Rôle des autres bassins à l’échelle interannuelle
5.1 Dans le modèle de climat du CNRM
5.1.4 Interactions avec la Méditerranée
Para compreender os efeitos da aprendizagem no processo de interiorização e uso de conteúdos armazenados, é de fundamental importância entender como acontece, internamente, essa aprendizagem. Foi com essa finalidade que os estudos da psicologia cognitiva, aliados às pesquisas em ciências da computação, criaram programas computacionais, a fim de mapear o funcionamento do cérebro, relacionado à área da linguagem.
A partir dessas pesquisas surgem, nos anos 30, com Bartlett (1932 apud LEFFA, 1996), os conceitos de esquema e, com Rummerlhart e Todd (1993), os conceitos referentes aos “blocos de construção da cognição”. As pesquisas e novos conhecimentos construídos na área passaram a defender e difundir a ideia de que os conhecimentos são estruturados e organizados na mente, a partir de modelos cognitivos de conhecimento.
A forma de construção desses modelos cognitivos de conhecimento pode ser explicada a partir do paradigma conexionista de aquisição da linguagem. Rossa e Rossa (2009) definem o conexionismo como
uma teoria do conhecimento que se preocupa com todo o processo de aquisição e, por isso, tem uma proposta para esclarecer a aprendizagem e explicar a memória. O paradigma conexionista também apresenta a estreita relação entre aprendizagem e memória, uma vez que não pode haver aprendizagem se não houver memória. (ROSSA, A.; ROSSA, C., 2009, p. 56)
Segundo Zimmer e Alves (2006), o conexionismo vê a aprendizagem implícita e explícita como complementares, já que na estrutura neurológica do cérebro há espaços para a construção do conhecimento implícito, explícito e para a interação desses conhecimentos. Segundo Mcclelland, Macnauchton e O´reukkt (1995 apud ZIMMER, ALVES, 2006), dois sistemas localizados no cérebro- o neo- córtex e o hipocampo - são responsáveis pela construção da memória e da aprendizagem. Esses sistemas são complementares. No neo- córtex, a integração do conhecimento ocorre de forma lenta e gradual. O aprendiz utiliza o conhecimento armazenado nesse sistema de forma natural, sem a necessidade de monitoramento. Por isso, a aprendizagem por meio do neo-córtex acontece de forma implícita, sem a necessidade de monitoramento por parte do aprendiz.
No sistema hipocampal, a construção de novas memórias é mais rápida, já que advém de “formas- alvo” que, por sua vez, são percebidas e processadas pelos aprendizes, em situações de monitoramento. Por isso, a aprendizagem localizada no hipocampo pode ser caracterizada como um tipo de conhecimento construído de caráter explícito. (McCLELLAND; McNAUGHTON; O’REILLY 1995 apud ZIMMER, ALVES, 2006).
Segundo Zimmer e Alves (2006), há uma integração do neo-córtex com o hipocampal. Por isso, esses dois sistemas não podem ser tratados como mecanismos de aprendizagem isolados. Na verdade, há uma complementariedade desses sistemas que permite que o novo conhecimento seja incorporado ao conhecimento prévio, a partir da integração do conhecimento inicialmente gerada no hipocampo ao sistema do neo-córtex.
Nesse sentido, compreende-se que embora os conhecimentos explícitos e implícitos sejam dissociáveis, não deixam de ser cooperativos. Segundo Ellis (2006)
embora na aquisição de língua materna aprendizagem implícita seja primária, o desenvolvimento da autoconsciência permite o exame reflexivo, a análise e a re-organização dos produtos da aprendizagem implícita, resultando em re-descrição a um nível mais elevado e a formação de novas representações independentes e explícitas. (ELLIS, 2006, p. 4, tradução nossa). 30
Assim, o autor define a aprendizagem explícita como uma operação cognitiva mais consciente em que o indivíduo atende aos aspectos particulares de diferentes estímulos e testa hipóteses em busca de uma estrutura. Já a aprendizagem implícita é entendida como a aquisição de conhecimento, mediante um processo que ocorre naturalmente, de forma simples e sem operações conscientes (ELLIS, 2006).
Hulstijn (2005), na mesma linha teórica, argumenta que a aprendizagem explícita deriva da informação recebida pelo cérebro, de maneira consciente, a partir do input que possa conter regularidades. Já a aprendizagem implícita refere-se à informação recebida pelo cérebro e armazenada de forma inconsciente, sem a intenção de descobrir as regras.
Em uma perspectiva mais didática, poderíamos entender a aprendizagem implícita como o momento em que os alunos são expostos à leitura de um conjunto de textos argumentativos, com o objetivo de produzirem textos dessa mesma tipologia, sem a consciência explícita das regras e estratégias argumentativas características dos textos argumentativos. A aprendizagem explícita aconteceria, então, no momento em que o professor trabalhasse as características dos textos opinativos, seus elementos retóricos e as estratégias discursivas requeridas para a produção da argumentação. Nesse momento, os alunos receberiam a informação de forma consciente e, possivelmente, utilizariam-na em produções de gêneros textuais trabalhados em sala de aula.
Segundo Borba (2011), adquirir conhecimentos significa estabelecer novas conexões neuronais. “Nessa perspectiva, o sujeito, para desenvolver sua produção textual, precisa reestabelecer conexões neuronais relativas às características do gênero textual em estudo” (BORBA, 2011, p.3). Assim sendo, é de fundamental importância levar a cabo uma prática pedagógica do ensino da escrita de diferentes gêneros textuais para que o aluno possa construir as conexões neuronais
30
Texto original em inglês: although in native language acquisition implicit learning is primary, the development of self-awareness allows reflective examination, analysis and re-organization of the products of implicit learning, resulting in redescription at a higher level and theformation of new independent and explicit representations. (ELLIS, 2006, p. 4)
necessárias à escrita coesa e coerente, adequada às mais diversas situações comunicativas.
Na seção a seguir, apresentarei as concepções de gênero, de argumentação como eixo norteador dos gêneros opinativos, a base retórica da argumentação e as teorias referentes ao artigo de opinião, gênero no qual se baseou a sequência didática de leitura, discussão, produção escrita e reescrita, desenvolvido nessa pesquisa.