Chapter 1: Introduction
B. Corporations in the SNA
A partir do questionário proposto e respondido pelos professores, foi possível auferir informações das crianças a respeito das seguintes variáveis psicofisiológicas:
Gênero; Lateralidade;
Estado emocional da criança;
Proxy para o nível de testosterona pré-uterina.
Assim sendo, a amostra total do presente trabalho foi composta de 141 crianças, todas com idade entre 4 e 6 anos. Destas, 67 eram do sexo masculino, o que corresponde a 48% do total, e 74, do sexo feminino, representando 52% do total da amostra.
Os resultados acerca do estado emocional das crianças podem ser visualizados nas tabelas TAB.2 e TAB.3.
Em toda a amostra observada, 29 crianças foram consideradas como apresentando um estado emocional do tipo carinhoso, 54 do tipo ansioso, característica predominante nas crianças, 41 do tipo calmo e 17, alegre. Nenhuma criança foi caracterizada como apresentando o estado emocional triste ou agressivo.
TABELA 2 – Estado emocional: resultados tabulados
Estado Emocional Nº de crianças
Carinhoso 29 Ansioso 54 Calmo 41 Alegre 17 Agressivo 0 Triste 0
Fonte: Elaboração própria a partir de dados coletados.
Pela TAB.3, percebe-se, ainda, que o estado emocional das crianças pode ser diferenciado quando considerados os resultados obtidos separados por gênero. Percebe-se, portanto, que o comportamento ansioso foi o predominante em crianças do gênero masculino, correspondendo ao comportamento de 36 dos 67 meninos. Já nas meninas, o comportamento calmo foi o de maior representatividade, correspondendo à caracterização de 29 das 74 crianças do gênero feminino.
Tais resultados mostram-se semelhantes aos encontrados por Deb, Chatterjee e Walsh (2010), que evidenciaram que, no caso de adolescentes, a ansiedade era maior em indivíduos do gênero masculino do que feminino.
Considerando, no entanto, a diferenciação entre estados emocionais positivos (carinhoso, calmo e alegre) e negativo (ansioso, agressivo e triste), percebe-se, pelo Gráfico 3, uma preponderância pelos primeiros estados emocionais.
No que tange à lateralidade, os resultados obtidos, conforme dispostos pela TAB.3, apresentaram um total de 105 crianças destras (74,5%) e 36 canhotas (25,5%). Ressalta-se que em 6 casos as crianças foram consideradas ambidestras pelos professores, entretanto, para que fosse possível trabalhar com um modelo de variável dicotômica, estas crianças foram inseridas dentro da categoria, destra ou canhota, de acordo com a mão utilizada para fazer o desenho solicitado, ou seja, de acordo com a sua mão dominante. Neste caso, 5 crianças possivelmente ambidestras preferiam utilizar a mão direita e apenas 1, a esquerda, sendo integradas à categoria dos destros e canhotos respectivamente.
Apesar do grande número absoluto de indivíduos destros, o que chama a atenção foi o percentual relativo de canhotos na amostra, situando-se acima do patamar médio da população, entre 10% e 13%
(McMANUS, 2009). Mesmo em crianças, estudos mostram que este percentual orbita em torno deste mesmo nível médio, entre 10%
(RIGAL, 1992) e 15% (KASTNER-KOLLER; DEIMANN;
BRUCKNER, 2007 ).
Entretanto, ressaltam-se os estudos de Johnston et al. (2009) e Johnston et al. (2010) em que os autores apresentam divergentes resultados para a lateralidade, dados diferentes tipos de testes para sua aferição. Por exemplo, avaliando a lateralidade a partir de atividades como jogar uma bola, varrer o chão, apontar para um ponto, acenar, desenhar e jogar dados, os resultados encontrados pelos autores evidenciaram que o número de crianças que utilizavam a mão direira15 para realizar as atividades variou de 64,2%, quando considerada a atividade de apontar para um ponto, até cerca de 83%, no caso quando as crianças foram solicitadas a acenar. No que tange a atividade de desenhar, os autores descobriram que cerca de 73% das crianças utilizaram a mão direita para fazer um desenho, números similares aos obtidos pelo presente trabalho (75,5%).
Também em conformidade com os resultados dispostos pela literatura, observou-se, como apresenta a TAB.3, que o número de crianças canhotas é maior em indivíduos do gênero masculino. Assim como os resultados encontrados pelo presente trabalho, Vuoksimaa (2010) aponta que em dois estudos, um envolvendo uma amostra de mais de um milhão de pessoas (GILBERT; WYSOCKI, 1992) e outro de cerca de 255.000 pessoas (PETERS; REIMERS; MANNING, 2006), observou-se um maior número de indivíduos canhotos do sexo masculino do que feminino. O mesmo ocorrendo em um estudo de meta- análise em que Papadatou- Pastou et al. (2008), analisando 144 trabalhos a respeito da lateralidade e gênero, identificou uma relação entre lateralidade e gênero, tal qual a aqui exposta.
Com relação à variável razão entre os dedos 2D:4D, proxy para o nível de testosterona intrauterina, os resultados indicaram que a razão média entre os dedos indicadores e anelares (2D:4D) para toda a amostra foi de 0,963. Tem-se ainda que as crianças do sexo masculino obtiveram uma razão média menor do que as crianças do sexo feminino, sendo elas 0,943 e 0,981 respectivamente (TAB.3). Os resultados corroboram os encontrados em adultos (MANNING, 2002; MILLET;
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Os autores apresentam os resultados para indivíduos destros. Neste caso, o montante necessário para completar os 100% da amostra corresponderiam aos indivíduos destros e ambidestros, os quais não foram detalhados no trabalho.
DEWITTE, 2006) e também em crianças (MOREIRA; MATSUSHITA; Da SILVA, 2010) em que a média da razão 2D:4D encontrada em indivíduos do sexo masculino era menor do que a encontrada em indivíduos do sexo feminino. Esta diferença nas médias implica um nível médio de testosterona intrauterina maior nos meninos em comparação com as meninas.
TABELA 3 – Análise descritiva: resultados tabulados Lateralidade Comportamento emocional
razão entre os
dedos destro canhoto carinhoso ansioso calmo alegre média 2D:4D
Meninas 62 12 18 18 29 9 0.981
Meninos 43 24 11 36 12 8 0.943
Fonte: Elaboração própria a partir de dados coletados.
Dispostos os resultados preliminares, passou-se para a análise dos resultados dos experimentos onde procurou-se evidenciar a presença dos vieses cognitivos avaliados e suas relações com condicionantes psicofisiológicos.