cooperation in meeting regional and global needs
4.5 Integration of geospatial information and statistics
A crise ambiental tem desafiado a humanidade na busca de soluções e possivelmente seu maior desafio não caiba ao Estado ou às empresas, mas sim, aos indivíduos, através da consciência, tanto de seu poder como consumidor e como opinião pública, no sentido de pressionar e denunciar o governo, as empresas e a mídia, quanto de que seus padrões de consumo, seus níveis de consumo e seus modos de vida contemporâneos são insustentáveis e vêm causando graves danos a humanidade. Ao indivíduo, consciente de seu papel e de seu poder, compete a readaptação ao legado da tecnologia, o questionamento aos modelos econômicos e políticos de desenvolvimento, aos modos de produção, à falta de um posicionamento sério do Estado e de uma regulamentação em relação às práticas predatórias das empresas, ao consumo impensado, à falta de transparência das empresas na comunicação de seus produtos, à parcialidade da mídia frente aos problemas ambientais, à carência de campanhas sérias e contínuas de conscientização ambiental, à ausência de um projeto consistente de educação ambiental e, principalmente, aos valores materialistas e individualistas que norteiam as relações na contemporaneidade. O nível de mudança imposto pela transição a uma sociedade sustentável é enorme e o esforço para redirecionar as aspirações da sociedade e dissociar o consumo dos ideais de felicidade e realização pessoal é excepcional e sem precedentes (AKATU; ETHOS, 2010). Ao consumidor cabe uma ação substancial que implica a ressignificação de valores já enraizados, envolvendo, entre outros já citados, as noções de igualdade social, justiça ambiental e ética empresarial (ELKINGTON, 2001).
O consumo sustentável configura-se como uma das ferramentas essenciais na realização desse projeto e evidencia a incompatibilidade dos modos de vida contemporâneos com seus objetivos. Sua noção exige profundas mudanças nos hábitos de consumo dos indivíduos; enfatiza o crescimento de ações coletivas e o comprometimento com os interesses coletivos; defende a justiça social e a urgência em encontrar um padrão de consumo em que todos tenham as suas necessidades básicas atendidas, sem ônus ecológico; prevê um compromisso ético e moral entre gerações; e exige um envolvimento dos sistemas produtivo, econômico e político, através da implementação de políticas públicas multilaterais de regulação, tanto da produção quanto do consumo (PORTILHO, 2010) e de soluções tecnológico-organizacionais capazes de minimizar os impactos do consumo (AKATU; ETHOS, 2010). Contudo, é perturbador constatar, através de certos discursos e práticas, que
as noções de consumo sustentável tornaram-se, não apenas uma forma de legitimar o que se propuseram superar, como também um instrumento para aliviar a culpa das empresas, do Estado e dos consumidores, convertendo-se em simples retórica, propagando a necessidade de rever padrões de consumo e de munir os consumidores com informações suficientes para fazer a escolha certa. O cerne da questão – onde encontram-se as discussões sobre a necessidade de mudança dos padrões de produção e distribuição, controle do Estado e redução do consumo – está sendo esquecido.
O objetivo desse estudo ancora-se nessas reflexões e propõe realizar uma análise sobre os modos de consumo que compõem o cenário sócio-político-cultural do século XXI, manifestos e relacionados às questões da sustentabilidade. Buscou-se uma aproximação complementar aos já reconhecidos estudos e abordagens sobre a temática, com intuito de incorporar novas características, dimensões e perspectivas. Para tanto, foram delineadas metas específicas, como: análise de alguns aspectos da cultura de consumo e da sociedade de consumo contemporânea, reflexão sobre a relação do homem com práticas de consumo na busca de felicidade, compreensão da relação entre cultura de consumo e problemática ambiental através do delineamento histórico do movimento ambientalista, análise de modos de consumo relacionados às questões da sustentabilidade e reflexão sobre o papel paradoxal das marcas e da comunicação nesse contexto contemporâneo de consumo.
A problemática, representada pela necessidade de desvelar novas formas, hábitos e modos de consumo, nos colocou diante de diversas indagações, que constituíram os eixos para o desenvolvimento dessa pesquisa, contempladas ao longo de seus três capítulos centrais: existe uma relação entre a cultura de consumo e o surgimento do movimento ambientalista? Como a comunicação dos produtos que apelam para questões emocionais e valores essenciais – ética, compaixão, amor, respeito, humanidade, preocupação com o futuro, preservação ambiental e bem-estar – é explorada pelas empresas concomitantemente a evidentes apelos de venda e consumo? As ameaças que pesam sobre a sobrevivência no planeta promovem novas práticas e hábitos de consumo impulsionados pela disseminação, em parte promovida pela mídia, desta ideologia da sustentabilidade? Os consumidores estariam caminhando para uma conscientização de seu papel social? Consequentemente, a expansão da consciência coletiva com relação ao meio ambiente poderia exigir e influenciar um novo posicionamento de gestão e valores das organizações? É suficiente consumir produtos sustentáveis e menos prejudiciais ao meio ambiente ou será preciso um rompimento com antigos hábitos e práticas, comprometidos com dimensões de uma cultura de consumo que não é orientada para a proteção do ecossistema?
A primeira parte da pesquisa contempla, através da análise de alguns dos aspectos da sociedade de consumo contemporânea, como foram sustentados os alicerces da cultura de consumo, descortinando alguns dos vieses existentes nas abordagens, trazendo autores basilares no estudo das origens da sociedade de consumo e estabelecendo uma linha do tempo com destaque a alguns momentos chaves. A reflexão sobre o consumo e a sociedade contemporânea nos colocou frente a inúmeras divergências e diferentes linhas de abordagem envolvendo, além de sua adjetivação, suas origens, o reflexo na vida dos indivíduos e o tom de sua abordagem. Contudo, apesar das divergências quanto à melhor expressão para caracterizar essa sociedade, há um consenso em afirmar que todos os termos associados à sociedade de consumo referem-se a um novo fenômeno, que implicou alterações culturais e envolveu mudanças tanto nos valores e atitudes dos indivíduos, quanto nas suas experimentações de consumo. Outro ponto a ser considerado e que trouxe certos embaraços conceituais, é o fato do consumo sempre ter existido e estar presente em todas as sociedades humanas, dessa forma, o que o faz assumir papel central na sociedade contemporânea é sua relevância na vida dos indivíduos e nas relações humanas. O consumo assumiu uma dimensão fundamental para os indivíduos e a cultura do consumo pode ser considerada a própria cultura do Ocidente moderno.
A reflexão sobre a formação e alicerces da sociedade de consumo é determinante para a compreensão da sociedade contemporânea e da cultura de consumo. A análise parte de controvérsias quanto às origens da sociedade de consumo, variando entre o século XVI e o XVIII. Observamos as teorias de Campbell (2001), McCracken (2003), Lipovetsky (2007) e Semprini (2006), objetivando uma reflexão mais aprofundada sobre o consumismo moderno, sua história e a evolução da civilização consumidora, do mercado e das marcas. Constatamos como o movimento romântico foi decisivo para o nascimento do consumismo moderno e para a formação da sociedade de consumo contemporânea. Abordamos as origens históricas da sociedade de consumo e investigamos como a sociedade ocidental vivenciou uma acelerada experimentação do consumo com base nos estudos de McCracken (2003), que adota uma visão geral única da história do consumo e traça seu desenvolvimento a partir de três momentos decisivos na produção do consumo moderno: o final do século XVI, quando o consumo moderno inicia sua configuração durante o reinado de Elizabeth I; o século XVIII, quando acontece a Revolução do Consumo e consequentemente o nascimento da sociedade de consumo e os primórdios da cultura de consumo moderna, resultado da rigorosa estratificação da sociedade inglesa, do empenho em obter mobilidade social vertical, da despesa emulativa e do poder compulsivo da moda engendrados pela competição social; e o século XIX, quando
as mudanças sociais iniciadas nos séculos anteriores tornaram-se permanentes e o consumo já estava estabelecido como uma característica estrutural da vida social.
A primeira parte da pesquisa encerra-se com uma reflexão sobre a relação do homem civilizado com a cultura, no que tange à busca da felicidade e sua relação com práticas de consumo. É possível concluir que na sociedade que se afirma a partir da década de 1960, estabelece-se um imaginário de felicidade consumidora, conforto, bem-estar e lazer associados a objetos. A felicidade passa a relacionar-se ao bem estar material e à melhoria das condições de vida através da aquisição de objetos de consumo, que cada vez mais acontece pelo prazer por eles proporcionados e não apenas (ou não mais) por sua função. Para essa discussão, esse estudo fundamenta-se na obra de Freud (1974), especificamente no ensaio O Mal-estar na Civilização, e no seu diálogo contemporâneo, através de Lipovetsky (2007), Bauman (1999) e Baudrillard (2008).
A segunda parte da pesquisa aborda, a partir do delineamento de momentos históricos que se articulam na constituição do ambientalismo, como a crise ambiental tornou-se uma das principais preocupações sociais atuais e assumiu papel central de reflexão na sociedade contemporânea e apresenta uma breve reflexão sobre a sustentabilidade, revelando sua relevância na contemporaneidade.
Inicialmente, a aproximação de alguns conceitos chaves que envolvem a crise ambiental é fundamental para entendê-la além dos seus aspectos ecológicos. Torna-se evidente a necessidade de trazer para a discussão reflexões sobre questões políticas, econômicas, sociais, científicas, culturais, religiosas, filosóficas e éticas. A compreensão do significado e relevância da crise ambiental revelou sua complexidade e evidenciou a necessidade de uma revisão dos padrões atuais de produção e de consumo e dos modos de vida contemporâneos. Com base nas considerações dos autores analisados, torna-se evidente como muitas das questões ambientais atuais estão ancoradas em aspectos centrais da própria contemporaneidade e tornou possível concluir que a crise ambiental emerge como uma crise de civilização, de uma racionalidade econômica e tecnológica dominante, do predomínio do conhecimento científico e da razão tecnológica sobre a natureza, da irracionalidade ecológica dos padrões dominantes de produção e consumo, da recusa e do descaso humano por qualquer limite, do conhecimento como via de controle e domínio de tudo que existe, do processo de alienação dos indivíduos e a própria perda do sentido da existência e da incapacidade de uma cooperação internacional, no sentido de instituir acordos de governabilidade ambiental global. Alguns esclarecimentos acerca das tradicionais abordagens sobre o ambientalismo e o delineamento histórico de seu processo de surgimento e desenvolvimento, através da
reconstrução de valores, atores e aspectos principais que envolvem seu debate, corroboram para a análise posterior de sua relação com a cultura de consumo e com os modos de vida contemporâneos.
A terceira parte da pesquisa inicia-se a partir da reflexão sobre a relação entre a cultura de consumo e o movimento ambientalista, com ênfase no período iniciado a partir da década de 1960. Nota-se que as preocupações ambientais, antes restritas a poucos observadores da condição da natureza e aos meios acadêmicos e científicos, começaram a se difundir para a sociedade civil, que passou a indagar as prioridades do Estado e do mercado em relação à vida social. Confirma-se a premissa inicial que tinha a década de 1960 como um marco de transformações, tanto no que diz respeito à relação do indivíduo com os bens de consumo, quanto no que tange às questões ambientais. Nos anos 60 encontram-se as gêneses do que posteriormente tornou-se parte das noções básicas do consumo sustentável: questionamentos, impulsionados pelo clima revolucionário da contracultura, dos princípios do capitalismo, dos sistemas políticos, econômicos e sociais, das políticas de mercado e do modelo de desenvolvimento da época, de propostas de drásticas transformações na economia, nos estilos de vida e na forma como os indivíduos consumiam e se relacionavam com os bens, de mudanças de valores na sociedade civil, e de um discurso com forte apelo moral convocando a sociedade a repensar o consumismo, o materialismo, o individualismo, o culto ao novo, ao efêmero e ao descartável.
A década de 1960 pode ser reconhecida por ter relacionado, pela primeira vez, os padrões de produção da sociedade contemporânea e de consumo dos indivíduos à degradação ambiental. Detecta-se também, nesta década, três aspectos que ainda influenciam de forma profunda a vida dos indivíduos, que ilustram essa relação entre os padrões de consumo e a degradação ambiental e representam a atual banalização dos apelos ambientais na comunicação: a cultura do descartável, a desmaterialização dos objetos e o triunfo dos signos, discutidas por Toffler (1970), Slater (2005) e Baudrillard (2008), respectivamente. A análise desses aspectos e suas consequências permite uma compreensão mais aprofundada sobre a problemática ambiental atual. Foi abordada a relação entre a cultura do descarte e o aumento da produção de lixo, como também a relação entre a desmaterialização e o valor de signo dos objetos com a aceleração do consumo, a obsolescência planejada simbólica e o uso de apelos ambientais na comunicação dos produtos. O que se conclui é desconcertante.
Primeiro, apesar dos inúmeros e urgentes problemas e danos ambientais decorrentes do lixo e do desperdício, não há, nessa mesma intensidade, um movimento para resolvê-los, pois estes constituem uma confirmação do esbanjamento e da abundância. É perturbador
constatar uma função social positiva do excesso de resíduos e do desperdício e como os sistemas produtivos, econômicos e políticos encontram no consumo de excedentes os seus alicerces. Nesse sentido, é ilusório pretender eliminar o desperdício ou querer subtrair o supérfluo. Apesar de desconcertante e perturbador, tais considerações permitiram uma abordagem mais realista frente à problemática atual do lixo e da cultura do descarte.
Segundo, após a análise das questões que envolvem a desmaterialização dos objetos e o consumo de signos, constatamos que a mercadoria não possui mais vínculo ou compromisso com sua função, desprendeu-se do objeto material e fica à mercê de qualquer manipulação e de múltiplas relações associativas. Dessa forma, constatamos que o crescimento do uso de apelos ambientais na comunicação de muitas marcas, estimulado pelo aumento da demanda por produtos que se apresentam como ecologicamente corretos, muitas vezes são duvidosos e oportunistas. Pudemos averiguar que os aspectos que configuram a chamada comunicação verde na contemporaneidade estão ancorados em uma lógica de consumo revelada na manipulação dos signos; que anúncios, dos mais variados tipos de produtos, com apelos ambientais não possuem, muitas vezes, compromisso algum com ações concretas; que o uso banalizado do complemento “sustentável”, “verde”, “eco” ou “orgânico” na comunicação, vem sendo utilizado com intenção de ganhar a simpatia dos consumidores e garantir uma boa imagem para a marca. A comunicação revelou-se um problema para as questões ambientais, de um lado é responsável pelo bombardeio incessante de mensagens de incremento e estímulo às vendas e ao consumo e pela manipulação e banalização dos argumentos e apelos ambientais, por outro é vista como uma das ferramentas essenciais de incentivo à conscientização e à mobilização socioambiental.
As reflexões iniciais na última parte da pesquisa tornam evidente a importância da década de 1960 como propulsora da emersão da preocupação com o consumo dentro do discurso ambientalista. Contudo, foi apenas na década de 1990 que a percepção do impacto ambiental relacionados aos padrões de consumo e modos de vida se intensificou e o discurso ambientalista passou a evidenciar a insustentabilidade dos padrões de consumo das sociedades contemporâneas. A partir do momento em que passam a ser considerados o papel e a responsabilidade dos indivíduos e suas tarefas cotidianas (como consumir e descartar os objetos) sobre a crise ambiental, surge a discussão em torno do consumo verde e posteriormente do consumo sustentável. No entanto, com o aprofundamento da análise e reflexão sobre os conceitos fundamentais do consumo sustentável, suas maiores críticas e seu percurso até os dias atuais, fica evidente sua fragilidade. A concepção original de consumo sustentável – que parte das premissas de justiça social, satisfação das necessidades básicas dos
indivíduos, compromisso ético entre gerações e preservação ambiental – oriunda das discussões e questionamentos levantados na década de 1960 e oficialmente estabelecida em meados dos anos 90, demonstra atualmente sinais de enfraquecimento e deturpação. Acredita- se que, fundamentalmente, pelo fato da sua definição não atender aos interesses nem do Estado, nem das empresas, tampouco dos consumidores, há um esforço, percebido nos discursos oficiais, em impedir que a demanda de consumo seja refreada e em afirmar que o consumo será garantido, que não há necessidade de consumir menos, apenas de forma diferente. O consumo sustentável passa a ser usado como forma de legitimar o próprio consumo. Evidentemente, sua concepção original exige uma profunda reflexão sobre o indivíduo, seus limites e sua interdependência diante do meio ambiente e uma revisão dos valores materialistas, práticas e escolhas de consumo. O debate que o consumo sustentável propõe é da necessidade de revisão, desaceleração e redução do ritmo desenfreado do consumo.
À luz dessas questões, foram abordados autores que trouxeram para o debate uma reflexão sobre os comportamentos anticonsumo e de resistência ao consumo. Entende-se que para a realização efetiva de uma sociedade sustentável é necessário repensar o lugar do consumo e sua relevância na cultura contemporânea. Nesse sentido, a discussão envolve não ações individuais isoladas, mas, sim, a mobilização de grupos em busca de mudanças coletivas e relevantes em seus hábitos e práticas de consumo. O que se propõe não é a utopia de retirar o indivíduo da esfera do consumo, mas a reflexão sobre a necessidade do abandono de produtos ou categorias de produtos realmente prejudiciais (não apenas ao meio ambiente como também aos trabalhadores ou aos próprios indivíduos), a restrição ou banimento do uso de determinadas matérias-primas ou determinados tipos de energia nocivos ao ambiente e aos indivíduos ou determinados tipos de recursos naturais que implicam em prejuízos ambientais futuros, a resistência a certas formas de consumo, a redução da quantidade de bens consumidos e a mudança dos padrões de consumo na busca por produtos que venham de uma cadeia de produção limpa, preocupada com a redução dos danos ambientais. Obviamente são comportamentos que envolvem uma luta contra uma estrutura de dominação e a instauração de uma nova racionalidade, em contrapartida à lógica de mercado de um sistema capitalista. Outras dificuldades estão relacionadas ao alto custo dos produtos “verdes”, à necessidade de informações claras e transparentes sobre as marcas, os produtos e seus processos de produção, à motivação por parte dos indivíduos e ao envolvimento do Estado e das empresas.
É possível afirmar que para consumo sustentável existir, ainda falta um longo caminho – a maioria dos indivíduos é alheia ao seu conceito, suas propostas ainda não foram traduzidas
em ações concretas e práticas, mudanças de hábitos em prol de um modo de vida ambientalmente consciente são vistas como imposições restritivas, o nível de informação e conhecimento sobre procedimentos e produtos sustentáveis é baixo, há grande descrença em relação às mensagens empresariais com argumentos ambientais e ceticismo em relação a selos e certificações verdes ou sustentáveis, os argumentos ambientais não representam um fator decisivo de compra e não há no Brasil nenhum órgão de controle efetivo sobre o uso de apelos ambientais na comunicação dos produtos. Contudo, mesmo que ainda não seja possível visualizar o predomínio de um modelo civilizatório e nem de modos de vida pautados nos ideais da sustentabilidade e que um sentimento de pequenez, desconforto e incapacidade frente a problemática ambiental nos tome, é possível notar ações isoladas no sentido de uma mudança e destacar caminhos viáveis rumo a um futuro mais sustentável.
As soluções, que ainda estão em fase de construção (FELDMANN, 2008) e não são possíveis a curto prazo, passam pela educação ambiental ou alfabetização ecológica, abordada de maneira ampla e desde os primeiros anos escolares (CAPRA, 2008), por inovações tecnológicas e transformações dos processos de produção a fim de minimizar os impactos ambientais (VIEGAS, 2010), pelo desenvolvimento de políticas públicas que visem melhorias ambientais e punam efetivamente empresas sem responsabilidade ética e ambiental, pela regulamentação da agricultura ecológica, de certificações ambientais de produtos e processos, de ações de logística reversa e do uso de apelos ambientais na comunicação dos produtos, pela mobilização social através do desenvolvimento de campanhas de conscientização ambiental, e por fim, aliado a todas essas questões, pelo redirecionamento das aspirações,