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5. DISCUSSION

5.2. INTERETS DE L’ETUDE

Richard Foqué , arquiteto, pesquisador e professor na

Henry van de Velde Higher Institute of Architecture em

Antwerp, Bélgica; descreve a respeito do Método da Investigação Científica, e como a ciência pode ser entendida e estudada na Arquitetura; não dominada apenas pela teoria e investigação literária, mas somando-se a investigação empírica, ao pensamento intuitivo, observacional e dedutivo ; e como este pensamento – legítimo na ciência - pode ser construído na arquitetura enquanto construção projetual, que para o autor:

“Science is not only interested in a mere description of reality or a quantifiable order of facts and data, but aims explicitly at understanding and explaining the phenomena that constitute our world” (FOQUÉ,2010, p.31).

“A ciência não está interessada somente em uma mera descrição da realidade ou em uma quantificável ordem dos fatos e dados, mas visa explicitamente a compreender e explicar os fenômenos que constituem nosso mundo” (FOQUÉ, 2010, p.31, tradução de própria autoria).

A ciência está constantemente em busca dos princípios subjacentes e a conexão entre diferentes conjuntos de fenômenos, a fim de ser capaz de prever e controlar o comportamento e os efeitos futuros. O Método Científico estrutura essas conclusões em um sistema universal e logicamente coerente, chamado Teoria Científica. Na tradição Clássica, esse método é fundamentado no empirismo, ele nos levou para o ciclo empírico baseado nos cinco estágios enumerados por Adriaan De Groot ( De Groot, A.D., ,Methodologie apud Foqué, 2010, p.31)

1) Observação, onde fatos empíricos são recolhidos e organizados;

2) Indução, onde hipóteses são formuladas;

3) Dedução, onde consequências especiais provenientes dessas hipóteses são deduzidas em forma de predições testáveis;

4) Testes/Ensaios, onde as predições são verificadas como verdadeiras ou falsas;

5) Avaliação, onde os resultados destes testes confirmam ou negam as hipóteses.

É inevitável que durante o estágio de Observação, hipóteses já sejam introduzidas, mesmo que implicitamente; a distinção entre a gravação observacional e a formulação destas hipóteses, pode ser na maioria dos casos obscura, e caminham paralelamente. Geralmente, o cientista já possui um certo ponto de vista formado, ao observar o problema sob investigação. Assim, dados empíricos são coletados de acordo com os critérios derivados deste ponto de vista.

Para Karl Popper, fatos puros não estão disponíveis; toda observação é carregada de teoria, e precisa ser lapidada para se chegar às hipóteses a serem estudadas (POPPE 1959 apud FOQUE 2010, p.32), mas como podemos distinguir entre fatos e suposições, entre fatos e ideias, e determinar o ponto em que uma suposição se torna uma hipótese testável?

O cientista pode trabalhar por indução ou dedução, pode também, recolher sistematicamente dados relevantes, a fim de formular predições testáveis, ou pode tentar formular teorias hipotéticas, e testá-las. A história da ciência nos dá exemplos disso, como as sistemáticas descrições e classificações de Darwin, levando a Teoria da Evolução e a Teoria da Relatividade apresentada por Einstein como um sistema teórico consistente, explicando certos fenômenos, que só mais tarde foi validada por experimentos e observações.

A abordagem de Einstein começa mais como um problema a ser resolvido, do que uma série de observações, as quais exigem uma explicação. (FOQUE,2010, p.32). Nos termos de Popper, isso significa que o cientista faz observações seletivas, para testar a extensão em que uma dada teoria pode funcionar como uma resposta satisfatória, para um problema que ocorre.

Apesar do fato de que o método científico tenta ser rigoroso e exato, o critério que define o que é um fato verdadeiro, não é sempre claro ou evidente.

As fronteiras entre a arte e a ciência, são de fato bem menos definidas do que a ciência contemporânea está confortável em delimitar. De fato, para Foque, há um gradiente contínuo entre ciência e arte: do objetivo para o subjetivo, da verdade verificável à experiência estética.

A Renascença não construiu barreiras entre a ciência e a arte, este é um conceito contemporâneo que delegou a intuição e criatividade às artes, e o pensamento racional e descobertas à ciência, nos levando a percepção de incompatibilidade entre forma e função, utilidade e experiência, necessidade e luxo. Segundo Edward De Bono, “a creative process is directly related to the

mechanisms of the thinking brain” , “ o processo criativo está diretamente ligado aos mecanismos do cérebro pensante” ( DE BONO 1970, apud, FOQUÉ 2010, p.37).

O autor introduziu ao termo do pensamento lateral, que é o pensamento criativo e intuitivo, mas este pensamento está relacionado com a escolha das medidas mais apropriadas, a partir de uma multiplicidade de possibilidades; assim sendo, o pensamento intuitivo é construído a partir de uma série de possibilidades racionais, para Foqué:

“(...) a creative process is not based on intuition alone, but can only exist when intuitive action is supported and complemented by reflective thinking. I will call this “the creative moment” –the moment where the walls between rational and intuitive thinking disappear and give way to new insight”. (FOQUÉ, 2010, p.37).

“(…) o processo criativo não é baseado apenas em intuição, mas pode existir somente quando a ação intuitiva é

apoiada e complementada pelo

pensamento reflexivo. Eu chamarei isso “ o momento criativo” – o momento onde as paredes entre o pensamento racional e o intuitivo desaparecem e dão lugar a uma nova percepção”. (FOQUÉ,2010, p.37, tradução de própria autoria).

A figura ao lado, ilustra como o processo criativo trabalha com as polaridades do pensamento racional e o pensamento intuitivo. Três fases podem ser distinguidas, e cada umas delas é caracterizada por sua devida denominação na escala racional-intuitiva de pensamento. Fase 1: Iniciação e Preparação. Compreende em nos familiarizar com o problema sob investigação, que é minuciosamente estudado, um trabalho sistemático é feito na procura por uma solução, supondo que será facilmente encontrado, mas o progresso não é instantâneo. O pensando aqui, ocorre em um nível racional forte e crescente, o lado esquerdo do cérebro é completamente ativado.

Fase 2: Incubação. O problema está fora da agenda consciente. O lado direito do cérebro domina e o pensamento intuitivo fortalece-se; o pensamento criativo é construído. O fim desta fase é caracterizado pelo momento de reconhecimento de uma solução; o que se referindo à Aristóteles em sua banheira, podemos chamar de “Momento Eureka”.

Fase 3: Consolidação. A solução é elaborada, verificada, testada e aplicada. Os lados direito e esquerdo do cérebro trabalham juntos, estabelecendo um pensamento em rede. Durante esta fase o equilíbrio é alcançado na escala racional-intuitiva, e a mente completa o processo criativo. A construção do conhecimento, com base em casos práticos , ou estudos de caso, sempre foi um método importante em domínios, em que o raciocínio dedutivo e pensamento paradigmático não conseguem explicar certos fenômenos, ou um complexo conjunto de parâmetros inter-relacionados.

Especialmente em domínios como direito e medicina, e, que as decisões quantitativas e / ou éticas, muitas vezes tornam-se mais importantes do que os quantitativos, para Foqué, o método de estudo de caso sempre foi uma importante forma de desenvolver uma teoria.

Figura 7: Imagem do processo criativo na mente humana Fonte: FOQUÉ.Building Knowledge in Architecture,2010, p.39.

Administração, Direito, Escolas de Medicina e respectivas profissões, apresentam exemplos relacionados a programas de ensino e pesquisa baseados em estudos de casos bem sucedidos, que mudaram fundamentalmente essas disciplinas e elevou-os a um nível científico e profissional indiscutível. Por meio de pesquisa de estudo de caso, desenvolveram um corpo consistente de conhecimento experimental, dirigindo-os a uma base científica sólida e de reconhecimento acadêmico. Administração de Empresas, pode ser talvez o exemplo mais marcante de tal disciplina. Quando surgiu no início do século 20, faltava-lhe o seu próprio corpo de conhecimento; o intensivo e consistente desenvolvimento de pesquisa de estudo de caso, elevou-o, em um curto espaço de tempo, a uma disciplina acadêmica muito respeitada e vitrine para muitas universidades. (FOQUE,2010, p.171).

Para Foque, se temos a intenção de criar um organismo geral e universal de conhecimento sobre a disciplina de arquitetura, juntamente com uma estrutura robusta de referência, precisamos de uma metodologia unificada e universalmente aplicável. Para o professor, esta é a única maneira de comparar objetivamente os resultados de um estudo de caso com múltiplos edifícios, ou de um edifício em particular.

Para o pesquisador, universalizar o Método para o Estudo é tão importante quanto o próprio estudo, o autor afirma que essa é a chave para estabelecer uma teoria consistente e prática do projeto arquitetônico:

“A case project is constituted by both case study and case method. The confrontation and intertwining of the outcome of these parts can produce comprehensive architectural knowledge. Therefore, a general method for case project research should provide for this. It should address quantitative and qualitative parameters and investigate how each contributes to the realization of an architectural object. How do these parameters interrelate, how are they connected, and how do they influence each other?” (FOQUE,2010, p.189)

"Um projeto de estudo de caso é constituído por ambos estudos de caso e o método do caso. O confronto e entrelaçamento dos resultados dessas peças podem produzir conhecimentos de arquitetura abrangente. Portanto, um método geral para a pesquisa do projeto do caso deve prever isso. Ele deve abordar parâmetros quantitativos e qualitativos e investigar como cada um contribui para a realização de um objeto arquitetônico. Como esses parâmetros se inter-relacionam, como eles estão conectados, e como eles influenciam uns aos outros?” (FOQUE,2010, p.189, tradução de própria autoria).

É crucial que o estudo de caso seja definido sob aspectos claros, objetivos, dentro de fronteiras previamente estabelecidas e hipóteses a serem investigadas; questionar; qual é a finalidade do estudo e qual é o resultado esperado?

Figura 8: Imagem da metodologia de conhecimento arquitetônico através do estudo de caso Fonte: FOQUÉ.Building Knowledge in Architecture,2010, p.191

Ainda segundo o autor, o projeto arquitetônico é, em princípio, uma atividade geradora de hipóteses. A nossa forma de executar um estudo de caso único deve levar isso em conta. Isto significa que um estudo de caso único-aquele que estuda um objeto- não pode ser usado como uma ferramenta de "conjecturas" tradicionais, mas deve ser considerada uma ferramenta exploratória para entender a natureza das hipóteses projetuais propostas, e porque essas hipóteses devem ser viáveis dentro de seu contexto. Consequentemente, o resultado de tal estudo irá, por sua vez, ser uma hipótese. Em outras palavras, o estudo de caso único, pode gerar hipóteses no nível de conhecimento arquitetônico ao investigar tais conjecturas no nível do projeto gráfico.

Assim sendo, para Foqué, os estudos de casos únicos na arquitetura são, portanto, gerador de hipóteses e não testes de hipóteses.

No entanto, a análise cruzada dos casos com base em vários casos comparáveis, ou seja, o estudo de caso múltiplo – que analisa vários objetos - pode testar a hipótese gerada, e elevá-la a um nível de um paradigma contextual.

O Estudo Tipo 1 vai fazer isso no nível do produto; o Tipo 2 no nível do processo e a integração dentro do mesmo caso de ambos os tipos em Tipo 3, tornará possível transformar, o paradigma contextual em conhecimento arquitetônico.

Essa compreensão do uso do Tipo 1 e Tipo 2 de estudo, em Tipo 3, cria um método de produção do conhecimento arquitetônico. O Tipo 3, é precisamente a combinação do Tipo 1 com o Tipo 2 de um edifício em particular ou de múltiplos edifícios, que gerarão conhecimento em um nível transformador (FOQUE,2010), nos permitindo compreender a singularidade de um produto arquitetônico

Figura 9: Quadro dos Tipos de Estudos preconizados pelo autor. Fonte: FOQUÉ.Building Knowledge in Architecture,2010, p.192

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