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Integrins and cancer

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2. Integrins and cancer

A Renovação Carismática Católica é formada por um comitê Internacional chamado de ICCRS (Internacional Catholic Charismatic Renewal Office) que é presidido pelo australiano Allan Panozza. Em fevereiro de 2002, Allan Panozza, recebeu do Papa João Paulo II a nomeação para ser membro do Pontifício Conselho para Laicos em Roma. A vice- presidência está a cargo da esposa de Allan Panozza - Cathy Brenti. Ela nasceu na França numa família protestante e depois começou a participar de movimentos ecumênicos quando em 1974 teve uma experiência com Jesus e decidiu juntamente com o esposo se comprometer com grupos de oração da Renovação Carismática. O ICCRS ainda possui membros que a representam nos cinco continentes.

No Brasil, quem responde pelo o ICCRS é Reinaldo Beserra dos Reis. Reinaldo é um dos pioneiros da RCC no Brasil e é conferencista internacional representando ainda desde 2002 o restante da América do Sul e Central. Assim, cabe ao ICCRS reunir seus membros

com freqüência para discutir e planejar a Renovação em âmbito mundial. Esta entidade, ainda realiza retiros e encontros internacionais, mantém um site na internet e publica o "Boletim do ICCRS", com notícias e material de formação.

Outra organização internacional importante é a CFCCCF ("Catholic Fraternity of Charismatic Covenant Communities and Fellowships" - Fraternidade Católica das Comunidades de Aliança e Vida), composta por mais de 50 comunidades espalhadas pelo mundo, teve em novembro de 1990, seu Estatuto reconhecido pelo Pontifício Conselho para os Leigos.

Na América Latina, sediado atualmente na cidade do México, há o CONCCLAT (Conselho Carismático Católico Latino Americano), um organismo continental criado em 1972 com o objetivo de promover o intercâmbio e refletir sobre a experiência da Renovação Carismática nos ambientes culturais católicos latino-americanos. Através do CONCCLAT acontece a cada dois anos o ECCLA (Encontro Carismático Católico Latino Americano).

No Brasil, a RCC, é composta por um Conselho Nacional, Conselho Fiscal e uma “Comissão Permanente de Administração” – CPA - que tem como presidente Marcos Dione U. Volcan. Abaixo dos Conselhos Nacionais localizam-se os Conselhos Estaduais e Conselhos Diocesanos. A Coordenadora Estadual da Paraíba é Flávia Regina Rodrigues

39 Marques. A RCC ainda possui as Comissões de Comunicação, Finanças, Formação, Unidade e Assessoria para Atividades Missionárias. Na base da RCC encontram-se os Grupos de Oração e os Ministérios. Os Grupos de Oração são organizados nas paróquias e liderados por leigos e são formados por um número variado de pessoas em reuniões que acontecem semanalmente. Há ainda os Seminários de Vida no Espírito (SVES) que servem para reproduzir os quadros de dirigentes da RCC e os chamados cenáculos, rebanhões e encontrões como a exemplo o Crescer – “O Encontro da Família Católica”, que acontece há dez anos na cidade de Campina Grande/PB. Outra organização que faz parte da RCC são as Comunidades de Aliança e de Vida que segundo Pedro Oliveira (1978), algumas surgiram em decorrência dos grupos de oração. Tais comunidades como citamos no início, surgiram na década de 70 nos Estados Unidos, França e Austrália. No Brasil, uma das mais antigas, é a “Comunidade Emanuel” fundada em 1974 por Dom Cipriano Chagas. Há ainda outras comunidades como: “Comunidade Shalom”, “Comunidade Canção Nova”, “Comunidade Jesus Te Ama”, “Comunidade Filhos de Jesus e Maria”, “Comunidade Maria Porta do Céu”, “Obra de Maria”, “Comunidade de Aliança Rainha da Paz” e a “Toca de Assis” (CARRANZA, 2000).

De acordo com Reginaldo Prandi e Antônio Flávio Pierucci (1996), no levantamento realizado em meados do segundo semestre de 1994 em todo território brasileiro, a estimativa é que existiriam cerca de três milhões e oitocentos mil católicos carismáticos, ou seja, 4% da população no país.

Já a pesquisa do Ceris (2002:109 e 11) encontrou 18,2% da população católica entrevistada afirmando participar de “atividades carismáticas”. Pode-se calcular que 18,2% da população católica dos grandes centros urbanos (universo da pesquisa do Ceris) possa corresponder grosso modo a 12,6% da população do país. Assim teríamos que de 1994 (ano em que os dados foram coletados pelo Datafolha), para 1999 (coleta do Ceris), o número dos que estão envolvidos com atividades carismáticas no Brasil subiu de 3,8% para 12,6%, ou seja, mais que triplicou (MARIZ, 2006b: 55). Assim, a Renovação Carismática Católica já não é mais apenas uns dos modelos de ser Igreja, ela é per si o movimento que mais cresce no interior da Igreja Católica. Mas, quais as propostas teológicas que fazem da Renovação Carismática Católica um dos movimentos religiosos que tem mais apego popular juntamente com o pentecostalismo?

Aqui, voltamos mais uma vez a Danièle Hervieu-Léger (1997), que comenta as relações dialéticas entre modernidade e religião e aponta para a tendência ao emocionalismo comunitário nas sociedades atuais. Tais comunidades emocionais, de acordo com Hervieu- Léger, “apresenta-se em primeiro lugar como uma religião de grupos voluntários, que implica

40 para cada um dos seus membros um compromisso pessoal (quando não uma conversão, no sentido revivalista do termo)” (HERVIEU-LÉGER, 1997:33). E é aqui que podemos dizer que o fundamento da RCC está numa conversão revivalista que é proporcionada pelo Batismo no Espírito Santo. É comum vermos nos depoimentos dos participantes da RCC a idéia de que esta relação mais íntima com Deus, proporcionada pelo Batismo no Espírito, provocou de imediato uma mudança interior e exterior no indivíduo. Este fiel, marca com palavras e atitudes o seu reavivamento ou recompromisso com o catolicismo, que muitas das vezes não passava de uma identificação frouxa. Maria das Dores Machado (1996) identifica dois tipos de conversão dentro da RCC.

De um lado os fiéis católicos que tiveram um trânsito religioso mais amplo, participando em outras religiões, mas ao terem contato com a RCC sofrem uma reconversão, isto é, voltam para o catolicismo. De outro lado, os fiéis católicos que sem terem saído da Igreja, tendo às vezes experiências só de migração interna (participar de diversos movimentos), ao entrarem em contato com a RCC sofrem uma renovação espiritual, reavivando assim sua religião de origem a católica (MACHADO, 1996:105-6).

Assim, este Batismo na RCC não entra em contradição com os sacramentos da Igreja Católica, como no caso das igrejas evangélicas, mas ao contrário reforça um compromisso que em muitos casos estava esquecido. De acordo com o Padre Haroldo Rahm, fundador da RCC no Brasil, “(...) ser batizado no Espírito significa uma mudança nas nossas relações com Deus, que nos faz experimentar na nossa vida todas as coisas que ele prometeu que o Espírito Santo faria a quem acreditasse” (RAHM, 1991:111).

Já citamos anteriormente que o batismo no Espírito tem raízes na passagem bíblica dos Atos dos Apóstolos 2,1,13, que narra os acontecimentos de Pentecostes. Assim, para o fiel, os frutos deste batismo ultrapassam uma mudança interior e exterior, permitindo para o fiel católico o contato com os dons e carismas. Estes dons podem ser infusos e carismáticos. Os infusos são: o dom de Temor a Deus, de Fortaleza, de Piedade, Conselho, Ciência, Inteligência, Discernimento e Sabedoria. Já os dons carismáticos são: da Fé, da Cura, do Milagre, o dom de Falar em Línguas, de Discernimento ou interpretar línguas e o dom da Profecia. Mas podemos afirmar que os dons que mais são enfocados na RCC, são os dons de Falar em Línguas (glossolalia) o Dom da Cura e de Milagres. Outro comportamento bastante verificado na comunidade carismática é a valorização da Bíblia, que no universo católico estava bastante esquecido e que com a RCC esse costume foi revitalizado. Em se tratando da moralidade, a RCC prega uma ascese espiritual, que encontra seu fundamento numa teologia de santificação pessoal e numa ética individualista (CARRANZA, 2000).

41 Assim, a sexualidade no universo carismático é voltada para moralizar e disciplinar os impulsos sexuais, quando não se torna uma demonização da afetividade e da orientação sexual como último recurso pra frear aquilo que, na sua concepção da sexualidade a RCC condena como pecado (CARRANZA, 2000:152).

É aqui que entra outra característica da RCC que é a tomada dos homens pela figura do Demônio. Assim de acordo com Lília Sales (2003),

[...] a visão de mundo dos carismáticos está rigidamente dividida entre dois grandes domínios: o do bem e do mal. O mal é representado pela figura do demônio, e o bem pelas figuras divinas – Deus, Jesus Cristo, o Espírito Santo e a Virgem Maria. Os homens estão constantemente sob o domínio de uma dessas essências (SALES, 2003: 1).

Outra característica primordial na RCC é o culto à Virgem Maria, assim, muitos autores têm se dedicado ao estudo do Marianismo e principalmente das suas aparições como Mariz (2003a, 2002), (Steil, 2003, 2001b, 1995). Carlos Alberto Steil (2001b) tem percebido uma forte correlação entre a Renovação Carismática Católica e as aparições de Maria. Desta forma, segundo o autor, os carismáticos colocam sua própria estrutura a serviço da divulgação destes eventos e se apresentam como mediadores das aparições juntos aos meios de comunicação de massa causando assim, uma disputa acirrada com os representantes oficiais da Igreja Católica. De acordo com Cecília Mariz, sobre a relação entre Renovação Carismática e aparições marianas ela diz que,

O Movimento Renovação Carismática Católica (MRCC) defende a possibilidade de acesso direto ao sagrado. O leigo pode receber mensagens do Espírito Santo, receber revelações, profecias, fazer cura. Ao legitimar essa possibilidade de manifestação do sagrado e sobrenatural no cotidiano dos leigos, o MRCC reaviva também outras formas de acesso ao sagrado, já tradicionais no universo católico; como seria o caso da visão da Mãe de Deus. Essa relação fica mais clara no modelo de aparição destacado por Carlos Steil (...). O vidente pode falar como se fosse a própria Virgem falando, o que tem sido chamado no grupo que pesquisei de “locução interior”. Assim, o vidente é também chamado confidente. A partir daí muitos dos videntes atuais do Brasil tiveram passagem no MRCC, e muitos dos que acompanham os videntes e organizam movimento de apoio às aparições têm ou tiveram relação com o MRCC. 10

Portanto, gostaríamos de reafirmar algumas questões que foram levantadas ao longo deste capítulo. A primeira delas diz respeito ao fato de que neste intenso movimento de globalização vivemos processos contraditórios nos quais percebemos tantos processos secularizantes e dessecularizantes que é perceptível tanto no aumento do pluralismo religioso

42 como no aumento do processo de desinstitucionalização religiosa. Este aumento, por sua vez, do pluralismo religioso, ao contrário do que previa Berger (1985), o que mais tarde foi reconhecido por este, não diminui a mobilidade religiosa, mas ao contrário, como verificaram Stark e Iannaccone (1994), fomenta na verdade uma maior e/ou múltiplas participações confessionais.

Berger & Luckmann (2004), em estudos mais recentes sobre o pluralismo religioso, evidenciam que nas sociedades atuais os valores comuns e obrigatórios não são (mais) dados a todos e assegurados estruturalmente, e que o resultado disto seriam as crises tanto subjetivas quanto intersubjetivas, ou seja, as crises de sentido. Estas crises decorrentes do pluralismo como valor faz com que ordens coexistentes e concorrentes precisem conviver, gerando assim, tensões e conflitos entre as partes envolvidas. Tais tensões devem ser negociadas, segundo os autores, a partir do conceito de tolerância que deve ser visto como uma virtude “elucidativa” por excelência por possibilitar que indivíduos e sociedades vivam juntos lado a lado, tendo a sua vida voltada para valores diferentes. Assim, há uma relação dialética de perda de sentido e uma nova criação de sentido que pode ser encontrada mais claramente na religião e, desta forma, o pluralismo como valor se expressa fortemente num pluralismo religioso. Estas crises de sentido, resultado deste pluralismo como valor, se apresentam nas sociedades atuais a partir de dois vetores: (1) o reforço dos laços de crença (ECC, Crescer) e (2) o enfraquecimento dos laços ou crença no relativo (ENC).

No Brasil observamos os dois processos acima indicados. Há uma tendência que se volta para demarcar as diferenças reforçando ainda os laços de crença que se apresentam com fortes indicadores de identificação grupal e de crítica às demais religiões como a comunidade evangélica e carismática, bem como a crença no relativo.

Portanto, como afirma Joanildo Burity (2001), ao mesmo tempo em que o processo de globalização se dissemina, havendo a interconexão e interpenetração entre regiões, estados nacionais e comunidades locais, ela se faz acompanhar por uma potencialização da demanda por singularidade e espaço para a diferença e localismo. Desta forma é que no âmbito das transformações globais, do multiculturalismo e do contato cada vez mais constante com a diferença é que surge na sociedade demandas de espaços com intuito de demarcar tal diferença, como a exemplo, o Encontro para a Consciência Cristã – ECC e o Crescer que analisaremos no próximo capítulo.

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CAPÍTULO: II

O Surgimento do Crescer e do Encontro para Consciência Cristã

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