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Instrument de cueillette de données11

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A identificação com o grupo de pares e com a convivência que se cria é fortalecedora de aprendizagem e bem-estar. Falar de autonomia relacionada com o grupo de pares pressupõe ressalvar a importância que de o/a jovem atribui a essa realidade.

Sabe-se que “o grupo é uma entidade de socialização, na qual os adolescentes adquirem valores e competências que lhes servem de guia para o seu comportamento”

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(Pereira, et al., 2000, p. 191). Mas isto não é linear, tudo depende da forma como encaram este adquirir de valores e competências e se se deixam influenciar.

Neste estudo encontram-se jovens que afirmam diretamente já se terem influenciado pelo grupo de pares e quem implicitamente também afirme essa influência. Exemplo desta realidade:

“Agora já não, mas quando tinha uns 15 anos, sem dúvida que era porque necessitava de aprovação do meu grupo de amigos, sentia mesmo essa necessidade. Na altura sentia uma maior pressão por parte do meu grupo de amigos. (…) Cada um tornou-se mais autónomo e começamos a pensar mais pela nossa própria cabeça sem ligar tanto, faz parte do crescimento das pessoas”. (Participante

3, rapariga, 18 anos)

“Sim [há influência do nosso grupo de amigos] mas acho que é mais no início da adolescência, 15, 16 anos. Chega-se aos 19, 20 anos e começa a amenizar”. (Participante 3, rapariga, 18 anos)

“Claro que cada um tem a sua opinião e o que quer fazer mas… não sei nenhum exemplo prático… mas se alguém me mostrar melhores razões para eu fazer outra coisa, eu certamente seguirei, se concordar seguirei esse caminho. Eu tenho a minha opinião e muitas vezes sigo o que eu acho, mas podem-me revelar fatores mais positivos para mim e não vou fazer o que acho mas vou fazer o que as pessoas dizem porque se calhar tem mais sentido do que aquilo que eu pensei”. (Participante

8, rapariga, 19 anos)

“Há um limite e nunca vão para lá do que posso fazer e os meus pais iam deixar de confiar em mim (…). Nunca faço nada do que não devo. Aliás porque o meu grupo de amigos não vai para lá do que não devem. Ficam sempre no legal”. (Participante 9,

rapaz, 18 anos)

É de uma relevância extrema falar deste último participante que nos realça primeiro que não faz nada do que não deve e salienta “aliás” porque o seu grupo também não o faz. Aqui verifica-se a importância que o grupo de pares tem no comportamento juvenil.

“A construção da identidade grupal [realiza-se] num contexto relacional específico, em que as avaliações dos grupos e as auto-imagens resultam de um processo de interacção, de recíprocas comparações e categorizações sociais” (Pereira, et al., 2000, p. 192) que, nesta fase, são fundamentais para as juventudes, para a própria aceitação no grupo juvenil pretendido. Nenhum/a jovem gosta de se sentir excluído ou isolado, visto que afeta diretamente o seu bem-estar e a perceção que tem sobre si próprio e o lugar que ocupa na sociedade.

“A saúde social depende da conectividade social, bem como do grau em que a comunidade valoriza a diversidade, apoia e inclui e proporciona oportunidades para que todos possam participar na vida da comunidade, bem como a quantidade e a qualidade (…) das relações que uma pessoa tem” (Reichel, 2014).

Mais do que participar, que tem a sua importância, descreve-se como essencial a qualidade desses relacionamentos sociais.

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Posto isto, dá para perceber que a convivência num grupo de pares é determinante para o desenvolvimento pessoal dos/as jovens e isso é identificado por um jovem participante.

“Dos grupos que integrei eu assisti a diferentes tipos de pensar e diferentes formas de agir e de um certo modo influenciou as minhas escolhas porque eu se calhar de um lado via os meus pais a pensar de uma forma, o que claro, influencia a todos, mas por outro lado o nosso grupo de amigos também nos influencia a aderirmos a outro tipo de posições, (…) a deixarmo-nos levar por outras coisas que possamos fazer ou possamos aderir e portanto eu acho que (…) a maioria das coisas que fiz até hoje muito provavelmente se não tivesse integrado estes diferentes grupos sociais não tinha feito tantas atividade e não tinha tido tantos momentos que me tivessem proporcionado esta maior autonomia e seleção de posições e de modos de pensar que ganhei hoje”. (Participante 1, rapaz, 20 anos)

Esta convivialidade é constituída pelas juventudes como tendo um grande enfoque e privilégio, tanto ao nível da autonomia, como também ao nível da construção do pensamento.

Por outro lado, presentes num outro prisma, encontram-se jovens que afirmam claramente que a sua opinião prevalece acima da opinião de qualquer amigo/a e que a sua vontade própria é mais importante.

“É assim eu sempre tive amigos equilibrados como eu, no que toca às saídas à noite, mas também sempre tive outros amigos que (…) chegavam mais tarde a casa ou iam para discotecas ou outros locais de convivência e de lazer mais noturnos, portanto mais horas e muito provavelmente eu ficava naquela… ficava numa posição, não desconfortável mas tive grande parte deles a dizer: “então, não vieste sair ontem? Podias ter ficado até mais tarde, aquela altura é que foi, devias ter lá estado”. É assim eu nunca me senti mal com isso, sentia-me mal sim se tivesse efetivamente ficado e quando chegasse a casa, os meus pais estivessem tristes e preocupados comigo, em saber porque é que eu não fiz o que eles me pediram. Agora, sim sempre tive amigos que foram um bocadinho mais autónomos do que aquilo que eu fui, mas não creio que isso (…) tenha sido benéfico para eles”. (Participante 1, rapaz, 20 anos)

“Eu penso que geralmente não (…). É quando saímos à noite porque quase todos os amigos gostam de beber álcool e eu não gosto e alguns amigos tentam insistir comigo mas como eu não gosto normalmente mantenho. De resto nós temos mentalidades relativamente semelhantes ou conseguimos aceitar as diferenças. Há algumas situações em que tentam pôr um bocadinho de pressão, mas também não insistem”. (Participante 6, rapariga, 20 anos)

“Cada um tem a capacidade de perceber se quer fazer aquilo ou se não quer. No meu grupo de amigos ninguém é obrigado a fazer nada, ninguém leva a mal se não fumares, é igual. Ninguém obriga ninguém a nada”. (Participante 9, rapaz, 18 anos) “Não. Sinto que mesmo que o restante grupo não queira o que eu quero, eu consigo dizer que não e seguir a minha ideia”. (Participante 10, rapaz, 18 anos)

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“Não. Acho que também tem a ver com a personalidade e... agora acho que não se precisa de ser influenciada pelo teu grupo para seres aceite, acho que isso já passou”. (Participante 4, rapariga, 20 anos)

“Nada do que eles façam me vai influenciar a mim, eu faço aquilo que eu achar que

está bem para mim (…). Eu se vou fazer aquilo que quero, vou-me sentir bem com

aquilo que quero, mas se for para o lado deles posso já não me sentir tão bem, posso-me estar a sentir como uma obrigação”. (Participante 7, rapaz, 17 anos)

Independentemente de uma influência explícita (ou não) por parte do grupo de pares, a verdade é a proximidade entre os diferentes elementos de um grupo contribui para uma perceção de maior e melhor integração social. Esta aproximação ocorre maioritariamente pelas semelhanças que existe entre os/as jovens:

“Em relação aos meus amigos, por acaso não acho que os princípios deles sejam muito diferentes dos meus. Até acho que nós damo-nos bem porque temos princípios semelhantes, o que eu acho que quero eles também querem por isso não noto muito essa diferença”. (Participante 8, rapariga, 19 anos)

Não ocorrendo isto e sendo maiores as diferenças do que as semelhanças entre os elementos dos grupos, acaba por não existir uma identificação com o mesmo e, consequentemente, ocorre um afastamento e rutura de amizades.

Como exemplo descreve-se as palavras da e do jovem participante, respetivamente.

“Por exemplo no andebol as mentalidades são um bocado diferentes, parece que se aglomeram um tipo de mentalidades diferentes e quando saí senti uma grande diferença. Uma liberdade para ser quem sou, basicamente. Para estar mais à vontade sem ter que negar ou esconder; para poder pensar pela minha própria cabeça sem ser julgada. Quando olho para trás: „eu fiz aquilo só porque eles achavam que era bom‟ e agora olho para trás „eu não me acredito que fiz aquilo, é uma vergonha‟”. (Participante 3, rapariga, 18 anos)

“Comecei a conhecer pessoas novas e aquele tipo de pessoas não é o que eu gosto realmente numa pessoa e então fui-me afastando”. (Participante 7, rapaz, 17 anos)

Aqui os/as participantes, ao fazerem uma retrospetiva, percebem o quanto se influenciaram e se anularam enquanto jovens, com vontades próprias. Este ambiente que se vivia nos dois exemplos era falso e adulterado e isso estava a prejudicar a verdadeira inserção dos/as participantes, o que fez com que se afastassem.

Neste seguimento, salienta-se a expressão de uma participante do estudo, que não sendo tão drástica, também evidencia uma outra perspetiva de lidar com as diferenças dentro dos vários grupos que frequenta.

“Por exemplo, estamos todos juntos e é preciso por música se estou com um grupo que gosta mais de um estilo de música e com o outro preferem outro se calhar se eu me identifico mais com o primeiro se estiver no segundo não me vou oferecer para por música porque já sei que as pessoas não se vão identificar”. (Participante 2,

103 Este é um exemplo prático de como a

“capacidade de transformação do jovem e de acordo com o grupo ou com o ambiente não significa conflito de personalidade, mas competência de adaptação aos diversos contextos onde estiver inserido mesmo que temporária ou transitoriamente. Assim, ser camaleão é ter a possibilidade de constituir múltiplas identidades” (Martins, 2005, p. 52).

Além disso, ter a capacidade de perceber que semelhanças e diferenças existem dentro do próprio grupo em relação às preferências individuais e perceber em que momento a sua intervenção promove uma maior interação grupal ou, ao invés disso, uma separação proveniente dos gostos pessoais.

O importante a reter é o enfoque da auto-estima do/a jovem. Seja na inserção completa, seja em exprimir determinadas opiniões, a qualidade de vida deve estar sempre como foco principal. Diferenças existem sempre e contribuem para o desenvolvimento das juventudes, o modo como se lida com elas é que vai levar à inserção ou isolamento social e contribuir para o bem-estar ou solidão, respetivamente.

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