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Interaction entre particules de CaCO 3 et PbSO 4 dans un aérosol formé en chambre de simulation

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ZnSO 4 .7H 2 O

V. Interactions entre des particules de PbSO 4 et des particules de calcite

3. Réactivité d'aérosols de PbSO 4 et CaCO 3 en régime turbulent

3.2. Interaction entre particules de CaCO 3 et PbSO 4 dans un aérosol formé en chambre de simulation

A expressão sociologia do conhecimento, afirmam Berger e Luckmann (1973), foi forjada pelo filósofo alemão Max Scheler na década de 1920 e a disciplina sociologia do conhecimento trata das relações entre o pensamento humano e o contexto social dentro do qual esse pensamento surge (BERGER; LUCKMANN, 1973). Estes autores consideram o pensamento marxista, niestzchiano e historicista como antecedentes intelectuais à sociologia do conhecimento e defendem que esta disciplina deve ocupar- se de tudo aquilo que passa por conhecimento em uma sociedade, independentemente da validade ou não do mesmo.

Peter Burke (2003, p.12) afirma que no início do século XX a sociologia do conhecimento se concretiza como disciplina a partir dos estudos realizados na França, nos Estados Unidos e na Alemanha e, ao olhar sob uma perspectiva mais histórica, define-a como uma disciplina que se ocupa com tudo aquilo que é considerado conhecimento na sociedade e com os processos que servem para conhecer a realidade como uma construção social. Conforme o autor, a obra A construção social da

realidade, de Berger e Luckmann, publicada pela primeira vez em 1966, representa um

renascimento dessa disciplina que, nesta mesma década, é fortalecida por teorias de outras áreas do conhecimento, como a antropologia, filosofia e história da ciência, segundo as concepções de Lévi-Strauss, Foucault e Kuhn, respectivamente.

Na formulação de suas propostas teóricas, Berger e Luckmann (1973) partem de um pressuposto básico: a realidade se constrói na vida cotidiana e a sociologia do conhecimento deve estudar os processos por meio dos quais se origina o conhecimento. Para eles a realidade da vida cotidiana se apresenta como um mundo intersubjetivo no qual os homens participam juntos. Esta inter-subjetividade diferencia nitidamente a vida cotidiana de outras realidades das quais o homem tem consciência. O homem está sozinho no mundo de seus sonhos, mas sabe que o mundo da vida

cotidiana é tão real para os outros quanto para si mesmo. De fato, ele não pode existir na vida cotidiana sem estar continuamente em interação e comunicação com os outros. Ele sabe que sua atitude natural com relação a este mundo corresponde à atitude natural dos outros, que eles também compreendem as objetivações graças às quais este mundo é ordenado, que eles também organizam este mundo em torno do “aqui e agora” de seu estar nele e têm projeto de trabalho nele. Sabe ainda que os outros têm uma perspectiva deste mundo comum que não é idêntica à dele.

Apesar da constituição biológica do homem não determinar a ordem social na qual o homem vive, a necessidade da emergência, manutenção e transmissão de uma ordem social provém das constantes biológicas humanas. A definição da natureza humana envolve, sobretudo, uma co-construção, afirmando-se como homem a partir das relações sócio-culturais que este estabelece com a comunidade. Ou seja, não existe natureza humana no sentido de um substrato biologicamente fixo que determine a variabilidade das formações sócio-culturais (BERGER; LUCKMANN, 1973). O homem constrói seu ambiente, torna-o familiar e assim constrói-se a si mesmo, tecendo sua própria natureza. Como mencionam Berger e Luckmann (1973, p.72), “o homem produz-se a si mesmo.”

A vida cotidiana apresenta-se como uma realidade interpretada pelos homens e subjetivamente dotada de sentido para eles na medida em que forma um mundo coerente. Coerente na visão de cada um, pois cada um considera coerência de acordo com o universo de que participa, ou seja, com o mundo a que tem acesso. Assim, o mundo da vida cotidiana não só é tomado como uma realidade certa pelos membros ordinários da sociedade na conduta subjetivamente dotada de sentido que imprimem suas vidas, como também é um mundo que se origina no pensamento e na ação dos homens, sendo afirmado como real por eles. Berger e Luckmann (1973, p.37) afirmam que “o senso comum contém inumeráveis interpretações pré-científicas e quase científicas sobre a realidade cotidiana, que admite como certas.”

Para Berger e Luckmann (1973) a construção social da realidade faz referência à tendência fenomenológica das pessoas ao considerar os processos subjetivos como realidades objetivas. Neste sentido, as pessoas apreendem a vida cotidiana como uma realidade ordenada, ou seja, as pessoas percebem a realidade independente de sua

própria existência e apreensão. Assim, o mundo da vida cotidiana é aquele que se dá por estabelecido como realidade. O sentido comum que se constitui e se apresenta como a realidade por excelência, tentando, desta forma, impor-se sobre as consciências das pessoas, pois se apresenta como uma realidade ordenada e objetiva, afirmam Berger e Luckmann (1973).

O construcionismo de Berger e Luckmann, ao tratar sobre a realidade social traz a teoria durkheimiana para o foco do debate. Para Durkheim (2002), o individuo é dependente do meio social na medida em que a realidade social é exterior a ele e não depende de sua vontade. A realidade impõe-se à observação ao mesmo tempo em que resiste a esta mesma observação, impondo-se de tal modo que o individuo é incapaz de negá-la. “Tudo que é real”, afirma Durkheim (2002, p.25-26), “tem uma natureza definida que se impõe, com a qual é necessário contar, e que, mesmo quando se consegue neutralizá-la, nunca está completamente vencida.”

Durkheim (2002) denominou de fato social o que ele considera força abstrata capaz de conduzir o indivíduo tal como as convenções sociais determinam. Conforme este autor, fato social

É toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou então, que é geral no âmbito de uma determinada sociedade, tendo, ao mesmo tempo, uma existência própria, independente das suas manifestações individuais (DURKHEIM, 2002, p.19).

A definição de fato social permite um melhor entendimento sobre a realidade social, visto que, tal como a realidade social, o fato social também tem existência própria e é encontrado já formado pelo indivíduo no ato de sua inserção num contexto social e o indivíduo é obrigado a considerá-lo, pois não tem poder sobre ele.

Esta opinião é igualmente expressa por Elias (1993, v.2) em sua teoria processualista, ao afirmar que a realidade social, criada e instituída pelo homem, é transformada, de diferentes maneiras, em autocontrole. Desse modo, as convenções sociais transformam-se em criaturas contra o criador. Elias ilustra seu pensamento mostrando como exemplo o uso da força física no controle social. Ele afirma que, ao contrário do que acontecia na Idade Média, em que a violência física era utilizada sem cerimônia, atualmente ela é aquartelada e constitui monopólio de certos grupos

especialistas que montam guarda à margem da vida social, controlam a conduta do indivíduo exercendo influência decisiva sobre o mesmo, saiba ele disso ou não, promovendo assim a auto-limitação.

Voltando a Durkheim, verifica-se que o seu fato social possui duas características principais: ser exterior ao indivíduo e coercitivo a este. Assim, independentemente do indivíduo ter ou não conhecimento do fato social, ele existe e exige obediência. Ao transgredir um fato social, o indivíduo arcará com as conseqüências, como por exemplo, a exclusão social. Neste sentido, percebe-se que o fato social durkheimiano tem relação com a realidade objetiva(da) de Berger e Luckmann assim como com o processo civilizador de Elias. Para Berger e Luckmann (1973),

As instituições estão “aí”, exteriores a ele, persistentes em sua realidade, queira ou não. Não pode desejar que não existam. Resistem as suas tentativas de alterá-las ou de evadir-se delas. Têm um poder coercitivo sobre ele, tanto por si mesmas, pela pura força de sua facticidade, quanto pelos mecanismos de controle geralmente ligados às mais importantes delas. A realidade objetiva das instituições não fica diminuída se o individuo não compreende sua finalidade ou seu mundo de operação. Pode achar incompreensíveis grandes setores do mundo social, talvez opressivos em sua opacidade, mas não pode deixar de considerá-los reais (BERGER; LUCKMANN, 1973, p.86).

Nesse mundo, então, são as interações sociais os mecanismos que permitem a construção social da realidade, e a linguagem, manifestada pelo indivíduo de diversas formas, falada, escrita, sinalizada, etc., é condição essencial na construção social da realidade (BERGER; LUCKMANN, 1973). É através da linguagem que o homem participa da sociedade, independente do papel que exerce nela. Berger e Luckmann afirmam que a vida cotidiana é sobretudo a vida com a linguagem:

A linguagem, [...] é o mais importante sistema de sinais da sociedade humana. A vida cotidiana é sobretudo a vida com a linguagem, é por meio dela, de que participo com meus semelhantes. A compreensão da linguagem é por isso essencial para minha compreensão da vida cotidiana (BERGER; LUCKMANN, 1973, p.56-57).

Para estes autores a linguagem tem origem e encontra sua referência primária na vida cotidiana. Embora a linguagem possa ser empregada para se referir a outras

realidades, conserva, mesmo assim, seu arraigamento na realidade do senso comum da vida diária. Sendo um sistema de sinais, a linguagem tem a qualidade da objetividade, e, portanto, da exteriorização ao indivíduo como também da coerção a este. Neste sentido, a linguagem é fato social. Conforme Berger e Luckmann (1973, p.58-59)

Encontro a linguagem como facticidade externa a mim, exercendo efeitos coercitivos sobre mim. A linguagem força-me a entrar em seus padrões. Não posso usar as regra da sintaxe alemã quando falo inglês. A linguagem me fornece a imediata possibilidade de contínua objetivação de minha experiência em desenvolvimento.

A linguagem também tipifica as experiências, permitindo o agrupamento destas em amplas categorias, em termos das quais tem sentido não somente para um indivíduo isolado, mas também para a coletividade. Ao mesmo tempo em que tipifica, também torna anônimas as experiências, pois as experiências tipificadas podem em princípio ser repetidas por qualquer pessoa incluída na categoria em questão, afirmam Berger e Luckmann (1973).

No reforço de sua análise, Berger e Luckmann (1973) defendem que a sociologia do conhecimento deve preocupar-se com a origem e a construção da realidade social dos indivíduos e esta realidade é construída a partir da vida cotidiana. Discutem a realidade como uma entidade objetiva e mostram os processos necessários na construção desta objetividade, que, segundo eles, é a institucionalização e a legitimação.

A institucionalização é um processo de objetivação de primeira ordem, afirmam Berger e Luckmann (1973, p.79). Ela “ocorre sempre que há uma tipificação recíproca de ações habituais por tipos de atores.” Qualquer uma dessas tipificações é uma instituição. As tipificações das ações habituais são sempre partilhadas a todos os membros do grupo social particular em questão. Por exemplo, uma modalidade profissional. Nela o corpo de conhecimento da profissão é compartilhado com os sujeitos que se empenham em se tornar profissionais dessa área. Estes sujeitos terão acesso ao conhecimento específico da área desde o ensino da profissão (curso técnico, faculdade, etc.) até o fim da vida. As instituições controlam a conduta humana

estabelecendo padrões previamente definidos de comportamento, que o canalizam em uma direção por oposição às muitas outras direções que seriam teoricamente possíveis. A legitimação, afirmam Berger e Luckmann (1973), é uma objetivação de segunda ordem que produz novos significados para integrar os significados já ligados a processos institucionais díspares. Tem como função tornar objetivamente acessível e subjetivamente plausível as objetivações que foram institucionalizadas. Observa-se a partir dos processos de institucionalização e legitimação da realidade a existência de mecanismos de controle social. Essa idéia é reforçada pelo discurso de Elias (1993) ao afirmar que o controle social determina o que deve ser feito, ou seja, como devem se comportar os membros de dada sociedade com o objetivo de manter uma convivência harmônica entre si. Conforme esse autor, os mecanismos de controle social são apresentados à sociedade de várias formas como, por exemplo, através de regras de conduta no convívio social.

Retornando a Berger e Luckmann (1973), encontra-se que a construção social da realidade é um processo dialético contínuo que acontece em três momentos: a exteriorização, a objetivação e a interiorização. A exteriorização se dá ao interagir-se socialmente quando se participa da vida cotidiana e se compartilha do acervo social de conhecimento disponível, momento este em que a vida cotidiana aparece como realidade por excelência e é experimentada em diferentes níveis de aproximação e distância espaço-temporal. Na exteriorização, o homem atribui sentido à realidade, nos processos de interação social que se dão na relação face-a-face e pelo uso da linguagem.

Ao participar do mundo institucional o homem experimenta a realidade objetiva e neste momento ocorre a objetivação, na qual se dão os processos de legitimação e interiorização. A exteriorização e a objetivação são momentos de um processo dialético contínuo, sendo a interiorização o terceiro momento do processo de construção social da realidade.

A interiorização da realidade, conforme Berger e Luckmann (1973, p.87) “é o processo no qual o mundo social objetivado é reintroduzido na consciência no curso da socialização.” A interiorização da realidade acontece em duas fases de socialização: primária e secundária. Na fase primária, o indivíduo se torna membro da sociedade ao

nascer, enquanto que na socialização secundária o indivíduo vai sendo introduzido na sociedade ao longo de sua vida.

Conforme pode se observar, a sociologia do conhecimento se preocupa com o homem e os processos que o tornam um ser social ou, em outros termos, a produção e troca de conhecimento e suas conseqüências sociais. Berger e Luckmann (1973) buscam sistematizar o conhecimento da relação que se estabelece entre o homem e a realidade na qual este está inserido, mostrando como se constrói, como se transmite e onde se transmite o conhecimento, colaborando assim nas configurações de uma determinada sociedade. Para estes autores esses processos se aplicam na discussão de problemas sociológicos relativos à linguagem, à ação e às instituições sociais, assim como a costumes e a religiões.

Elias (1993), ao tratar das relações do homem com seu pensamento e as condições materiais e o meio ambiente em que ele vive, defende que as tipificações e os costumes se consolidam sem uma data fixada, levando a constantes transformações sociais e que as formas de sobrevivência na sociedade surgem e desaparecem de acordo com o interesse dos atores sociais, ao que o autor denomina de “processo civilizador”. Conforme este autor, “[...] o processo civilizador constitui uma mudança na conduta e sentimentos humanos rumo a uma direção muito específica” (ELIAS, 1993, p.193). Sobre a dinâmica social, Elias (1993) explica que ela acontece dos planos e ações, impulsos emocionais e racionais de pessoas isoladas, entrelaçadas constantemente de modo amigável ou não, sendo que o produto resultante dessa simbiose pode originar as mudanças e os modelos jamais imaginados por uma única pessoa. Mas é dessa interdependência que surge uma ordem muito mais forte e irresistível determinante do curso da história da humanidade.

De um modo geral, as teorias de Berger e Luckmann (1973), Durkheim (2002) e Elias (1993) mostram o ser humano como um ser social que ao nascer é introduzido em um mundo que se apresenta como realidade dada a partir de processos como a institucionalização, a legitimação e a objetivação da realidade. No entanto, não se trata de uma realidade imutável, visto que ela reflete uma, dentre muitas outras possibilidades de organização dos homens pela qual o conhecimento é um produto da

atividade humana, constantemente construído e reconstruído através de um processo dialético, ou seja, de uma dinâmica social.

Considerando que a realidade social é um processo em construção pelo qual os homens desempenham papéis, interagem e se comunicam tanto presencialmente quanto à distância, por meio de sinais desenvolvidos e mantidos pela linguagem ao

longo da existência humana, pode-se deduzir que há um acervo de conhecimento social e que este acervo é constituído por representações de seus pensamentos e valores que são compartilhados em suas relações sociais e utilizados pelos mesmos

conforme seu papel na sociedade. Neste sentido, escolheu-se a Teoria das Representações Sociais a fim de fundamentar a metodologia empregada neste estudo que buscou conhecer as representações sociais que os bibliotecários têm sobre a sua

contribuição na biblioteca universitária na formação do discente de graduação. O modo como o homem expressa seu pensamento e representa a realidade que lhe é peculiar é o assunto do item a seguir que aborda as representações coletivas e sociais, ou seja, as teorias que dão sustentação à metodologia adotada neste trabalho.

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