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A generalização progressiva da Internet tem colocado problemas aos utilizadores e programadores no que respeita à recuperação da informação que interessa a cada utilizador. Dado o facto de que o número de endereços Web estar a aumentar constantemente, os programadores desenvolveram um sistema de arquivo de páginas que se tinham “marcado” ou adicionadas como “favoritas” nos próprios navegadores Web.

Este sistema de gestão da informação levantava algumas questões entre as quais a dificuldade em aceder aos favoritos ou sítios marcados a partir de computadores diferentes daqueles onde estes estavam guardados, pois este sistema apenas armazenava as escolhas efetuadas no próprio navegador da Internet. A segunda questão prende-se com a multiplicação dos utilizadores e a gestão social da Web. Como fazer a promoção social e a recomendação de sítios a outros utilizadores interessados nas mesmas temáticas? Outras questões eram ainda a possível perda destes favoritos se houvesse um problema informático, a gestão de uma lista de sítios marcados cada vez maior, a abundância cada vez maior de informação na Internet que exige um sistema que permita alguma eficiência na recuperação da informação, … Para solucionar estes problemas surgiram uns serviços Web que oferecem alojamento para marcação social ou social

bookmarking.

De acordo com Lomas, Social bookmarking “is the practice of saving

bookmarks to a public Website and tagging them with keywords.” (Lomas, 2005). Os

marcadores sociais são, deste modo, um método mediante o qual os utilizadores podem armazenar, organizar, procurar, administrar e recuperar em qualquer navegador da Internet os seus marcadores de páginas Web. Estes marcadores são geralmente públicos (de acordo com o conceito Web 2.0) ainda que estes possam ser armazenados para uso

privado ou partilhados apenas com um grupo privado de utilizadores de redes específicas. Desta forma, os utilizadores a quem for dada permissão podem ver os sítios marcados por ordem cronológica, por categorias ou etiquetas ou tags na maior parte das vezes elaboradas em linguagem informal (folksonomias) em vez de usar linguagem controlada e normalizada. Ao mesmo tempo, a utilização das etiquetas traz vantagens ao nível da pesquisa, pois é possível pesquisar quer nas etiquetas do utilizador, quer nas etiquetas de outros utilizadores. Deste modo, podemos encontrar pessoas com os mesmos interesses e "descobrir" novos sítios relacionados com o mesmo assunto potenciando, assim, a partilha e a colaboração. O uso deste tipo de serviços alterou a forma como o utilizador armazena e procura informação, deixando de ser importante saber e lembrar que informação se guardou mas sim a forma de a recuperar e usar num quadro criado pela partilha entre pares e outros utilizadores.

Figura 9- Funcionamento dos marcadores sociais. Fonte (Margaix Arnal, 2008)

Ultimamente, estes serviços evoluíram e foram-lhes sendo adicionadas novas funcionalidades como a possibilidade de outros utilizadores fazerem a avaliação dos sítios marcados, a possibilidade de estes serem importados ou exportados, fazer-lhes anotações, etc. O uso social deste tipo de serviços Web, muito na lógica de Web 2.0,deu origem a um novo conceito que se designou por “catalogação social”.

A utilização de marcadores sociais em ambientes de aprendizagem tem inúmeras potencialidades, desenvolvendo a capacidade de conceptualizar e de estabelecer relações entre conceitos e estimulando a aprendizagem colaborativa. Para o trabalho da BE é uma excelente ferramenta que, de forma fácil, permite selecionar, organizar, classificar e partilhar a informação disponível na Internet.

Gestão colaborativa e participada de recursos Web - Numa era em que é tão

necessário o trabalho colaborativo e em rede é extremamente relevante a existência de uma ferramenta que valorize e potencie o trabalho colaborativo entre professores, profissionais de informação e até os utilizadores comuns se validados os recursos apresentados. Através de um login comum para todos os responsáveis e de uma normalização de etiquetas por parte da biblioteca, é ainda possível que cada um vá adicionando recursos a partir de qualquer localização, não necessitando de se encontrar fisicamente na biblioteca para realizar esta tarefa;

Racionalização e gestão do tempo – Numa época em que não há tempo para

nada e todos os minutos estão contados é útil que existam serviços disponibilizados pela biblioteca que ofereçam o que o utilizador procura sem que este perca tempo na procura do que precisa;

Oferecer serviços de acordo com as necessidades e interesses dos utilizadores - Se gerir uma BE é, cada vez mais, colocá-la ao serviço dos interesses e

necessidades curriculares dos utilizadores o uso deste serviço coloca-a e centra-a bem de acordo com a sua finalidade;

Fidelizar utilizadores – Quando a BE oferece serviços que vão ao encontro das

necessidades dos utilizadores estará, necessariamente, a fidelizar utilizadores motivando-os a recorrer aos serviços da biblioteca em próximas ocasiões reconhecendo- a como útil e fundamental para todo o tipo de trabalhos que necessite realizar e/ou a satisfação de outras necessidades (culturais, recreativas, …);

Marketing da Biblioteca Escolar – Quanto maior for a diversidade e a

qualidade de serviços oferecidos pela Biblioteca Escolar, melhor será o marketing que esta faz de si própria e dos serviços que esta oferece, sendo muito provável a disseminação das suas potencialidades nas redes sociais por aqueles que a usam;.

Potenciação do trabalho em rede – As ferramentas de catalogação social mais

populares oferecem um serviço de tagroll e linkroll, com a vantagem de estarem permanentemente atualizados, o que permite dar uma grande visibilidade aos recursos

marcados através da publicação, através de nuvens de etiquetas, destes mesmos recursos na página Web ou Blogue da Biblioteca Escolar o que permite ampliar os potenciais utilizadores do serviço disponibilizado pela biblioteca;

Como usar o bookmarking social na Biblioteca Escolar?

Oferta de recursos organizados e filtrados - Sabendo que uma das principais

dificuldades dos nossos alunos é a capacidade de encontrar na Internet informação de qualidade para a realização dos seus trabalhos, a disponibilização de um serviço de marcadores sociais na Biblioteca constitui assim uma ferramenta excelente pois os marcadores foram filtrados por PB, professores curriculares ou por outros especialistas na matéria sendo um exemplo de atividade centrada nas necessidades dos utilizadores;

Oferta de bibliografias temáticas – Este serviço permite à biblioteca oferecer

serviços muito personalizados e específicos como bibliografias temáticas;

A flexibilidade do serviço – A catalogação social também pode ser alargada a

outros suporte que não o documento texto. Deste modo por exemplo, fotografias e imagens também podem ser catalogadas e ser-lhes atribuídas etiquetas constituindo um serviço muito similar ao Flickr.

Problemáticas associadas

Seleção de conteúdos a partilhar / Gestão de coleções – Mais uma vez, tudo o

que se escreveu neste trabalho a propósito da partilha e agregação de conteúdos, se aplica no que à catalogação social se refere. Dada a facilidade com que se fez uma catalogação social é muito fácil cair na tentação de marcar tudo na lógica de que um dia talvez venha a ser necessário. Ser seletivo é mesmo uma qualidade para quem cataloga de forma social. Ao princípio poderá parecer que alguns sítios Web ou Blogues são muito úteis porque fornecem informações que parecem necessárias. Mas serão mesmo? É mesmo muito importante haver uma política bem definida sobre o que catalogar e para quem catalogar. Mais uma vez uma política de avaliação da qualidade dos recursos, o currículo e os interesses dos utilizadores devem ser a prioridade do trabalho da Biblioteca Escolar sob pena de haver bookmarks irrelevantes que só podem contribuir para um excesso de informação.

A qualidade ou o interesse? – Uma das maiores questões da catalogação social

é que o mais interessante para um conjunto de utilizadores não significa que seja o mais importante. Por exemplo a possibilidade de avaliar e comentar determinado recurso Web, uma possibilidade muito desejada pela comunidade entusiasta da Web 2.0 nem sempre resulta muito bem. É bem verdade que “o mais lido”, “o mais votado” nem sempre é o de mais qualidade ou relevante.

Volatilidade dos recursos da Internet – À semelhança do que referimos para

os feed, também no respeitante ao Bookmarking Social o facto de a Internet ser extremamente volátil implica que se deve estar muito atento à atualidade dos recursos que se disponibilizam. Importa lançar periodicamente um olhar sobre todos os recursos e, eventualmente, apagar uns quantos que deixaram de interessar por estes já não estarem tão centrados no tema que tratam, ou porque já estão desatualizados. Aproveitar para criar novas pastas temáticas, alterar as etiquetas, …

A questão da folksonomia – Se é um facto que a folksonomia se apresenta

como um sistema aberto e democrático e que se adapta rapidamente ao surgimento de novos conceitos, produtos e serviços, que oferece ao utilizador uma grande liberdade face às estruturas rígidas das taxonomias permitindo-lhe exprimir diferentes perspetivas sobre a informação e descrevê-la de uma forma muito pessoal de acordo com os seus critérios, experiencia e conhecimento a questão coloca-se na hora de implementar uma linguagem controlada na Web. O utilizador confronta-se com a ambiguidade, a polissemia e a falta de controlo na altura de descrever de forma específica ou mais geral as mesmas coisas pois usualmente o bookmarking social é feito por amadores, sem o auxílio de vocabulário controlado.

A questão da qualidade das etiquetas (tags) - As etiquetas são a base dos

marcadores sociais e da sua boa utilização depende a utilidade do social bookmarking para o trabalho da biblioteca. A tarefa de etiquetagem é, de facto, a mais importante no social bookmarking e dela depende uma recuperação eficaz do recurso.

A inexistência de regras de etiquetagem levanta muitas interrogações sobre a forma de recuperação da informação: O que fazer quando a etiqueta é constituída por mais de uma palavra, como em Idade Média, em que tanto se usa idademédia, como idade-média ou idade_média Deve-se usar o singular ou o plural com por exemplo, biografia ou biografias? Usar maiúsculas ou minúsculas? Serão admissíveis artigos e proposições como etiquetas?, Que língua usar , a original ou o português?.

Dadas as características da Web 2.0, nenhuma das perguntas tem uma resposta definitiva. Contudo, será importante que a equipa da biblioteca defina um critério uniforme, que torne mais fácil a recuperação da informação e faça das etiquetas um instrumento útil para os utilizadores dos recursos.

No seu artigo sobre a literacia de tags, Ulises Ali Mejias sugere um conjunto de boas práticas na seleção de tags. Elas incluem:

Think of tags as personal, but also think of tags as social. In other words, tags

can be both for your personal use and for the use of others in the network. […]

Use plurals to define categories. When appropriate, instead of blog or tree, use blogs and trees. Tags signify a category which can encompass various resources,

so the plural is generally more appropriate. […]

Avoid capitalization, except when capitalization is the norm. Don’t use Trees

or Blogs, but trees or blogs. […]

Group common phrases. Some folks use a period or an underscore to group

words in common terms, as in open.source or open_source, instead of the separate words open and source. This avoids the hassle of having to look for the intersection of the two separate tags.

If you want to be extra-nice, include a couple of synonyms. For example, it

may be sufficient for you to tag something with the tag Big_Apple, but you may want to spend a couple of extra seconds to also include the tags NYC and

New_York, knowing that those tags have a broad social value. […]

Observe the norms of the network. Pay attention to tagging conventions

followed by other members of the network, and if they make sense to you, adopt them. Lots of good ideas can come from observing the tagging practices of others.” (Mejias, 2005)

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