• Aucun résultat trouvé

INTERNATIONAL BIOTRADE ISSUES

Dans le document Trade and biodiversiTy: (Page 31-35)

Nesta dissertação, trabalhamos com a intensificação e suas manifestações. Procuramos identificar e explorar, em um trabalho de intervenção pedagógica, diferentes formas de codificação da intensidade em seus aspectos fonéticos, lexicais, morfológicos, sintáticos e textuais. Além disso, buscamos, em um trabalho conjunto com alunos, correlacionar as diferentes manifestações da intensidade a sentidos que veiculam em textos reais. Por fim, objetivamos associar as formas de codificação da intensificação a diferentes situações de interação.

Realizamos um trabalho sobre a intensificação considerando a perspectiva funcional da língua. A partir da leitura de materiais didáticos tradicionais e de uma vivência de sala de aula, constatamos que a intensificação pouco é trabalhada no espaço escolar. Por outro lado, os estudos realizados sob uma perspectiva funcionalista sobre ensino, como os de Oliveira e Cezário (2007) e Furtado de Cunha e Tavares (2007); e aqueles que tratam sobre a intensificação como os de Gonçalves (2002) e Silva (2008) oferecem uma reflexão maior não apenas sobre o tema, mas sobre o ensino de língua portuguesa em geral.

No tocante à organização do conteúdo, realizamos um estudo a respeito da intensificação, utilizando a proposta de classificação feita por Silva (2008) tanto quanto ao conceito como quanto às formas de codificação. Em relação aos materiais trabalhados em sala de aula, utilizamo-nos de um repertório variado de textos, de diferentes gêneros textuais e de diversas situações de comunicação.

Na proposta de intervenção, mostramos que a intensificação pode desempenhar papel significativo na compreensão de determinados textos em que ele ocorre. Além disso, explicitamos que, no entendimento das mensagens, é necessário levar em considerações fatores extralinguísticos, como o perfil dos interlocutores e o contexto de comunicação

Mostramos também que existem questões de adequação fundamentais no uso da intensificação. Por meio dos textos-base, consideramos que, em situações de comunicação que possuem maior formalidade, o uso de expedientes fonéticos, por exemplo, nem sempre é adequado. Todavia, esses expedientes são bem comuns em outras situações de menor grau de formalidade.

Quanto aos objetivos propostos inicialmente, verificamos que foram atingidos, uma vez que: i) os alunos, em quase sua totalidade, conseguiram identificar e explorar mecanismos de expressão da intensidade; ii) demonstraram, por meio de suas respostas, que houve uma reflexão de como as diferentes formas de codificação da intensidade se relacionavam com os sentidos veiculados pelos textos; iii) puderam associar as formas linguísticas a diferentes situações de interação comunicativa, reconhecendo sua adequação ou não à situação de uso.

Reiteramos, assim, a perspectiva funcionalista que fundamentou nossa intervenção, com base na qual refletimos sobre a língua a partir de situações concretas de uso. Nosso trabalho com os alunos partiu da situação de uso para a língua, e não o inverso, o que geralmente ocorre no ensino tradicional. Nesse sentido, tal proposta coincide com a visão dos PCN de língua portuguesa que apresentam um ensino pautado na preparação de um cidadão competente linguisticamente, que deve estar apto a responder às demandas sociais nas quais estiver inserido, a depender do contexto de interlocução.

Por fim, sugerimos mais uma atividade que pode ser executada em sala de aula, tratando a intensificação sob a ótica funcional. Nossa intenção, primeiramente, foi a de oferecer algumas opções de trabalho com essa ferramenta, uma vez que é escasso material didático que aborde o tema. Em segundo lugar, gostaríamos de provocar uma reflexão a respeito do ensino de gramática, especificamente do grau intensivo, mostrando que há possibilidades de abordagem de caráter funcional que podem ser instigantes para a prática do professor.

Tendo assim considerado, entendemos que este trabalho contribui, de forma prática, para o ensino do grau na Educação Básica, considerando, em particular, as diversas possibilidades de codificação da intensidade, os efeitos de sentido decorrentes desse recurso expressivo e a adequação do uso de mecanismos intensificadores em diferentes situações comunicativas.

REFERÊNCIAS

ANDRADE. W. C; SILVA. B. G. Intensificação no português falado. Revista Anagrama. São Paulo, ano 3, p.1-3, 2007.

BECHARA , E. Moderna Gramática portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004. BISPO, E. B; SILVA J. R. Análise linguística na educação básica: entre o real e o possível. Simpósio Internacional de Ensino de Língua Portuguesa, 1, Uberlândia-MG. Anais... Uberlândia-MG: EDUFU, 2011.

BISPO, E. B. Análise linguística numa perspectiva funcional: algumas possibilidades. Encontro do Círculo de Estudos Linguísticos do Sul, 9, 2010, Palhoça-SC. Anais..., Palhoça, SC, out. 2010.

BISPO, E. B. Abordagem da análise linguística no ensino fundamental: contribuições do Gestar II. Congresso Internacional da ABRALIN, 7, 2011, Curitiba-PR. Anais..., Curitiba: EDUFPR, 2001, p. 1180-1192.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais - Língua Portuguesa, Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.

BYBEE, J. Language, Usage and Cognition. New York: Cambridge, 2010.

CAMPOS, E. P. de. Por um novo ensino de gramática: orientações didáticas e sugestões de atividades. Goiânia: Cânone editorial, 2014.

FARACO, C. E. Português nos dias de hoje. 6º ano. 1. ed. São Paulo: Leya, 2012

FERREIRA, L. M. A.; CEZÁRIO, M. M.; OLIVEIRA, M. R. de; MARTELOTTA, M. E.; VOTRE, S. J. Uma abordagem pancrônica da sintaxe portuguesa. Gragoatá, n. 9, p. 135-154, Niterói-RJ, 2000.

FURTADO DA CUNHA, M. A. Análise funcionalista de procedimentos discursivos. In: PASSEGGI, L; OLIVEIRA, M. S. (Orgs.). Linguística e Educação: gramática, discurso e ensino. São Paulo: Terceira Margem, 2001.

_____; BISPO, E. B. Pressupostos teórico-metodológicos e categorias analíticas da Linguística Funcional Centrada no Uso. Revista do GELNE, Natal, v. 15, n. 1/2, p. 49-74, dez. 2013.

FURTADO DA CUNHA, M. A; BISPO E. B; SILVA, J. R. Linguística funcional centrada no uso e ensino de português. In: Gragoatá, n. 36, p. 80-104, Niterói-RJ, 2014.

FURTADO DA CUNHA, M. A; BISPO, E. B; SILVA, J. R. Linguística Funcional Centrada no Uso: conceitos básicos e categorias analíticas. In: CEZARIO, M. M.; FURTADO DA CUNHA, M. A. (Orgs.). Linguística centrada no uso: uma homenagem a Mário Martelotta. Rio de Janeiro: FAPERJ, 2013, p. 13-39.

FURTADO DA CUNHA, M. A.; TAVARES, M. A. (Orgs.). Funcionalismo e ensino de

gramática. Natal: EDUFRN, 2007.

FURTADO DA CUNHA, M. A; OLIVEIRA, M. R; MARTELLOTA, M. E. Linguística

Funcional: teoria e prática Rio de Janeiro: FAPERJ/DP&A, 2003.

GIVÓN, T. On understanding grammar. New York: Academic Press, 1979.

GONÇALVES, C. A. Morfopragmática da intensificação sufixal em português. Revista de

Letras, Rio de Janeiro/RJ, n. 9, p. 43-50, 2003.

GONÇALVES. C. A.; Flexão e derivação: o grau. In: VIEIRA, S. R.; BRANDÃO, S. F. (Orgs.). Ensino de gramática: descrição e uso. São Paulo: Contexto, 2007, p. 149-168. HALLIDAY, M. A. K.; MATHIESSEN, C. M. I. M. An introduction to Functional

Grammar. London: Hodder Arnold, 2004.

KENEDY, E; MARTELOTTA, M. E. T. A visão funcionalista da linguagem no século XX. In: FURTADO DA CUNHA, M. A.; OLIVEIRA, M. R. de.; MARTELOTTA, M. E. (Orgs.).

Linguística Funcional: teoria e prática. Rio de Janeiro: DP&A/Faperj, 2003, p. 17-28.

KLEIMAN, A. B; SEPULVEDA, C. Oficina de gramática: metalinguagem para principiantes. São Paulo: Pontes, 2014.

MACHADO, A. M. Menina bonita do laço de fita. São Paulo: Ática, 2010.

MARTELLOTA, M. E. Mudança linguística: uma abordagem baseada no uso. São Paulo: Contexto, 2011. (Coleção leituras introdutórias em linguagem)

NEVES, M. H. M. Texto e gramática. São Paulo: Ed. Contexto, 2006.

_____. Gramática de usos do português. São Paulo: Ed. da UNESP, 2000. _____. A gramática funcional. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

OLIVEIRA M. R. de; CEZÁRIO, M. M. PCN à luz do funcionalismo linguístico. Linguagem

& Ensino, v 10, n. 1, p. 87-108, 2007.

SILVA, J. R. Estratégias discursivas de superlativação. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem). Natal: UFRN, 2000.

_____. Motivações semântico-cognitivas e discursivo-pragmáticos nos processos de

intensificação. Tese (Doutorado em Estudos da Linguagem). Natal: UFRN, 2008.

SIMÕES, L. J. Leitura e autoria: planejamento em língua portuguesa. São Paulo: Edelbra, 2012.

TOMASELLO, M. (Ed.) The new psychology of language, v. 2. New Jersey: Lawrence Erlbaum, 2003.

_____. (Ed.) The new psychology of language, v. 1. New Jersey: Lawrence Erlbaum, 1998. TRAVAGLIA, L. C. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1° e 2° Graus. São Paulo: Cortez, 2000.

ANEXO I – Textos e passagens discutidos durante as aulas.

Dans le document Trade and biodiversiTy: (Page 31-35)