Specifying Node Types
14.4 Interface Specification
Na Região Sul, ao investigar as designações para “duas bananas que nascem grudadas”, foram registradas 35 variantes nas respostas obtidas junto aos 176 informantes e todas foram consideradas. Contudo foi realizado o agrupamento de algumas formas, como mostra o Quadro 3.
Quadro 3: Agrupamento das variantes
registradas para a questão 043 do QSL
RÓTULOS VARIANTES AGRUPADAS
banana felipe banana felipe / felipe / filipe / felipão
banana gêmea banana gêmea / banana gêmeas / bananas gêmeas / gemas /
gêmea / gêmeas / gêmeos
banana dupla banana dupla / dupla
banana grudada banana grudada / bananinha grudada / grudada
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O ITEM LE XIC AL “BANANA DUP LA ” NO SUL DO BRASIL : UM ES TUDO GE OLINGUÍS TIC Ooutras aleijada / banana aleijada / banana emendada / emendada / ba- nana pegadas / casal / coladas / dois dedos / irmãs / macho e fêmea / siamesas / unida / banana defeituosa / juntas
RP não soube / não lembrou / item não obtido
Fonte: Elaborado pelos autores.
Sobre o agrupamento, cabe ressaltar que as variantes agrupadas em outras são formas de ocorrências isoladas e RP engloba as respostas tidas como prejudicadas. Desse modo, para a cartografia, foram levados em conta sete rótulos.
Feitas essas considerações, procederemos à descrição e à análise dos dados em que, primeiramente, será apresentado um panorama geral das respostas obtidas com números absolutos e percentuais. Em seguida, será abordada a distribuição diatópica das variantes bem como o estabelecimento de possíveis áreas dialetais e, em seguida, serão analisadas as variáveis independentes.
Dentre os 176 inquéritos que constituem a base do corpus, foi obtido o montante de 190 respostas, sendo 74 no Paraná, 74 no Rio Grande do Sul e 42 em Santa Catarina. Salienta-se que o menor número de respostas no território catarinense justifica-se pelo fato de a rede de pontos ser em menor número do que a rede de pontos dos demais estados e, ainda, destaca-se que o número total de respostas é maior do que o de informantes devido ao fato de que todas as respostas dadas foram consideradas. Assim, a Tabela 1 traz, em números absolutos e percentuais, um relatório geral da produtividade das variantes documentadas.
Tabela 1: Produtividade das variantes registradas
para a questão 043 do ALiB na Região Sul
VARIANTES OCORRÊNCIAS PERCENTUAL
banana gêmea 125 65,79%
RP 18 9,47%
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C ONTRIBUIÇ ÕES DE ES TUDOS GE OLINGUÍS TIC OS P ARA O POR TUGUÊS BRASILEIRO: UMA HOMENA GEM A SUZANA CARDOSO banana felipe 14 7,37%
banana grudada 7 3,69%
inconho 5 2,63%
banana dupla 5 2,63%
Total 190 100%
Fonte: Elaborada pelos autores.
Por meio dos resultados trazidos pela Tabela 1, constata-se que a variante majoritária na Região Sul é banana gêmea juntamente com as formas a ela agrupadas, totalizando 125 respostas e o percentual de 65,79%. Banana felipe, por sua vez, perfaz o total de 14 respostas e percentual de 7,37%. Em seguida, foi registrada banana grudada com o montante de 7 realizações, o que corresponde a 3,69% das respostas. Como formas menos produtivas tem-se inconho e banana dupla, ambas com 5 registros e percentual de 2,63%.
Diante desses dados, torna-se importante chamar a atenção para o número significativo de variantes de ocorrência isolada (16 respostas ou 8,42%), rotuladas como outras, e também de RP (18 não respostas ou 9,47%), o que pode, de certo modo, ser explicado pelo fato de a questão em estudo pertencer ao campo semântico Atividades Agropastoris e o ALiB investigar a fala urbana, em que os indivíduos, principalmente os informantes da faixa I, não possuem contato com o ambiente rural e, consequentemente, não sabem designar ou até mesmo nunca viram o que lhes é perguntado, como relata o informante 1 de Bagé-RS:
INQ. – Você já viu que banana às vezes gruda uma na outra, não gruda? É difícil, mas às vezes fica uma grudadinha na outra, você já viu isso?
INF. – Não, nunca vi.
INQ. – Você saberia o nome disso, ou não? INF. – União. (248-1 – Bagé-RS)
Como revelaram os dados, banana gêmea é a forma predominante nos três estados sulistas, contudo com diferentes níveis de produtividade.
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O ITEM LE XIC AL “BANANA DUP LA ” NO SUL DO BRASIL : UM ES TUDO GE OLINGUÍS TIC ONesse sentido, a seguir, será apresentada a Figura 1, que se refere à carta linguística de arealidade gradual, a qual mostra a intensidade como essa variante foi utilizada na região.
Figura 1: Arealidade gradual da variante banana gêmea
na Região Sul
Fonte: Elaborada pelos autores.
Por meio da carta linguística apresentada, verifica-se que a variante em questão não foi registrada em apenas três localidades, a saber: 207 – Nova Londrina-PR, 239 – São Borja-RS e 249 – São José do Norte-RS. Verifica-se também que banana gêmea é realizada com maior intensidade no estado do Rio Grande do Sul do que nos demais estados.
Com o intuito de ilustrar a distribuição diatópica das variantes, será apresentada a seguir uma carta linguística monodimensional que contempla os três estados da região em estudo.
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C ONTRIBUIÇ ÕES DE ES TUDOS GE OLINGUÍS TIC OS P ARA O POR TUGUÊS BRASILEIRO: UMA HOMENA GEM A SUZANA CARDOSO Figura 2: Distribuição diatópica das variantes
registradas para a questão 043 do ALiB na Região Sul
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O ITEM LE XIC AL “BANANA DUP LA ” NO SUL DO BRASIL : UM ES TUDO GE OLINGUÍS TIC OAo analisar diatopicamente a distribuição das designações registradas, constata-se que a forma majoritária está presente nos três estados, contudo há também a presença de variantes que se restringem a certo território, como é o caso de banana felipe, que foi documentada apenas no norte do Paraná, e inconho, que aparece em duas localidades litorâneas, uma no Paraná e outra em Santa Catarina, sendo elas nos pontos 221 – Morretes e 225 – São Francisco do Sul. Dentro desse contexto, torna-se plausível o estabelecimento de possíveis áreas lexicais, como se pode visualizar na Figura 3, em que se apresenta uma carta linguística de arealidade que delimita as áreas das variantes
banana felipe e inconho por meio de isoléxicas.
Figura 3: Arealidade das variantes
banana felipe e inconho na Região Sul
Fonte: Elaborada pelos autores.
Diante dessa carta linguística, comprova-se a existência de áreas dialetais na Região Sul, uma que se caracteriza pelo uso da variante
inconho em pontos do litoral de Santa Catarina e do Paraná e outra pelo
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C ONTRIBUIÇ ÕES DE ES TUDOS GE OLINGUÍS TIC OS P ARA O POR TUGUÊS BRASILEIRO: UMA HOMENA GEM A SUZANA C ARDOSOAo recorrer a obras lexicográficas buscando a definição dessas variantes, ambas se encontram dicionarizadas. No que diz respeito a banana felipe, encontra-se apenas a entrada filipe, com a seguinte definição no dicionário Aulete digital (s/d): “cada uma das sementes de algodão que se ligam entre si em função do ataque da lagarta-rosada”. Em relação a inconho, esta é classificada como sendo um adjetivo cujo significado, conforme o dicionário Aulete digital (s/d), é: “pegado a outro, conjunto com outro (diz-se dos frutos que nascem nestas condições); Incõe, enconho (Bras.)”. Ainda sobre essa variante, a obra traz que, de acordo com o Dicionário Etimológico de Antenor Nascentes, inconho vem do Tupi y-côi, que, por sua vez, é o mesmo que gêmeo, par.
Sobre as variantes banana grudada e banana dupla, registra-se que estão presentes nos três estados da Região Sul.
Finalizada a descrição diatópica, serão mostrados os dados referentes às variáveis independentes controladas neste estudo, sexo e faixa etária, conforme tabelas 2 e 3.
Tabela 2: Distribuição das variantes registradas
para a questão 043 na Região Sul por sexo
VARIANTES OCORRÊNCIAS SEXO FEMININO OCORRÊNCIAS SEXO MASCULINO banana gêmea 64 (68,82%) 61 (62,89%) outras 9 (9,68%) 7 (7,22%) banana felipe 7 (7,53%) 7 (7,22%) RP 6 (6,45%) 12 (12,37%) banana grudada 3 (3,22%) 4 (4,12%) banana dupla 2 (2,15%) 3 (3,09%) inconho 2 (2,15%) 3 (3,09%) Total 93 (100%) 97 (100%) Fonte: Elaborada pelos autores.
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O ITEM LE XIC AL “BANANA DUP LA ” NO SUL DO BRASIL : UM ES TUDO GE OLINGUÍS TIC ODe acordo com os dados apresentados pela Tabela 2, tanto os homens quanto as mulheres utilizam predominantemente a variante
banana gêmea. Observa-se também que há certa equivalência no
que diz respeito ao uso de todas as formas, inferindo-se, assim, que o sexo não é responsável por determinar a escolha das variantes, já que os informantes de sexos diferentes têm preferência pelas mesmas designações.
Tabela 3: Distribuição das variantes registradas
para a questão 043 na Região Sul por faixa etária
VARIANTES OCORRÊNCIAS FAIXA I OCORRÊNCIAS FAIXA II banana gêmea 64 (65,31%) 61 (63,31%) RP 12 (12,25%) 6 (6,52%) outras 7 (7,14%) 9 (9,78%) banana felipe 6 (6,12%) 8 (8,7%) banana grudada 5 (5,1%) 2 (2,17%) banana dupla 3 (3,06%) 2 (2,17%) inconho 1 (1,02%) 4 (4,35%) Total 98 (100%) 92 (100%) Fonte: Elaborada pelos autores.
Sobre a faixa etária, pode-se dizer que tanto os informantes da faixa I quanto os da faixa II utilizam preferencialmente a forma banana
gêmea. No que tange às demais variantes, há uma proximidade entre o
falar das faixas, contudo chama-se atenção para o uso da forma inconho, a qual, apesar da baixa produtividade, se mostra mais como uma variante associada à faixa II do que à faixa I, tendo em vista que apenas um jovem a utilizou. Portanto, mesmo tendo sido feita a consideração sobre a forma inconho, depreende-se que a variável faixa etária também não se mostra significativa para a escolha lexical, uma vez que os dados refletem diferenças irrisórias.
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C ONTRIBUIÇ ÕES DE ES TUDOS GE OLINGUÍS TIC OS P ARA O POR TUGUÊS BRASILEIRO: UMA HOMENA GEM A SUZANA C ARDOSO CONSIDERAÇÕES FINAISCom base na análise do corpus coletado pelo ALiB na Região Sul, é possível afirmar que a variante banana gêmea, juntamente com as formas a ela agrupadas, é a que predomina no falar dos sulistas para nomear “duas bananas que nascem grudadas”.
Relativamente à distribuição diatópica, verifica-se que a variante majoritária se encontra difundida pelos três estados que compõem a região em estudo e que as demais formas registradas encontram-se distribuídas, com diferente intensidade, pelo sul do Brasil, com exceção das variantes banana felipe e inconho, por meio das quais foi possível identificar áreas geográficas a elas associadas, as quais estão localizadas, respectivamente, ao norte do Paraná e na região litorânea do Paraná e de Santa Catarina, respectivamente.
Em relação às variáveis sociais, constata-se que as dimensões diassexual e diageracional não condicionam as respostas dos falantes em relação ao item aqui pesquisado, tendo em vista que os resultados obtidos revelaram-se equivalentes.
Diante do exposto, conclui-se que dentre as diversas variantes documentadas apenas uma se sobressai na Região Sul. Além disso, reconhece-se a importância da cartografia para a visualização da variação diatópica e para o estabelecimento de possíveis áreas dialetais.
Por fim, espera-se que este estudo contribua com a descrição linguística e com os estudos acerca dos falares do português do Brasil.
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