As quatro atividades de interação realizadas ao longo da intervenção são descritas resumidamente a seguir:
IOI-1: entre FNN (o público-alvo da intervenção) e FN do PEC (cinco alunos da Unidade Curricular “Didática do Português Língua não Materna” do 1.º ano do MPLS/LE). As interações, previamente informadas aos alunos, ocorreram na sala de aula, com cinco núcleos interativos, quatro formados por um FN e dois FNN e um por um FN e um FNN. Dado o perfil dos FN, futuros professores de PLE, os discursos são marcados pela didacidade e pelo desejo de colaboração comunicativa. Essa atividade ocorreu após 12 horas de curso e os alunos já conheciam as estruturas básicas requeridas para a atividade, como cumprimentar, saudar e agradecer; saudar empregando formas de cortesia e delicadeza; perguntar e dar
48 Cf. Apêndice J.
49 Os detalhes sobre o planeamento de cada atividade interacional podem ser conferidos nos Apêndices G.A-
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informação sobre algo ou alguém, no que se refere a dados e gostos pessoais, profissão e estudos, e ocupação do tempo livre. Observou-se que, inicialmente, alguns alunos estavam sob algum stress, que se reduziu na maioria dos casos50, sobretudo com a realização de uma atividade lúdica no encerramento.
IOI-2: entre FNN e FN do PEC/PB (empregados de bar, professoras do CAPE, professora estagiária e uma estudante do MPLS/LE). A atividade ocorreu no bar da FLUP e, decorridas 18 horas de curso, as estruturas básicas requeridas para o cumprimento da atividade já eram conhecidas dos alunos, tais como cumprimentar, saudar e agradecer; saudar empregando formas de cortesia e delicadeza; perguntar e dar informação sobre algo, fazer um pedido num bar ou restaurante, perguntar o preço e realizar pagamentos. A IOI-2 envolveu duas situações interativas centrais: (1) num primeiro momento, cada aluno fez um pedido a empregados do bar, interagiu sobre as opções e para realizar o pagamento e (2), posteriormente, foram formados dois grupos aleatoriamente, em duas mesas separadas, sendo que, na mesa 1, as interações ocorreram com a presença de duas FN: uma falante do PEC e uma falante do PB (a investigadora e professora estagiária da turma) e, na mesa 2, com a presença de duas FN do PEC, docentes do CAPE/FLUP. Nessa atividade, observou-se que os alunos estavam sob baixo ou nenhum nível de stress, aparentemente porque interagiam num ambiente descontraído e em grupo (e, talvez por isso, não se sentindo tão expostos individualmente). IOI-3: entre FNN e FN do PEC (dois membros da Tuna Feminina da FLUP). A interação ocorreu na sala de aula e foi idealizada considerando-se os eventos culturais da Semana Académica da FLUP, que se aproximavam, e o desejo de se oferecer aos alunos informações culturais sobre algo que estavam prestes a conhecer. Decorridas 22 horas de curso, o esperado era que os alunos pudessem fazer perguntas básicas aos membros da Tuna sobre a rotina do grupo e as suas atividades. Como mencionado acima, dada a especificidade do tema, para promover o envolvimento dos alunos e oferecer-lhes informações sobre a Tuna Feminina da FLUP, antes da interação foi disponibilizado material que lhes pudesse oferecer algum repertório para a realização da atividade, como comentado acima. Além disso, durante a
50 Uma aluna, porém, sentindo-se sob demasiado stress, pediu para se retirar no meio da atividade. Esse episódio
gerou preocupação quanto ao sucesso da intervenção, que deveria, acima de tudo, ser uma experiência proveitosa para os alunos, não apenas do ponto de vista cognitivo, mas também emocional (o prazer em usar o idioma, a autoconfiança para arriscar, a serenidade para esclarecer dúvidas, a capacidade de superação de limites, o sentimento de integração, etc.). Para a minha grata surpresa, essa aluna quis tomar parte das interações seguintes e, no caso da IOI-4, que envolvia a apresentação de aspetos turísticos da cidade do Porto, chegou a ser voluntária com duas colegas para realizar a apresentação na festa de encerramento do curso. De qualquer forma, o nível de stress que atividades interacionais com FN podem gerar em alunos iniciantes é algo que deve ser considerado seriamente.
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realização da atividade, a docente responsável pela turma anotava no quadro palavras muito específicas usadas pelas FN. Essa atividade mostrou-se limitada no cumprimento dos seus objetivos, em virtude do caráter mais monológico e expositivo que ganhou, em decorrência, sobretudo, do ritmo de fala de uma das FN, demasiado rápido para alunos iniciantes, o que certamente inviabilizou a compreensão de boa parte do que foi apresentado. A interação, aquém do esperado, ficou restrita aos alunos da turma com grande capacidade de compreensão e expressão oral51.
IOI-4: entre FNN (colegas de turma). Esta interação integra-se à Unidade Letiva 1 da Regência 2 e, como tal, informações mais detalhadas podem ser encontradas no Capítulo 2 deste relatório, quando se fala da Unidade Letiva 1 da Regência 2. No âmbito da descrição da intervenção, importa ressaltar que a sua motivação foi a visualização de um vídeo sobre turismo no Porto e que, decorridas 34 horas de curso, já haviam sido estudados temas ligados à cultura portuguesa e portuense, como festas e comidas típicas. O objetivo era que os alunos fossem capazes de interagir com os colegas de grupo (a sala foi dividida em dois grandes grupos) para trocar ideias, selecionar e sintetizar, em frases simples e de apelo turístico, as suas escolhas sobre aspetos culturais e pontos turísticos da cidade do Porto. De seguida, deviam apresentar o resultado aos demais colegas e às professoras, à frente da sala de aula, simultaneamente à reexibição do vídeo que motivou a atividade. A apresentação à frente da sala, que era voluntária, contou com a participação de todos os membros dos dois grupos. Talvez pela simetria de status entre os interlocutores (todos FNN), não se observou nenhum nível de stress entre os alunos enquanto interagiam. Posteriormente essa proposta acabou por ser a atividade da turma apresentada por três alunas voluntárias na festa de encerramento do curso.