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Intégration de l’adaptation en tant que pilier de la résilience

CHAPITRE 2 PROBLÉMATIQUE DE RECHERCHE

2.1 Définition du problème

2.1.3 Intégration de l’adaptation en tant que pilier de la résilience

O modelo turístico potiguar não difere dos modelos adotados pelos demais estados nordestinos nem do modelo hegemônico nacional avalizado pelo Ministério de Turismo através do Plano Nacional de Turismo (PNT).

O crescimento do turismo potiguar está pautado em seu modelo de desenvolvimento, que direta ou indiretamente possui bases doutrinárias no neoliberalismo, doutrina que orienta questões pertinentes ao papel dos Estados mundiais em sua relação com as economias globais e locais.

O Rio Grande do Norte, desde que assumiu nacionalmente expressão e importância turística, tem se comportado igualmente a outros núcleos receptores de turismo, identificando-se com o tipo de racionalidade expressa pelo modelo de desenvolvimento vigente. O modelo turístico assumido pelo Rio Grande do Norte é caracterizado pelos seguintes aspectos, conforme discute Fonseca (2006):

a) Políticas públicas direcionadas ao visitante em detrimento ao residente

As políticas públicas básicas e turísticas são, em sua maioria, direcionadas aos visitantes em detrimento da população residente, como se percebe nos projetos aprovados e executados com recursos provindos do Prodetur/NE. Esses projetos se preocupam em ampliar e modernizar aeroportos, urbanizar as praias urbanas das cidades nordestinas, criar e melhorar rodovias estaduais e federais, entre outras obras estruturais que possuem a essência urbana e um discurso político-ideológico,

rebatimento no turismo, bem como, atendem diretamente às necessidades dos visitantes e não, prioritariamente, dos residentes. No caso do espaço, é produzido tendo em vista o consumo do visitante e não o do residente.

O Prodetur, exemplo maior de políticas públicas dirigidas aos visitantes, é considerado por Cruz (2001) uma política de urbanização turística de litoral, voltada aos anseios e necessidades do turista que visita o litoral do Nordeste do Brasil.

b) Promoção turística do Rio Grande do Norte centrada em Natal

A promoção turística do Rio Grande do Norte é espacialmente centrada na capital, Natal, pois os folders, cartazes, banners e sites ligados à mídia do turismo retratam predominantemente a cidade, além de se apropriar de bens e belezas naturais de outros municípios para se autopromover. Pode-se verificar tal situação nos principais folders turísticos do Estado. Nesses folders, as falésias da Praia de Tabatinga, os mergulhos de Pirangi do Norte e de Maracajaú, o maior Cajueiro do Mundo e, principalmente, as famosas Dunas de Genipabu, também entram no leque de atrativos oferecidos pela cidade do Natal e que são explorados comercialmente pela mídia do turismo.

Natal é a cidade do Rio Grande do Norte que ocupa posição privilegiada, pois concentra os principais equipamentos e serviços turísticos, com destaque para sua infra-estrutura hoteleira que possui mais de 26.000 leitos, segundo dados os órgãos oficiais de turismo (SETUR/RN, 2008). Ainda possui um dos principais cartões postais do Estado, a internacionalizada Praia de Ponta Negra, cujo pano de fundo e o Morro do Careca.

Portanto, Natal se firma como principal destino turístico do Rio Grande do Norte, atraindo milhares de turistas nacionais e internacionais durante todo o ano. Contrapondo-se ao papel hegemônico da capital, tem-se Tíbau do Sul, notoriamente conhecida por suas belezas naturais, e pela badalada Praia de Pipa, que vem, ao longo dos últimos anos, consolidando-se como o segundo destino turístico mais procurado do estado, logo atrás de Natal.

c) Atração e interesse preferencial pelos investimentos externos

Em consonância ao modelo de desenvolvimento hegemônico e centralizador adotado pelo poder público do Estado, as políticas públicas de turismo visam à atração do grande capital, sobretudo representado pelos investimentos externos à dinâmica do lugar, conforme ilustrado na Figura 12 (placa publicitária do empreendimento imobiliário do Grupo Sánchez no Brasil, localizado na Praia de Jacumã, litoral do município de Ceará-Mirim).

Figura 12 – Informe publicitário do Grupo Sánchez no Brasil – Praia de Jacumã, Ceará-Mirim/RN

Fonte: Saulo Gomes, 2008.

No período de 04 a 08 de novembro de 2006, a Secretária de Comércio, Indústria e Turismo de Natal (SECTUR) promoveu um evento denominado “I Bolsa de Oportunidades de Negócios Turísticos e Imobiliários do Rio Grande do Norte” (BONTURN), e teve como principal objetivo: “Proporcionar o encontro direto entre potenciais investidores e proprietários de oportunidades de negócios turísticos e imobiliários no Rio Grande do Norte, fomentando e facilitando negociações entre as partes”. O evento também teve outra edição em 2007 e já está sendo divulgada a programação de 2008.

vários instrumentos, a captação investimentos externos de âmbito nacional e internacional.

Tanto o Plano Nacional de Turismo (2003-2007) quanto o Prodetur e os gestores públicos estaduais, enfatizam em seu discurso: “que o turismo gera emprego e renda” e irá viabilizar a inclusão social e a geração de riquezas para toda a cadeia produtiva do turismo. Cabe-se questionar: para quem são e/ou serão gerados os empregos e as rendas?

Com base nos estudos preliminares e no levantamento dos dados secundários sobre o modelo de turismo do Rio Grande do Norte e, consequentemente, seus efeitos nos municípios que fazem parte da presente pesquisa, observa-se ainda, outros dois aspectos assumidos por este modelo não relacionados pela autora acima citada. São eles:

d) O discurso que o turismo é a principal alternativa econômica para os municípios

O aumento da competitividade do setor, o seu impacto na melhoria das condições de vida da população, a descentralização das decisões e o respeito ao meio ambiente são pilares para a construção de um novo padrão de desenvolvimento, no qual todas as regiões possam crescer de forma integrada. Com o turismo, poder-se-á desconcentrar o crescimento econômico, reduzir desigualdades e criar oportunidades para a construção de um Brasil melhor, guiados por princípios universais da ética. (Plano Nacional de Turismo, 2003-2007).

Tomando o trecho do PNT como ponto de partida para discussão, percebe-se no discurso do Governo Federal a vontade, a motivação e as palavras de caráter ideológico que têm na atividade turística principal fonte do discurso socioeconômico do país. Nesse trecho o turismo é dignificado, potencializado como minimizador de desigualdade sociais e que possibilitará a melhoria da qualidade de vida das pessoas envolvidas no segmento. Tal discurso coloca o turismo como a principal e única alternativa para diminuição das desigualdades sociais no país.

Tal discurso é produzido e reproduzido em todas as instâncias governamentais e privadas em âmbitos nacional, estadual e local, uma vez que os municípios com potencial turístico ou não, vêem na atividade turística sua única

alternativa econômica para gerar empregos, renda, impostos e inserir as populações locais na cadeia produtiva do lugar, melhorando, assim, a qualidade de vida de seus residentes.

e) Supervalorização do modelo turístico hegemônico “Sol e Mar”

O Rio Grande do Norte, assim como todo o Nordeste do Brasil, vê no binômio Sol e Mar a principal alternativa de exploração da atividade turística no estado, em especial, nos municípios do Pólo Costa das Dunas, dos quais apenas alguns receberam ou irão receber recursos provenientes do Prodetur/RN.

Como se posiciona Cruz (2001, p. 77), a construção cultural da valorização do modelo sol/praia é a base sobre a qual se assenta a “potencialidade natural” do litoral nordestino para o turismo.

A supervalorização do modelo turístico alicerçado no segmento Sol e Mar atrai e concentra o sistema de objetos e ações responsáveis pela construção e dinamização da produção dos espaços conforme afirma Santos (1999).

Não podemos deixar de mencionar que o turismo fundamentado nos moldes “Sol e Mar” configura-se como um fenômeno social de massas. Corrobora essa premissa, a posição de Paul Virilio (apud OURIQUES, 2005, p. 41) quando afirma que: “atual turismo internacional renova ainda esta violência colonial com a implantação de clubes de férias ou palácios que a partir de então aparecem em postos avançados em regiões, em sua maioria, miseráveis e hostis”.

É nesse contexto que se tenta entender o turismo de massa, o qual abre caminhos para analisar com maior propriedade, a forma com a qual o turismo se desenvolve e obedece a lógica hegemônica do capital e da cultura turística difundida nos quatro cantos do mundo.

Estudos e pesquisas revelam que este modelo de desenvolvimento vigente, hegemônico e excludente, não é o ideal nem o almejado por vários setores da sociedade, seja pela academia, pela sociedade civil e, inclusive, por grupos que atuam no turismo. Em contraposição ao atual modelo, percebeu-se que o desenvolvimento endógeno, que visa à inserção das populações no processo de decisão e na cadeia produtiva do turismo, seria uma alternativa mais justa, menos excludente, mais democrática e minimizadora das contradições geradas pelo

O modelo de turismo adotado pela Metrópole Natal e seguido pelos municípios selecionados na pesquisa, fundamenta-se em premissas hegemônicas e internacionalizadas, prioriza o turismo internacional, massificado, consumidor do segmento “sol e mar” que atende aos preceitos do grande capital e opondo-se aos princípios pertinentes aos pressupostos do desenvolvimento endógeno com base local. Ocorre, assim, um conflito entre aqueles que reproduzem o turismo convencional e os que apresentam uma proposta nova de turismo, que priorize os residentes e as comunidades.

Diante do exposto, entende-se que o modelo de turismo potiguar não favorece à inserção desejada da população local, pois as ações são contrárias ao discurso apologético e falacioso propagados pelos governos em todas as esferas de poder.

A quarta seção desta pesquisa abordará questões sobre a inserção da comunidade local no turismo potiguar, bem como, seu papel na implementação das políticas públicas de âmbito local e regional. Também serão discutidos dados e apresentados resultados das pesquisas realizadas junto ao poder público municipal e, principalmente àqueles oriundos do diálogo com a comunidade local de cada município pesquisado. Ao final da quarta parte, será feita uma provocação sobre a emergência do turismo comunitário como forma de inserção da comunidade numa perspectiva de desenvolvimento com base local.