CHAPTER 3 CONFIGURA TION
4.5 INTERFACE CABLE
A Matemática é uma ciência importante para a humanidade, pois desenvolve o pensamento lógico, dedutivo e abstrato para sua sobrevivência e também é essencial para o desenvolvimento de outras áreas do conhecimento. Nesse sentido, Ponte et al. (2007) destacam que a Matemática:
(...) sempre permeou a atividade humana e contribuiu para o seu desenvolvimento e são hoje múltiplos e variados os seus domínios internos, como são múltiplos e variados os domínios externos em que é aplicada. Hoje, mais do que nunca, está presente em todos os ramos da ciência e tecnologia, em diversos campos da arte, em muitas profissões e sectores da actividade de todos os dias (p. 3).
O estudo da Matemática é fundamental, pois está presente em nosso cotidiano, seja de maneira formal ou informal. Ponte et al. (2007) afirmam que essa disciplina no Ensino Fundamental contribui para o desenvolvimento dos alunos, para a formação do conhecimento matemático necessário para o desenvolvimento da própria Matemática e também para a evolução de outras disciplinas, pois contribui para o desenvolvimento social e para a aprendizagem para a vida.
Portanto, se os conceitos matemáticos forem bem construídos no Ensino Fundamental, essas concepções podem favorecer a compreensão dos conteúdos matemáticos para os estudos posteriores (PONTE et al., 2007). A aprendizagem em Matemática também deve contribuir para o desenvolvimento dos alunos de maneira que transcenda aos seus aspectos práticos. Desse modo, a Matemática deve:
- Fazer observações sistemáticas de aspectos quantitativos e qualitativos da realidade do ponto de vista do conhecimento e estabelecer o maior número possível de relações entre eles, utilizando o conhecimento matemático (aritmético, geométrico, métrico, algébrico, estatístico, combinatório, probabilístico).
- Selecionar, organizar e produzir informações relevantes, para interpretá- la e avaliá-las criticamente.
- Resolver situações-problema, sabendo validar estratégias e resultados, desenvolvendo formas de raciocínio e processos, como dedução, indução, intuição, analogia, estimativa, e utilizando conceitos e procedimentos matemáticos, bem como os instrumentos tecnológicos disponíveis.
62 - Comunicar-se matematicamente, ou seja, descrever, representar e apresentar resultados com precisão e argumentar sobre suas conjecturas, fazendo uso da linguagem oral e estabelecendo relações entre ela e diferentes representações matemáticas.
- Sentir-se seguro da própria capacidade de construir conhecimentos matemáticos, desenvolvendo a autoestima e a perseverança na busca de soluções.
- Interagir com seus pares de forma cooperativa, trabalhando coletivamente na busca de soluções para problemas propostos, identificando aspectos consensuais ou não na discussão de um assunto, respeitando o modo de pensar dos colegas e aprendendo com eles (GROSSI, 2006 apud SILVA, 2015, s/p).
Discorrendo sobre a finalidade da Matemática durante a escolaridade básica (Ensino Fundamental Anos Iniciais, Ensino Fundamental Anos Finais e Ensino Médio), Ponte et al. (2007) argumenta que essa disciplina busca:
a) Promover a aquisição de informação, conhecimento e experiência em Matemática e o desenvolvimento da capacidade da sua integração e mobilização em contextos diversificados.
b) Desenvolver atitudes positivas face à Matemática e a capacidade de apreciar esta ciência (p. 3).
As atitudes positivas dos alunos são um diferencial para o desenvolvimento de sua aprendizagem. Assim, se os alunos desenvolvem o gosto pela Matemática, aprendem a apreciá-la para tornar o seu aprendizado mais humanizado. Essas atitudes positivas devem ser trabalhadas desde a inserção dos alunos na escola e reforçadas nos Ensinos Fundamental e Médio.
Por outro lado, quanto ao estudo da Geometria, Pavanello (1994) destaca que, na maioria das vezes, o seu ensino tem sido objeto de pouca exploração e, normalmente, é introduzido no final do ano letivo.
Nesse direcionamento, Ferrarezi (2004) argumenta que é visível o descaso do ensino da Geometria entre os professores de Matemática da rede pública, principalmente, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, muitas vezes, por lacuna no domínio dessa disciplina pelo corpo docente de Matemática da escola.
É importante que os alunos entrem em contato com situações-problema desafiadoras, que agucem a sua curiosidade, para que possam solucioná-las por meio da resolução de atividades curriculares que tenham o objetivo de possibilitar-lhes a análise e a compreensão do espaço que os rodeia (FÁVERO, 2005).
63 Torna-se necessário desenvolver atitudes que auxiliem os alunos na codificação de imagens para que possam compreender a utilização dos recursos visuais relacionados com as formas geométricas presentes no cotidiano. Assim, é necessário reconhecer que:
Desde que nascemos, ao agirmos sobre as coisas ao nosso redor, classificamos essas coisas, relacionando-as, combinando-as segundo um critério qualquer, seja no início, dentro de um critério dado pelas suas características físicas (coisas quadradas, duras, lisas, vermelhas, etc), como depois, dentro de um critério abstrato (atitudes democráticas, comportamento ético, etc) (FÁVERO, 2005, p. 108).
Nesse contexto, é fundamental a utilização de uma abordagem pedagógica para o processo de ensino e aprendizagem da Geometria, na educação básica, por meio da qual os alunos sejam inseridos em situações de exploração, visualização e manuseio de diferentes objetos geométricos, que estão relacionados com alguns aspectos de sua vida diária (OREY; ROSA, 2004).
Os PCN (BRASIL, 1998), de Matemática, ressaltam a relevância da aplicação da geometria em situações cotidianas e, também, para o exercício de diversas profissões. Como, por exemplo, a engenharia, a arquitetura, a bioquímica e a mecânica, pois esses profissionais precisam pensar geometricamente. No entanto, é necessário enfatizar que a:
Geometria tem tido pouco destaque nas aulas de Matemática e, muitas vezes, confunde-se seu ensino com o das medidas. Em que pese seu abandono, ela desempenha um papel fundamental no currículo, na medida em que possibilita ao aluno desenvolver um tipo de pensamento particular para compreender, descrever e representar, de forma organizada, o mundo em que vive. Também é fato que as questões geométricas costumam despertar o interesse dos adolescentes e jovens de modo natural e espontâneo. Além disso, é um campo fértil de situações- problema que favorece o desenvolvimento da capacidade para argumentar e construir demonstrações (BRASIL, 1998, p. 122).
O trabalho pedagógico desenvolvido no Ensino Fundamental por meio da elaboração de atividades curriculares desafiadoras que envolvam o espaço físico e as situações-problema contextualizadas pode contribuir para o desenvolvimento do pensamento geométrico e raciocínio lógico dos alunos (OREY; ROSA, 2004).
Então, os alunos podem observar os objetos geométricos ao passearem pela sua cidade e, também, ao observarem às praças, as igrejas, as casas e as construções durante o trajeto que realizam de casa para a escola e vice-versa (ROSA, 2000).
Desse modo, ao explorar o espaço que os rodeiam, os alunos realizam descobertas, analisam formas, objetos, dimensões e, além disso, organizam mentalmente as suas ações.
64 Consequentemente, é importante que os professores elaborem atividades curriculares matemáticas que envolvam as formas geométricas.