1. SPORTING REGULATIONS
1.35 INSTRUCTIONS AND COMMUNICATIONS
De acordo com as leituras que fizemos para elaboração deste trabalho, vimos que as analogias e as metáforas estão presentes na construção do conhecimento científico ao longo do tempo, sendo evidenciado assim o caráter histórico atrelado a essas. Percebemos a contribuição dessas categorias tanto para a elaboração, quanto para explicação ou refutação de modelos e teorias. Assim, sentimos a necessidade de discorrer acerca da aplicabilidade das analogias e metáforas na construção histórica do conhecimento científico.
Observamos que as analogias e metáforas fazem parte do conhecimento humano, estando presente em quase todas as suas atividades, na imprensa (falada e escrita), na elaboração de livros didáticos, ou até mesmo na identificação de uma época ou etnia. Estas são elaboradas mentalmente pelo ser humano e acontecem de modo espontâneo, sendo a conexão entre o conhecimento existente na mente dos indivíduos e a estrutura conceitual do novo saber apresentado, por quem às utilizam (GUTÍERREZ, 2005). O cérebro é dotado de mecanismos associativos, uma vez que parece ser inato, pois o córtex possui níveis responsáveis pelas comparações entre o novo conhecimento e os previamente existentes, em que resulta na possibilidade de aquisição da nova informação apresentada (PÁDUA, 2004).
Ao longo da história encontramos relatos (CACHAPUZ, 1989) da empregabilidade das mesmas como facilitadoras da aprendizagem, por contribuir na construção e apropriação de um novo conhecimento que lhes fora apresentado, pois, desde os primórdios, os seres humanos aplicam estratégias com o fim de introduzir um novo conhecimento ao já existente. Considera-se que o uso desta, bem como sua utilização iniciou-se com o surgimento da linguagem (DUARTE, 2005). Encontramos na história da humanidade relatos quanto à aplicabilidade das mesmas que se remetem à Grécia antiga, sendo atribuído o uso de metáforas a Aristóteles, em que o uso destas eram considerada a marca dos gênios (DUARTE, 2004). Platão, também empregou as analogias para explicar a origem do
conhecimento, na tentativa de argumentar a relação entre o mundo sensível e o inteligível (BARSA, 2006), por ter a sua origem na experiência ou no pensamento, ao encontrar a resposta às próprias indagações na história da ciência. O referido filósofo ainda propôs aos seus discípulos uma representação geométrica dos movimentos do sol, da lua e dos cinco planetas conhecidos ao promover, assim, a modelagem analógica aproximativa desses elementos (BOYER, 1996).
Muitos cientistas utilizavam as analogias em suas descobertas, tais como Maxwell, Boltzmann e Kekulé. É o que apontam alguns artigos (CACHAPUZ, 1989; DÍAZ, 2004) que relatam sobre a criatividade humana, por meio do uso de analogias e metáforas na história das ciências, por exemplo, por meio de um sonho August Kekulé, comparou o fenômeno da ressonância do anel benzênico com uma cobra que, em chamas, mordia sua própria cauda, e assim, girava sem parar. A seguir traduzimos um trecho do sonho de Kekulé:
Eu voltei minha cadeira para o fogo e cochilei. Novamente os átomos estavam brincando nos meus olhos. Nesta hora o maior grupo ficava em último plano. Meu olho mental rasgou mais agudo por visões deste tipo, poderia agora distinguir maiores estruturas, de cópias configuradas, longas fileiras, algumas vezes mais fechadamente encaixadas juntas, todas retorcendo e entrelaçando como serpente se movimentando. Mas olhe! O que era aquilo? Uma das cobras tinha agarrado sua própria cauda a controlando e ao formar-se, girou brincando nos meus olhos. Como por um fleche de luz eu acordei (CACHAPUZ, 1989) [tradução nossa].
De acordo com Oliva et al. (2004), ao investigar a aplicabilidade das analogias e metáforas no ensino de Ciências, o uso dessas contribui como facilitadoras da imaginação do ser humano. Sendo assim, o homem encontrou um subsídio para que pudesse comparar o desconhecido com o que lhe era familiar. Com a evolução do conhecimento o homem fez uso das analogias e metáforas, com o intuito de facilitar a compreensão da construção do saber, que seriam aplicados, quer no cotidiano, quer no científico como estratégia conceitual.
Metáforas e analogias também são intensamente investigadas por outros ramos da ciência, a saber: a Filosofia das Ciências, a História e a Sociologia, que encontram tais metodologias em publicações, diários e cartas. Baseado no material pesquisado, alguns chegaram até mesmo a recomendar o uso de analogias, com o
intuito de facilitar o desenvolvimento e compreensão de suas pesquisas, como foi o caso de Faraday:
Creio que na prática das ciências físicas, a imagem deveria ser praticada para apresentar a matéria investigada desde todos os pontos de vistas possíveis e impossíveis; para buscar analogias de semelhanças e digamos assim, de oposição, inversa ou contraposta (...). Não poderíamos pensar sobre a eletricidade se imaginaria como um fluído, ou uma vibração, ou alguma forma ou estado. (BERKSON 1974 apud DÍAZ 2004, p.82 de la traducción castellana) [tradução nossa].
Maxwell, físico escocês (1831-1879), também recomendou o uso de analogias que considerou por ilustrativas e heurísticas, isto é, típico da criatividade do ser humano, com o fim de subsidiar idéias e descobertas, pois:
Para conseguir conceito físico sem adaptar uma teoria física, devemos familiarizar com a existência de analogias físicas. Entendo por analogias física essa similaridade parcial entre as leis de uma ciência e as de outra que faz que umas iluminem as outras (DEMO, 2004, p. 190) [tradução nossa].
Para Díaz (2004), graças ao uso das analogias, foi possível a associação da física e da matemática, contribuindo sobremaneira ao desenvolvimento destas Ciências, conforme a afirmação de Boltzmann:
As mesmas equações poderiam ser consideradas como solução de um problema de hidrodinâmica e teoria potencial. A teoria dos fluidos, assim como o atrito dos gases, mostrou uma analogia surpreendente com a do eletromagnetismo. (DEMO, 2004, p. 191) [tradução nossa].
À medida que muitos cientistas reconheciam a importância do uso de analogias e metáforas para subsidiar as descobertas e explicá-las, também reconheciam que era necessária cautela para diferenciar uma expressão análoga e a fórmula de uma verdadeira hipótese científica. Isso resultou ser de suma importância no desenvolvimento da ciência, servindo assim para relacionar os diferentes fenômenos existentes (DEMO, 2004).
Tais descobertas foram subsidiadas por meio de analogias e metáforas que corroboraram na elaboração de modelos científicos. Dessa forma, ao tomarmos
conhecimento do que discorremos neste tópico, vimos à importância do uso destas na construção do conhecimento científico. A seguir discorreremos sobre a importância da utilização das metáforas e analogias para o processo de ensino- aprendizagem das Ciências da Natureza.