CHAPITRE 2 : LA VILLE :TYPOLOGIE ET LIEUX
2.3 Intérieurs
Dentro da temática “o cenário político sul-rio-grandense no governo Sinval Guazzelli 1975-1979”, verifica-se que o Brasil, a partir do ano de 1964, entrou em um período nebuloso de sua história, marcado pela arbitrariedade especificada na suspensão dos direitos políticos e civis da sociedade, devendo-se destacar o estabelecimento de atos institucionais, como elementos de instauração e solidificação do aparato burocrático, que visavam usurpar direitos básicos da sociedade. Como principal argumento utilizado pelo governo-civil militar, surgia a questão da subversão, ou da oposição ao governo, evidenciado na Doutrina de Segurança Nacional.
Nota-se que a instauração deste governo somente foi possível através da aliança político-militar entre organizações como o IPES, o IBAD e a ESG, que confluíram sempre no sentido de legitimar um estado que visasse aos interesses da classe economicamente dominante.
Dessa forma entende-se que o regime civil-militar instalado no Brasil após 1964 priorizou os interesses das camadas mais privilegiadas da sociedade, deixando transparecer apenas os atos que considerava importantes e que julgava estar próximos aos anseios da sociedade, como a questão do FGTS e do próprio Milagre Econômico, tão reforçados pelo governo civil-militar. Como os investimentos eram bastante evidentes, como a construção de usinas hidrelétricas, a melhoria das redes rodoviárias, os avanços da economia e as obras da rodovia transamazônica, o governo conseguia de certa forma ocultar a questão da repressão imposta à sociedade. Essa repressão pode ser evidenciada tanto através das leis, como da ação de órgãos repressivos, como DOPS e o SNI, que controlavam todas as ações ditas subversivas ao longo do extenso território brasileiro.
No caso específico do estado do Rio Grande do Sul, pode-se refletir a partir das investigações dos jornais e das fontes bibliográficas que, durante o governo Sinval Guazzelli, houve investimentos significativos nos setores da agropecuária e da indústria, que representavam a principal força econômica do Estado.
Também foram constatados aumentos consideráveis no investimento dos setores da saúde, da educação e da construção civil, visando atender o crescente aumento populacional
nos centros urbanos, existente durante o período em questão. Além desses setores, o governo ainda investiu nas áreas das telecomunicações e do turismo, com o intuito de melhor atender à sociedade.
Ainda deve-se observar que o jornal mais utilizado para a construção do cenário político do Rio Grande do Sul, o Correio do Povo, manteve, ao longo do período, certa neutralidade, nunca noticiando contra o governo, tendo em vista a repressão ainda existente, sugerindo-se dessa forma que a Lei de Imprensa foi utilizada pelo governo, no intuito de proteger e repassar para a sociedade somente aquilo que interessava ao Governo.
Evidencia-se a ação da Operação Condor no ano de 1978 no Estado do Rio Grande do Sul, mais especificamente na cidade de Porto Alegre, no seqüestro do casal de uruguaios Universindo Diáz e Lilian Celiberti, gerando grandes repercussões inclusive em nível internacional.
Esse evento, noticiado enfaticamente pelos jornais Correio do Povo, Zero Hora e principalmente pelo Jornal do Brasil e O Estado de São Paulo, representou um desgaste político acentuado ao governo Sinval Guazzellli, pois as acusações recaíram sobre a Secretária de Segurança Pública, mais especificamente no DOPS, acreditando-se que esse órgão teria facilitado e ao mesmo tempo agido em conjunto com a polícia uruguaia.
Apesar de as acusações serem quase inquestionáveis e do depoimento do filho de Lilian ter dado descrições precisas, o governo Sinval Guazzelli, assim como o governo brasileiro, negou qualquer envolvimento com o caso, aceitando, como versão oficial, a divulgada pelo Uruguai, de que os uruguaios teriam sido presos na fronteira do país com o Brasil, quando tentavam invadi-lo ilegalmente.
Reflete-se assim que esse seqüestro representou a dimensão alcançada pela repressão, tanto no Brasil, como em todo o Conesul, aos cidadãos contrários às políticas adotadas pelos regimes ditatoriais.
Finalmente, conclui-se que o governo brasileiro e notadamente o governo sul-rio- grandense, como forma de consolidar suas políticas, sempre mostraram de forma evidente os investimentos e o conseqüente progresso proporcionado por eles, mas sempre agiram de maneira autoritária no que diz respeito às questões vinculadas à “Segurança Nacional”, omitindo os resultados de tais ações.
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