De acordo com Rzepczynski (2009), o processo de tomada de decisão é afetado pelo tipo de problema em análise e pela informação disponível. Mediante estes dois critérios, o autor refere a existência de dois quadros de análise: o quadro tradicional de utilidade esperada (EUF), que explora a tomada de decisões através da formação de probabilidades para o alcance de todos os resultados e o quadro de raciocínio baseado em casos/experiências anteriores (CBR), definindo-se como um processo experimental alternativo ao tradicional. Regra geral, os gestores mais criativos formam novas analogias de formas diferentes das tradicionais; contudo, existe um equilíbrio entre as duas abordagens. Neste sentido apresentam-se agora critérios tidos em consideração no processo de decisão de aquisição.
Primeiro, importa referir que, na área da saúde, a inovação tecnológica é muito grande e os equipamentos médicos começam a ter cada vez mais um período de vida encurtado à medida que surgem outros melhores no mercado e com mais funcionalidades. Na realidade, embora a vida útil técnica calculada do equipamento seja avaliada num determinado período de tempo, a obsolescência técnica e médica atual fica, em média, muito abaixo dos valores indicados. A obsolescência é assim apontada como principal fator de troca de equipamentos na saúde (Bower, 2005; Campbell, 1994; Focke & Stummer, 2003). No ambiente da prestação de cuidados de saúde, as melhorias tecnológicas resultam frequentemente na substituição por equipamentos mais caros, mas mais seguros, rápidos, eficazes ou que realizam um procedimento que anteriormente não era possível. A importância da obsolescência tecnológica traduz-se assim nesta necessidade de troca, e em vários estudos é referido que a qualidade do novo equipamento pode superar o custo em vários hospitais (Campbell, 1994).
As próprias características do equipamento ou inovação podem afetar o processo de tomada de decisão. Xue et al. (2008) distinguiram ou investimentos e classificou-os como sendo de alto ou baixo nível. O investimento de alto nível é todo aquele que abrange os limites organizacionais (nomeadamente interdepartamentais, interorganizacionais e empresariais). Os investimentos de alto nível são geralmente mais complexos, exigem mais recursos, têm um maior impacto organizacional e fazem-se acompanhar de uma maior incerteza quanto ao investimento (Xue et al., 2008). A compatibilidade e a complexidade são também variáveis de influência, uma vez que os vários tipos de equipamentos têm diferentes alcances e funcionalidades, implicando a participação de um vasto grupo de gestores dentro da organização (Bower, 2005; Xue et al., 2008).
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Mais especificamente, um hospital irá adquirir uma tecnologia quando e se o investimento maximizar os lucros da instituição. Assim sendo, o lucro esperado é determinante na adoção de novas tecnologias médicas e a sua adoção dependerá de fatores que afetem a perceção de custo e receitas atuais ou projetadas (Ahmadi et al., 2015; Focke & Stummer, 2003; Teplensky et al., 1995).
É importante ainda referir que a literatura refere a substituição quando o custo de utilização do equipamento por mais um período de tempo, excede o seu custo de implementação, assumindo que as receitas permanecem inalteradas. Comprometer recursos para se proceder à aquisição e substituição irá depender da condição financeira do hospital: condições precárias podem sinalizar que investimentos de substituição não são garantidos e que investimentos estratégicos para a organização só são feitos através de financiamento; por outro lado, a forte condição financeira pode encorajar investimentos de substituição (Campbell, 1994). Para potenciar as margens de lucro, a redução de custos de aquisição e de acompanhamento pode ser um dos objetivos os administradores hospitalares, levando a investimentos de curto prazo em tecnologias atuais em vez da aquisição de novos equipamentos mais avançados. O planeamento dos investimentos torna-se assim imperativo, para qualquer situação. (Focke & Stummer, 2003). A questão financeira é algumas vezes referida em estudos hospitalares, em termos de restrições orçamentais. O estudo de Gabriel (2014) refere também a questão financeira como um desafio de implementação e uso, ressaltando a ideia de que é importante garantir que todos os recursos estejam disponíveis e acessíveis, sendo que este apoio permite continuar a melhorar as qualidades e capacidades tecnológicas do hospital. Além disso, os decisores vêm-se obrigados a focarem-se nas implicações financeiras das decisões, o que pode não coincidir com os cuidados de saúde preferenciais ou ideais, (Kimberly & Evanisko, 1981). Os recursos financeiros são influenciadores da adoção de tecnologias uma vez que esse processo gera um grande dispêndio de capital, não apenas em termos de hardware, software e custos de rede, mas também em termos de custos de personalização de sistemas e de manutenção (Hikmet et al., 2007; Kidholm et al., 2015). A administração hospitalar é altamente influenciada pelas solicitações médicas. A
preferência dos médicos e a sua opinião é altamente valorizada no processo de
substituição de equipamentos; além disso, se os médicos e os gestores não trabalharem juntos, a realização de ganhos para o hospital ficam comprometidos. O processo de decisão de adoção de tecnologia deve ser partilhado entre médicos e gestores (Ancarani et al., 2016; Bower, 2005; Campbell, 1994). Os estudos mostram ainda que quando os
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médicos estão envolvidos na decisão, estes acabam por ter liberdade de escolha na proposta de aquisição de equipamentos médicos; contudo, pode haver aqui uma situação de conflito com o objetivo de eficiência do hospital, uma vez que os médicos podem acabar por fornecer uma opinião enviesada quer pelo prestigio que possam ter dentro e fora do hospital, quer pelas melhores condições de trabalho e melhores ou até novos Serviços ou técnicas de saúde. Embora em muitos sistemas de saúde os diretores das unidades hospitalares tenham considerável autonomia, as suas decisões vão depender da estrutura criada pela gestão geral do hospital (Ancarani et al., 2016).
A eficácia clínica é também considerada como relevante para a análise do processo. Os gestores concentram-se frequentemente no impacto, no custo de oportunidade e
relação custo-eficácia (Kidholm et al., 2015; Wernz et al., 2014). Há ainda uma
associação positiva entre o efeito antecipado da aquisição, por exemplo de uma Ressonância Magnética, em termos de aumento de receita com a sua adoção; a probabilidade de aquisição deste equipamento aumentou em 46,8% (Teplensky et al., 1995).
A necessidade clínica tem um forte efeito positivo sobre as probabilidades de adoção. Com isto, o estudo sublinha o facto de se um hospital tiver uma forte necessidade de uma Ressonância, a adoção seria quase certa, mesmo considerando os fatores tecnológicos, financeiros e regulatórios (Ingebrigtsen et al., 2014; Wernz et al., 2014).
Tabela 3 – Diferentes fatores identificados em cada nível de análise . •restrições políticas •restrições económicas •políticas de regulação •competição do mercado
Nível contextual
•centralização •formalização •tamanho •tipo de hospital •apoio da gestão de topo •equipas multidisciplinares •estratégia do hospitalNível organizacional
•grau de inovação •competência técnicaNível individual
•obsolescência •características do equipamento •lucro •custo •condição financeira •restrições orçamentais •preferência dos médicos •eficácia clínica •relação custo-eficácia •necessidade clínica47
A tabela 3 acima apresentada resume a literatura em termos de fatores identificados pelos diferentes autores em detrimento dos níveis de análise em cada estudo.
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