erosão dos solos são os principais agentes de contaminação, uma vez que o processo de poluição da água subterrânea por lixiviação de fosfatos é, considerado pelo autor, de magnitude desprezível, em solos tropicais.
Em relação à condutividade elétrica, valores elevados indicam uma grande quantidade de íons totais dissolvidos. Quanto maior for a quantidade de íons dissolvidos, maior será a condutividade elétrica na água.
De acordo com Campos (2001), a introdução de sais e outros elementos químicos pelas fossas na água subterrânea faz com que a condutividade elétrica seja um bom parâmetro indicador da contaminação, além disso, parâmetros como nitrato e cloretos são também indicativos bons da contaminação por saneamento in situ por serem elementos conservativos na zona saturada.
Segundo Sipaúba-Tavares (1995), a condutividade elétrica é de extrema importância, pois fornece informações do metabolismo do ecossistema detectando as fontes poluidoras. Quando seus valores são altos, indicam alto grau de decomposição, ou seja, grande concentração de íons na água.
Para obtenção de valores de referência e interpretação das informações obtidas nas análises das amostras coletadas na Comuna da terra “Irmã Alberta” foram consultados alguns trabalhos acadêmicos que se utilizaram desse mesmo parâmetro na avaliação de contaminação das águas.
No estudo da qualidade da água de efluentes de pesqueiros da região da Guarapiranga e da região de Tietê Cabeceiras, Mercante et al (2011) obtiveram, na maior parte dos efluentes dos pesqueiros amostrados, um valor de condutividade elétrica elevado, com valores entre 38 (PP2, subbacia Tietê Cabeceiras) e 146μS.cm-1 (PP22, subbacia Guarapiranga), fato que pode ser relacionado à matéria orgânica em decomposição de origem antrópica devido a adubações e alimentos introduzidos em excesso e não utilizados pelos peixes.
Richter et al. (2007), em um estudo na Represa Guarapiranga em 2002 e 2003, considerou os pontos amostrados, junto a barragem e em seus afluentes, como ambientes impactados, pois registrou valores de condutividade elétrica superior a 100μS.cm-1.
De acordo com Mierzwa et al (2005), dentre os parâmetros sanitários determinados a partir de amostras de água do ponto de captação da SABESP no Reservatório do Guarapiranga, o parâmetro da condutividade elétrica variou: de 104 μS/cm entre os anos de 1992-2001; 123 μS/cm em 2001; 137 μS/cm em 2002 e 148 μS/cm em 2003, conforme apresenta os registros da CETESB.
O trabalho de Giatti (2000) verificou que para o Reservatório Paiva Castro, considerado um ambiente relativamente livre de forte contaminação, a condutividade elétrica, apresentou valores relativamente estáveis entre 30 e 40 μS/cm.
Os valores registrados no assentamento variaram entre 34 a 930 μS/cm. Foram estabelecidas 04 classes, em função do grau de contaminação: 0 a 50 μS/cm (baixa); 50 a 100 μS/cm (média); 100 a 500 μS/cm (alta); 500 a 1000 μS/cm (muito alta).
Em relação aos critérios utilizados na avaliação do padrão microbiológico da água para consumo humano foram aferidos os parâmetros apresentados no Quadro 18.
Padrão Microbiológico da água para consumo humano
Parâmetros Referencial
Portaria MS 2.914, de 12/12/2011 – Anexo I e Portaria MS 518, de 25/03/2004* -
Tabela 1
Escherichia Coli ou Coliformes
Termotolerantes Coliformes Totais
A Portaria n° 1469 de 29/12/2000 da ANVISA ; a Portaria MS 518, de 25/03/2004; e a Portaria MS 2.914, de 12/12/2011 – Anexo I, estabelecem que, água para consumo humano em toda e qualquer situação incluindo fontes individuais como poços, minas, nascentes e outras devem apresentar ausência de bactérias do grupo dos coliformes em 100 ml de amostra. Assim das amostras analisadas, até o momento, 100% estão impróprias para o consumo humano. As possíveis causas desta contaminação podem ser consequência da infiltração de fossas, que comprometem o lençol freático, defeitos na canalização ou ainda contato direto com fezes humanas ou de animais.
Conforme discute von Sperling (2005), a presença de coliformes totais não é um indicativo de contaminação fecal, pois este inclui bactérias não entéricas como a Serratia sp. e
Aeromonas sp. No entanto, sua presença serve como indicativo da qualidade higiênico-
sanitária do produto. Os coliformes termotolerantes diferenciam-se dos totais por fermentarem a lactose com produção de gás a uma temperatura de 44,5ºC. O principal representante do grupo, e o indicador específico de contaminação fecal é a Escherichia coli.
5.4 Levantamento histórico da situação fundiária da Comuna da Terra Irmã Alberta e o